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domingo, 9 de dezembro de 2018

As redes sociais destruirão a democracia ou a ressuscitarão?


Se a ferramenta for chamada a obrigar o poder a atuar sob a luz do sol já deve merecer nosso aplauso e até nosso agradecimento.

O comentário é de Juan Arias, jornalista, publicado por El País, 03-12-2018.

Existe tamanha perplexidade com as redes sociais que sobre elas recaem as teorias mais extravagantes e contrapostas. Há quem as veja como o verdugo que acabará com a democracia tradicional tal qual a vivemos. E há quem chegue a concebê-las como o milagre que fará a democracia ressuscitar da crise de identidade em que hoje se encontra.


sábado, 21 de julho de 2018

Chico de Oliveira: 'Brasil: uma Biografia Não Autorizada'

Preferia não fazê-lo 


Em obra, Francisco de Oliveira expõe ceticismo sobre Brasil e lulismo.  Recém-lançado reúne ensaios e entrevistas publicados entre 1997 e 2016

Naief Haddad

São incontáveis os casos de mudança de rota ideológica entre os mais influentes pensadores brasileiros. Em geral, partem do abraço ao marxismo na juventude à adesão ao liberalismo econômico nos anos de maturidade.

Professor titular aposentado do departamento de sociologia da USP e ex-pesquisador do Cebrap (Centro Brasileiro de Análise e Planejamento), Francisco de Oliveira se aproxima dos 85 anos com uma trajetória intelectual sempre à esquerda, como se verifica no recém-lançado “Brasil: uma Biografia Não Autorizada”, que reúne ensaios e entrevistas publicados entre 1997 e 2016.

quarta-feira, 4 de julho de 2018

Fake news e o risco de censura na internet


Sérgio Amadeu

A Associação Brasileira de Pesquisadores de Cibercultura (ABCiber), entidade científica e cultural fundada em 2003 e com domicílio na cidade de São Paulo, manifesta a sua preocupação com os rumos do chamado combate às fake news em nosso país.

Ao se instituir uma instância que se comporte como detentora absoluta da verdade, corremos o risco de implantar um autoritarismo fantasiado que esconde a escolha de discursos aceitos por grupos poderosos e instâncias que buscam suprimir a crítica e o protesto, recursos legítimos e garantidos pela Constituição Federal. Por isso, consideramos fundamental denunciar o mito da “objetividade” algorítmica.

sexta-feira, 1 de junho de 2018

Escândalo

Francisco Paes de Barros

Há de se encontrar uma ideologia que substitua a ideologia da sociedade capitalista ou burguesa. Liberalismo e marxismo são ideologias irmãs da mesma cultura materialista do mundo moderno. Pensar assim talvez seja utopia. Acredito nos princípios da ideologia católica.

A ideologia católica tem como princípio defender a dignidade humana. Outro princípio é no sentido de garantir uma dimensão ética para a economia. E isso contraria a ideologia liberal, que defende a não intervenção do conceito de moralidade no processo econômico. Um outro princípio, tão importante quanto os dois anteriores, é pela necessidade de o Estado intervir na questão social e econômica, ajudando os cidadãos mais pobres.

terça-feira, 17 de abril de 2018

Para onde vamos? Cinco teses sobre a conjuntura


Valério Arcary


Os eventos se sucedem em velocidade acelerada, mas o país caminha em marcha ré. O sistema político dominante parece desmoronar, mas somente para ceder lugar à edificação de algo mais rígido e sombrio. A instabilidade é tamanha que o amanhã desponta como imprevisível, mas as nuvens carregadas no horizonte são cinzas e os monstros saíram das catacumbas.

Em síntese, as forças reacionárias prevalecem num cenário de notável turbulência.

sexta-feira, 22 de dezembro de 2017

Matadouro Público

Michel Zaidan Filho

Nunca me esqueci da frase,pronunciada por um delegado da polícia civil, em debate radiofônico sobre a criminalidade no país. Segundo a autoridade policial, a nossa sociedade é criminógeno, ou seja, ela produz o crime e o criminoso e os tipos penais que definem o crime. 

Não precisaria ir tão longe, no "nascimento da biopolítica" e do "biopoder", ou citar as palavras de Michel Foucault, para chegar a uma conclusão tão límpida, tão clara e óbvia. 

0 modelo de sociedade implantado no Brasil ("societas sceleris"), só poderia gerar essa deformação sistêmica de que o crime (o grande crime) compensa. 

quarta-feira, 20 de dezembro de 2017

Jaldes Meneses: Gramsci e Lenin

Mais vale menos, mas melhor
"Se eu não me queimo

Se tu não te queimas

Se nós não nos queimamos

Como as trevas se tornarão claridade”

- Nazım Hikmet

A viragem na linha política produzida em 1921/22 no Movimento Comunista Internacional – NEP e frente única, duas respostas objetivas e combinadas a movimentos de transformação da própria realidade russa e européia –, compõe um marco histórico e teórico fundamental na periodização de Gramsci sobre o processo de revolução passiva no século XX. O processo contemporâneo de revolução passiva no século XX foi desatado exatamente como um subproduto da Revolução Russa: as respostas (políticas, econômicas, culturais, etc.) do sistema capitalista contra a sociabilidade gerada pelo novo tipo de revolução socialista (os sovietes) – emblematizados no fascismo e no fordismo –, e vice-versa, nos esforços promovidos pelos próprios soviéticos na evolução da Revolução Socialista – a NEP.


quarta-feira, 25 de outubro de 2017

“O Poder Político da Mídia Hegemônica”

Editor do "Cinegnose" debate Mídia e Hegemonia Política na UFRRJ

Wilson Roberto Vieira Ferreira

Este editor do “Cinegnose” participa de mesa de debates “Meios de Comunicação e Intervenção Social” às 18h do dia 24/10 dentro do II Seminário Qualidade de Vida, Sustentabilidade e Economia Alternativa na Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), na cidade de Seropédica. Irei expor o tema “O Poder Político da Mídia Hegemônica” no qual descreverei os efeitos socialmente letais daquilo que as pesquisas desse blog chamam de “bombas semióticas” dentro de uma guerra geopolítica mais ampla – a “Guerra Híbrida”, nesse momento impactando o contínuo midiático nacional e por trás das diversas “primaveras” que rondaram o planeta nos últimos anos. E também uma avaliação das oportunidades de contra-hegemonia perdidas e a possibilidade de uma guerrilha semiótica anti-mídia.

quarta-feira, 18 de outubro de 2017

Jornalismo assume papel de protagonista nesta crise

Francisco Paes de Barros

A política brasileira vive a maior crise ética e moral da sua história. Os brasileiros estão descrentes de tudo e de todos.

É uma situação que me fez lembrar os ensinamentos encontrados no livro “Por uma civilização do amor” (Paulinas), do renomado escritor, teólogo e politicólogo italiano Bartolomeo Sorge, jesuíta. Seus ensinamentos são inspirados na proposta social da Igreja. Um dos capítulos do livro é sobre a maneira de fazer política como cristão. Aborda também a crise moral e ética da política de então, 1996.

terça-feira, 3 de outubro de 2017

O direitismo bonapartista contra a democracia

Marcus Ianoni

O grande capital governa, mas, contraditoriamente, não reina em paz, pois o rei (o regime representativo) está nu, exibindo continuadamente em público sua reprochável mácula, novamente exposta na segunda rodada de denúncias da PGR contra o presidente Temer, desta vez abrangendo também dois de seus ministros mais importantes, todos suspeitos de obstrução da justiça e organização criminosa.

Nesse mar de lama, emergem do bloco heterogêneo da direita que induziu à atual deformação regressiva do Estado Democrático de Direito novas manifestações de autoritarismo social, com respaldo dos políticos, e, na esfera institucional, expande-se o bonapartismo, alastrando-se, preocupantemente, do Judiciário e demais instituições de controle até nada mais nada menos que a esfera militar. Os autoritarismos social e bonapartista reforçam-se mutuamente, embora essa dinâmica ainda não tenha um curso decidido. A crise de legitimidade é o centro de gravidade do direitismo.

domingo, 10 de setembro de 2017

À frente de seu tempo

Tereza Campello

O crescente avanço no desmonte do Estado de Bem-Estar Social, lamentavelmente, não é uma exclusividade brasileira. Em vários países estamos assistindo ataques permanentes aos direitos sociais e restrição de acesso à bens e serviços públicos, especialmente, para os mais vulneráveis, que apontam para um aumento da desigualdade.

Frente a este horizonte, o arcabouço dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) que definem metas globais até 2030, é uma agenda da ONU para todos os países e tornou-se importante referencial para unificar os que acreditam e lutam por um mundo mais justo e igualitário.

segunda-feira, 4 de setembro de 2017

Safatle: “Frente de esquerda para quê?”

O filósofo da USP duvida da realização de eleições em 2018 e afirma que o campo progressista ainda não sabe o que oferecer aos brasileiros

Safatle: a conciliação da Nova República chegou ao fim

Após incursões em sua área de formação, a Filosofia, Vladimir Safatle volta a se concentrar no debate político contemporâneo. O título de seu mais recente livro, “Só mais um esforço”, a ser lançado no início de setembro, é uma referência a uma famosa frase do Marquês de Sade de estímulo aos concidadãos desanimados com os rumos da Revolução Francesa. Há, portanto, no âmago da análise, uma mensagem de esperança em relação ao futuro do Brasil, erguida sobre camadas de críticas agudas aos rumos da esquerda, ao chamado lulismo e à eterna conciliação das elites.

terça-feira, 27 de junho de 2017

O pacifismo hipócrita dos bem-pensantes

Aldo Fornazieri

No Brasil basta que um político, um jornalista ou um intelectual seja xingado num aeroporto ou num restaurante para que os bem-pensantes liberais e de esquerda se condoam com o "insuportável clima" de radicalização e de ódio. Todos derramam letras e erguem vozes para exigir respeito e para deplorar as situações desagradáveis e constrangedoras. Até mesmo a nova presidente do PT e parlamentares do partido entram na cruzada civilista para exigir o respeito universal, mesmo que para inimigos. Os bem-pensantes brasileiros, cada um tem seu lado, claro, querem conviver pacificamente nos mesmos aeroportos, nos mesmos restaurantes e, porque não, compartilhar as mesmas mesas. Deve haver um pluralismo de ideias e posições, mas a paz e os modos civilizados devem reinar entre todos e a solidariedade e os desagravos precisam estar de prontidão. As rupturas na democracia e no Estado de Direito não devem abalar este convívio.

segunda-feira, 29 de maio de 2017

O Brasil real de 2002 a 2013

Estatística — Polícia Federal

O Brasil teve um curto período de desenvolvimento e inclusão social, claro, até o dia em que a classe dominante optou pelo golpe de Estado:

Luiz Alberto de Vianna Moniz Bandeira.


1. Produto Interno Bruto:

2002 – R$ 1,48 trilhões

2013 – R$ 4,84 trilhões

quinta-feira, 16 de março de 2017

A combinação explosiva do judiciário e a mídia, a poderosa energia da sociedade e o grande déficit de pensamento.

Entrevista especial com Luiz Werneck Vianna

Patricia Fachin

A principal “novidade” na cena pública brasileira não é mais a crise política em si, a atuação do Judiciário e as repercussões da Operação Lava Jato, mas a atuação da “mídia eletrônica”, que é “composta de uma juventude (...) que vem se apropriando desse espaço de forma muito eficiente, e eu diria, sem treinamento e sem conhecimento do país, e sem educação política para dar conta desse turbilhão que se tornou a vida política brasileira”, critica o sociólogo Luiz Werneck Vianna, na entrevista a seguir, concedida por telefone à IHU On-Line.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

Menos Estado de bem-estar social leva a mais Estado penitenciário

As prisões da miséria
Laura Carvalho

Depois de 134 mortes registradas nos últimos 15 dias em prisões brasileiras, o presidente Michel Temer anunciou na terça-feira (17) a liberação das Forças Armadas para atuar em presídios estaduais, lembrando os tempos da monarquia, que reservava ao Exército tarefas típicas dos capitães do mato, como a prisão de escravos em fuga.

Além da falta de preparo dos militares para esse tipo de situação, a medida recebeu a mesma crítica que o anúncio da abertura de novas vagas em prisões feito anteriormente: nenhuma delas ataca a origem do problema.

sábado, 14 de janeiro de 2017

O Deus brasileiro é Moloc que devora seus filhos


Leonardo Boff 

Diz-se que Deus é brasileiro, não o Deus da ternura dos humildes mas o Moloc dos amonitas que devora seus filhos. Somos um dos países mais desiguais, injustos e violentos do mundo. Teologicamente vivemos numa situação de pecado social e estrutural em contradição com o projeto de Deus. Basta considerar o que ocorreu nos presídios de Manaus, Rondônia e Roraima. É pura barbárie: a fúria decapita, fura os olhos e arranca o coração.

terça-feira, 10 de janeiro de 2017

Não vamos falar de crise, o trabalho liberta

Michel Zaidan

Nunca me esqueci da frase,pronunciada por um delegado da polícia civil, em debate radiofônico sobre a criminalidade no país. Segundo a autoridade policial, a nossa sociedade é criminógeno, ou seja, ela produz o crime e o criminoso e os tipos penais que definem o crime. Não precisaria ir tão longe, no "nascimento da biopolítica" e do "biopoder", ou citar as palavras de Michel Foucault, para chegar a uma conclusão tão límpida, tão clara e óbvia. 0 modelo de sociedade implantado no Brasil ("societas sceleris"), só poderia gerar essa deformação sistêmica de que o crime (o grande crime) compensa. 
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