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sexta-feira, 20 de julho de 2018

Como discutir com os reacionários?


Uma questão que se coloca para todos nós é saber se é ou não necessário discutir com reacionários. Como devemos fazer a luta política? Será que vale a pena?

Valério Arcary

O cenário é ruim. Um candidato neofascista, Jair Bolsonaro, pode chegar ao segundo turno das eleições presidenciais, pela primeira vez, desde o fim da ditadura militar. A bandeira da “intervenção militar” adquiriu influência real. Ou seja, a situação é grave. Mas as eleições estão, totalmente, indefinidas.

quinta-feira, 19 de julho de 2018

Injustiça, semente da guerra.


Valerio Arcary

Precisamos entender a mentalidade de um reacionário. Um reacionário é alguém que está convencido que as pessoas são, naturalmente, desiguais. Portanto a igualdade social seria impossível. Pior, seria disfuncional. Seria uma distopia monstruosa. Sendo alguns mais corajosos, inteligentes e até generosos do que outros, a luta contra a desigualdade social premiaria a mediocridade, sacrificaria o talento, estimularia a preguiça. O socialismo seria a tirania da chatice, da caretice, do tédio, e no limite a destruição da liberdade.


terça-feira, 17 de julho de 2018

Agenda: violência, corrupção e crime ou solidariedade e cooperação


As Parcas: tenho medo 
Os sentimentos comandam a sociedade

Por Silvio Caccia Bava, no jornal Le Monde Diplomatique-Brasil:

Explorando medo e descontentamento, as elites criam uma agenda cujo centro da discussão é a violência, a corrupção e o crime. Essa agenda tem um duplo sentido. Ela cria uma percepção de que estamos todos ameaçados, é intimidatória, dissemina o medo. E tem uma função estratégica, de definir os temas do debate público. Não se fala de enfrentar a desigualdade, reduzir os juros bancários, cobrar impostos dos ricos. Se fala da luta da policia contra os bandidos.

quarta-feira, 20 de junho de 2018

Renda básica universal: a última fronteira do Estado de bem-estar social

Os testes com salário garantido para todos os cidadãos independente de estar trabalhando se multiplicam pelo mundo.

Miguel Ángel García Veja

Os céus ameaçam tempestade. Os especialistas ainda não sabem se cairá com a suavidade de uma garoa ou a violência de um furacão, mas está chegando. Se demorará cinco anos ou uma década, mas está chegando. O homem terá de procurar abrigo sob novos sistemas de proteção social. Porque aqueles que existem são cada vez menos eficazes diante da desigualdade ou do desaparecimento de milhares de empregos por causa da robotização, da economia dos algoritmos e da inteligência artificial.


segunda-feira, 18 de junho de 2018

Mentalidades primitivas, o grande medo e Jair Bolsonaro



 O grande medo tem raízes históricas. São elas que explicam na desigualdade social. A chave de compreensão do Brasil reside na escravidão. A urbanização e a industrialização não diminuíram as iniquidades. Elas se acentuaram produzindo uma sociedade fraturada. Uma parcela de nossa classe dominante e setores da classe média têm ainda nostalgia da ditadura militar. 

Valerio Arcary diz que a chave de interpretação do Brasil deve ser a desigualdade social, e a chave da desigualdade é a escravidão. Sem compreender o significado histórico da escravidão é impossível decifrar a especificidade do Brasil

sexta-feira, 11 de maio de 2018

Políticos Laicos


Wanderley Guilherme dos Santos

Na rota entre BR-2002 e BR-2018 operou-se a transformação de um país em que todos ganhavam em outro no qual todos perdem.

Em 2002, após três tentativas, Lula conseguiu persuadir o eleitorado de que os planos econômicos fracassariam enquanto não houvesse significativa promoção social dos pobres e muito pobres.


A desigualdade extrema permitiu que a primeira das várias medidas com modesto gasto público, o programa bolsa-família, proporcionasse sensível aumento na renda familiar. O impacto no consumo aliviou parte da capacidade ociosa da indústria voltada para consumo de massa sem massa para consumir.

quinta-feira, 1 de março de 2018

O resultado de uma ordem injusta


'Intervenção não pode se resumir a envio de capitão do mato à senzala do século 21', diz ex-chefe da Polícia Civil


Júlia Dias Carneiro

Ex-delegado vê em intervenção possibilidade de atacar o problema da corrupção policial

Os diagnósticos incisivos de Hélio Luz, ex-chefe da Polícia Civil no Rio, ficaram marcados na memória de quem, há quase 20 anos, o assistiu no documentário "Notícias de Uma Guerra Particular", descrevendo uma polícia que foi "criada para ser violenta e corrupta" e teria papel de "garantir uma sociedade injusta".

"Como você mantém os excluídos todos sob controle, ganhando R$ 112 por mês? Com repressão", disse aos diretores João Moreira Salles e Kátia Lund, na época em que chefiava a Polícia Civil fluminense, entre 1995 e 1997, referindo-se ao valor do salário mínimo de então.

domingo, 29 de outubro de 2017

Cidadania e Dependência

Durval Muniz


A sociedade brasileira foi estruturada, desde o período colonial, mediante o estabelecimento de laços de dependência entre pessoas ocupantes de distintas posições sociais. Ao chegar às terras do que viria a ser o Brasil e ao iniciar a sua colonização, os portugueses viviam a longa e particular transição entre o mundo feudal e o mundo capitalista. Embora fosse, ao mesmo tempo, a ponta de lança de um dos empreendimentos fundamentais para a emergência do mundo moderno e capitalista – a expansão marítima europeia -, e o primeiro Estado Nacional a se formar, Portugal tinha a sociedade ainda fortemente marcada pela estrutural feudal, pelos valores e mentalidade senhorial, que a centralização do poder em torno de um rei e de uma corte, ao mesmo tempo veio reforçar e colocar em novas bases. 


quarta-feira, 25 de outubro de 2017

Superar a dicotomia entre esquerda, direita e centro

Precisamos superar a dicotomia entre esquerda, direita e centro, na política, afirma Aldo Rebelo

No debate, que foi mediado pelo assessor parlamentar do DIAP, Marcos Verlaine, o professor Belluzzo disse que dada à necessidade de realimentar as esperanças é preciso ser muito realista, muito crítico e fazer uma reflexão social, política e econômica. “Não podemos ficar alimentando ilusões de que o País vai melhorar espontaneamente. A economia vai começar a se recuperar de forma lenta, o emprego mais tarde, o investimento mais tarde ainda. O Brasil está em um período delicado. Isso não começou nesse governo, mas em 2015”, disse.

Desigualdade, desenvolvimento e alianças políticas

Cláudio de Oliveira 

Em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo, o economista Thomas Piketty defendeu a redução da desigualdade social como condição necessária para o desenvolvimento econômico do Brasil. Segundo ele, pela experiência dos países desenvolvidos, um forte mercado interno é um motor imprescindível para o crescimento [1].

Para alcançar tais objetivos, propôs o caminho clássico da social-democracia europeia: a constituição de um Estado democrático de Bem-Estar Social financiado por um sistema tributário progressivo, especialmente a taxação das altas rendas.


terça-feira, 24 de outubro de 2017

Lula contra a desigualdade social

A desigualdade do capital

Marcio Pochmann  

Quando as políticas públicas começavam a desenhar uma ação para atacar a desigualdade extrema do capital, o condomínio de interesses em torno do Projeto para o futuro destitui a presidenta democraticamente eleita. No seu lugar, emergiram as reformas contra os pobres e os segmentos de rendimentos intermediários, o que tem favorecido ainda mais as rendas do capital.

Controvérsia

 


domingo, 1 de outubro de 2017

As veias abertas do Estado Pós-Democrático

De te fabula narratur

[A fábula refere-se a ti]![1]

Os mitos gregos anunciavam uma dolorosa verdade no mundo ocidental: o fato de enxergar em terra de cegos necessariamente não configura uma vantagem para quem pode ver.

Com efeito, o que se pretende com este ensaio, em limites confessadamente muito estreitos, é destacar o papel do intelectual na contemporaneidade. Não de qualquer intelectual, tampouco um papel qualquer.

Em Estado Pós-Democrático: neo-obscurantismo e gestão dos indesejáveis, Rubens Casara revela-se o intelectual amadurecido que vê, enxerga e sente necessidade de contar o que vê, não porque, como Eduardo Galeano em seu As veias abertas da América Latina, sofre alguma interdição causada pela ameaça da violência física do tipo das engendradas pelas ditaduras militares sul-americanas.

A angústia que atravessa as reflexões de Rubens Casara e que o leva a falar da experiência cotidiana que, na atualidade, parece nos dirigir ao beco sem saída de um neofascismo, o aproxima muito mais da dura vivência daqueles que, na Alemanha, na década de 30 do século passado, espantaram-se pelo fato de seus contemporâneos não se espantarem com a barbárie claramente prefigurada.

quinta-feira, 28 de setembro de 2017

A nação das oligarquias

Marcus Ianoni

Em toda a história do Brasil, há um dilema, nos períodos autoritários e democráticos: de um lado estão o Estado (a política) e a economia e, de outro, a desigualdade social, ou seja, a sociedade. Somos uma nação não solidária, mal-imaginada, em que as oligarquias têm aversão ao povo

Em minha fala na mesa com o tema “Uma nação capaz de promover o desenvolvimento?”, no recém-realizado 14º Fórum de Economia, promovido pela FGV-SP, argumentei que, na história nacional brasileira, há uma forte e recorrente tendência estrutural de divórcio entre, por um lado, os sistemas político e econômico e, por outro, o sistema social, ou seja, de desencontro entre o senhor, o bloco Estado-economia, e o súdito, a sociedade. Essa separação coloca, de um lado, as oligarquias associadas ao grande capital, de outro, o povo, o demos. Devido a isso, em quase dois séculos de história do Brasil independente, nosso regime democrático, quando existe, é, frequentemente, mais refreado pela forma ruim do regime dos poucos, a oligarquia, que impulsionado no sentido da forma boa do regime dos muitos, para usar os termos da análise política de Aristóteles.

quarta-feira, 9 de agosto de 2017

De mal a pior

Wanderley Guilherme dos Santos
Tudo ainda vai piorar. Os democratas progressistas têm enorme dificuldade em aceitar a gravidade de dois problemas: a) que a democracia não garante a melhor solução para todos os desafios; e b) que ela própria, democracia, falha em importantes aspectos de suas promessas. A histórica incapacidade de combater a miséria sem aumentar a desigualdade é um dos desafios da primeira ordem; que o sistema representativo seja capaz de gerar incompatibilidade entre seus próprios valores é uma dura deficiência da segunda ordem.


domingo, 18 de junho de 2017

Por que o poder econômico odeia a Previdência social?

Em 2015, a adoção de uma estratégia ortodoxa de ajuste macroeconômico poderá conduzir o País para a recessão, com reflexos negativos sobre o mercado de trabalho. Esse cenário aponta para graves desequilíbrios financeiros

Eduardo Fagnani*

A Previdência é um dos pilares da cidadania social brasileira. Entre 2001 e 2012, o total de benefícios diretos do segmento urbano cresceu 48% (passando de 11,6 milhões para 17,2 milhões de beneficiários), enquanto na Previdência Rural o acréscimo foi de 38% (de 6,3 milhões para 8,7 milhões). Segundo a PNAD (Pesquisa por Amostra de Domicílio) de 2001, do IBGE, para cada beneficiário direto há 2,5 indiretos (membros da família). Em 2012, a Previdência Social beneficiou, direta e indiretamente, mais de 90 milhões de brasileiros.

segunda-feira, 12 de junho de 2017

Liberdade ou justiça?

O novo moralismo brasileiro, seja de direita ou de esquerda, está fortemente orientado por uma espécie de crise de excesso de experiências de falso reconhecimento

Christian Ingo Lenz Dunker

“Temos o direito a ser iguais quando nossa diferença nos inferioriza; e temos o direito a ser diferentes quando nossa igualdade nos descaracteriza. Daí a necessidade de uma igualdade que reconheça as diferenças e de uma diferença que não produza, alimente ou reproduza as desigualdades.”

segunda-feira, 29 de maio de 2017

Brasil não soube assimilar entrada do povo na vida política, diz historiador

José Murilo de Carvalho

RESUMO Historiador argumenta que, a partir de 1930, a vulnerabilidade de presidentes eleitos tornou-se o feijão com arroz da política nacional. A instabilidade decorre da incapacidade dos governantes de lidar com a ascensão do povo como ator relevante e portador de demandas novas num país marcado pela desigualdade.

Manifestante observa protesto em frente ao Congresso na última quarta-feira (24)
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