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sábado, 15 de dezembro de 2018

Michel Zaidan Filho: Fascismo, Estado de Exceção e Direito de Resistência


Tem havido uma grande controvérsia em relação à caracterização do regime político brasileiro, depois da última campanha eleitoral: Estado de direito democrático, Estado formalmente democrático e constitucional, Estado de Exceção, Estado de Exceção Episódico?

Para muitos, a diferença entre um Estado de Exceção e um Estado democrático de Direito estaria no funcionamento normal das instituições: Justiça, Legislativo e Executivo. E a existência do direito do contraditório, da crítica, da oposição e do debate. Enquanto esses poderes funcionarem, não se poderia falar com propriedade em Estado de Exceção. O primeiro a questionar a diferença foi um teórico alemão simpático ao Nazismo, na Alemanha. Carl Schmidt, em seu livro “Teologia política”. Afirmava esse filósofo político que todas as categorias da política seriam extraídas da religião. Que o líder não precisa representar ninguém; ele decide os outros o seguem (decisionismo). E que a política se resumia à oposição entre o amigo e o inimigo. Para Schmidt, era irrelevante a fronteira entre ditadura e democracia. Porque para as classes dominadas, sempre houve uma ditadura, nunca uma democracia. Assim, para estas, tratava-se de criar pioneiramente um verdadeiro Estado de Exceção para as classes dominantes. E isso só podia ser feito com a revolução (Walter Benjamin).

quarta-feira, 31 de outubro de 2018

Adorno: A psicanálise da adesão ao fascismo


"A imagem do líder satisfaz o duplo desejo do seguidor de se submeter à autoridade e de ser ele próprio a autoridade. Isso corresponde a um mundo no qual o controle irracional é exercido, apesar de ter perdido sua convicção interna em função do esclarecimento universal. As pessoas que obedecem aos ditadores sentem que eles são supérfluos. Elas se reconciliam com essa contradição por meio da presunção de que elas próprias são o opressor cruel."

terça-feira, 30 de outubro de 2018

"Só uma frente apartidária conterá um governo de ocupação"


Wanderley Guilherme dos Santos passou os últimos tempos recebendo insultos e apelos. Insultos por ter advertido, no início de 2017, que a esquerda não ganharia a eleição com o PT à frente. E apelos por não ter aderido às frentes que se formaram no segundo turno em apoio a Fernando Haddad.


quarta-feira, 18 de julho de 2018

O Tempo do Inferno


Michel Zaidan Filho

Lembrou, oportunamente, meu amigo e colega Carlos Omena, historiador e professor universitário em São Luiz, que domingo passado o filosofo alemão Walter Benjamin,aniversaria, se vivo fosse. E pediu que a passagem fosse lembrada com a contribuição que ele poderia ter dado para a compreensão de nossa época. Veio-me à memória dois conceitos benjaminianos muito atuais: "Estado de Exceção", utilizado por ele para explicar o fascismo na Alemanha, e o "eterno retorno do mesmo" ou "do sempre-igual", o tempo do inferno,o tempo da produção de mercadorias no capitalismo.

quinta-feira, 7 de junho de 2018

A psicologia de massas do fascismo ontem e hoje: por que as massas caminham sob a direção de seus algozes?

“situação econômica e a situação ideológica das massas não coincidem necessariamente”. (Wilhelm Reich)

Mauro Iasi revisita as teses de Wilhelm Reich sobre a psicologia de massas do fascismo para compreender os impasses políticos do presente.

Por Mauro Luis Iasi.

“o fascismo, na sua forma mais pura, é o somatório de todas as reações irracionais do caráter do homem médio”

W. Reich

“queriam que eu falasse do agora mas, o presente que procuro está preso em um passado que insiste em ser futuro”

M. Iasi

terça-feira, 22 de maio de 2018

O fascismo cotidiano dos doutores



Antonio A Machado

O TERMO fascismo serve para designar os regimes políticos autoritários - os diversos totalitarismos que no século 20 negaram o Iluminismo liberal do Século das Luzes. A origem etimológica do fascismo está na palavra latina fasces, que designava um feixe de varas, amarradas a um machado, com a finalidade de simbolizar basicamente três coisas: a autoridade judiciária, o poder de punir e o dever de manter a ordem.

Mas, além dos regimes fascistas, parece que podemos falar num "fascismo cotidiano", num autoritarismo difuso, destilado, individualmente, no dia a dia; infiltrado nas visões de mundo, nos valores e na maneira como vemos os problemas humanos fundamentais, como enxergamos os diferentes e a diferenças, e, enfim, infiltrado nas opiniões autoritárias que se emitem sobre tudo isso - aparentemente sem muita reflexão.


segunda-feira, 23 de abril de 2018

O MP tem sido o grande representante do fascismo no Brasil.

Brenno Tardelli

Imperdível o corajoso artigo do jornalista e advogado Brenno Tardelli, diretor de redação do site jurídico Justificando. Vai ao ponto: “a guerra contra a corrupção esconde outra motivação preocupante: o sequestro da política pelo poder Judiciário”.

“A única consequência possível de um povo que vibra com sangue e ódio é o adoecimento de suas instituições. Uma delas é o Ministério Público, o qual, em tese, fala pela sociedade brasileira supercampeã em desigualdade social, discriminação racial, de gênero e outras mais variadas formas.

Como porta-voz dessa sociedade nas relações processuais, o MP tem prestado um excelente serviço em todos escalões – de Cabrobó até Brasília, o posicionamento da instituição caminha no sentido de ser o mais reacionário possível, inclusive em respostas exigidas nos concursos para ingresso na carreira[1].

terça-feira, 17 de abril de 2018

Mauro Santayana: O fascismo não perdoa nem os que, por burrice, oportunismo ou covardia, o atraem


Os que hoje se empenham em chocar o ovo da serpente – e abrem caminho para o triunfo do ódio, da violência e da hipocrisia – também serão potenciais vítimas.


Mauro Santayana

A cada vez que alguém divulgar uma notícia fake na internet sabendo que no fundo, intimamente, está mentindo miseravelmente e não passa de um canalha vil e desprezível…

A cada vez que cidadãos que dizem se preocupar com a Liberdade, a Nação, o Estado de Direito e a Democracia, assistirem passivamente à publicação de comentários econômicos, jurídicos e políticos mentirosos, e a outras calúnias e absurdos na internet, mansa e passivamente, sem resistir nem responder a eles…

sexta-feira, 13 de abril de 2018

O Grande Vencedor

Mauro Santayana

A cada vez que alguém divulgar uma notícia fake na internet sabendo que no fundo, intimamente, está mentindo miseravelmente e não passa de um canalha vil e desprezível... .


A cada vez que cidadãos que dizem se preocupar com a Liberdade, a Nação, o Estado de Direito e a Democracia, assistirem passivamente à publicação de comentários econômicos, jurídicos e políticos mentirosos, e a outras calúnias e absurdos na internet, mansa e passivamente, sem resistir nem responder a eles...

A cada vez que alguém disser que o Brasil está quebrado por incompetência de governos anteriores quando somos o quarto maior credor individual externo dos Estados Unidos, temos 380 bilhões de dólares - mais de 1 trilhão e 200 bilhões de reais - em reservas internacionais, o BNDES está pagando antecipadamente 230 bilhões de reais ao Tesouro e a divida bruta e líquida públicas são menores do que eram em 2002 com relação ao PIB...

segunda-feira, 9 de abril de 2018

CPT: Interditar Lula é consumação do fascismo


NOTA PÚBLICA

Consumada a prisão do ex-presidente Lula, a Diretoria e a Coordenação Nacional Executiva da Comissão Pastoral da Terra (CPT), reunidas em Goiânia, Goiás, juntam-se a toda gente de boa vontade e senso de Justiça para externar sua inconformidade com este ato. Neste, configura-se o auge de uma trama de assalto ao poder do Estado e dizimação da frágil democracia brasileira para consolidar a submissão nacional aos interesses ilimitados do capital global.


quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018

A intervenção no Rio de Janeiro e o avanço do fascismo no Brasil

No caminho do fascismo

Na intervenção no Rio de Janeiro, o racismo é elemento inseparável do deslocamento do inimigo público das elites para as classes populares.

Michel Temer assina o decreto de intervenção federal no Rio de Janeiro e promete resposta “dura” ao crime.

Por Carlos Eduardo Martins.

A intervenção federal militar na segurança do Rio de Janeiro e sua possível extensão a outros Estados marca uma nova etapa da escalada repressiva que avança no Brasil desde o golpe de 2016, configurando tecnicamente um Estado de Exceção.

Constitucionalmente, são três os níveis de Estado de Exceção: Intervenção Federal, Estado de Defesa e Estado de Sítio. Cumprimos com esta iniciativa o primeiro nível do Estado de Exceção: até o final de 2018, o Congresso terá suas prerrogativas reduzidas e, no Rio de Janeiro, a Justiça Militar substitui em parte a Justiça Civil para assuntos de segurança pública, situação que incidirá basicamente sobre a vida das camadas populares. A intervenção federal realiza-se de maneira açodada e não atende aos requisitos constitucionais substantivos para sua realização: não há grave desordem pública no Rio de Janeiro, como demonstram os indicadores da cidade no ranking da violência no país e os que atestam a redução dos índices de criminalidade deste carnaval em relação ao de 2017.

sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

Michel Zaidan Filho: O drama da classe média


Segundo Aristóteles, a classe média é a salvação da democracia. Para ele, ela atenuava a desigualdade social. Quando maior fosse, impedia que uma pequena minoria fosse muito rica; e a grande maioria pobre. Ou seja, quando mais extensa ela fosse, mais o risco de um desequilíbrio social seria evitado. Este sábio pensamento do estarigita poderia ter evitado a corrupção da democracia ateniense e o advento dos demagogos e tiranos na ágora de Atenas. Infelizmente, não foi o que aconteceu. Caiu a democracia, Atenas tornou-se imperialista e foi derrotada por Esparta.

sexta-feira, 5 de janeiro de 2018

Do “Fascismo Democrático” a um novo Comunismo?

Ocidente parece dividido entre a aristocracia financeira e os gângsters. É preciso reconstruir a ideia de alternativa, ou não haverá mais Política. Mas quais os caminhos?

Alain Badiou 

1.
Começo como uma visão geral, não da situação atual dos Estados Unidos, mas do mundo de hoje. Penso que o ponto mais importante por onde devemos começar é a vitória histórica do capitalismo globalizado. Devemo-nos confrontar com esse fato. De alguma maneira, desde os anos 80 do século passado até hoje, temos a vitória histórica do capitalismo globalizado. E isso por muitas razões.

terça-feira, 2 de janeiro de 2018

Aliança e “conciliação” de classes para enfrentar o fascismo e o atraso.

Será possível enfrentar a reação e isolar os fascistas sem aliança entre democratas e progressistas ; ou seja com uma nova versão da conciliação de classes ?



quarta-feira, 27 de dezembro de 2017

Zaidan : O drama da classe média

Michel Zaidan Filho

Segundo Aristóteles, a classe média é a salvação da democracia. Para ele, ela atenuava a desigualdade social. Quando maior fosse, impedia que uma pequena minoria fosse muito rica; e a grande maioria pobre. Ou seja, quando mais extensa ela fosse, mais o risco de um desequilíbrio social seria evitado. Este sábio pensamento do estarigita poderia ter evitado a corrupção da democracia ateniense e o advento dos demagogos e tiranos na ágora de Atenas. Infelizmente, não foi o que aconteceu. Caiu a democracia, Atenas tornou-se imperialista e foi derrotada por Esparta.

No resto do mundo, quando se fala em “classe média” é o terceiro Estado, o povo e a burguesia, ou num estrato da população que é conhecido como trabalhadores de “colarinho branco”, para se diferenciar do marrom dos macacões dos operários da indústria. Nos EE.UUs. onde se tem notícia da maior classe média do planeta, esta classe costuma ser a âncora do capitalismo (e da economia de mercado) e da democracia americana. Para onde for a classe, vai o regime político dos “Yanques”, que se gabam de ter um regime político estável em razão da força de sua classe média, enquanto consumidora e eleitora.
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