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quinta-feira, 4 de janeiro de 2018

O juízo de Vargas


Em termos internacionais, sociedades mais desiguais e violentas são o verdadeiro legado do atual ciclo de reformas trabalhistas. Trata-se de uma combinação socialmente explosiva que corrobora, finalmente, o juízo não muito lisonjeiro de Getúlio Vargas a respeito da burguesia brasileira.


Getúlio Vargas, fotografado por Jean Manzon na década de 1940.

Por Ruy Braga.

História conhecida, em 1935, após escutar em uma reunião organizada por Assis Chateaubriand reclamações de empresários de diferentes setores econômicos a propósito da fiscalização das leis trabalhistas que seriam unificadas em 1943, Getúlio Vargas, já de saída no carro, teria feito o seguinte comentário para seu ajudante: “Burgueses burros! Estou tentando salvá-los e eles não entenderam”.


domingo, 29 de outubro de 2017

Cidadania e Dependência

Durval Muniz


A sociedade brasileira foi estruturada, desde o período colonial, mediante o estabelecimento de laços de dependência entre pessoas ocupantes de distintas posições sociais. Ao chegar às terras do que viria a ser o Brasil e ao iniciar a sua colonização, os portugueses viviam a longa e particular transição entre o mundo feudal e o mundo capitalista. Embora fosse, ao mesmo tempo, a ponta de lança de um dos empreendimentos fundamentais para a emergência do mundo moderno e capitalista – a expansão marítima europeia -, e o primeiro Estado Nacional a se formar, Portugal tinha a sociedade ainda fortemente marcada pela estrutural feudal, pelos valores e mentalidade senhorial, que a centralização do poder em torno de um rei e de uma corte, ao mesmo tempo veio reforçar e colocar em novas bases. 


sábado, 2 de setembro de 2017

A burguesia brasileira e o golpe do Impeachment

Jaldes Meneses

Na bela síntese “A burguesia brasileira” o historiador Jacob Gorender (112-13) constata que os estudos sobre a burguesia brasileira oscilaram entre dois extremos: aqueles, influenciados pelas teses dominantes na Internacional Comunista, apostaram na possibilidade de existência de uma burguesia nacional que poderia ser interpelada numa aliança nacional-popular de longo prazo de natureza “antifeudal” e “antiimperialista”. No Brasil, o grande interprete desta vertente foi Nelson Werneck Sodré. Em outro diapasão, soi-disant se puserem autores que tenderam a anular qualquer papel autônomo à burguesia nascidas nos trópicos, a não a associação e a subordinação às burguesias dos países do centro, a exemplo de Fernando Henrique Cardoso, Luciano Martins e uma grande fauna de autores ligados à Quarta Internacional.

segunda-feira, 17 de outubro de 2016

Burguesia brasileira: Mas que burguesia?

Venceslau Pietro Pìetra, Piaimã
Juliano Giassi Goularti

Sem missão histórica nenhuma a cumprir, a aliança cordial entre a burguesia emergente na era Vargas e o velho patronato resultou no reforço do estatuto colonial e nessa condição de colônia de exploração na qual o Brasil é um grande negócio. Este é seu sentido e sua posição dentro da divisão internacional do trabalho

terça-feira, 20 de setembro de 2016

Pepe Escobar: “a blogosfera independente brasileira é a mais forte do mundo”

Miguel do Rosário

A leitura do livro A Radiografia do Golpe, de Jesse Souza, me deixou mais tranquilo em relação às perspectivas do golpe. Agora eu sei que ele será derrotado.

A produção intelectual antigolpe está crescendo. Pode-se dizer que já surgiu uma escola literária, acadêmica, científica, estética, contra o golpe, e seguramente reúne bem mais representantes da inteligentsia nacional do que a turma que defendeu o impeachment.

quinta-feira, 30 de junho de 2016

A auto-exclusão da elite branca brasileira

Rico e branco como toda a elite 
José Marcus de Castro Mattos


A elite branca brasileira é constituída pelo conjunto de pessoas cuja leitura da própria cidadania se reduz à visão do umbigo de cada uma delas...


Esta leitura faz com que tais seres não tenham a menor percepção sistêmica da sociedade na qual estão inseridos, reduzindo a existência dos mesmos aos seus interesses mais diretos e imediatos.

quarta-feira, 11 de maio de 2016

A divina família brasileira


Agora poderemos ver com clareza se aqueles que lutaram contra a corrupção não lutaram apenas para colocar sua divina corrupção familiar no poder

Christian Ingo Lenz Dunker


Não há nada menos democrático do que a família. Nela não podemos trocar de posição. Seremos sempre filhos, irmãs ou primos, segundo as regras de uma autoridade natural. Na família não escolhemos nem nosso próprio nome. Nela, quanto menores somos, mais nossos pais têm poder e controle sobre nossas ações, fazendo jus à origem do termo, famulus, escravo em latim. Também o reconhecimento que obtemos de nossa família é parcial e duvidoso: os aplausos, assim como as recriminações, são tudo menos justos e imparciais. 


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