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quarta-feira, 25 de julho de 2018

A evolução da esquerda III (O desenlace do comunismo brasileiro)


Hamilton Garcia —
A terceira onda extremista (1963-64), que levaria a esquerda e os movimentos sociais, mais uma vez — vide artigo anterior —, aos calabouços, não seria, infelizmente, a última. A culpa pelo mau cálculo e o subsequente desastre político, como de costume na esquerda brasileira — para a qual autocrítica não passa de uma modalidade laica de expiação de culpa —, não recairia sobre seus idealizadores/implementadores, mas sobre seus inimigos (o “imperialismo latifundista”) e a parcela mais experimentada da esquerda radical que, refletindo sobre a tortuosa trajetória, tateava uma alternativa, ainda que enredada em seus mitos e utopias.


segunda-feira, 21 de maio de 2018

Frente de esquerda ou frente democrática?

Milton Lahuerta

Milton Lahuerta, coordenador do Laboratório de Política e Governo (LabPol) da Unesp, responde a duas perguntas sobre o sentido e a oportunidade de se construir uma frente de esquerda no Brasil.

É possível constituir uma frente de esquerda no Brasil de hoje?

Em princípio, é possível e até mesmo muito necessário, em virtude do avanço do conservadorismo, da intolerância e da insanidade política que acometeram boa parte das sociedades contemporâneas. No que se refere ao Brasil, talvez, em nenhum outro momento da história, tenha-se assistido a um processo tão radical e destrutivo de polarização ideológica. A questão é qualificar o que se entende por frente de esquerda e que atores políticos e setores sociais poderiam estar representados nessa proposição.


segunda-feira, 14 de maio de 2018

Uma grande aliança em torno de um programa reformista democrático.

“Vejo nossa democracia balançar’”

Daniel Aarão Reis, professor de História Contemporânea, na Universidade Federal Fluminense, autor de Ditadura Militar, Esquerdas e Sociedade e Ditadura e Democracia no Brasil (Zahar), fala sobre as esquerdas no Brasil e o quadro de pré-candidatos à presidência da República.


1 - Como militante da esquerda (PCdoB, MR-8 e PT), qual sua análise do momento político atual? A esquerda tem chances de voltar ao poder?

quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

Camadas médias da população.

Rene Carvalho

As camadas médias da população são compostas por extratos diferenciados, que tem em comum ocuparem uma posição intermediária nas sociedades de classe, entre a elite econômica e os trabalhadores. Profissionais liberais e assalariados, como funcionalismo público, empregados em gestão de empresas privadas, professores, técnicos, intelectuais e artistas, fazem parte das camadas médias.

quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

Michel Zaidan Filho: As nuances da renovação comunista no Brasil


Dedicado à Luís Werneck Vianna, Carlos Nelson Coutinho, Ivan Pinheiro, Leandro Konder, Fábio Barbosa, David Capistrano Filho. Protagonistas dessa história.

A velha política de alianças, praticada pelo Partido Comunista Brasileiro (PCB), já foi apontada como o exemplo do melhor patrimônio político do partido, nesses últimos 50 anos. Há quase um consenso, no campo comunista, em torno do acerto dessa política – também chamada de “frente democrática”, durante os anos de chumbo – como o justo caminho para a restauração do regime democrático em nosso País. Mas, enquanto alguns sempre pensaram na “frente democrática” de um ponto de vista meramente tático – de olho numa outa frente ou ainda por puro pragmatismo político, através do expediente de adaptações parciais da sua linha à cada conjuntura – havia também aqueles militantes que buscaram oferecer um fundamento estratégico para a experiência frentista no brasil e defendiam a democracia (sem adjetivos) como valor histórico-universal. Seriam estes a quem chamaríamos os responsáveis pelo processo de renovação da política comunista entre nós.

quarta-feira, 25 de outubro de 2017

Desigualdade, desenvolvimento e alianças políticas

Cláudio de Oliveira 

Em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo, o economista Thomas Piketty defendeu a redução da desigualdade social como condição necessária para o desenvolvimento econômico do Brasil. Segundo ele, pela experiência dos países desenvolvidos, um forte mercado interno é um motor imprescindível para o crescimento [1].

Para alcançar tais objetivos, propôs o caminho clássico da social-democracia europeia: a constituição de um Estado democrático de Bem-Estar Social financiado por um sistema tributário progressivo, especialmente a taxação das altas rendas.


terça-feira, 26 de setembro de 2017

O agravamento da crise e Lula como saída

Construir a unidade democrática e progressista

Aldo Fornazieri

Duas pesquisas publicadas nos últimos dias confirmaram a tese que defendemos no artigo publicado na semana passada: a de que houve um efeito saturação com as denuncias e ataques a Lula. A pesquisa CNT mostra que Lula venceria as eleições de 2018 em todos os cenários. E a pesquisa Ipsos mostra que a rejeição de Lula cai e que aumenta a rejeição do juiz Moro, de Dória, Bolsonaro e vários outros políticos. A falta de materialidade de provas contra Lula reforça a ideia de que ele é alvo de um ataque persecutório por parte de Moro. Dória vem se evaporando no ar por diversos motivos. Já, Bolsonaro, começa a assustar os eleitores na medida em que, de sua boca, saem investidas de cavalaria.

quarta-feira, 23 de agosto de 2017

Esquerda democrática e esquerda autoritária

Olof Palme e Fidel 
Cláudio de Oliveira - Agosto 2017

Sempre existiu uma esquerda que observou os princípios democráticos: prevalência da maioria, respeito à minoria, pluripartidarismo, livre manifestação do pensamento, autonomia da sociedade civil (sindicatos, etc.) ante o Estado, direito de greve para os trabalhadores.

Esta esquerda democrática não expropriou os proprietários, mas taxou a riqueza e a distribuiu através de políticas sociais. Como regime econômico, estabeleceu uma economia mista, de convivência entre os setores estatal e privado, sob coordenação governamental.


quarta-feira, 24 de maio de 2017

A nova encruzilhada brasileira, em seis hipóteses

Os autores do golpe dividiram-se. Abriu-se a possibilidade de uma saída democrática. Mas a narrativa atual da esquerda é impotente para aproveitar a brecha

Antonio Martins
I.

O Brasil foi sacudido, desde a última quinta-feira (18/5) por uma nova série de abalos políticos. O governo Temer, que se empenhava em aprovar as contrarreformas da Previdência e Trabalhista por meio de compra de votos de parlamentares, foi ferido, talvez de morte. Eclodiram, no mesmo dia, manifestações de rua, que cresceram na 6ª feira) e terão um grande teste neste domingo. Elas são a esperança de uma saída democrática. Mas trata-se de algo que ainda precisa ser construído, e exigirá grande esforço.


segunda-feira, 17 de outubro de 2016

Judiciário: um ponto fora da curva democrática


Se o juiz, chame-se Moro ou Mendes, pode tudo, contra a lei e o Direito, instaurou-se a lei da selva.

Roberto Amaral

Em 2014 foi possível, na última instância, a eleição de Dilma Rousseff – uma vitória precária, saber-se-ia depois –, mas, com ela, elegeu-se um Congresso exemplarmente reacionário, em condições de reescrever o discurso da soberania popular ditado no pleito presidencial.

segunda-feira, 13 de junho de 2016

A natureza estratégica da Frente Brasil Popular


Roberto Amaral

Desde sua origem – abril de 2015, no chamado ‘Grupo Brasil’ reunido em São Paulo por João Pedro Stédile –, a Frente Brasil Popular foi pensada como um projeto estratégico das forças populares, e uso a expressão ‘forças populares’ para evidenciar a abertura de seu espectro ideológico: para além das esquerdas, mas aberta aos partidos de esquerda, sem monopólios e sem hegemonismos; preventivamente construída de baixo para cima, pois oriunda do movimento social, e, por isso mesmo comprometida com o pluralismo e a democracia interna.

terça-feira, 17 de maio de 2016

“As instituições democráticas não estão funcionando”


Eduardo Graça — O brasilianista James Naylor Green critica a mídia e o judiciário e analisa: a plutocracia nativa optou pelo retrocesso

Um dos brasilianistas mais destacados da academia dos Estados Unidos, James Naylor Green, professor de história latino-americana e diretor da Iniciativa Brasil da Universidade Brown, afirma não ter a menor dúvida de que o impeachment da presidenta Dilma Rousseff é um golpe.

Um dos mentores de um manifesto crítico ao processo assinado por mais de 2 mil especialistas em estudos da América Latina, Green também não poupa o jornalismo brasileiro: “O papel representado pelos militares nos golpes do século XX foi substituído pela cumplicidade da mídia”.

quarta-feira, 30 de março de 2016

A avalanche democrática vai deter o golpe


 Jeferson Miola


Uma impressionante avalanche democrática e popular está tomando o Brasil.


Todos os dias, em muitas cidades de todas as regiões do país, se organizam assembleias, manifestações, passeatas, debates, reuniões, festas e encontros em defesa da democracia. São jovens, crianças, homens, mulheres, operários, intelectuais, trabalhadores, camponeses, profissionais liberais. As ex-empregadas domésticas da Casa Grande e os bons democratas de todas as origens formam um oceano humano apaixonadamente entregue à luta de resistência contra o golpe.

sábado, 30 de janeiro de 2016

Cunha, espinhos no coração de Campina


Wagner Batista 

A velhice atrapalha. Demorei a entender. Cunha é um sobrenome fatídico. Assola. Também Aécio é portador deste estigma. 

segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

Ao rapaz que se parecia com Deus


Esquerda Democrática

Em seu novo livro programado ainda para 2015, Florisvaldo Mattos publicará o poema “Ao rapaz que se parecia com Deus”, dedicado a Carlos Nelson Coutinho, marxista inquieto e figura marcante de sua geração. O poeta baiano, a propósito, revela um segredo biográfico presente na confecção do texto: “A frase que arremata o poema no último verso, do dramaturgo romano Terêncio, eu a ouvi pela primeira vez na voz de Carlito, nos inícios dos anos 1960, ele ainda creio estudante de Filosofia, na UFBA, e eu jornalista do ‘Diário de Notícias’, pertencente à cadeia dos Diários Associados de Assis Chateaubriand, como uma das frases da devoção de Karl Marx, já guru dele na época”.

segunda-feira, 30 de novembro de 2015

Manifesto: Frente Antifascista pelas Liberdades Democráticas Para: sociedade civil



A ideia do presente manifesto é, em primeiro lugar, entender as atuais manifestações de ódio e intolerância e, num segundo momento, identificar a dimensão e as consequências desse modo de agir para, ao final, manifestar-se contra estas práticas perniciosas e fascistas, as quais corroem as relações sociais.

segunda-feira, 6 de julho de 2015

Frente Nacional Popular e Democrática


Movimento político não partidário, a Frente se propõe a reunir aqueles que lutam pela segurança institucional e aprofundamento da democracia.

A defesa das conquistas dos trabalhadores alcançadas nos últimos 12 anos, o respaldo ao governo Dilma Rousseff, não obstante abordagens críticas aos planos de ajuste econômico; e um objetivo claro de unir forças democráticas de forma a evitar que o país ceda a forças conservadoras e retroceda em avanços e conquistas históricas da jovem democracia brasileira. Esses foram os pontos comuns das falas que se sucederam durante o ato “Pró Frente Nacional Popular e Democrática” que lotou o auditório do 20º andar do Clube de Engenharia, no Rio de Janeiro, na noite do dia 29 de junho.

segunda-feira, 8 de junho de 2015

Da 'crise' à frente popular


A nova frente progressista será nacional e popular, política, mas não partidária, e vai combater o avanço conservador no País.

Roberto Amaral

Lamentavelmente, ‘a crise’ é tema recorrente em qualquer análise da conjuntura brasileira: crise econômica e crise política (que se auto-alimentam como vasos comunicantes) e os desdobramentos de ambas, desde a anemia do PIB (e as ameaças dela decorrentes) às óbvias dificuldades da governança, uma das muitas consequência da crise dos partidos, que dilacera a base governista, e inviabiliza as políticas de Estado.

quinta-feira, 12 de março de 2015

4 Propostas para uma Reforma Política Democrática


Proposta da Coalizão define eleições em dois turnos para os cargos legislativos e pune com cassação de candidatura aceitar financiamento de empresas

Maria Inês Nassif

O projeto de lei da Coalizão pela Reforma Política Democrática e Eleições Limpas, em torno do qual se reúnem 103 entidades lideradas pela OAB e pela CNBB, deve unificar as forças políticas que se opõem à PEC Vaccarezza, de número 352/2013, que tramita com o apoio e o empenho do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), com o apoio da oposição parlamentar de direita.
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