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quinta-feira, 6 de dezembro de 2018

“Há um clamor unânime e geral por renda básica de cidadania universal e incondicional”. Entrevista especial com Lena Lavinas

Patricia Facchin | 01 Dezembro 2018

Qual é o saldo das políticas públicas na trajetória macroeconômica brasileira entre 2003 e 2017? Ao responder a essa questão, a economista Lena Lavinas é categórica ao afirmar que elas não foram suficientes para atender às demandas das famílias por mais bem-estar e segurança socioeconômica. As chamadas “classes médias” que estavam em ascensão, pondera, “permaneceram vulneráveis”, porque “quanto mais ganhavam, mais dispendiam, pois apesar de a oferta de emprego estar em alta, não houve provisão pública em educação e saúde que lhes desse um certo fôlego. As classes médias têm gastos crescentes para se manterem como classe média, manterem seu status. São despesas com pagamento de escola e universidade para os filhos, aluguel, despesas de saúde que, no Brasil, são majoritariamente out of pocket (ou seja, independem de adesão a plano de saúde)”.

sexta-feira, 16 de novembro de 2018

“Não sou obrigado”: impaciência e arrogância na esquerda

Por Gabriel Landi Fazzio

Para difundir nossas ideias amplamente, permitindo que sejam conhecidas e assimiladas pela maioria do povo, precisamos estabelecer uma autodisciplina voluntária, coletiva. Nesse sentido, existem dois obstáculos que a agitação política e a propaganda teórica “de esquerda” precisam superar com urgência, em especial nas redes sociais: a arrogância e a impaciência.


sábado, 30 de dezembro de 2017

Jean Wyllys defende união das esquerdas em 2018


Após polêmica entrevista de Marcelo Freixo à Folha de S. Paulo, onde o deputado estadual do PSOL diz ter dúvidas sobre se é o “momento de unificar a esquerda”, Wyllys publica artigo onde argumenta que é preciso “unidade na ação, que é totalmente diferente de uma unidade eleitoreira. Essa unidade deve ser construída com base em acordos programáticos”. Leia a seguir.

segunda-feira, 5 de junho de 2017

Juízes se julgam deuses, procuradores santos e advogados, a ética pura

Luiz Felipe Pondé*

A política é um circo. Quanto menos você tiver esperança política, menos você se iludirá sobre a realidade política. O ceticismo em filosofia sempre aconselhou uma postura mais conservadora e cuidadosa quanto às promessas políticas. Desde que a política se tornou objeto de fé, passamos a ter expectativas salvacionistas através da política. E a política não passa da conquista, gestão, manutenção e distribuição do poder.

domingo, 23 de abril de 2017

Se membros do Ministério Público querem legislar, que renunciem à carreira e se lancem candidatos nas próximas eleições

Santayana: Militância política do MP desafia a lei e o Parlamento

Como se tratasse de um partido, em mais um ato descaradamente político – como já se tornou hábito nos últimos anos, no Brasil, sem contestação por parte da imprensa e de órgãos de controle –, procuradores do Ministério Público têm produzido e divulgado vídeo sem defesa de seus próprios interesses, a propósito da Lei de Abuso de Autoridade em exame pelo Congresso Nacional.

Mauro Santayana

Se membros do Ministério Público que se arvoram em representar a classe quiserem legislar, que renunciem à carreira e se lancem candidatos nas próximas eleições. Aliás, parte de seus membros, pois nem todos os procuradores – e juízes – brasileiros concordam com os absurdos que vêm ocorrendo.

terça-feira, 20 de dezembro de 2016

“Juízes e procuradores se comportam como tenentes de toga”, afirma Luiz Werneck Vianna

Cientista político compara movimento tenentista dos anos 1920 com o atual comportamento de juízes e procuradores no Brasil. "Crise política é fomentada pela manipulação de juízes e procuradores", afirmou.

No Vermelho

"Tenentes de toga" manipulam e comandam crise, diz cientista político

domingo, 10 de julho de 2016

A desgraça de muitos é a sorte de alguns


Michel Zaidan 

No compasso de espera do julgamento pela Senado Federal do afastamento (ilegal) da presidente Dilma Rousseff, vai se processando o trabalho de desmonte das políticas públicas redistributivas no Brasil. A voracidade e a cupidez da turma que comprou pastas ministeriais pelo seu voto contra a presidente não têm paralelos na história da administração pública em nosso país. Parece que a (má) consciência da interinidade e ilegalidade estimula o arbítrio e a violência com que vem sendo feito o trabalho de desmonte de todas as conquistas do povo brasileiro nesses últimos 15 anos.

domingo, 29 de maio de 2016

A ação política voltada para a transformação e a libertação só pode ser conduzida hoje com base na multidão”


Negri e Hardt – Multidão

A ação política voltada para a transformação e a libertação só pode ser conduzida hoje com base na multidão” – Hardt e Negri, Multidão, p. 139

A Multidão é a resposta de Negri e Hardt para o Império. Ou melhor, Antonio Negri e Michael Hardt veem na multidão o lado monstruoso que nasce dentro do Império e procura atravessá-lo. Tal conceito procura responder às manifestações políticas atuais: como pensar a política e as revoltas no mundo de hoje? Tal conceito nos faz olhar para o mundo à nossa volta e encontrar as linhas de fuga, as brechas, as potências, as novas singularidades que brotam do concreto rachado.

quarta-feira, 18 de maio de 2016

Onde estariam nossos juristas?



Meteorologia impossível - Há gente sincera acreditando que entramos numa era de limpeza política
 
Por Plínio Antonio Britto Gentil
 

O céu está tão nublado... há tempos que não fica assim... Infelizmente não são apenas “Águas Passadas”, a bela canção de Guilherme Arantes. O céu brasileiro turvou-se há tempos, tamanha é a riqueza da mãe pátria e tão grandes são os olhos de quem a quer explorar predatoriamente. Assim fizeram nossos colonizadores, desde 1.500, como fazem os atuais, que de colonizadores nunca tiveram nada.
 

O lance mais recente neste céu cinzento – se nenhum cometa passar até a publicação deste texto – terá sido o afastamento – na prática, a deposição - da presidente da república pelo Senado no procedimento de impeachment. O que tem isso a ver com predação? Para os teóricos da conspiração, trata-se de uma nova modalidade de intervenção nos destinos do Brasil, dirigida pelo capital internacional em conluio com uma burguesia doméstica atrasada e pedante, ilhada no Sudeste, temperada por uma santa aliança com os três poderes e algumas instituições nacionais, visando dar um verniz jurídico ao que é, na verdade, um golpe. Não de tanques, mas de canetas.

sábado, 14 de maio de 2016

Novas perseguições contra ativistas do Rio


Ministério Público assume que promove vigilância política por meio de agentes infiltrados ilegais e faz pedidos de prisão bizarros contra advogada e estudante. Justiça rechaça petições

Por André Migues, no Mídia Coletiva

O advogado Marino D’Icarahy, conhecido no meio do ativismo carioca como “O Advogado do Povo” e defensor de 11 dos 23 ativistas perseguidos da Copa, publicou nas redes sociais texto em que denuncia o vigilantismo e a perseguição contra esses 23 ativistas políticos. Em mais um caso de abuso de autoridade e opressão, o Ministério Público do Rio de Janeiro, pediu a cassação da liberdade provisória de dois ativistas.

quinta-feira, 12 de maio de 2016

A tragédia ética da política


"Nosso momento atual bem poderia ser lido segundo a equação de Antígona..."

Por Christian Ingo Lenz Dunker.

A história do pensamento sobre a ética pode ser dividida em duas grandes tradições. De um lado estão aqueles que defendem que a essência da ética reside no que move o ato. Ainda que sua ação seja contrária à moral instituída e estranha aos costumes ou ao habitus, ela pode ser ética porque ambiciona praticar uma lei que ainda não foi toda escrita. Por exemplo, quando Antígona desafia Creonte, o tirano de Tebas, porque quer dar a seu irmão Polinice um enterro digno, ela vai contra as leis e as regras da cidade, mas no fundo ela está com a razão ética porque seus motivos são mais universais do que os de Creonte, focado que está no respeito a tratos particulares. Antígona defende o princípio de que todos merecemos um enterro digno, ainda que tenhamos traído um pacto estabelecido, neste caso a alternância de poder entre os filhos de Édipo. É neste sentido que a psicanálise afirma que o desejo humano é trágico por excelência, pois ele nos leva a cometer atos que podem levar ao pior do ponto de vista do bem-estar e da moral, mas que ainda assim estão investidos de valor e merecem reconhecimento.

terça-feira, 3 de maio de 2016

O que o PT fez nos subterrâneos


João Fragoso

Nos presídios brasileiros tem uma população carcerária superior a 700 mil presos, uma das maiores do mundo.
 

Destes, mais de 60% (420.000) são pobres e mais de 50% (350.000) são negros.
 

Cabe uma pergunta: Será que os pobres e os negros são de mau caráter, de má índole, e os ricos e brancos seriam extremamente privilegiados com uma personalidade superior?
 

domingo, 1 de maio de 2016

Deus, um fiador: sobre política, religião e Estado Laico



Sandson Rotterdan,
 

O nome, em algumas tradições religiosas tem por função identificar o ser de quem se fala. Ele, de alguma maneira carrega em si uma entidade, um ser. Não é atoa que na tradição judaica Deus é denominado de ha shem, o nome. Quando as pessoas fazem um ato em nome de outrem querem, via de regra, dignificar e legitimar o que estão fazendo e, de alguma maneira, se eximem da responsabilidade: faço em nome de, e não no meu. A responsabilidade última pelo ato é o nome que o legitima.

quinta-feira, 21 de abril de 2016

“Corinthiano-Ladrão”, ou, a política que começa na segregação e termina na violência




Por Christian Ingo Lenz Dunker.

“Corinthiano Ladrão”. Apesar de ser palmeirense praticante, jamais acusaria alguém desta forma. Nesta aparentemente simples e corriqueira exclamação, ardorosamente repetida nos estádios de futebol, está contida toda a lógica do preconceito. Ela sugere que existe um nexo lógico entre pertencer a um grupo, definido por uma afinidade eletiva, e praticar certa a atitude de cunho moral – no caso, criminosa. Se no enunciado digo “este sujeito é corinthiano e é ao mesmo tempo ladrão” na afirmo implicitamente que “existe um nexo lógico e causal que liga um fato a outro”. Julgar alguém pela sua pertinência a uma classe, grupo ou massa é, de certa maneira, destituir este alguém como sujeito e transformá-lo em mais um. Uma vez realizada tal operação, a lógica do preconceito tende a se perpetuar porque ela é performativa e auto-realizadora.

sexta-feira, 15 de abril de 2016

O discurso fascista e a negação da política.



Entrevista especial com André Calixtre

“Quando se nega o instrumento da política — a política no grande sentido do termo —, aparece o discurso do fascismo”, diz o economista.

A crise política é consequência da incapacidade do sistema político de “dar vazão” às novas demandas que emergiram em junho de 2013 e de “oferecer uma saída para os avanços que esse sistema proporcionou desde a redemocratização, no sentido de abrir uma nova fase de avanços de direitos”, pontua André Calixtre na entrevista a seguir, concedida à IHU On-Line por telefone na última sexta-feira (08-04-2016).

sábado, 9 de abril de 2016

Razão neoliberal, dissolução da democracia e alternativas


Hoje, evitar o impeachment. Mas em seguida, inventar lógicas que recuperem a política como projeto coletivo, resgatem a esfera pública e reabilitem a potência da ação coletiva

Por Tatiana Roque

Defender a democracia. Esse é o mote que tem reunido ações de diferentes correntes político-partidárias. Há um sentimento de que há algo em risco, algo bem maior que o governo.

sexta-feira, 25 de março de 2016

Nota da ANPOCS sobre a conjuntura política e social do país.


Nota da Diretoria Executiva e do Comitê Acadêmico da ANPOCS sobre a conjuntura política e social do país.

A Diretoria Executiva e o Comitê Acadêmico da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Ciências Sociais (ANPOCS) vêm a público expressar sua preocupação com a situação política de nosso país. 


Um "impeachment" à procura de um crime


Michel Zaidan

No Brasil, os institutos da regime presidencialista se prestam a todo tipo de interpretação, segundo as conveniências de cada partido, grupo ou seita de fanáticos. O liberalismo já foi comparado à Bombril, tem sido usado para mil-e-uma utilidades, menos para estimular a criação de uma cultura libertária. A democracia foi chamada por Sérgio Buarque de Holanda de um profundo mal entendido entre nós. E o processo de "Impeachment" foi comparado por Fernando Henrique Cardozo à bomba atômica, existe na Constituição, mas não é para ser usado (contra ele e seus partidários).

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