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sábado, 30 de junho de 2018

O marxismo ocidental Parte 1 Domenico Losurdo


Por muito tempo o “marxismo ocidental” celebrou a sua superioridade em relação ao marxismo dos países que se remetiam ao socialismo e que estavam todos situados no Oriente. Em decorrência dessa atitude arrogante, o marxismo ocidental nunca se empenhou seriamente em repensar a teoria de Marx à luz de um balanço histórico concreto: qual era o papel do Estado e da nação nesses países e no “campo socialista”? Como promover a democracia e os direitos humanos e como estimular o desenvolvimento das forças produtivas e o bem-estar das massas numa situação caracterizada pelo bloqueio capitalista? Ao invés de pôr-se essas questões difíceis, o marxismo ocidental preferiu abandonar-se à cômoda atitude autoconsolatória de quem cultiva em particular as suas utopias e rejeita, como uma contaminação, o contato com a realidade e a reflexão sobre a realidade. Disso derivou uma progressiva capitulação à ideologia dominante. Por fim, a autocelebração do marxismo ocidental desembocou na sua autodissolução.


domingo, 29 de outubro de 2017

Cidadania e Dependência

Durval Muniz


A sociedade brasileira foi estruturada, desde o período colonial, mediante o estabelecimento de laços de dependência entre pessoas ocupantes de distintas posições sociais. Ao chegar às terras do que viria a ser o Brasil e ao iniciar a sua colonização, os portugueses viviam a longa e particular transição entre o mundo feudal e o mundo capitalista. Embora fosse, ao mesmo tempo, a ponta de lança de um dos empreendimentos fundamentais para a emergência do mundo moderno e capitalista – a expansão marítima europeia -, e o primeiro Estado Nacional a se formar, Portugal tinha a sociedade ainda fortemente marcada pela estrutural feudal, pelos valores e mentalidade senhorial, que a centralização do poder em torno de um rei e de uma corte, ao mesmo tempo veio reforçar e colocar em novas bases. 


quarta-feira, 14 de junho de 2017

As origens da corrupção

 

"Negação e descrença são parte da história do Brasil"

Em entrevista à DW, historiadora debate as origens da corrupção no país e diz que brasileiros passam da euforia à depressão sem a justa medida. Para ela, elites políticas incultas favorecem discurso violento.

O complexo sistema de desvio de verbas públicas, escancarado pela Operação Lava Jato, em março de 2014, revigorou um amplo debate sobre as origens da corrupção no país. A concepção distorcida entre privado e público esteve, mais uma vez, no cerne de uma questão antiga, mas que ainda não atingiu nenhuma resolução. A corrupção pode ser considerada um mal iniciado com a proclamação da República, em 1889?

quinta-feira, 2 de março de 2017

Revolução pernambucana: República em Pernambuco durou 75 dias


Renato Cancian

A Revolução pernambucana de 1817 foi o último movimento de revolta anterior à Independência do Brasil. Mas, diferentemente de todos os outros movimentos sediciosos que eclodiram no período colonial, a Revolução pernambucana conseguiu ultrapassar a fase conspiratória e atingir a etapa do processo revolucionário de tomada do poder. As causas da Revolução pernambucana estão intimamente relacionadas ao estabelecimento e permanência do governo português no Brasil (1808-1821).

segunda-feira, 17 de outubro de 2016

Burguesia brasileira: Mas que burguesia?

Venceslau Pietro Pìetra, Piaimã
Juliano Giassi Goularti

Sem missão histórica nenhuma a cumprir, a aliança cordial entre a burguesia emergente na era Vargas e o velho patronato resultou no reforço do estatuto colonial e nessa condição de colônia de exploração na qual o Brasil é um grande negócio. Este é seu sentido e sua posição dentro da divisão internacional do trabalho

terça-feira, 14 de junho de 2016

Privilégios ancestrais. As raízes da corrupção e dos desmandos públicos no Brasil


Autor do livro Direito e justiça em terras d’el rei na São Paulo colonial 1709 – 1822, o historiador Adelto Gonçalves fala sobre como a organização das estruturas de poder na sociedade, o funcionamento da Justiça paulista e a formação de privilégios da elite naquela época descrevem as raízes da corrupção e dos desmandos públicos no Brasil.

Séquito de família abastada no Rio de Janeiro. Por Debret, início do século 19

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