quarta-feira, 23 de agosto de 2017

A liberdade de limitar-se: psicanálise e teoria do poder

O moralismo que deu luz ao nosso momento atual entrou em colapso. O princípio de autolimitação foi trocado pelo modelo no qual a liberdade é exercer todo o poder que se pode.

Christian Ingo Lenz Dunker.

A psicanálise desenvolveu uma pequena teoria prática sobre o poder. Quando alguém procura a nós, psicanalistas, em geral este alguém está questionando suas posições e decisões na vida. Por isso mesmo abre-se para ouvir, pedindo que o outro lhe dê alguma direção, uma pista e até mesmo um conselho sobre a pergunta fundamental: o que fazer?

"Liberta Rio Tinto": Audiência Pública na ALPB dia 24/08/2017 ás 14:00 horas


A centralidade do trabalho faz a classe trabalhadora sujeito revolucionário fundamental

 A centralidade fundante do trabalho (work) implica na afirmação da classe operária como o sujeito revolucionário (fundamental). A realização da filosofia e da emancipação humana estão vinculadas ao proletariado.

Poemas sobre a classe operária: Servente de Pedreiro IV

Servente de pedreiro IV

Jacarezinho e Manguinhos: Massacre Estatal e Resistência Favelada

Por trás das operações policiais-militares no Jacarezinho, existem fatos incontestáveis. Primeiro: a população daquela favela, como das demais no Rio de Janeiro, é composta, em sua esmagadora maioria, por negros/as e pobres; em segundo lugar, até agora se desconhece a existência de fábricas de armas e munições no Jacarezinho, como também jamais foi localizado qualquer sofisticado laboratório para processamento de pasta de coca naquela favela; e Terceiro: Esse show de horrores e palco de violações dos direitos básicos dos direitos humanos fundamentais de milhares de pessoas – mesmo que se queira tratar de outra forma – tem como pano de fundo agradar e iludir a parcela da sociedade que se sente insegura muito em consequência do desastre dos governos do golpista Temer e de Pezão, ambos enrolados até a alma com a corrupção.


A “Geringonça” no Brasil?

 Cláudio de Oliveira 

“Geringonça” é o apelido da coalizão liderada pelo primeiro-ministro Antônio Costa que atualmente governa Portugal. A aliança reúne os tradicionais Partido Socialista e Partido Comunista e o recente Bloco de Esquerda, além do Partido Ecologista Verde.

Assim chamada pela forma improvisada como foi criada, a ”Geringonça” surgiu depois das eleições parlamentares de 2015 para se contrapor ao majoritário Partido Social Democrata, de centro-direita, que até então governava o país.

Para muitos, o governo da “Geringonça” seria breve por reunir o PS e o PC, dois partidos próximos que, a partir da Revolução dos Cravos, passaram a maior parte do tempo como adversários, reproduzindo em Portugal a velha disputa entre social-democratas e comunistas que se espalhou por todo o mundo após a Revolução Russa de 1917. Também no país luso, os comunistas acusavam os socialistas de direitismo e os socialistas acusavam os comunistas de extremismo. Algo parecido com a atual disputa entre o PSDB e o PT no Brasil.

Esquerda democrática e esquerda autoritária

Olof Palme e Fidel 
Cláudio de Oliveira - Agosto 2017

Sempre existiu uma esquerda que observou os princípios democráticos: prevalência da maioria, respeito à minoria, pluripartidarismo, livre manifestação do pensamento, autonomia da sociedade civil (sindicatos, etc.) ante o Estado, direito de greve para os trabalhadores.

Esta esquerda democrática não expropriou os proprietários, mas taxou a riqueza e a distribuiu através de políticas sociais. Como regime econômico, estabeleceu uma economia mista, de convivência entre os setores estatal e privado, sob coordenação governamental.


Lula atua como fio condutor da nação consigo mesma

O cientista político Gilberto Maringoni, professor da Universidade Federal do ABC (UFABC), retrata com nitidez a caravana do ex-presidente Lula pelo Nordeste; "Lula fura todas as bolhas e parece galvanizar uma vontade coletiva dos que perderam a esperança, numa espécie de retomada de um fio condutor da Nação consigo mesma", diz Maringoni; "Desesperançados e desesperados se ligam em sua pessoa, na busca de incertos "bons tempos" existentes no imaginário coletivo e no diferencial do que é a hecatombe do governo Temer com seus anos no Planalto"

Eletrobras, Energia para novos tempos

Eletrobras.png

Razão social Centrais Elétricas Brasileiras S.A.

Tipo Empresa de capital aberto

Slogan Energia para novos tempos

terça-feira, 22 de agosto de 2017

Na Justiça do Pará, dano patrimonial pesa mais que morte de sem terra

Há dez meses, 22 camponeses estão presos por depredar uma fazenda. Os policiais envolvidos na chacina de Pau D'Arco estão soltos.

A testemunhas do massacre de Pau D'Arco temem retaliações.

Rodrigo Martins

Palco de um dos maiores massacres campesinos da história do Brasil, Eldorado do Carajás, no Sul do Pará, terá outro emblemático julgamento, desta vez com os sem-terra no banco dos réus. Em 29 de outubro do ano passado, 22 trabalhadores rurais foram presos durante a ocupação da Fazenda Serra Norte, reivindicada para a reforma agrária.

O fascismo nos convida para jantar

Wagner Braga Batista*

Ao adentrar num supermercado, deparei-me com uma cena grotesca. Duas mulheres, jovens, esbravejavam, ostensivamente. Uma delas gritava:

- Esta comida não se dá nem pra porco.

Prosseguiu:

- Ainda bem que AINDA não sou militar. Se fosse quebrava tudo.

segunda-feira, 21 de agosto de 2017

Losurdo: A Revolução Russa e o revisionismo histórico

"Para a ideologia dominante de hoje, a dominação colonial e o banho de sangue da guerra mundial são sinônimos de normalidade, ou mesmo de sanidade psicológica, enquanto que a Revolução de Outubro – oposta a tudo isso – representa uma epidemia, a disseminação da loucura."

Por Domenico Losurdo.

“Duas epidemias assolaram o mundo em 1918. Uma foi a influenza espanhola […] A outra epidemia foi o bolchevismo, que por determinado período pareceu quase tão contagioso quanto e no final das contas se provou tão letal quanto a influenza.”

(Niall Ferguson, The War of the World, pp. 115-5).

Lula lá na Paraíba


O fedor da força bruta

Indestrutível 
Wanderley Guilherme dos Santos

O Golpe de 2016 expulsou a representação popular do circuito legal do poder executivo. A violência continua, exonerando técnicos de governo por suspeitada simpatia pelas teses econômicas e sociais progressistas. Evitar a qualquer custo o retorno legítimo de representantes populares ao Executivo resume a cláusula pétrea do breviário golpista. Atenção para o “evitar a qualquer custo”. Não se trata de recurso estilístico de mau gosto: indica o compromisso prioritário dos reacionários com a manutenção da liderança golpeada no ostracismo. Antes ou depois da vitória eleitoral da oposição popular.

Zélia Duncan: “A lei virou só conveniência e é aplicada de forma implacável contra pretos e pobres”

Um Detalhe

Semana dessas vi uma parte do “Profissão repórter”, de que gosto muito, e já nos primeiros minutos comecei a reparar numa coisa que é infelizmente bem fácil de se constatar. Um programa sobre vítimas de violência nas emergências de hospitais públicos. Muitos entrando já cobertos por um lençol, por onde, lá na ponta da maca, só se viam os pés. Negros. Todos que vi entrando, com ou sem vida, sangrando, chorando, assustados, calados, falantes. Todas as famílias esperando notícias, todas as mães aflitas, todos eram brasileiros negros. Nosso país é racista desde sempre, não posso e não quero me iludir. Fiquei impactada com aquelas imagens e indignada por ninguém ressaltar a constatação óbvia. Ficou como se fosse uma sinistra coincidência. Um detalhe? Sabemos que há uma violência sistemática contra o jovem negro no Brasil. E, claro, uma violência generalizada nos nossos dias. O bebê Arthur que o diga; encurralado por uma bala perdida no ventre da mãe, não resiste e morre. Uma bala de fuzil. Perdida.

A estruturalidade em Marx e o mito da ‘crítica ao burguês malvado’

Sádico maníaco ?
nairuslobatev

Algo bastante comum nas críticas pejorativas a teoria de Karl Marx, seria a ideia de que este visualizaria, em sua essência, uma problemática moral e individual. Em outras palavras, que Marx acreditaria que os problemas apontados por ele no sistema capitalista, se dariam pela índole das pessoas – nas quais o capitalista seria um indivíduo inerentemente malvado que explora seus trabalhadores por ser praticamente um sádico maníaco, ou que toda a sua teoria e crítica contra o capitalismo se baseiam em uma mera visão moral pueril e inocente, de que há um ‘patrão malvadão’. Esquecem, no entanto, que a perspectiva de Marx é estrutural – e radicalmente oposta a uma crítica individual e moralizante.


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