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sexta-feira, 16 de novembro de 2018

Será nosso futuro o socialismo capitalista chinês?



 Por Slavoj Žižek, via RT, traduzido por Bernardo Pereira 

Apesar de algumas eventuais exceções, já foi considerado como verdade absoluta que democracia e capitalismo andam juntos. A ascensão bem-sucedida da China é um tapa na cara de tal ideia.

Sociólogos oficiais da China pintam um quadro do mundo contemporâneo que permanece basicamente o mesmo da Guerra Fria.

Assim, a luta mundial entre o socialismo e o capitalismo continua inalterada, o fiasco de 1990 foi apenas um revés temporário e os dois grandes adversários não são mais os EUA e a URSS, mas, sim, os Estados Unidos e a China, que continua sendo um país socialista.

domingo, 29 de abril de 2018

Revolucionários não lutam por reformas. ? Unificação MAIS/NOS


A unificação MAIS/NOS: um pequeno-grande passo em frente

Valerio Arcary

Águas passadas não movem moinhos.

Errando é que se aprende.

Não deixes para amanhã o que podes fazer hoje.

Sabedoria popular brasileira



A organização que nascerá neste fim de semana da fusão do MAIS e da NOS será um pequeno-grande passo em frente na reorganização da esquerda revolucionária no Brasil. Pequeno e grande ao mesmo tempo, porque tudo é relativo. Devemos ser simples. A auto-proclamação é, possivelmente, um dos arcaísmos mais irritantes da esquerda brasileira. Tem uma história.

quarta-feira, 25 de abril de 2018

Plínio Arruda: A urgência de uma alternativa de esquerda!

Plínio de Arruda Sampaio Jr. 

A prisão do ex-presidente acelera a exaustão do lulismo como referência política da classe trabalhadora brasileira.

As jornadas de Junho de 2013 manifestou a possibilidade de construirmos um "partido das ruas" no Brasil 

O processo que culmina com a condenação e prisão de Lula agrava a crise terminal da Nova República e catalisa a derrocada do lulismo. Os dois fenômenos confundem-se e reforçam-se reciprocamente. Eles revelam a absoluta impossibilidade de conciliar capitalismo, democracia e igualdade social nas economias de origem colonial submetidas a violentos processos de reversão neocolonial.

sexta-feira, 13 de abril de 2018

O desvio autoritário de uma ideia


Daniel Aarão Reis - Novembro 2017

Durante o século XIX, socialismo e democracia eram conceitos intercambiáveis. O socialismo era visto como um aprofundamento da democracia e só seria possível quando esta fosse aperfeiçoada. Eram ideias poderosas, que se sedimentaram principalmente após as revoluções francesas de 1848 e de 1871 (a Comuna de Paris), quando vários partidos socialistas se formaram pelo mundo. Em 1889, fundou-se a II Internacional Socialista, rapidamente dominada por aqueles que se intitulavam herdeiros de Karl Marx. Para todos eles, os valores democráticos eram referências comuns. Lutava-se pelo sufrágio universal, direto e secreto. Pela liberdade de organização sindical e partidária, pela liberdade de imprensa e pelos direitos sociais. Mesmo nos países da Europa Oriental, onde ainda eram ignoradas as liberdades democráticas, os partidos socialistas eram identificados com a democracia e nada é mais eloquente a este respeito do que o fato de que eles, na Rússia, se autodenominassem e fossem conhecidos como “a democracia”.


quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

Jaldes Meneses: A hegemonia como contrato


Acabei de escrever, neste exato momento, uma curta apresentação para um livro meu de ensaios, que chamar-se-á "A hegemonia como contrato - ensaios sobre política e história". Agora segue para revisão e finalmente prelo.

Apresentação

Os ensaios que compõem este livro foram escritos e publicados em diferentes ocasiões, entre 2004 e 2017. O primeiro ensaio, “Gramsci e a Revolução Russa”, que abre o livro, é inédito.

Embora distintos e lidos em qualquer ordem, a minha pretensão de autor dos ensaios é costurar uma unidade temática implícita a partir de um fio condutor interno, cuja síntese se expressa no título do terceiro ensaio, “A hegemonia como contrato”. Conceber a hegemonia como um contrato não é uma abordagem assente nem resolvida em teoria política e história. Na tradição canônica da filosofia política, hegemonia e contrato atendem a tradições distintas, vistas em geral como enfoques antagônicos, o realismo político e o contratualismo, moderno ou contemporâneo. A ideia do livro origina-se de um insight enunciado e não desenvolvido como projeto sistemático pelo marxista brasileiro Carlos Nelson Coutinho, falecido em 2012. Penso que a problemática seja importante para lançar luzes na relação entre democracia e socialismo e na noção gramsciana do “Estado ampliado” no capitalismo.

sexta-feira, 5 de janeiro de 2018

Do “Fascismo Democrático” a um novo Comunismo?

Ocidente parece dividido entre a aristocracia financeira e os gângsters. É preciso reconstruir a ideia de alternativa, ou não haverá mais Política. Mas quais os caminhos?

Alain Badiou 

1.
Começo como uma visão geral, não da situação atual dos Estados Unidos, mas do mundo de hoje. Penso que o ponto mais importante por onde devemos começar é a vitória histórica do capitalismo globalizado. Devemo-nos confrontar com esse fato. De alguma maneira, desde os anos 80 do século passado até hoje, temos a vitória histórica do capitalismo globalizado. E isso por muitas razões.

domingo, 29 de outubro de 2017

Treze observações sobre a questão nacional

Breno Altman

1. Nem todo o nacionalismo é positivo.

2. O nacionalismo dos países capitalistas hegemônicos, por exemplo, é profundamente reacionário. Trata-se do discurso imperialista das burguesias centrais.

3. A social-democracia europeia afundou, antes da Primeira Guerra, porque aderiu ao nacionalismo grão-burguês e aceitou apoiar, em cada nação, sua própria classe dominante contra as demais, renunciando à primazia da unidade das classes trabalhadoras contra todas as burguesias. Esse foi o principal motivo da ruptura de Lenin com a II Internacional: critico impiedoso desse tipo de nacionalismo, por ele chamado de “nacionalismo dos opressores”, o líder bolchevique defendia a consigna “guerra à guerra”, entendendo que o inimigo principal do proletariado de cada país europeu era sua própria burguesia.

quarta-feira, 18 de outubro de 2017

UberCapitalismo: a contrarrevolução do século 21


Como um punhado de megacorporações ameaça colonizar a internet, arrasar o projeto de uma rede não-mercantil e realizar a distopia da precarização permanente

Por Ricardo Abramovay

A explosão da cultura digital durante o século XXI revigorou os mais importantes ideais emancipatórios, combalidos pela queda do muro de Berlim. As pessoas e as comunidades passariam a dispor dos meios técnicos que lhes permitiriam estabelecer comunicação direta umas com as outras. A informação, os bens e os serviços poderiam ser oferecidos de forma eficiente sem que as condições objetivas de sua produção estivessem nas mãos de grandes empresas.


quinta-feira, 28 de setembro de 2017

Traidores

Luis Fernando Veríssimo

– Immanuel Wallerstein, um dos bons pensadores da esquerda americana, escreveu sobre a distância entre o conceito e a realidade do papel da burguesia na história do capitalismo.

Segundo Wallerstein, a “traição da burguesia”, quando não cumpre o papel que lhe é atribuído no que chama de mito dominante do marxismo clássico, não é uma anomalia, mas uma constante.

A realidade que desmente o conceito é que a burguesia só fez o que tinha que fazer num determinado período histórico, quando acabou com o feudalismo, e que principalmente a partir do século XIX não faz outra coisa senão frustrar os que esperavam que ela terminasse o serviço, eliminando qualquer ideia de separação entre servos e senhores hereditários.

segunda-feira, 25 de setembro de 2017

Gramsci: hegemonia e luta de classes

Cezar Xavier

No debate ocorrido em São Paulo, nesta quinta-feira (21), o estudioso de Antonio Gramsci, o filósofo italiano Gianni Fresu, mostrou como o pensamento daquele teórico, morto a exatos 80 anos, é a continuidade e avanço de temas importantes para Lênin, assim como permitem a compreensão da estratégia para o processo revolucionário, ainda que tantos esforços tenham sido feitos por setores à direita e à esquerda, para tornar o autor um mero reformista social-democrata.

sexta-feira, 22 de setembro de 2017

Nancy Fraser: em favor de um "esquerda populista”

Todo movimento emancipador atual precisa adquirir uma dimensão popular

Em entrevista professora de Filosofia e Política fala sobre feminismo, neoliberalismo e movimentações políticas de Trump

Numa consequência das manifestações convocadas pelo movimento feminista contra a chegada de Donald Trump ao poder, Nancy Fraser, professora de Filosofia e Política na New School of Social Research, (em Nova York) assinou - juntamente com muitos outras intelectuais, como Angela Davis e Rasmea Odeh - um apelo a um feminismo "99%", transnacional e anticapitalista. Sua aposta tenta construir um feminismo de maiorias, rejeitando, inclusive, a cooptação neoliberal. Com várias décadas de trabalho acadêmico consistente, pesquisando questões como justiça, capitalismo e feminismo, Nancy Fraser é hoje uma das intelectuais mais reconhecidas no pensamento crítico.

quinta-feira, 10 de agosto de 2017

Michael Löwy: O significado histórico de Outubro de 1917

A Revolução Russa abriu um horizonte emancipatório que não foi eclipsado, apesar das traições, das decepções e, por fim, da brutal restauração capitalista que a sucedeu.

Por Michael Löwy.

“Semelhante fenômeno não mais se esquece na história da humanidade. […] Ainda que a revolução viesse por fim a fracassar […] aquela predição filosófica nada perde, apesar de tudo, da sua força. De fato, tal acontecimento é demasiado grande, demasiado entretecido com o interesse da humanidade e, segundo a sua influência, demasiado propalado no mundo em todas as suas partes para, entre os povos, não ter de ser despertado na memória e na repetição de novos intentos desta índole, em qualquer ocasião de circunstâncias favoráveis.”


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