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segunda-feira, 18 de junho de 2018

Mentalidades primitivas, o grande medo e Jair Bolsonaro



 O grande medo tem raízes históricas. São elas que explicam na desigualdade social. A chave de compreensão do Brasil reside na escravidão. A urbanização e a industrialização não diminuíram as iniquidades. Elas se acentuaram produzindo uma sociedade fraturada. Uma parcela de nossa classe dominante e setores da classe média têm ainda nostalgia da ditadura militar. 

Valerio Arcary diz que a chave de interpretação do Brasil deve ser a desigualdade social, e a chave da desigualdade é a escravidão. Sem compreender o significado histórico da escravidão é impossível decifrar a especificidade do Brasil

quarta-feira, 1 de novembro de 2017

A Terceira Escravidão no Brasil (entrevista José Souza Martins)


Guilherme Henrique

Em entrevista ao Le Monde Diplomatique Brasil, sociólogo José de Souza Martins analisa desmandos do governo Temer no combate ao trabalho escravo no Brasil

“A Portaria é filosofante, o que não tem o menor cabimento em lugar nenhum do mundo”. É assim que José de Souza Martins avalia a Portaria 1.129 do Ministério do Trabalho, publicada no dia 16 de outubro e que altera o modelo de fiscalização e combate ao trabalho escravo no Brasil. Professor aposentado do Departamento de Sociologia da Universidade de São Paulo (USP), Martins de Souza é especializado no estudo de conflitos fundiários. Liderou o GERTRAF (Grupo Executivo de Repressão ao Trabalho Forçado), criado pelo presidente Fernando Henrique Cardoso, entre 1995 e 2003, no combate à escravidão, e foi membro do Fundo Voluntário da ONU contra as Formas Contemporâneas de Escravidão, entre 1998 e 2007.


domingo, 29 de outubro de 2017

Cidadania e Dependência

Durval Muniz


A sociedade brasileira foi estruturada, desde o período colonial, mediante o estabelecimento de laços de dependência entre pessoas ocupantes de distintas posições sociais. Ao chegar às terras do que viria a ser o Brasil e ao iniciar a sua colonização, os portugueses viviam a longa e particular transição entre o mundo feudal e o mundo capitalista. Embora fosse, ao mesmo tempo, a ponta de lança de um dos empreendimentos fundamentais para a emergência do mundo moderno e capitalista – a expansão marítima europeia -, e o primeiro Estado Nacional a se formar, Portugal tinha a sociedade ainda fortemente marcada pela estrutural feudal, pelos valores e mentalidade senhorial, que a centralização do poder em torno de um rei e de uma corte, ao mesmo tempo veio reforçar e colocar em novas bases. 


terça-feira, 3 de outubro de 2017

Jessé Souza: o ódio ao pobre é o problema central do Brasil


Em entrevista à TV 247, o sociólogo e professor Jessé Souza fala de seu novo livro, "A elite do atraso – da escravidão à Lava Jato", em que apresenta sua tese sobre como é legitimada a desigualdade social no Brasil; para o intelectual, "o ódio aos pobres é o principal problema político e social brasileiro e vem de 500 anos", tendo se tornado "a versão moderna do ódio ao escravo"; o PT, em sua visão, "não saiu e não está sendo perseguido por conta de corrupção", mas por ter destinado mais recursos aos pobres; e a Operação Lava Jato "foi a maior traição ao Brasil em 500 anos de história"; Jessé também critica duramente a Rede Globo e avalia que Jair Bolsonaro é fruto do casamento entre Globo e Lava Jato


https://youtu.be/8Y9eCLUSeoI



quarta-feira, 19 de julho de 2017

Pena como castigo, uma tradição brasileira


Condução coercitiva


Sou preto, mas não sou ladrão, doutor

O abismo que nos separa...

O caminho que conduz à verdadeira democracia é longo e sinuoso

Milton Hatoum, O Estado de S.Paulo

“Trabalhar nós trabalhamos/Porém pra comprar as pérolas/Do pescocinho da moça/Do deputado Fulano”. (Mário de Andrade, ‘Acalanto do Seringueiro’, em ‘Clã do Jabuti’, 1927)

Numa tarde de 2001, quando ainda morava perto do centro da cidade, um homem de uns 50 anos veio ao meu encontro: “Sou preto, mas não sou ladrão, doutor. Só quero o dinheiro do ônibus”.

Ele havia procurado emprego num supermercado, e queria voltar à sua casa.

quarta-feira, 14 de junho de 2017

As origens da corrupção

 

"Negação e descrença são parte da história do Brasil"

Em entrevista à DW, historiadora debate as origens da corrupção no país e diz que brasileiros passam da euforia à depressão sem a justa medida. Para ela, elites políticas incultas favorecem discurso violento.

O complexo sistema de desvio de verbas públicas, escancarado pela Operação Lava Jato, em março de 2014, revigorou um amplo debate sobre as origens da corrupção no país. A concepção distorcida entre privado e público esteve, mais uma vez, no cerne de uma questão antiga, mas que ainda não atingiu nenhuma resolução. A corrupção pode ser considerada um mal iniciado com a proclamação da República, em 1889?

sexta-feira, 9 de junho de 2017

Reforma Trabalhista traz escravidão de volta para o trabalhador rural

Deputado alerta para a volta de escravidão no campo

O deputado estadual Frei Anastácio (PT) disse que os trabalhadores rurais, em todo o Brasil, estão muito apreensivos com a reforma trabalhista em curso no Congresso Nacional. “Essa reforma trará de volta à escravidão para o trabalhador rural. Um dos pontos defendidos pelo projeto é que os patrões poderão pagar aos trabalhadores com moradia, alimentação e parte da produção”, isso é um absurdo.


sábado, 6 de maio de 2017

Charles Darwin escreveu sobre a escravidão no Brasil

Ao chegar no Brasil e ver de perto a escravidão, Darwin escreveu esse relato:


“Perto do Rio de Janeiro, minha vizinha da frente era uma velha senhora que tinha umas tarraxas com que esmagava os dedos de suas escravas. Em uma casa onde estive antes, um jovem criado mulato era, todos os dias e a todo momento, insultado, golpeado e perseguido com um furor capaz de desencorajar até o mais inferior dos animais.

terça-feira, 15 de novembro de 2016

Oligarquia Paulista, o Atraso do Brasil

Dos barões do café aos banqueiros e a movimentos com o MBL, elite de SP afirma-se, há mais de cem anos, como grande entrave à democratização do país

João Telésforo

Até mesmo nos meios “progressistas”, nunca faltam aqueles que consideram a sociedade e a política do Nordeste como mais “atrasadas” com relação às do Centro-Sul, em especial paulistas. Segundo representação predominante, em São Paulo estaria a “modernidade” das práticas econômicas e políticas, enquanto os velhos coronéis e regimes mais exploradores e clientelistas estariam concentrados entre a “baianada” ou os “paraíbas” lá de cima (termos que paulistas e cariocas utilizam pejorativamente para se referirem a nós, nordestinos).

sexta-feira, 14 de outubro de 2016

Escravidão e sistema penitenciário

Siro Darlan

Quando um magistrado federal sugere que “pessoa mais pobre não liga e até gosta de ficar um pouco na prisão” e o sistema penitenciário pinta o perfil dos encarcerados como de pretos, pobres e analfabetos, compreende-se que passados 128 anos da abolição da escravidão no Brasil. Ela continua viva

domingo, 17 de julho de 2016

A escandalosa falta de ética no Brasil

Essa falta generalizada de ética deita raízes em nossa pré-história. É uma consequência perversa da colonização.

Leonardo Boff*

O país, sob qualquer ângulo que o considerarmos, é contaminado por uma espantosa falta de ética. O bem é só bom quando é um bem para mim e para os outros; não é um valor buscado e vivido, mas o que predomina é a esperteza, o dar-se bem, o ser espertinho, o jeitinho e a lei de Gerson.

domingo, 10 de julho de 2016

Revogar a abolição da escravidão




São muitos os empresários que tem se interessado em promover em instituição de pesquisas competente estudos que possam verificar cientificamente da conveniência e economicidade de eventual revogação da Lei Áurea. 

 Contatos e sondagens têm sido mantidos com algumas das melhores instituições de pesquisa econômicas para se buscar a melhor escolha.

terça-feira, 17 de maio de 2016

A abolição da escravidão e o tempo presente


  

As históricas desigualdades sociais hierarquizaram o espaço urbano brasileiro e influenciam ainda hoje os elevados níveis de violência que enfrentamos.
 

Rodrigo Medeiros

 

Em tempos de grande perplexidade política, a revista “The Economist”, em sua edição de 23 de abril de 2016, apontou para as muitas heranças que o Brasil não discutiu adequadamente. Na matéria destacada na sua capa consta que “não há atalhos para resolver os problemas. As raízes da disfunção política do Brasil podem ser enxergadas na economia baseada no trabalho escravo do século XIX, na ditadura ocorrida no século XX e em um sistema eleitoral viciado em campanhas ruinosamente caras e que protegem os políticos da prestação de contas” (tradução livre). Vejamos então alguns poucos aspectos dessas questões.

sábado, 12 de março de 2016

O Brasil Vertical e Ético



Dante Donatelli

Um país como o nosso, autoritário e profundamente arraigado a uma hierarquia social na qual a mobilidade traz medo, angústia e conflito, as questões éticas se tornam subterfúgio e não preocupação.

 
A sanha conservadora nascida no senso comum sempre ataca o ser brasileiro de aético, imoral, preguiçoso e pactuado com a malandragem, no pior sentido da palavra. Estas certezas professadas, muito mais pela ignorância da nossa história combinada a um profundo desprezo antropológico, reforçam os estereótipos e se deleitam em clichês, que se tornam argumentos de má qualidade.
 

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