segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Quem avisa amigo é (2)

Quem Avisa, Amigo É

Respeito

VOCÊ É SIM UM DEGENERADO QUE NÃO DEVE TER TIDO A OPORTUNIDADE DE VER UM FILHO CRESCER SABENDO RESPEITAR QUEM MERECE O RESPEITO. SE UM FILHO MEU, EM QUALQUER MOMENTO, ME DESRRESPEITAR SEREI SEVERO COM ELE PARA QUE NO FUTURO NÃO SEJA UM CORRUPTO NO USO DE SUA AUTORIDAE E UM DEGENERADO QUE NÃO ACEITA A AUTORIDADE IMPOSTAS POR LEI QUE REGEM NOSSA SOCIEDADE. SEUS TEXTOS SÃO UM LIXO FORMADOR DE ESCÓRIAS DA SOCIEDADE MODERNA. VAI FAZER UM TRATAMENTO E CURAR SEUS TRAUMAS.

Do blog: Liberal,libertário,Libertino

Montenegro: Dilma já ganhou


Seria demais pedir que eu comprasse a Veja duas semanas seguidas. Não comprei. Portanto, o que escrevo abaixo é baseado em um e-mail que reproduz parte da entrevista com Carlos Augusto Montenegro, o dono do Ibope, publicada na revista. Será que ele disse mesmo o que foi publicado? Não me responsabilizo.

O e-mail veio acompanhado do título "A Luta Continua". Ou seja, a direita brasileira se apropriou até mesmo dos slogans da esquerda. Não saio mais com o meu boné do Che Guevara. Perigas de um bacana aqui do Higienópolis furtá-lo para usar na próxima manifestação "Fora Sarney".

O PT, como se sabe, acabou. Nas palavras de Montenegro, "o partido deu um passo a mais na direção de seu fim. O PT passou vinte anos dizendo que era sério, que era ético, que trabalhava pelo Brasil de uma maneira diferente dos outros partidos. O mensalão minou todo o apelo que o PT havia acumulado em sua história. Ali acabou o diferencial. Ali acabou o charme. Todas as suas lideranças foram destruídas. Estrelas como José Dirceu, Luiz Gushiken e Antonio Palocci se apagaram. Eu não diria que o partido está extinto, mas está caminhando para isso."

Uau! É lógico que o PT se desgastou no poder. Que, como partido do poder, se aprofundou nos grotões e perdeu base nas regiões metropolitanas. É um processo que sempre se deu na política brasileira. Foi assim com a Arena, com o MDB, com o PSDB. Mas acho meio arriscado dizer que o PT está caminhando para a extinção. E arriscado especialmente para alguem que dirige um instituto de opinião. É natural que o eleitor se pergunte: será que o sr. Montenegro vai distorcer pesquisas com o objetivo de garantir que sua entrevista não seja desmentida pelos fatos? Sim, eu sei que ele está falando para o público interno. As últimas semanas foram marcadas por isso: José Serra tentando convencer José Serra de que ele está eleito.

Mas o repórter poderia ter notado que Lula se reelegeu em 2006 depois do mensalão. E que o PT fez uma bancada respeitável. Posso estar enganado, mas acho que o PT foi o partido mais votado nas eleições municipais de 2008. Será que o PT está tão morto assim?

por Luiz Carlos Azenha
Ler matéria completa no Blog Viomundo

Porque o PIG * quer fechar o Congresso ?



Na excelente coluna Rosa dos Ventos, de Mauricio Dias, na Carta Capital, o professor Wanderley Guilherme dos Santos divulga o exame patológico e a retosigmoidoscopia do PiG (*):
“A imprensa brasileira tem sido adversária histórica das instituições representativas do Brasil”
(É por isso que o PiG(*) detesta o Congresso, ainda mais quando um presidente trabalhista tem maioria – PHA)
“Sem embargo da retórica democrática” – continua Wanderley – “a imprensa brasileira tornou-se a principal adversária das instituições representativas”.
“… a imprensa é um ator político, na medida em que forma opinião, agenda demandas e que, eventualmente beneficia ou cria obstáculos para governos.”
“No Brasil ela diz que retrata apenas a realidade. É falso. Há muito da realidade que não está na imprensa e há muito do que está na imprensa que não é realidade.”
(Por exemplo, a “crise da Dra Lina” – PHA)
“A imprensa brasileira não tolera a ideia de governos independentes, autônomos em relação às suas campanhas.”
(Ela gosta do Serra que suspende as aulas porque a Globo – Ali Kamel – quer que a gripe suína desmoralize o presidente Lula – PHA)
Não deixe de ler a íntegra da conversa do professor Wanderley com o Mauricio

(*) Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista.

Paulo Henrique Amorim. Conversa Afiada.

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Teatro Santa Roza, João Pessoa, Paraíba

Por quem os sinos dobram (ou quem rouba voto de quem)

Quatro pessoas, historicamente eleitoras do PSDB, e uma do PT me disseram ontem que votarão em Marina Silva quando ela sair candidata à Presidência: um jornalista de economia, um pesquisador de uma ONG ambientalista, uma administradora de empresas, um médico e um antropólogo (ok, parece início de piada de salão: havia cinco pessoas caminhando no deserto, um brasileiro, um japonês…)
Este DataSaka não tem o mínimo de acuidade estatística, até porque não perguntei nada, eles que me disseram. E não estou fazendo uma análise sobre as eleições do ano que vem ou demonstrando qualquer preferência por A ou B. Apenas observando. Observei também as estratificações de intenção de voto no último Datafolha. E tenho a impressão de que, no universo da classe média brasileira, ao contrário do que boa parte da imprensa tem alardeado, não será a concorrente governista que perderá mais votos para a futura candidata do PV…
É a campanha gritando a plenos pulmões. A solução para isso? Ou leia, escute e assista a muito. Ou não leia, não escute e não assista a nada.

Blog do Sakamoto

Cuidado para você não mascar um escravo por aí


Em duas ações de fiscalização no Rio Grande do Sul, o Ministério Público do Trabalho, o Ministério do Trabalho e Emprego e a Polícia Federal libertaram 14 pessoas, entre elas um jovem de 16 anos, em fazendas de pinus no município de São José do Norte. Como bem lembrou Bianca Pyl, aqui da Repórter Brasil, a árvore - que é cultivada em milhares de hectares da região Sul - é usada não só pela indústria da madeira, como a moveleira, mas também para a produção de resina utilizada na composição de produtos como o velho e bom chiclete. E cola, borracha sintética, tintas, vernizes…
O pinus vem sendo figura recorrente em libertações de escravos nos últimos anos, invadindo um território que tem o gado bovino, o carvão e a cana como expoentes.
Na primeira fiscalização, os trabalhadores estavam subordinados a Cleber Vieira Rosa Ltda e Valnei José Queiroz. Na segunda, à Serraria De Bona & Marghetti. Todas usavam “gatos” (contratadores de mão-de-obra) para arregimentar pessoas para o serviço.
Os escravizados dormiam em barracos feitos de restos de madeira e lona. Não havia instalações sanitárias. Descontos irregulares foram verificados: alimentos superfaturados eram adquiridos em estabelecimento comercial indicado pelos aliciadores. Por causa das dívidas, empregados ficavam sem receber. Um deles, estava há um ano e oito meses no serviço.

Os empregadores assinaram Termos de Ajustamento de Conduta (TAC), propostos pelo Ministério Público. Foram pagos os salários devidos, os direitos trabalhistas e uma indenização por dano moral individual. E o valor obtido por dano moral coletivo foi revertido em material para uma campanha que explicará o que é trabalho degradante em jornais do Rio Grande do Sul.

Blog do Sakamoto

Dom Evaristo Arns parabeniza Flávio, Simon e Marina



Telegrama do cardeal aposentado de São Paulo Dom Paulo Evaristo Arns para o sobrinho Flávio Arns, senador do Paraná, de saída do PT:

“Parabéns atitude coerente diante corrupção inacreditável Senado. Queira transmitir votos de apoio benemérito à Senadora Marina, Senador amigo Simon, como também aos demais colegas que defendem ética e decoro dos chamados Pais da Pátria. Abraço de seu tio, Cardeal Paulo Evaristo Arns.

Blog do Noblat

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Porto do Capim, João Pessoa, Paraíba.

Em Liberdade, de Silviano Santiago



Em Liberdade, ficção publicada por Silviano Santiago em 1981, pretende ser o diário dos primeiros meses de liberdade de Graciliano Ramos. O escritor alagoano passou dez meses preso nos calabouços do Estado Novo, período que gerou, dez anos mais tarde, o testemunho Memórias do Cárcere. Entretanto, o que Santiago deseja capturar são os meses imediatamente posteriores a sua libertação. Em janeiro de 1937, Graciliano teria escrito um diário no calor do momento, cheio de esperança e frustração, com críticas a amigos e inimigos. Mais tarde, percebendo que essa introdução destoava completamente do conjunto da obra Memórias do Cárcere, Graciliano teria resolvido sacrificá-la, entregando-as a um amigo que brodianamente as teria repassado ao editor Silviano Santiago. Fica assim construída a ficção da ficção.

Em uma literatura rica em sátiras e paródias, Em Liberdade talvez seja o mais importante pastiche da literatura brasileira. Santiago incorpora o estilo característico de Graciliano não para simplesmente imitá-lo, ou criticá-lo, ou trazê-lo para o presente, mas para incorporá-lo, para através dele empreender uma reflexão sobre o papel do escritor diante das ditaduras.

Ler mais em : http://liberallibertariolibertino.blogspot.com/

FHC: mundo sem droga é objetivo difícil de ser alcançado



RIO - O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso disse hoje que "imaginar um mundo sem droga é um objetivo difícil de ser alcançado, é como imaginar um mundo sem sexo". A declaração foi feita na abertura da primeira reunião da Comissão Brasileira sobre Drogas e Democracia, realizada na Fundação Oswaldo Cruz, no Rio. Trata-se de um desdobramento da Comissão Latino-Americana sobre Drogas e Democracia, criada por Fernando Henrique e pelos ex-presidentes da Colômbia, César Gaviria, e do México, Ernesto Zedillo, que em fevereiro apresentou um documento propondo a descriminalização da posse de maconha para consumo pessoal.

Estadão .
Ler mais em : http://www.estadao.com.br/noticias/geral,fhc-mundo-sem-droga-e-objetivo-dificil-de-ser-alcancado,422792,0.htm

O chororô dos negociantes de terra

Sinceramente parece chororô a onda de protestos de setores, eu não diria do agronegócio, mas de negociantes de terras e pecuaristas atrasados, contra a atualização do índice de produtividade que serve de base e critério para definir, conforme manda a Constituição, se uma propriedade é ou não produtiva e pode ser ou não desapropriada para fins de reforma agrária.

Com apoio, como sempre, de nossa conservadora mídia, a campanha contra a revisão é liderada pela senadora Kátia Abreu (DEM-TO), presidente da CNA - Confederação Nacional de Agricultura, e pelo líder da bancada do DEM na Câmara, deputado Ronaldo Caiado (GO), fundador da UDR - União Democrática Ruralista.
Pela nossa Carta, a propriedade, a posse da terra, tem uma função social, além de produtiva. Na Europa, essa função chega a ser também cultural, é um patrimônio da nação faz parte da história do povo e de seus costumes.
O suprassumo do reacionarismo
Lá os produtos agrícolas são tratados como um bem do país pela qualidade e exclusividade - como, por exemplo, os queijos e o champanhe.

No Brasil esses setores (veja, também, nota abaixo) querem que o índice de produtividade de 1975 continue em vigor em pleno século XXI, quase 35 anos depois de fixados, como se nada tivesse mudado na agricultura e pecuária brasileiras.
São contra a mudança, como se nossa produtividade fosse a mesma de 1975. Haja atraso e conservadorismo! Haja reacionarismo! Um absurdo!

BLOG DO ZÉ DIRCEU

domingo, 23 de agosto de 2009

STTrans vai notificar quem ‘privatizar’ calçadas na Capital





A Superintendência de Transportes e Trânsito (STTrans) vai intensificar a fiscalização a estacionamentos de estabelecimentos particulares e públicos a partir da próxima segunda-feira (24). A ação visa a atender a uma demanda da população de João Pessoa, já que o assunto é alvo de aproximadamente 500 ligações recebidas pelo órgão todos os meses.
De acordo com os Códigos Municipais de Postura e Urbanismo, o uso de correntes e placas em calçadas indicando a existência de estacionamento exclusivo não é permitido. Os códigos determinam que, a partir do momento em que a calçada é rebaixada, o local para estacionamento passa a ser público. Desta forma, qualquer pessoa pode estacionar o seu veículo, independentemente de ser ou não cliente do lugar.
Os estabelecimentos que estiverem desobedecendo à legislação serão notificados e quem não cumprir com a determinação estará sujeito à multa e até mesmo à cassação do alvará de funcionamento. Os agentes de trânsito também intensificarão a fiscalização no que se refere a carros estacionados no passeio, prejudicando a acessibilidade das pessoas nas calçadas.
Veículos estacionados em calçadas e estabelecimentos que impedem que a população estacione seus veículos em espaço público encabeçam as queixas junto à Central de Reclamações e Informações (Cerin) da STTrans, que atende através do telefone 0800-281-1518. São cerca de 500 ligações mensais solicitando a atuação dos agentes para solucionar esse tipo de problema. Todos os meses, o órgão de trânsito recebe cerca de 30 e-mails de usuários reclamando de carros estacionados no passeio e de estabelecimentos que não cumprem a lei, através do (sttrans@joaopessoa.pb.gov.br).
De janeiro a agosto deste ano, 1.361 condutores foram multados por estacionar o veículo no passeio público. Durante todo o ano de 2008, foram 3.191 multas aplicadas por este tipo de infração. Estacionar o carro na calçada, impedindo a acessibilidade se constitui em uma infração grave que pode acarretar multa no valor de R$ 127,69, além de cinco pontos na Carteira Nacional de Habilitação (CNH) e remoção do veículo.
“Os empecilhos em cima da calçada são obstáculos para a mobilidade dos pedestres e devem ser retirados. Veículos estacionados na calçada são obstáculos e não podem ser tolerados, porque impedem a passagem do pedestre,”, comentou o diretor de Trânsito da STTrans, Omar Ramalho.
De acordo com a superintendente da STTrans, Laura Farias Gualberto, a ação para coibir esse tipo de prática será intensificada, porque o problema vem acarretando sérios problemas à população. Ela informou ainda que a equipe de Educação para o Trânsito e Transportes do órgão também sairá às ruas levando informações aos motoristas sobre os problemas que geram ao estacionar o veículo no passeio.
LEGISLAÇÃO
Os Códigos de Postura e de Urbanismo estabelecem que “ao rebaixar o meio-fio para fins de estacionamento, a utilização deste passa a ser pública, não devendo ser utilizadas correntes, placas, letreiros ou qualquer outro elemento que iniba, bloqueie ou impeça a utilização do mesmo”.
O Código de Postura diz ainda que “não é permitido estacionar veículos sobre passeios, sob pena do veículo ser removido” e estabelece que a “área de afastamento frontal só deverá ser utilizada para estacionamento perpendicular à via, quando este afastamento for maior ou igual a cinco metros, deixando totalmente livre o passeio público” e que “a área de estacionamento frontal menor que cinco metros poderá ser utilizada para estacionamento oblíquo, desde que as vagas estejam inseridas no lote, deixando totalmente livre o passeio público”.
Já o Código Nacional de Trânsito, em seu artigo 181 estabelece que se constitui em infração grave, sujeita a multa e remoção do veículo, caso o condutor estacione-o “no passeio ou sobre faixa destinada a pedestre, sobre ciclovia ou ciclofaixa, bem como nas ilhas, refúgios, ao lado ou sobre canteiros centrais, divisores de pista de rolamento, marcas de canalização (zebrados), gramados ou jardim público”.

Paraíba 1

Praça do Açude Novo. Campina Grande, Paraíba

"Justiça é para pobre, puta e veado"



O presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), ministro Edson Vidigal, afirmou em entrevista à rádio CBN Manaus que no Brasil existe uma "Justiça PPV, para pobre, puta e veado".
Segundo ele essas são as pessoas mais discriminadas na sociedade, as minorias, isso acontece porque essas pessoas não têm defensores. Os ricos, os mais endinheirados, que têm advogados, não vão para a cadeia.

Blog do Léo Quintino

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Defensores públicos decidem entrar em greve por tempo indeterminado

Os defensores públicos da Paraíba entram em greve por tempo indeterminado a partir da próxima semana. A paralisação da categoria foi decidida em assembleia realizada ontem. Com a greve, ficam suspensos os serviços de assistência jurídica gratuita que atendem os paraibanos que não têm condições financeiras de contratar um advogado.

O presidente do Sindicato dos Defensores Públicos do Estado da Paraíba, Levi Borges, disse que a categoria decidiu entrar em greve no próximo dia 24, devido ao silêncio do Governo do Estado diante dos três ofícios enviados, segundo ele, entre os meses de abril e julho. “Diante da postura do governo, não restou outra alternativa a não ser paralisar as atividades por tempo indeterminado”, explicou.

A reivindicação dos defensores públicos é pela equiparação salarial com os juízes e promotores de Justiça. “É um direito garantido pela Constituição Federal que não está sendo cumprido”, declarou. Segundo Borges, o salário inicial de um promotor é de R$ 14,8 mil, enquanto o do defensor público é de R$ 5,6 mil. “É uma disparidade incompreensível, pois as três profissões estão no mesmo patamar e devem receber o mesmo vencimento”, enfatizou. Borges disse ainda que os salários estão defasados há mais de cinco anos. Não há outra reivindicação, além da questão salarial.

A Paraíba tem cerca de 330 defensores públicos. Com a paralisação, apenas os serviços considerados urgentes não serão suspensos. “Cerca de 30% dos servidores continuarão na ativa para atender aos casos de habeas corpus, mandado de segurança, relaxamento de prisão e pensão alimentícia”, afirmou. Para reforçar o clima da greve, a categoria vai instalar uma barraca em frente ao Palácio da Redenção, além de entregar panfletos e fixar cartazes em pontos estratégicos da capital.

A defensora pública geral do Estado, Fátima Lopes, disse que ainda não havia recebido qualquer informação oficial sobre a decisão da categoria, mas rebateu falando que o momento não era propício para greve. “Pelo o que tomei conhecimento, a assembléia contou com uma média de dez pessoas. Acho que essa quantidade não responde por toda a categoria. Todos queremos melhorias, mas não é hora para greve”, disse.

Ainda segundo Fátima Lopes, o governador do Estado já vem atentando para as reclamações dos defensores públicos. “Certamente essa reparação nos subsídios da categoria irá acontecer. Espero que a possível decisão pela greve seja revista, e que a gente consiga, de forma amigável, sem precisar de greve, oficializar algum acordo com o governador”, concluiu.

Do Jornal da Paraíba

Luiz Couto responsabiliza Eitel e Kelson por execução de petista



O deputado federal Luiz Couto (PT), presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados, declarou na tarde deste domingo (25) que o secretário de Segurança Pública da Paraíba, Eitel Santiago, e o comandante-geral da Polícia Militar, coronel Kelson, são indiretamente responsáveis pela execução do advogado Manuel Bezerra de Mattos Neto, vice-presidente estadual do PT de Pernambuco que foi assassinado na noite de sábado (24) em Pitimbu.
Segundo o parlamentar, é notório que os grupos de extermínios formados por policiais civis e militares e por capangas contratados continuam agindo livre e impunemente pelo Estado, mesmo que o Governo da Paraíba continue em não reconhecer suas existências. “A impunidade é a mãe da criminalidade. As execuções continuam acontecendo e ninguém faz nada. Não sei se por medo, omissão ou conivência”, disparou.
Ele defendeu a criação de uma força tarefa nacional, com a participação do trabalho de inteligência da Polícia Federal, para desbaratar as quadrilhas que agem impunemente na divisa entre Paraíba e Pernambuco. “Este clima de impunidade permite que policiais de araque achem que podem matar sem que nada aconteça contra eles. Está na hora de se fechar o cerco e levar todos para as barras da justiça”, prosseguiu o parlamentar.
Couto disse ainda que os policiais que compõem os grupos de extermínio recebem proteção e apoio de autoridades públicas, e seria por isto que muitos continuavam sendo barbaramente executados.
Sobre o advogado Manuel de Mattos, o deputado federal paraibano disse que se tratava de um “autêntico e incansável defensor dos direitos humanos”, que fora assassinado a partir de um crime orquestrado, planejado e organizado. “Esta foi uma execução anunciada”, lamentou.
Luiz Couto, por sinal, cita nominalmente o policial militar Flávio Inácio Pereira, suposto participante dos grupos de extermínio que, sempre que ia a um bar e se embriagava, dizia para quem quisesse ouvir que um dia iria matar tanto o advogado Manuel de Mattos, como o deputado federal Luiz Couto. “Um dos alvos do policial já foi morto. Talvez eu seja o próximo alvo”, comentou Couto, que é presidente estadual do PT da Paraíba.
Classificando a execução do colega pernambucano, Luiz Couto disse que aquele era um momento de extrema dor e sofrimento, que obrigava a uma reflexão e a um debate aberto sobre o problema. “Estas organizações criminosas continuam atuando abertamente. Isto precisa mudar. Enquanto as autoridades paraibanas negam a existência dos extermínios, as quadrilhas continuam agindo com ainda mais força”, prosseguiu.
De acordo com Luiz Couto, muitas pessoas que prestaram depoimentos a CPI dos Grupos de Extermínios da Câmara dos Deputados (em que ele foi o relator) está atualmente morto, o que teria provocado um terrível clima de terror. Segundo ele, todas as autoridades sabem onde os grupos atuam, mas nada é feito.
“Entregamos uma relação de policiais militares e civis que participavam dos grupos de extermínio, mas todos continuam na ativa e trabalhando normalmente na Paraíba”, denunciou. Manuel de Mattos Neto será enterrado às 17h deste domingo, no município de Itambé.

Paraiba 1

Quem é mais esperto? O governo ou a bancada ruralista?



O governo federal anunciou que divulgará – dentro de 15 dias - uma atualização dos índices de produtividade agrícola. O compromisso foi assumido pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário e pela Secretaria Geral da Presidência em reunião com o MST. A atualização é uma antiga reivindicação de quem luta pela reforma agrária no país.
Os índices atuais estão defasados (foram fixados com base no censo agropecuário de 1975) e desconsideram o avanço tecnológico que garantiu aumento da produtividade. Quem produz com essa defasagem (com exceção de situações de quebras de safra, desastres naturais…) pode estar subutilizando sua propriedade, muitas vezes visando apenas à especulação imobiliária, e poderia ser alvo de desapropriação. Há um bom tempo, setores progressistas do governo federal tentam fazer com que os índices acompanhem o aumento de produtividade, mas sempre encontram uma pesada resistência por parte dos ruralistas.
De acordo com a Agência Brasil, os índices de produtividade, que valerão a partir do próximo ano, serão fixados com base nos dados da Produção Agrícola Municipal feita pelo IBGE por microrregião a partir da média de produtividade entre 1996 e 2007. Dados do MDA apontam que, em diversas regiões, permanecerão os índices vigentes: no caso da soja, por exemplo, 66% dos municípios mantêm os índices atuais, 27% terão índices menores ou iguais à média histórica e 7% terão índice superior à média histórica.
Sobre a possibilidade de resistência da bancada ruralista no Congresso Nacional, o ministro do Desenvolvimento Agrário Guilherme Cassel disse reajustar índices de produtividade é “obrigação” do governo, estabelecida em lei, para assegurar que as terras agricultáveis sejam usadas.
Por enquanto. Em julho, talvez farejando mudanças, a bancada ruralista do Senado se refestelou de alegria ao aprovar um projeto de lei que submete ao Congresso qualquer proposta do Poder Executivo para alterar os índices de produtividade usados para desapropriar terras.
Considerando a força da bancada ruralista no Congresso Nacional, é de se esperar que a proposta passe também na Câmara dos Deputados e vá para a sanção presidencial. Uma dúvida: Lula vetará um ou dois pontos e deixará o grosso do problema virar lei – como fez com a medida provisória 458, a MP da Grilagem de Terras? O certo é que, se nada for feito, as próximas gerações irão pagar em qualidade de vida pela falta de firmeza do presidente e pela fraqueza (ou conivência) de sua base de governo.
Talvez a mudança não faça diferença para esta atualização, mas pode criar problemas no futuro.
Pois não é só uma questão de justiça social tirar a terra das mãos de quem não produz como deveria. As propriedades rurais mais atrasadas do ponto de vista tecnológico tendem a compensar essa diferença através de uma constante redução da participação do “trabalho” no seu custo total. Simulam dessa forma uma composição orgânica do capital de um empreendimento mais moderno, com a diminuição da participação do custo do trabalho através do desenvolvimento tecnógico. Em português claro: há fazendeiros atrasados que retiram o couro do trabalhador para poder concorrer no mercado. Outros se aproveitam dessa alternativa não para gerar competitividade, mas para juntar dinheiro durante um período de tempo (e depois trocar trabalhadores por colheitadeiras) ou aumentar sua margem de lucro.
A atualização dos índices é uma bela braçada a favor. Em uma correnteza que, infelizmente, empurra para a direção contrária.

Blog do sakamoto

Cidades Literárias: Clarice Lispector


A história de hoje é com Clarice e Brasília. Só que envolve uma dúvida, para a qual eu peço a ajuda de vocês. Eu recebi o texto abaixo de uma amiga, por e-mail, atribuído à Clarice. Gostei muito e tem realmente o jeito dela. Mas eu não sei (nem a amiga, porque eu perguntei pra ela), qual a fonte do texto. Em que livro foi publicado, ou se foi uma crônica de jornal, quando ou qual o título. Assim, se algum de vocês tiver essa informação, eu agradeço que partilhem conosco. Hoje eu não vou fazer nenhuma outra consideração sobre o texto, vou deixar vocês lerem e darem sua opinião, eu tenho lá as minhas… A gente vai trocando impressões nos comentários.
Update: consultando o oráculo, vi que a autoria é mesmo dela, Clarice Lispector, e que a crônica foi publicada em 1962, portanto, quando Brasília estava recém-inaugurada. Só ainda não sei onde foi a publicação. O pedido de ajuda continua de pé.
Update 2: A Monix salvou a pátria: o livro em que consta essa crônica é o Visões do Esplendor, e parece que está esgotado. Mas fica aí a referência. Valeu, Monix!
“Brasília é construída na linha do horizonte. Brasília é artificial. Tão artificial como devia ter sido o mundo quando foi criado. Quando o mundo foi criado, foi preciso criar um homem especialmente para aquele mundo. Nós somos todos deformados pela adaptação à liberdade de Deus. Não sabemos como seríamos se tivéssemos sido criados em primeiro lugar, e depois o mundo deformado às nossas necessidades.
Brasília ainda não tem o homem de Brasília. – Se eu dissesse que Brasília é bonita, veriam imediatamente que gostei da cidade. Mas se digo que Brasília é a imagem de minha insônia, vêem nisso uma acusação; mas a minha insônia não é bonita nem feia – minha insônia sou eu, é vivida, é o meu espanto. Os dois arquitetos não pensaram em construir beleza, seria fácil; eles ergueram o espanto deles, e deixaram o espanto inexplicado. A criação não é uma compreensão, é um novo mistério.
(…) Brasília foi construída sem lugar para ratos. Toda uma parte nossa, a pior, exatamente a que tem horror de ratos, essa parte não tem lugar em Brasília. Eles quiseram negar que a gente não presta. Construções com espaço calculado para as nuvens. O inferno me entende melhor. Mas os ratos, todos muito grandes, estão invadindo. Essa é uma manchete nos jornais.
(…) Todo um lado de frieza humana que eu tenho, encontro em mim aqui em Brasília, e floresce gélido, potente, força gelada da Natureza. Aqui é o lugar onde os meus crimes (não os piores, mas os que não entenderei em mim), onde os meus crimes não seriam de amor. Vou embora para os meus outros crimes, os que Deus e eu compreendemos. Mas sei que voltarei. Sou atraída aqui pelo que me assusta em mim. Nunca vi nada igual no mundo.
(…) Se tirasse meu retrato em pé em Brasília, quando revelassem a fotografia só sairia a paisagem. Cadê as girafas de Brasília? É urgente. Se não for povoada, ou melhor, superpovoada, uma outra coisa vai habitá-la. E se acontecer, será tarde demais: não haverá lugar para pessoas. Elas se sentirão tacitamente expulsas.
A alma aqui não faz sombra no chão.
Por mais perto que se esteja, tudo aqui é visto de longe. (…) A cidade de Brasília fica fora da cidade.
Essa beleza assustadora, esta cidade traçada no ar. Por enquanto não pode nascer samba em Brasília. Brasília não me deixa ficar cansada. Persegue um pouco. Bem-disposta, bem-disposta, bem-disposta, sinto-me bem. E afinal sempre cultivei meu cansaço, como a minha mais rica passividade. Tudo isso é hoje apenas. Só Deus sabe o que acontecerá com Brasília. É que o acaso aqui é abrupto.
Brasília é mal-assombrada. É o perfil imóvel de uma coisa. De minha insônia olho pela janela do hotel às três horas da madrugada. Brasília é paisagem da insônia. Nunca adormece. Aqui o ser orgânico não se deteriora. Petrifica-se. Eu queria ver espalhadas por Brasília 500 mil águias do mais negro ônix.
Brasília é assexuada. O primeiro instante de ver é como certo instante da embriaguez: os pés não tocam na terra. Como a gente respira fundo em Brasília. Quem respira, começa a querer. E querer, é que não pode. Não tem. Será que vai ter? É que não estou vendo onde. (…) Se há algum crime que a humanidade ainda não cometeu, esse crime novo será aqui inaugurado. E tão pouco secreto, tão bem adequado ao planalto, que ninguém jamais saberá.
Aqui é o lugar onde o espaço mais se parece com o tempo. (…) Fazem tanta falta cavalos brancos soltos em Brasília. De noite eles seriam verdes ao luar. Eu sei o que os dois quiseram: a lentidão e o silêncio, que também é a idéia que faço da eternidade. Os dois criaram o retrato de uma cidade eterna.
Há alguma coisa aqui que me dá medo. Quando eu descobrir o que me assusta, saberei também o que amo aqui. O medo sempre me guiou para o que eu quero; e, porque eu quero, temo. Muitas vezes foi o medo quem me tomou pela mão e me levou. O medo me leva ao perigo. E tudo o que amo é arriscado.
Em Brasília estão as crateras da Lua. A beleza de Brasília são as suas estátuas invisíveis”.

Blog Urbanamente

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

João Pessoa Centro Histórico

DEFENSORIA PÚBLICA



A assistência jurídica integral e gratuita aos hiposuficientes é direito e garantia fundamental de cidadania, inserido no art. 5°da Constituição da República, inciso LXXIV, e a Constituição impõe à União, aos Estados e ao Distrito Federal o dever inafastável da sua prestação, diretamente pelo Poder Público e através da Defensoria Pública, determinando que a Defensoria Pública seja instalada em todo o país, nos moldes da lei complementar prevista no parágrafo único do art.134 (LC nº 80/94).

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Empresários de comunicação fogem do debate na Conferência Nacional de Comunicação (CONFECOM



Os donos de jornais, rádios e TVs gostam muito de defender a “sua” liberdade de imprensa e expressão, mas não de conceder a outros essa mesma liberdade. Também tem medo de enfrentar o debate.

É por isso que seis das oito entidades empresariais que participavam da comissão organizadora da Conferência Nacional de Comunicação (CONFECOM), convocada pelo governo Lula, atendendo a um reclamo da sociedade e com realização prevista para o período de 1 a 3 de dezembro próximo, anunciaram formalmente ontem sua saída da Conferência.

O movimento de saída foi liderado pela Globo, por meio da ABERT (Associação Brasileira das Emissoras de Rádio e TV), a entidade dos radiodifusores, e envolveu os representantes de jornais, revistas, TVs por assinatura e provedores de internet. Só permaneceram na comissão organizadora a ABRA - dissidência da ABERT - que tem como principais sócios a Bandeirantes e a Rede Vida!, e a Telebrasil, entidade das operadoras e da indústria de telecomunicações. Além dos representantes da sociedade civil e do governo.

A decisão de saída acontece porque esses empresários queriam limitar a pauta da Conferência ao futuro - enquanto a sociedade civil quer discutir o passivo da radiodifusão - e também exigiam quórum qualificado para determinadas votações. O governo até aceitou o quórum qualificado para temas relativos à ordem econômica, mas descartou qualquer poder de veto ao debate.

O aceno das autoridades não alterou a situação pois, de fato, a decisão de sair, segundo participantes da reunião das entidades empresariais, já estava tomada antes da primeira reunião com os ministros coordenadores da Conferência: Hélio Costa, das Comunicações; Franklin Martins, da Comunicação Social; e Luiz Dulci, da Secretaria Geral.

Blog Zé Dirceu

Comida, diversão e arte


Se o brasileiro comum não vai ficar contra Lula só porque tem gente bem nascida e bem posta falando mal do presidente, tampouco vai apoiar Sarney só porque isso convém aos propósitos políticos de Lula e do PT

A esta altura, parece óbvio que o PT e o governo fazem uma leitura torta do episódio que envolve o presidente do Senado, José Sarney. Segundo o Datafolha, os que pedem a saída dele do cargo, temporária ou definitiva, superam inclusive o portentoso contingente de apoiadores de Luiz Inácio Lula da Silva. Existe um monte de gente por aí que gosta do governo Lula mas também acha razoável que Sarney se afaste.

Constata-se novamente que a consciência do cidadão não tem outro dono a não ser o próprio. Se o brasileiro comum não vai ficar contra Lula só porque há pessoas bem nascidas e bem postas falando mal do presidente, tampouco vai ficar a favor de Sarney só porque isso convém aos propósitos políticos de Lula e do PT. O cidadão-eleitor é cada vez mais dono do nariz. Até porque tem cada vez mais acesso a informação. Alguns só se lembram disso quando é a seu favor. Acabam quebrando a cara.

Os números do Datafolha sobre Sarney são um retrato dos furos da estratégia política do PT e do Palácio do Planalto neste caso. Segundo os petistas e o governo, as pressões contra o presidente do Senado são manobras para enfraquecer Lula. Isso pode ser lido assim: se você quer proteger Lula, precisa apoiar a manutenção de Sarney. Mas também pode ser lido assado: Lula usa sua força política para garantir a impunidade de gente que se não tivesse essa proteção ficaria em maus lençóis.

É óbvio que uma hora vai bater em Lula. Se não diretamente (pois o brasileiro comum confia nele e é grato pelos resultados de seu governo, como mostra o Datafolha), com certeza no processo eleitoral. Algum candidato vai dizer assim: “Eu vou manter o Bolsa Família e todos os programas sociais, mas não vou acobertar irregularidades dos meus aliados, não vou fechar os olhos às coisas erradas só por conveniência política”. Parece uma mensagem fácil de difundir por quem tenha credibilidade e identificação com o campo político de Lula.

A pesquisa também permite contestar outra tese, de que o eleitor pobre não está nem aí para os maus costumes políticos, desde que a economia caminhe bem. É uma versão repaginada do preconceito que produz expressões como “bolsa-esmola”. Alguns da oposição dizem que os programas sociais compram a consciência dos beneficiados. Ao argumentar que o pobre se lixa para o papel de Lula nas confusões do Legislativo, pois tem comida na mesa todo dia graças ao governo, o PT reforça “pela esquerda” os conceitos que gosta de espezinhar na direita.

Talvez porque tanto na direita como na esquerda brasileiras os formuladores e estrategistas nunca tenham sido pobres de verdade um dia. Historicamente, ambas conhecem o pobre só de estudar, só de ouvir falar. Daí a tendência ao pensamento elitista. Se Lula ajudou a tirar milhões da pobreza, então os gênios acham que esses milhões seguirão cegamente o presidente, como antes seguiam os coronéis que lhes lançavam algumas migalhas dos banquetes da oligarquia.

Errado. Quando o sujeito sai da pobreza, ele adquire também a possibilidade material de exercer, de fato, sua capacidade crítica cidadã. Como na música dos Titãs, as pessoas não querem só comida: elas querem comida, diversão e arte. Todas essenciais para encontrar a saída, para qualquer parte que seja.

Blog do Alon

Bispos dos EUA vão a Cuba em missão para aproximar os dois países


Um grupo de bispos católicos dos Estados Unidos chegou nesta segunda-feira a Cuba com a missão de contribuir na reaproximação entre os dois países, que têm relações rompidas há cerca de meio século.

A delegação liderada pelo arcebispo de Boston, cardeal Sean O'Malley, passará cinco dias na ilha, supervisionando trabalhos de reconstrução de igrejas e paróquias devastadas no ano passado por três furacões --uma atividade para a qual a Conferência de Bispos Católicos dos EUA doou cerca de US$ 850 mil.

Andrew Small, diretor de Doações para a América Latina da Conferência de Bispos dos EUA, disse que a visita busca a estimular uma melhora nas relações bilaterais.
"Na medida que possamos ser uma ponte entre os que historicamente não foram capazes de falar entre si, podemos descongelar algumas dessas relações", disse à Reuters no pátio de uma igreja em Havana.

"Levaremos essas mensagens de volta aos EUA para quem de alguma maneira está impedindo uma maior abertura e um maior diálogo", acrescentou.

Cuba e EUA romperam relações desde logo depois da revolução que instaurou o regime comunista em Cuba, em 1959. A atmosfera política melhorou desde a posse do presidente Barack Obama, que eliminou restrições a viagens e remessas financeiras de cubano-americanos.

Mas os bispos norte-americanos disseram que os avanços do governo Obama ainda são lentos. "O isolamento não ajuda a mudança. Tem de haver um maior contato. E o governo Obama tem sido (...) dolorosamente lento", disse Small. "Precisamos de algumas mudanças radicais, em particular a partir da perspectiva dos EUA".

O governo Obama promete manter o embargo como forma de pressionar Cuba a se democratizar e melhorar a situação dos direitos humanos no país.
O presidente Raúl Castro se diz disposto a conversar com os EUA, mas sem pré-condições ou ameaças à sua soberania.

A Conferência de Bispos Católicos dos EUA defende o fim do embargo econômico, mantido há 47 anos pelos EUA contra Cuba. Quer também a suspensão da proibição de viagens de norte-americanos à ilha.

A delegação, que inclui também o bispo de Orlando, Thomas Wenski, e o bispo auxiliar de San Antonio, Oscar Cantú, visitará obras de reconstrução nas províncias de Holguín e Santiago de Cuba (leste).

Cuba é um país predominantemente católico. As relações da Igreja com o regime comunista foram tensas no passado, mas melhoraram nas últimas décadas.

ESTEBAN ISRAEL
da Reuters, em Havana (Cuba)

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Não existe almoço grátis, a não ser que seja para mim


Outro dia, na minha aula de espanhol, a professora levou um texto do El País que falava sobre o Bolsa Família para que lêssemos e depois discutíssemos. Lemos rapidamente e ela perguntou a minha opinião sobre esse programa de transferência de renda do Governo Federal. Vocês sabem, eu tenho um opinião bastante favorável a ele. Após o meu discurso pró-Bolsa Família, a professora começou a desancá-lo, utilizando velhos argumentos: isso é bolsa-esmola; está ajudando a criar vagabundos; quanto menor o Estado melhor; o Estado não tem que se meter nem na vida das pessoas nem na economia; o Estado é essencialmente corrupto; o Estado é feio, bobo e tem cabeça de melão...

Então eu contra-argumentei e a discussão se prolongou até o final da aula, claro que sem levar a lugar nenhum, pois são inconciliáveis visões de mundo tão diferentes como a minha e a dela. Mas esse papo me deixou muito irritado, vocês podem imaginar.

Aí, finda a aula, a professora perguntou:

- Bruno, você é urologista, né?

- Quase, sou residente ainda..., eu respondi.

- Ah tá, é que eu tô com um cálculo no rim, tenho até um raio-X aqui comigo... Quer dar uma olhada?

Eu pensei: "olha, não existe almoço grátis...", mas respondi: "claro, pega lá, deixa eu dar uma olhada".

Aí eu olhei o raio-X, fiz as orientações e disse: "acho que você deveria fazer um ultrassom, mas já te adianto que provavelmente você vai ter que operar". E ela: " É, eu já sabia, meu médico disse a mesma coisa que você" e depois perguntou:

- Você opera pelo SUS?

- Eu só atendo e opero pelo SUS.

- Tem como eu marcar uma consulta com você?

Eu quase falei: "Uai, mas o Estado não é feio, bobo e tem cabeça de melão?", mas disse: "Claro" e a orientei sobre o que ela teria que fazer para marcar a consulta.

***
Essa historinha é só para ilustrar o espírito da nossa classe média. Ela pensa, normalmente papagaiando o que lê nos jornalões ou na Veja, que o Estado é a encarnação do mal. Acha que políticas de distribuição de renda só servem para "criar vagabundos" e são o "maior programa de compra de votos do mundo"; que trabalha muito para sustentar um Governo gastador; que o Estado é essencialmente corrupto, então sonegar impostos passa a ser defensável ("Vou pagar imposto pra quê? Para eles roubarem?)... Mas, curiosamente, acha que o Estado deixa de ter cabeça de melão quando oferece a ela alguma bolsa de estudos ou quando precisa usar serviços do SUS, por exemplo (tenho uma colega de trabalho que é neoliberal militante, participou até de passeata pelo fim da CPMF, e não se constrange em pegar medicações fornecidas pelo SUS para tratar sua hepatite C crônica. Com isso ela economiza mais ou menos 2 mil reais por mês. Afinal, "o Estado tem que servir para alguma coisa, né?") . E mesmo pede mais Estado quando é assaltada ("Tem que investir mais em segurança!") ou quando seu filho se forma e não encontra trabalho ("Pô, será que não vão abrir outro concurso público?").

Essa é a nossa classe média e eis o seu lema: não existe almoço grátis, a não ser que seja para mim.
Blog do Bruno, em Vi o Mundo

Uma Silva sucessora de um Silva?

Não estou ligado a nenhum partido, pois para mim partido é parte. Eu como intelectual me interesso pelo todo embora, concretamente, saiba que o todo passa pela parte. Tal posição me confere a iberdade de emitir opiniões pessoais e descompromissadas com os partidos.

De forma antecipada se lançou a disputa: Quem será o sucessor do carismático presidente Luiz Inácio Lula da Silva?

De antemão afirmo que a eleição de Lula é uma conquista do povo brasileiro, principalmente daqueles que foram sempre colocados à margem do poder. Ele introduziu uma ruptura histórica como novo sujeito político e isso parece ser sem retorno. Não conseguiu escapar da lógica macro-econômica que privilegia o capital e mantém as bases que permitem a acumulação das classes opulentas. Mas introduziu uma transição de um estado privatista e neoliberal para um governo republicano e social que confere centralidade à coisa pública (res publica), o que tem beneficiado vários milhões de pessoas. Tarefa primeira de um governante é cuidar da vida de seu povo e isso Lula o fez sem nunca trair suas origens de sobrevivente da grande tribulação brasileira.

Depois de oito anos de governo se lança a questão que seguramente interessa à cidadania e não só ao PT: quem será seu sucessor? Para responder a esta questão precisamos ganhar altura e dar-nos conta das mudanças ocorridas no Brasil e no mundo. Em oito anos muita coisa mudou. O PT foi submetido a duras provas e importa reconhecer que nem sempre esteve à altura do momento e às bases que o sustentam. Estamos ainda esperando uma vigorosa autocrítica interna a propósito de presumido “mensalação”. Nós cidadãos não perdoamos esta falta de transparência e de coragem cívica e ética.

Em grande parte, o PT virou um partido eleitoreiro, interessado em ganhar eleições em todos os níveis. Para isso se obrigou a fazer coligações muito questionáveis, em alguns casos, com a parte mais podre dos partidos, em nome da governabilidade que, não raro, se colocou acima da ética e dos propósitos fundadores do PT.

Há uma ilusão que o PT deve romper: imaginar-se a realização do sonho e da utopia do povo brasileiro. Seria rebaixar o povo, pois este não se contenta com pequenos sonhos e utopias de horizonte tacanho. Eu que circulo, em função de meu trabalho, pelas bases da sociedade vejo que se esvaziou a discussão sobre “que Brasil queremos”, discussão que animou por decênios o imaginário popular. Houve uma inegável despolitização em razão de o PT ter ocupado o poder. Fez o que pôde quando podia ter feito mais, especialmente com referência à reforma agrária e à inclusão estratégica (e não meramente pontual) da ecologia.

Quer dizer, o sucessor não pode se contentar de fazer mais do mesmo. Importa introduzir mudanças. E a grande mudança na realidade e na consciência da humanidade é o fato de que a Terra já mudou. A roda do aquecimento global não pode mais ser parada, apenas retardada em sua velocidade. A partir de 23 de setembro de 2008 sabemos que a Terra como conjunto de ecosissitemas com seus recursos e serviços já se tornou insustentável porque o consumo humano, especialmente dos ricos que esbanjam, já psssou em 40% de sua capacidade de reposição.

Esta conjuntura que, se não for tomada a sério, pode levar nos próximos decênios a uma tragédia ecológicohumanitária de proporções inimagináveis e, até pelo final do século, ao desaparecimento da espécie humana. Cabe reconhecer que o PT não incorporou a dimensão ecológica no cerne de seu projeto político. E o Brasil será decisivo para o equilíbrio do planeta e para o futuro da vida.

Qual é a pessoa com carisma, com base popular, ligada aos fundamentos do PT e que se fez ícone da causa ecológica? É uma mulher, seringueira, da Igreja da libertação e amazônica. Ela também é uma Silva, como Lula. Seu nome é Marina Osmarina Silva.

Leonardo Boff é autor do livro Que Brasil queremos? Vozes 2000.

Petropolis, 15 de agosto de 2009.

Histórico de polêmicas será desafio de Marina

Elogiada pela coerência, ela até já defendeu o ensino do criacionismo
De Clarissa Oliveira e Julia Duailibi:
Apontada por políticos, ambientalistas e até inimigos como exemplo de coerência ideológica e de firmeza na defesa de seus ideais, a senadora Marina Silva (PT-AC), provável candidata do PV ao Palácio do Planalto, protagonizou discussões polêmicas ao longo de sua trajetória política que deverão servir de munição a seus adversários na corrida eleitoral de 2010.
Evangélica e missionária da Assembleia de Deus, Marina chamou a atenção no início do ano passado, ao cobrar uma "educação plural", com a inclusão do estudo do criacionismo na grade curricular. Em um simpósio, a então ministra do Meio Ambiente defendeu que a versão bíblica de que os homens foram criados por Deus seja lecionada ao lado do evolucionismo de Charles Darwin.
Em assuntos que envolvem religiosidade, Marina defende uma postura mais conservadora. Ela é, por exemplo, radicalmente contra o aborto. Em 2005, a senadora também fracassou num esforço para barrar a Lei de Biossegurança, que tratava de pesquisas com células-tronco e transgênicos.
Ainda ministra, Marina bateu de frente com a equipe de Lula em mais de uma ocasião. O caso mais notório foi a divergência com a chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, sobre licenças ambientais do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).
Bem antes disso, ela não escondia em conversas de corredor a insatisfação com a política econômica no início do governo. Um exemplo mais recente, já de volta ao Senado, foi sua discordância em relação à MP 458, sobre a regulamentação de terras na Amazônia. Leia mais em: Histórico de polêmicas será desafio de Marina

Blog do Noblat

domingo, 16 de agosto de 2009

Pergunta para o FOCCO / PB: E o pessoal temporário?



Porque o Focco não se ocupa com as milhares de contratações e demissões por critério político que prefeitos e governador realizam para posições que não são “cargos de confiança.”. Trata-se do pessoal temporário das administrações.
Não são extrapolações dos poderes do administrador. ?
Demitir pessoa ligada a adversário político e contratar “cabo eleitoral” não é crime eleitoral?

16/08/2009
João Otavio

O PT da Paraíba tem mesmo que escolher entre Ricardo e Maranhão?


Diante do conflito interno do PT, posto a publico pelas declarações das lideranças fica a dúvida: quem o PT deve apoiar.
A primeira vista a polemica publica pode deixar a impressão de dilaceramento interno do partido. É um engano: a polemica e a disputa política sempre foram características deste que é o único partido que pratica efetivamente a democracia interna. Ninguém leva nada no partido sem vencer no voto.
Antes fossem assim os métodos dos demais partidos do estado. Infelizmente ainda não é assim.
Se a polemica é natural, as proposições dessas lideranças não são muito felizes. São preocupantes, embora superáveis.
Resumir a luta política interna, no momento, em torno da disputa entre apoiar Ricardo, Maranhão ou unir-se aos Cunha Lima demonstra limitação na compreensão das possibilidades reais do partido e a melhor estratégia de reforço do PT e das forças progressistas na Paraíba e no Brasil.
O PT não precisa e nem deve escolher entre Ricardo e Maranhão, pois todos os dois pertencem à base de apoio do governo LULA e da candidatura DILMA. O partido deve permanecer neutro nesta disputa que seja qual for o resultado beneficiara a Candidatura Dilma e o projeto petista.
Para retomar seu crescimento político na Paraíba, o Partido dos Trabalhadores deve retomar a escolha de um rumo próprio, trajeto este abandonado quando da primeira e infeliz escolha de entrar como força subsidiaria do PSDB dos Cunha Lima, Deste descaminho seguiu-se outra escolha equivocada, uma posição subordinada como força auxiliar do PMDB.
Abandonamos a escolha por identidade própria e uma estratégia acima de tudo autônoma, como força nova, alternativa real às oligarquias.
Nesta disputa que se aproxima o partido acertaria se optasse pela neutralidade; mais deve liberar seus filiados para que escolham livremente seu voto.. Um escolha pessoal dentro do campo de apoio à candidatura DILMA.
Quanto ao PT retomaria o posicionamento de reforçar a sua identidade própria, autonomia, e alternativa as oligarquias. Posicionamento que reforçou politicamente o partido na Paraíba enquanto durou.
Hoje, o PT não tem figura publica em condições de concorrer para ganhar o governo da Paraíba. Para o PT da Paraíba e nacional parece que o mais importante no momento é garantir espaço (junto aos candidatos do mesmo campo: PSB e PMDB) para obter vitória na eleição de um senador, Padre Luiz Couto preferencialmente e uma bancada maior de deputados federais e estaduais. Esta seria uma meta ambiciosa e possível. Um passo a frente no reforço do PT, outra vez como força autônoma e nova.. Não mais como força auxiliar dos outros. Não mais partido satélite.
Para a Paraíba e o seu PT seria um passo a frente. Para a política nacional, parece ser o que o PT nacional mais precisa: reforçar a bancada progressista no Senado Federal, que é onde reside hoje a maioria conservadora e maior obstáculo ao crescimento das forças progressistas.

João Pessoa, 16/08/2009
João Otavio

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Mobilizações populares


Nas três Américas, apenas Brasil e Argentina jamais fizeram reforma agrária. O detalhe é que somos um país de dimensões continentais
Desde 10 de agosto, mais de 3 mil trabalhadores sem-terra se encontram acampados em Brasília para, de novo, alertar o governo federal sobre uma questão que, outrora, foi considerada prioritária pelo PT: a reforma agrária.

O mundo gira, a Lusitana roda, e hoje muita coisa parece virada de cabeça para baixo: quem fazia oposição a Sarney o defende; quem gritava “fora Collor” o elogia; quem exigia reforma agrária exalta o agronegócio. E, apesar das políticas sociais, 31 milhões de brasileiros (as) continuam a sobreviver na miséria. E a violência dissemina o medo por nossas cidades.
A manifestação dos sem-terra reivindica do governo muito pouco, sobretudo se comparado aos incentivos oficiais concedidos a empresas que degradam a Amazônia e usineiros, que, em latifúndios, mantêm trabalhadores em regime de semiescravidão.
É urgente assentar mais de 100 mil famílias sem-terra acampadas pelo país afora, sobrevivendo em barracas de plástico preto à beira de estradas. E cuidar das 40 mil famílias assentadas virtualmente, apenas no papel, pois aguardam, há tempo, recursos para investir em habitação, infraestrutura e produção. Nos últimos seis anos foram financiadas apenas 40 mil casas no meio rural. Também as escolas rurais necessitam, urgente, de recursos.

O Brasil não tem futuro sem mudar sua estrutura fundiária. Nas três Américas, apenas Brasil e Argentina jamais fizeram reforma agrária. O detalhe é que somos um país de dimensões continentais, com 600 milhões de hectares cultiváveis.
Dois problemas crônicos encontrariam solução se nosso país não tivesse tanta terra ociosa, como se constata ao viajar por nossas estradas ou sobrevoar nosso território: o desemprego e a violência urbana. Os países desenvolvidos, como os EUA e a Europa Ocidental, com territórios bem menores que o nosso, conseguem obter alta produtividade no campo, sem que haja latifúndio. Há, sim, grande incentivo à agricultura familiar.
O governo federal deve à nação a atualização dos índices de produtividade das propriedades rurais, intocados desde 1975. Por exigência constitucional, tais índices deveriam ser revistos a cada 10 anos. Eles são utilizados para classificar como produtivo ou improdutivo um imóvel rural e agilizar, com transparência, a desapropriação das terras para efeito de reforma agrária.

O Ministério do Planejamento deve às famílias sem terra o descontingenciamento de R$ 800 milhões do orçamento do Incra previsto no orçamento deste ano. Esse recurso permitirá a obtenção de terras e aplicação no passivo dos assentamentos.
Durante o período de acampamento, que se encerra no dia 21, estão previstos também debates sobre conjuntura agrária, clima e meio ambiente, energia, Previdência Social, juventude, comunicação, gênero e raça, além de atividades culturais e ato em comemoração aos 25 anos do MST.

Está marcada para amanhã a jornada nacional de lutas contra a crise, uma mobilização de trabalhadores e desempregados, em todo o país, para assegurar manutenção do emprego, melhores salários, ampliação dos direitos, redução das taxas de juros e investimentos em políticas sociais.

Dia 19, movimentos sociais, estudantis e sindicais se reunirão, em Brasília, em defesa do petróleo, para reivindicar novo marco regulatório para a produção energética do país.

E no dia 7 de setembro, em todo o Brasil, o 15º Grito dos Excluídos, promovido por várias entidades, inclusive a CNBB, terá como tema “Vida em primeiro lugar – a força da transformação está na organização popular”.

A manifestação, que imprime caráter cívico à data da independência do Brasil, tem por objetivo arrancar a população do imobilismo e ressaltar a importância de se fortalecerem os movimentos sociais para consolidar nossa democracia e conquistar soberania.
A democracia não pode se restringir a eleições periódicas, que, por enquanto, permitem inclusive a candidatura de corruptos e réus de processos comuns. À democracia política é preciso aliar a econômica, de modo a reduzir a desigualdade social que envergonha o Brasil. Só assim conquistaremos o direito de ser um povo feliz.

Estado de Minas
Frei Betto é escritor, autor de A mosca azul – reflexão sobre o poder (Rocco), entre outros livros.

Leal: embate Globo X Record é "disputa comercial"

Para o professor Laurindo Leal Filho, o telespectador "não tem nada a ver" com a disputa empresarial travada entre Globo e Record

Quinta-feira, 13, 20h00. Abertura dos telejornais nas duas maiores emissoras do país. Começa mais um capítulo da batalha televisiva iniciada um dia antes entre as redes Globo e Record.

Para além da disputa pela audiência, o incidente desnuda o uso indevido de espaços públicos para disputas particulares. A avaliação é de Laurindo Leal Filho, doutor em ciências da comunicação pela USP (Universidade de São Paulo) e professor da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da Universidade.
- São duas empresas comerciais que se utilizam do espaço público - que não é delas, é da sociedade - para resolver pendências comerciais e empresariais. Isso é absolutamente incompatível com o Estado democrático.

Autor de diversos livros sobre o assunto ("A TV sob controle, a resposta da sociedade ao poder da televisão" e "A melhor TV do mundo, o modelo britânico de televisão", dentre outros), Laurindo avalia, nesta entrevista a Terra Magazine, que a disputa comercial entre os dois canais tem como ponto positivo a exposição da história de "relações promíscuas" da Rede Globo. Além de evidenciar a defasagem e a falta de legislação para o setor de telecomunicações.

O estopim da luta de foice entre os dois canais foi a publicação de reportagem com mais de 10 minutos de duração pelo Jornal Nacional na terça-feira, 11, repercutindo denúncia do Ministério Público de São Paulo que incriminou o bispo Edir Macedo e outros nove membros da Igreja Universal por formação de quadrilha e lavagem de dinheiro.

No dia seguinte, o revide. Em reportagem de cerca de 15 minutos veiculada pelo Jornal da Record, a emissora - controlada pela Universal - recorreu a imagens de arquivo para vincular a Globo à ditadura militar e aos escândalos Time-Life e Proconsult. E destacou que a emissora carioca ignorou o movimento Diretas-Já, em 1984

Nesta quinta-feira, novo round, com os mesmíssimos ingredientes.
Em nota enviada a Terra Magazine, a Central Globo de Comunicação afirma que está dando ao caso Universal "tratamento equivalente" ao que deu a outros fatos jornalísticos, como a deflagração da Operação Satiagraha, em julho de 2008. A central de comunicação da Rede Record afirmou, por sua vez, que a emissora "não está atacando ninguém, apenas respondendo às acusações feitas e aos ataques que partiram da Rede Globo".

"O que o cidadão em casa tem a ver com a briga entre a empresa Record e a empresa Globo? Ele não tem nada a ver com isso", critica Laurindo. " Ele tem que receber um serviço público correto de rádio e TV, que atenda aos seus interesses e as suas necessidades Laurindo".

Confira a entrevista:
Terra Magazine - Como o senhor avalia o embate entre Globo e Record observado nos últimos dias?
Laurindo Leal Filho -Sem dúvida é uma luta pela audiência. o fato de a Record a cada momento subir mais aceleradamente no Ibope, com resultados que nunca foram obtidos desde o surgimento da Globo. Desde que ela assumiu a liderança, nunca sofreu um abalo de audiência tão grande. Essa, sem dúvida alguma, é a razão central da investida da Globo contra a Record, ampliando e amplificando a manifestação do Ministério Público contra os proprietários da Record. Essa é a realidade. Agora, o problema que me parece mais grave para o Brasil e para o setor de comunicações é o fato de que duas empresas se utilizam do espaço público, já que ambas são concessões públicas, para fazerem trocarem acusações e fazerem ataques em defesas de seus interesses empesariais.

Ler Mais: http://terramagazine.terra.com.br/interna/0,,OI3922643-EI6584,00-Leal+embate+Globo+X+Record+e+disputa+comercial.html

Terra Magazine

Para fora do cercadinho


É preciso saber o que deseja Marina. Ela quer usar a eleição para fazer propaganda de teses? Ou pretende construir uma alternativa de poder? Se for a segunda opção, a senadora do Acre precisará dar um jeito de achar seu caminho para sair do cercadinho

A eventual candidatura de Marina Silva à Presidência pelo PV vai enfrentar de cara uma dificuldade programática: como tirar o discurso e a militância ambientais do cercadinho, do microcosmo de fiéis falando a si mesmos, prevendo o apocalipse e condenando ao fogo eterno os céticos. A então ministra tentou fazer essa ampliação de horizontes no governo de Luiz Inácio Lula da Silva. Os resultados foram limitados. O termo era “transversalidade”, a tentativa de introduzir a pauta verde no universo mais amplo das ações governamentais.

Não funcionou a contento, por razões várias. Uma delas, que talvez sintetize as demais: a agenda ambiental no Brasil construiu-se nos últimos tempos como uma federação de vetos. Para toda iniciativa de desenvolvimento, haverá pelo menos uma organização não governamental a afirmar, sem dúvida nenhuma, que aquilo constitui gravíssima ameaça ao meio ambiente. E que portanto não é o caso de fazer. Assim se passa com as hidrelétricas na Amazônia, com a termoeletricidade de origem nuclear, com as hidrovias, com as sementes geneticamente modificadas, etc.

Conversa difícil de emplacar num país cujos maiores desafios são acelerar o desenvolvimento e ocupar efetivamente o território. Dá para fazer isso respeitando 100% a sustentabilidade? É possível (provável) que sim. Só que até agora ninguém disse como. No debate sobre a energia, por exemplo, acena-se com as ditas alternativas, como as provenientes da luz solar e dos ventos. Mas será realista falar em desenvolver o Brasil no ritmo desejado (e necessário) renunciando às demais fontes energéticas?

Outro capítulo é o aquecimento global. Se o fenômeno for mesmo consequência do excesso de civilização, é razoável que a conta seja transferida principalmente a quem já alcançou o patamar superior no quesito. Uma tese bastante difundida diz que o planeta não suportará se o padrão de consumo (emissão de carbono) dos Estados Unidos e da Europa for estendido ao conjunto da humanidade. Tudo bem, mas o que fazer? Reduzir principalmente a emissão dos ricos ou distribuir o sacrifício também pelos pobres, já que em teoria estes serão os maiores prejudicados se nada for feito?

Junto com o Brasil, a China vem recebendo muitas críticas por resistir a metas de emissão de gases causadores do efeito estufa. A posição dos líderes políticos chineses deve ser analisada à luz de um fato. Nenhum governo ali fica na sela se não propiciar um crescimento econômico, sustentado, em torno de 10% ao ano. A necessidade política está também na base das posições dos governos na Europa e nos Estados Unidos, confrontados com uma opinião pública cada vez mais preocupada com a defesa dos ecossistemas.

Trata-se, assim, de uma disputa de poder. E há o risco de a agenda verde radical ser recebida como antinacional nos países do mundo subdesenvolvido. Mais ainda nos Brics, nações que finalmente ameaçam romper a hegemonia do Primeiro Mundo. Não é um xadrez fácil de jogar. É um jogo perigoso, que embute riscos a serem bem explorados em períodos eleitorais.

Se Marina Silva sair mesmo do PT e virar candidata a presidente (ou será presidenta?) pelo PV, e se ela mostrar viabilidade eleitoral, não terá como avançar sem enfrentar esse debate com algum grau de pragmatismo. É preciso saber o que deseja Marina. Ela quer usar a eleição para fazer propaganda de teses? Ou pretende construir uma alternativa de poder, ainda que estrategicamente?

Se for a segunda opção, a senadora do Acre precisará dar um jeito de achar seu caminho para sair do cercadinho.

Blog do Alon

Cinco mil lotam o Centro do Rio pela redução da jornada de trabalho


RIO - Diversas centrais sindicais e partidos políticos realizaram hoje uma passeata pela av. Rio Branco, no Centro do Rio. Os manifestantes - 2 mil, de acordo com a PM; 5 mil, segundo os organizadores - deixaram a Candelárioa ao meio dia, rumo à sede da Petrobras, na av. Chile. Duas pistas da Rio Branco foram fechadas, provocando grande engarrafamento. Guardas municipais e policiais militares acompanharam o protesto, que ocorreu sem incidentes.
A principal reivindicação do ato, de acordo com as lideranças presentes, é a redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais, sem redução salarial. Carlos Fidalgo, diretor financeiro da seção Rio da Força Sindical, explica que esta mudança poderia gerar até dois milhões e meio de novos empregos.
- A criação de novos turnos implica no aumento da produção, disponibilizando mais serviços e mercadorias e aquecendo a economia. Além disso, a redução da jornada beneficiará a Previdência Social, reduzindo o nível de estresse dos trabalhadores e, como ocnsequencia, as licenças e aposentadorias precoces.
Darby Yguyara, presidente estadual da CUT, ressaltou o alcance nacional da manifestação. "Todas as centrais sindicais do país estão envolvidas. Estamos juntos nessa luta contra a crise e pela manutenção do emprego". Questionado sobre o diálogo com as associações patronais e o empresariado, foi enfático:
- Não tem acordo com patronal. Nossa reivindicação já está na pauta do Congresso para ser votada.
308 votos são necessários para a obtenção, no Congresso, da redução da jornada de trabalho. A Força Sindical, articulada com o deputado federal Michel Temer (PMDB/SP), promete "invadir Brasília toda semana, visitando os congressistas e pressionando pela aprovação do projeto", disse Carlos Fidalgo.
A manifestação começou a se dispersar por volta da uma e meia da tarde, com um ato na av. Chile, próximo à Petrobras e ao BNDES.

Angelo Cuissi, JB Online
15:03 - 14/08/2009
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Anvisa suspende propaganda de remédios contra gripe


SÃO PAULO - A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) suspendeu temporariamente nesta sexta-feira, 14, a propaganda, em todo território nacional, de medicamentos à base de ácido acetilsalicílico e, também, de medicamentos destinados ao alívio dos sintomas da gripe, como o paracetamol, a dipirona sódica e o ibuprofeno.
A Resolução 43/2009 (PDF) da Anvisa, publicada no Diário Oficial da União desta sexta-feira, é valida para todos os meios de comunicação de massa, inclusive a internet.
A medida da agência leva em consideração os dados do último informe epidemiológico emitido pelo Ministério da Saúde, no dia 11 de agosto, no qual se observa que, dos casos de síndrome respiratória aguda grave notificados e confirmados laboratorialmente para influenza, 77% são causados pelo vírus da gripe suína.
Embora produtos atingidos pela medida tenham sua eficácia e segurança bastante conhecidas e possam ser úteis no tratamento dos sintomas da gripe, a intenção da Anvisa é que o uso desses medicamentos seja absolutamente criterioso, pois pode mascarar sintomas importantes para a realização do diagnóstico preciso de pessoas infectadas pela nova gripe.
A suspensão permanecerá válida enquanto existir situação especial de risco à saúde. A norma suspende, ainda, o uso de qualquer técnica de comunicação para promoção desses medicamentos, inclusive, a presença de propagandistas em estabelecimentos de comércio varejista de produtos farmacêuticos.
Solange Spigliatti, da Central de Notícias
Estadão

Recuperação do crédito impulsiona comércio


RIO - A recuperação do crédito contribuiu para o crescimento do volume de vendas do comércio varejista em junho. A taxa subiu 1,7% na comparação com maio e 5,6% em relação a junho do ano passado, mostrando que setores que haviam sido duramente afetados pela contração do crédito em meio à crise internacional já indicam recuperação nas vendas.

De acordo com Reinaldo Pereira, economista da coordenação de serviços e comércio do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o setor de móveis e eletrodomésticos sinaliza uma boa recuperação que reflete a melhora do crédito. As vendas destes produtos subiram 3,3% frente a maio e caíram 1% em relação a junho de 2008, uma forte desaceleração em comparação com o tombo de 6,1% registrado no confronto anual de maio.

" Se for verdadeira a tese de que o fundo do poço passou, a tendência é de aumento da oferta de crédito e que isso repercuta no comércio varejista de forma positiva daqui para frente " , frisou Pereira. " Temos indícios de que há melhora nas atividades mais sensíveis ao crédito, no que pese os incentivos de redução no IPI de automóveis, linha branca e materiais de construção " , acrescentou.

No comércio varejista ampliado, Pereira destacou a desaceleração da queda do volume de vendas de materiais de construção. Em junho, o recuo no setor foi de 7,8%, em relação ao mesmo mês de 2008, resultado melhor que as reduções de 8,3% de maio contra maio do exercício anterior e de 15,8% de abril contra abril de um ano antes.

" O reflexo da redução do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) na construção é mais demorado " , lembrou Pereira.

O economista minimizou ainda o desempenho semestral, de alta de 4,4% no volume de vendas frente ao primeiro semestre do ano passado, no pior resultado para um semestre desde a queda de 1,9% observada no segundo semestre de 2003. Segundo Pereira, apesar da desaceleração nos seis primeiros meses do ano, o resultado do segundo trimestre, de alta de 5,2% frente a igual período de 2008, mostra um avanço em relação ao desempenho do primeiro trimestre, de 3,7% de expansão. O economista fez questão de frisar que, a despeito da crise, o comércio varejista segue com taxas recordes no volume de vendas.

Pereira explicou que o desempenho da renda e do emprego ao longo da crise foi essencial para que as vendas do comércio permanecessem com taxas recordes.

" O emprego não caiu muito e a renda real cresceu porque os índices de inflação caíram. Além disso, houve aumento da massa salarial " , afirmou. " Supondo tudo constante, o segundo semestre costuma ser melhor que o primeiro, mas vamos ter que pagar para ver " , acrescentou.

(Rafael Rosas | Valor Online)

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Ronaldo Cunha Lima é citado em novos atos secretos no Senado


Uma lista de 468 atos secretos surgiu na noite desta quarta-feira (12) no Senado. Foram emitidos há cerca de dez anos para nomeações, demissões e gratificações. Entre os atos, está o do então senador Ronaldo Cunha Lima, pelo PSDB da Paraíba, na época primeiro secretário e responsável pela administração, que nomeou o filho.

Outros atos alteram a estrutura de cargos e pessoal nas áreas de telefonia, biblioteca, serviço médico, segurança e comunicação. Criam funções de confiança para diretorias. E tratam até de folha de pagamento.

A lista foi entregue e divulgada pelo Jornal da Globo, que teve acesso com exclusividade e mostrou a documentação para nomear e dispensar funcionários dos gabinetes, da gráfica e do serviço de processamento de dados do Senado.

Tanto o Jornal da Globo, quanto a produção do Bom Dia Paraíba tentaram ouvir o ex-senador Cunha Lima, mas ele não retornou as ligações. Os atos secretos agora descobertos foram postados na rede de computadores do Senado no dia 29 de maio.

Entre 1998 e 1999, quando o senador Antônio Carlos Magalhães, na época ligado ao PFL, hoje renomeado para DEM, era o presidente do Senado, os atos secretos foram incluídos em boletins suplementares, e só agora disponibilizados na rede de computadores do Senado, depois que a comissão de sindicância iria terminar o trabalho com os atos secretos anteriores.

O primeiro secretário do Senado, senador Heráclito Fortes (DEM), encomendou uma investigação para descobrir novos atos secretos. Ele ficou surpreso. "Uma surpesa. Vem a ser um absurdo. Além de um crime, é uma irresponsabilidade. Torna totatalmente inseguro o trabalho feito. Nada me garante que algum maldoso, perverso, não tem ato secreto na sua gaveta", afirmou.

do Bom Dia Paraíba

Globo e Record têm razão


Na noite desta quarta-feira, 12 de agosto de 2009, graças ao instrumento que mais infunde terror nos corações dos barões da televisão brasileira, o controle remoto, pude assistir, golpe a golpe, a um duelo de titãs: Globo e Record se engalfinharam em horário nobre.
Foi sangrento. A Globo mostrou o picareta que é Edir Macedo por explorar a boa fé de pobres coitados aflitos com seus dilemas e demônios íntimos. E a Record revidou com a história podre da rival carioca, os serviços prestados à ditadura, as armações políticas, as manipulações.
A estratégia da Globo baseia-se em dados demolidores contra a Igreja Universal graças a informações de investigação contra esta que corre em segredo de Justiça, o que fez o Jornal da Record perguntar, em alto e bom som, o que não é tão menos complicado de a rival responder: como conseguiu tais informações?
A questão levantada pela Record deverá desembocar em investigação também desse fato. Será ótimo descobrir – ou ver alguém denunciar publicamente num grande meio de comunicação – como funciona esse esquema de vazamentos de processos judiciais, que, aliás, provocou medida judicial recente contra outro membro do PIG, o Estadão.
O mais importante, para mim, foram as acusações de partidarismo global em prol de Serra (a foto dele apareceu sob locução que aludiu aos favorecidos pela emissora carioca contra Lula). Pela primeira vez, foi dito claramente que a Globo trabalha para o tucano.
A porcaria foi jogada no ventilador. E atingiu as duas emissoras que a arremessaram, porque ambas estão cobertas de razão no que dizem uma sobre a outra. E quem ganha com essa “razão” delas somos todos nós, incluindo os fãs de cada uma.

Escrito por Eduardo Guimarães às 21h07

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Açude Velho, Campina Grande, Paraíba

Caso Sarney - A saída para o PT continuar no muro


O PT no Senado parece ter encontrado uma saída para não dizer sim nem não ao desarquivamento no Conselho de Ética das denúncias e representações contra o senador José Sarney (PMDB-AP) por quebra de decoro.
A saída: o partido vai sugerir que denúncias e representações sejam devolvidas aos seus autores para que possam, depois de revistas e mais bem fundamentadas, ser novamente remetidas ao Conselho.
Assim, o partido não ficaria de todo mal com a opinião pública, favorável ao desarquivamento, nem com Lula, favorável à manutenção do arquivamento.
Blog Ricardo Noblat

DEU EM O ESTADO DE S.PAULO

Acordo para inocentar Sarney e Virgílio


Renan e Sérgio Guerra dizem que guerra de representações no Conselho de Ética não interessa a ninguém
De Vera Rosa e Christiane Samarco:
O governo e os principais líderes aliados e da oposição já trabalham abertamente em favor de um "acordão" entre o PMDB e o PSDB para resolver a crise no Senado. Mesmo considerada difícil, a saída política para o impasse começou a ser construída ontem por interlocutores de peso dos dois partidos, na tentativa de salvar tanto o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), como o líder do PSDB, Arthur Virgílio (AM).
Em conversas reservadas, porém, auxiliares do presidente Luiz Inácio Lula da Silva deram a senha para a trégua: pediram que os tucanos não ponham mais combustível na crise, se não quiserem ver o PMDB esticar novamente a corda.
Os principais articuladores da negociação são os líderes do governo, Romero Jucá (PMDB-RR); do PMDB, Renan Calheiros (AL); do PT, Aloízio Mercadante (SP), e o presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE). Nem todos, porém, têm falado a mesma língua e há estocadas de parte a parte.
Os recursos impetrados ontem no Conselho de Ética por Virgílio e pelo líder do PSOL, José Nery (PA), com o intuito de reabrir as representações contra Sarney, já estavam previstos. Na prática, porém, a oposição não tem votos para aprová-los, a não ser com a ajuda do PT. Leia mais em: Planalto e líderes tentam acordo para inocentar Sarney e Virgílio.
Blog do Noblat

Marina Silva


Eu sinto a necessidade de haver portadores de utopia e eu estou disposta a ser a portadora de uma utopia.
Senadora Marina Silva (PT-AC), convidada pelo PV para disputar a vaga de Lula

Blog Altino Machado

A Índia quer se tornar um gigante da energia solar


A Índia poderá investir 19 bilhões de dólares nos próximos 30 anos para aumentar a sua produção de energia solar. Um relatório, entregue na segunda-feira, 03 de agosto, ao Primeiro-ministro Manmohan Singh, e ao qual o Le Monde teve acesso, fixa os objetivos de produção de 20.000 megawatts (MW) em 2020 e 200.000 MW em 2050, contra apenas 51 MW em 2009.

A reportagem é de Julien Bouissou e está publicada no jornal francês Le Monde, 07-08-2009. A tradução é do Cepat.

O plano deverá ser publicado em setembro, algumas semanas antes da Conferência Internacional de Copenhague sobre as mudanças climáticas, que vai ser realizada em dezembro. A Índia, quarto maior produtor mundial de energia eólica, fornece apenas 0,1% da energia solar do mundo. O país, que dispõe de condições de insolação avantajadas, produz quase 50 vezes menos energia solar que a Alemanha, o líder mundial.

Nova Déli encoraja ainda timidamente a promoção de energia solar. O ministério indiano das energias renováveis se contenta atualmente em apoiar financeiramente a construção de centrais solares de capacidade mínima de 50 MW. O relatório entregue ao Primeiro-ministro preconiza, ao contrário, uma política de subvenção das tarifas de compra da energia solar, até se aproximarem das do petróleo ou do carvão. Prevê que entre 2009 e 2020, o preço do quilowatt/hora da energia solar passará de 16 para três rúpias (de 0,23 para 0,04 euro).

A compra de equipamentos solares estará isenta de taxas, e as centrais solares não pagarão impostos durante dez anos. As medidas previstas são apenas incitativas: os grandes complexos imobiliários terão a obrigação de se equipar com painéis solares. Se as residências privadas escolherem essa alternativa, o Estado garantirá a compra de seu excedente de energia. Em caso de panes de corrente, frequentes na Índia, os painéis solares poderão alimentar os geradores e economizar mais de dois bilhões de litros de diesel e de querosene por ano. Um milhão de tetos e 20 milhões de residências poderão ser equipados até 2020.

A energia solar permitirá fornecer a eletricidade a um custo menor para as populações isoladas. Mais da metade dos indianos ainda provê a iluminação com velas ou geradores. E é mais caro conectar uma cidade isolada à rede elétrica do que instalar uma unidade de produção de energia solar. O governo prometeu eletrificar todo o país até 2012.

A Missão Solar Nacional será a autoridade central encarregada de implementar esta nova política. Ela será alimentada, num primeiro momento, pelo orçamento do Estado, antes de ser financiada diretamente por uma taxa sobre a venda de energias fósseis, como o carvão ou o petróleo. O governo central conta também com os Estados regionais para subvencionar em 30% as tarifas de energia solar. Eles deverão, sob pena de multa, garantir um patamar mínimo de seu consumo energético com energia solar. O que ultrapassar essa cota poderá ser revendida aos Estados vizinhos sob a forma de certificados.

Com uma previsão de suas necessidades em eletricidade da ordem de 240.000 MW em 2020, a Índia deverá cobrir 8,3% do total de seu consumo graças à energia solar. O país, que é atualmente o quarto maior poluidor do planeta e extrai 60% de sua energia do carvão, reduzirá assim sua produção anual de dióxido de carbono em 42 milhões de toneladas até 2020. Em 2007, o país produzia 430 milhões de toneladas.

Com o advento da energia solar, a tecnologia tornar-se-á o nervo da guerra. Para atingir as suas metas, a Índia deverá formar em torno de 100.000 engenheiros e técnicos. O país, já dependente das importações de petróleo, não quer se encontrar numa nova dependência, desta vez em relação às patentes estrangeiras.

Ao criar parques tecnológicos e incentivar a pesquisa, a Missão Solar Nacional quer encorajar o surgimento de campeões nacionais, como já existem no setor eólico, como a Suzlon, que é a quinta maior construtora mundial de usinas eólicas. Doze empresas, uma das quais é uma filial da Tata Motors, deverão investir 11,4 bilhões de euros nos próximos dez anos, conforme cálculos do escritório de estudos RNCOS, de Nova Déli.

“O cumprimento deste plano vai depender muito de seu financiamento. O acesso às tecnologias solares competitivas corre o risco de ser caro. Nós temos necessidade da assistência financeira dos países ricos”, explica Sunita Narain, membro do Conselho Indiano de Mudanças Climáticas.

Na Cúpula de Copenhague, a Índia lutará por acordos de transferência de tecnologia entre países do Norte e do Sul, a fim de conseguir sua reconversão nas energias próprias. Em troca, Nova Déli quer evitar a todo custo um compromisso fixado em números da redução de suas emissões de gás de efeito estufa.

*Fonte:IHU-Online

Maltrato infantil é prática tolerada na América Latina e Caribe


Meninos, meninas e adolescentes menores de 18 anos na América Latina e Caribe sofrem cotidianamente maltrato físico ou psicológico, e um alto percentual de adultos pensa que se trata de uma prática norma de educação e socialização. Pesquisas realizadas em 16 países da região indicam que altas percentagens de adultos - em alguns casos superior a 80% - consideram natural recorrer ao maltrato infantil, incluindo o castigo corporal, para impor disciplina.

Assim se estabelece no artigo "Maltrato infantil: una dolorosa realidad puertas adentro", do boletim Desafios Nº 9, da Cepal e Unicef, onde se analisa o avanço dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio na infância e adolescência.

Devido à falta de uma metodologia homologada que meça as diferentes formas de abuso não é possível falar de cifras comparáveis entre países distintos. Contudo, diversas pesquisas nacionais indicam que o maltrato infantil é um fenômeno em aumento raras vezes denunciado.

Na Colômbia, 42% de mulheres informaram que seus companheiros ou esposos castigavam a seus filhos e filhas com golpes, segundo dados da Pesquisa Nacional de Demografia e Saúde de 2005.

No Uruguai, 82% dos adultos entrevistados para um estudo do Ministério do Desenvolvimento Social, em 2008, informaram alguma forma de violência psicológica ou física contra crianças em casa.

Na Costa Rica, uma pesquisa em 2004 do Instituto de Estudos Sociais na População revelou que 65,3% dos adultos exercem violência física contra seus filhos.

O principal fator de risco para que exista violência contra meninos e meninas no interior das famílias é que o pai ou a mãe tenham sofrido uma experiência semelhante na infância, segundo a psicóloga Soledad Larraín e a socióloga Carolina Bascuñán, da UNICEF, autoras do estudo. Esse é o chamado fenômeno de transmissão intergeracional da violência.

(Envolverde/Adital)

Brasil lidera uso mundial de agrotóxicos


O Brasil, segundo estudo da consultoria alemã Kleffmann Group, é o maior mercado de agrotóxicos do mundo. O levantamento foi encomendado pela Associação Nacional de Defesa de Vegetal (Andef), que representa os fabricantes, e mostra que essa indústria movimentou no ano passado US$ 7,1 bilhões, ante US$ 6,6 bilhões do segundo colocado, os Estados Unidos. Em 2007, a indústria nacional girou US$ 5,4 bilhões, segundo Lars Schobinger, presidente da Kleffmann Group no Brasil. O consumo cresceu no País, apesar de a área plantada ter encolhido 2% no ano passado.

Apesar do grande volume de recursos movimentados pela indústria no mercado brasileiro, o consumo por hectare ainda é pequeno em relação a outros países. De acordo com o levantamento, o gasto do produtor brasileiro com agrotóxico ainda é pequeno, se comparado a outros países. Em 2007, gastou-se US$ 87,83 por hectare. Na França, os produtores desembolsaram US$ 196,79 por hectare, enquanto no Japão a despesa foi de US$ 851,04. Por esse motivo, o presidente da consultoria acredita que a tendência nos próximos anos é que o Brasil se estabilize na primeira colocação no consumo de agrotóxico.

O Brasil leva vantagem na pesquisa por se tratar de um país com grande área cultivada e também pelo tamanho da produção que sai do campo. "O País é o grande produtor de alimentos do mundo, lidera praticamente em todos os produtos agropecuários", comenta Ademar Silva, presidente da Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul (Famasul).

Para Schobinger, o aumento do consumo de agrotóxico traz vantagens ao País. "Dessa forma, é possível aumentar o ganho de produtividade. O uso desses produtos facilita o controle de pragas a que estamos mais expostos por sermos um país tropical", explica.

NOVAS PRAGAS

Em parte, o aumento do uso de agrotóxico tem a ver com o surgimento de pragas. Até seis anos atrás, cita o executivo da Kleffmann, não se falava, no Brasil, da ferrugem da soja. Para combater as pragas, a indústria corre atrás de pesquisas e lança produtos no mercado.

"O aumento tem a ver também com o crescente uso de tecnologias no campo. Quanto mais avançado o sistema produtivo, maior o consumo de agrotóxico. Neste momento é importante fazer um balanço da relação entre risco e benefícios do seu uso", diz Luís Rangel, coordenador de Agrotóxicos do Ministério da Agricultura.

Segundo Schobinger, há evolução não apenas no combate a novas pragas, mas nas diferentes formas de usar o agrotóxico. No Brasil, tem crescido ano a ano a utilização nas sementes, em substituição à pulverização das lavouras, o que costuma causar mais danos aos trabalhadores e ao ambiente.

Apesar do uso crescente de agrotóxicos no País, a relação com os produtores continua difícil, segundo o presidente da Famato. "Os preços só caíram cerca de 30% na safra de verão porque os Estados Unidos, grande mercado para essa indústria, estão em crise e é preciso desovar a produção. Além disso, tivemos duas safras muito ruins por aqui nos últimos anos e a situação do produtor ficou mais delicada", diz Silva.

Ele acredita que a lua de mel deve durar pouco. "Basta o mercado internacional se recuperar para os preços subirem novamente. A indústria tem esse poder. É ela quem faz o preço."

Na opinião de Luiz Cláudio Meirelles, gerente geral de Toxicologia da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), a liderança brasileira preocupa. "São substâncias tóxicas que são objeto de ação regulatória no mundo. No Brasil, temos dificuldade de ação de controle, falta de recursos humanos e falta de laboratórios, enquanto a velocidade de consumo avança", detalha. Atualmente, há cerca de 450 ativos usados na produção de agrotóxicos registrados na Anvisa e os pedidos para a concessão de mais licenças não param de chegar.

No início da semana, representantes de 64 indústrias asiáticas, a maioria chinesa, se reuniu em São Paulo para conhecer melhor as regras do mercado interno. Foi a terceira edição da feira China-Brazil AgroChemShow.

A segunda maior fabricante de glifosato do mundo, a chinesa Fuhua, planeja mandar para o Brasil 30% das suas exportações a partir do ano que vem, quando espera já ter os registros da Anvisa para três produtos .

Preço em queda reduz mercado de agrotóxicos

De São Paulo - Jornal Valor, 07.08.2009

A indústria brasileira de defensivos passou à liderança mundial do setor em 2008, superando os Estados Unidos, mas a posição não deverá ser mantida neste ano, de acordo com dados apurados pela consultoria alemã Kleffmann, especializada em agronegócio. As quedas de preços do insumo devem reduzir a receita do setor.

Em 2008, segundo a consultoria, o mercado brasileiro de defensivos movimentou US$ 7 bilhões, acima dos US$ 6,6 bilhões registrados nos EUA. A queda esperada para o Brasil é de 10%, de acordo com Lars Schobinger, presidente da Kleffmann no Brasil. Um recuo também é esperado no mercado americano, embora não na mesma intensidade.

Esse desempenho não é necessariamente uma má notícia para as indústrias, avalia ele. "As perspectivas eram bem piores. Falava-se em queda de 20%. O impacto da crise foi superestimado", diz Schobinger. Segundo o Sindicato Nacional da Indústria de Defesa Vegetal (Sindag), o faturamento do setor no país em 2008 foi de US$ 7,125 bilhões.

O recuo dos preços não é fenômeno restrito ao Brasil. O custo dos defensivos tem caído desde 2008, na esteira do barateamento das commodities minerais que são matéria-prima para a fabricação do insumo - o glifosato, por exemplo, herbicida largamente utilizado na agricultura brasileira, tem o fósforo como matéria-prima básica.

Na comparação com outros países, contudo, a adoção da transgenia ainda é pequena no mercado brasileiro, o que faz com que agrotóxicos que não são adotados em outros países o sejam no Brasil - e, em consequência, levem a uma queda maior na receita. O plantio comercial de milho transgênico, por exemplo, passou a valer apenas na safra 2008/09 no país. Segundo a Kleffmann, 5% da área do milho da safra de verão foi ocupada pela variedade geneticamente modificada. Na safrinha, o número passou a 14%. Nos EUA, a fatia é superior a 90%.

A diminuição da receita não significa um encolhimento do mercado, avalia Schobinger. "Por estar localizado em uma região tropical, o Brasil tem mais desafios no controle de pragas e doenças que outros grandes mercados, como França, Japão e EUA", diz. "O potencial de crescimento da indústria é muito grande".

Em seu estudo sobre o avanço do uso dos defensivos nos principais mercados mundiais, a Kleffmann cruzou os dados do crescimento da produção e do volume consumido do insumo entre 2004 e 2007. Na relação entre defensivo utilizado por tonelada produzida, o crescimento no Brasil foi de apenas 1%, bastante inferior ao avanço registrado em países como Argentina (49%), China (25%) e França (28%). Entre os mercados avaliados, houve queda apenas no Japão e nos EUA.

Segundo o estudo, 80% das embalagens de agrotóxicos colocadas no mercado brasileiro são recolhidas em programas de destinação, desempenho superior ao dos alemães (60%), Austrália (50%), França (45%) e EUA (20%). (PC)

*Fonte: MST
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