Daniel Aarão Reis
“Não faremos como os colegas de 1968, não lutaremos pelo poder”. A frase, de autoria de um líder estudantil, foi recordada em recente entrevista de Vladimir Palmeira. Trata-se de um equívoco, a ser esclarecido, mesmo porque continua sendo compartilhado por uma certa memória social que confunde numa mesma aventura as lutas dos estudantes daquele ano e as experiências guerrilheiras de luta armada que marcaram a história do país entre 1966 e 1974.
quarta-feira, 25 de julho de 2018
O eclipse da ética na atualidade
"A ética da responsabilidade universal, ou assumimos juntos responsavelmente o destino de nossa Casa Comum ou então percorreremos um caminho sem retorno. Somos responsáveis pela sustentabilidade de Gaia e de seus ecossistemas para que possamos continuar a viver junto com toda a comunidade de vida", escreve Leonardo Boff, escritor, teólogo e filósofo.
A evolução da esquerda III (O desenlace do comunismo brasileiro)
Hamilton Garcia —
A terceira onda extremista (1963-64), que levaria a esquerda e os movimentos sociais, mais uma vez — vide artigo anterior —, aos calabouços, não seria, infelizmente, a última. A culpa pelo mau cálculo e o subsequente desastre político, como de costume na esquerda brasileira — para a qual autocrítica não passa de uma modalidade laica de expiação de culpa —, não recairia sobre seus idealizadores/implementadores, mas sobre seus inimigos (o “imperialismo latifundista”) e a parcela mais experimentada da esquerda radical que, refletindo sobre a tortuosa trajetória, tateava uma alternativa, ainda que enredada em seus mitos e utopias.
Reencantar a educação
Michel Zaidan Filho
1. A escola como palco de disputas de projetos de hegemonia
É um grande equívoco, senão má fé, conceber a escola sem partido, tal como propôs o ex-ministro da Educação, Mendocinha, junto com o MBL e o deputado responsável pelo projeto de lei no Congresso. A escola é um aparelho atravessado por uma contínua luta de projetos de hegemonia, ou de uma hegemonia dominante e de contra-hegemonias. A escola não é um quartel, uma igreja ou um curso de formação de quadros partidários. É o espaço da disputa entre diversos projetos e leituras do mundo, a partir do processo argumentativo, do diálogo discursivo entre pessoas de boa fé e verazes. Aqueles que defendem a escola sem partido querem, na verdade, impor um único projeto de hegemonia, o seu. E proibir ou censurar os outros, criminalizando-os ou demonizando-os. Numa época em que o respeito à alteridade e diferença de gêneros, orientação sexual, etnia é um imperativo moral e pedagógico, esse projeto é autoritário.
1. A escola como palco de disputas de projetos de hegemonia
É um grande equívoco, senão má fé, conceber a escola sem partido, tal como propôs o ex-ministro da Educação, Mendocinha, junto com o MBL e o deputado responsável pelo projeto de lei no Congresso. A escola é um aparelho atravessado por uma contínua luta de projetos de hegemonia, ou de uma hegemonia dominante e de contra-hegemonias. A escola não é um quartel, uma igreja ou um curso de formação de quadros partidários. É o espaço da disputa entre diversos projetos e leituras do mundo, a partir do processo argumentativo, do diálogo discursivo entre pessoas de boa fé e verazes. Aqueles que defendem a escola sem partido querem, na verdade, impor um único projeto de hegemonia, o seu. E proibir ou censurar os outros, criminalizando-os ou demonizando-os. Numa época em que o respeito à alteridade e diferença de gêneros, orientação sexual, etnia é um imperativo moral e pedagógico, esse projeto é autoritário.
A Sedução da Tirania
Wanderley Guilherme dos Santos
A eleição presidencial de 2018 esteve ganha pela oposição enquanto a única referência dos conservadores era a associação com o monumental desastre de Michel Temer.
Hoje, a nuvem da política mudou drasticamente de silhueta.
A eleição presidencial de 2018 esteve ganha pela oposição enquanto a única referência dos conservadores era a associação com o monumental desastre de Michel Temer.
Hoje, “Michel Temer” virou espantalho a ser inflado e agitado durante a campanha eleitoral. Mas não está claro se o eleitorado votará contra os conservadores por sua conexão ao golpe parlamentar ou se os favorecerá na renovada expectativa de derrotar um candidato, imbatível há quatro disputas, sustentado nuclearmente por PT, PSB, PDT e PC do B.
Hoje, dilacerou-se o conjunto quatro vezes vencedor: o Partido dos Trabalhadores, hegemônico, não contará com os votos unânimes dos partidos que sempre o apoiaram e nem mesmo com a totalidade de seu próprio eleitorado.
Hoje, a nuvem da política mudou drasticamente de silhueta.
domingo, 22 de julho de 2018
'Só um levante popular tira Lula da prisão', avalia Gilberto de Carvalho
Só há uma forma de tirá-lo da cadeia: um levante popular, uma mobilização muito forte, uma radicalização do processo, seja de que forma for, que faça com que eles sintam que está ameaçada a estabilidade do país, e aí, por uma razão de força maior, libertem o Lula.
Graduado em filosofia, o paranaense Gilberto de Carvalho foi um dos mais próximos assessores e conselheiros do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em 2011, assumiu como Ministro-Chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, ficando durante todo o primeiro mandato da presidenta Dilma Rousseff.
Hoje, Carvalho se dedica às ações de solidariedade ao ex-presidente, preso em Curitiba, desde o dia 7 de abril.
Graduado em filosofia, o paranaense Gilberto de Carvalho foi um dos mais próximos assessores e conselheiros do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em 2011, assumiu como Ministro-Chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, ficando durante todo o primeiro mandato da presidenta Dilma Rousseff.
Hoje, Carvalho se dedica às ações de solidariedade ao ex-presidente, preso em Curitiba, desde o dia 7 de abril.
sábado, 21 de julho de 2018
Chico de Oliveira: 'Brasil: uma Biografia Não Autorizada'
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Preferia não fazê-lo |
Em obra, Francisco de Oliveira expõe ceticismo sobre Brasil e lulismo. Recém-lançado reúne ensaios e entrevistas publicados entre 1997 e 2016
Naief Haddad
São incontáveis os casos de mudança de rota ideológica entre os mais influentes pensadores brasileiros. Em geral, partem do abraço ao marxismo na juventude à adesão ao liberalismo econômico nos anos de maturidade.
Professor titular aposentado do departamento de sociologia da USP e ex-pesquisador do Cebrap (Centro Brasileiro de Análise e Planejamento), Francisco de Oliveira se aproxima dos 85 anos com uma trajetória intelectual sempre à esquerda, como se verifica no recém-lançado “Brasil: uma Biografia Não Autorizada”, que reúne ensaios e entrevistas publicados entre 1997 e 2016.
A evolução da esquerda – 2
Hamilton Garcia de Lima - Julho 2018
A submissão do PCB ao radicalismo militar-popular prestista-stalinista arrastou não só os comunistas, mas o conjunto do movimento democrático (ANL) e sindical a uma profunda depressão depois da derrota do levante de 1935 e da onda repressiva que se seguiu. Isso abortou a maré montante da nova sociedade civil após o fim da hegemonia oligárquica sobre o Estado, em meio à crise econômica internacional (Grande Depressão) e à frustração popular com os rumos da Revolução de 1930 — já sob a égide da Constituição de 1934, a primeira constituição democraticamente produzida no país, não obstante o veto à participação eleitoral do PCB.
PCB apresenta plataforma política pelo Poder Popular
Nesta sexta, dia 20/07, o Partido Comunista Brasileiro (PCB) realiza sua Convenção Nacional para formalizar o apoio político à pré candidatura de Guilherme Boulos e Sônia Guajajara para a presidência da república. Tais candidatos expressam a frente política e social que reúne PCB, PSOL, Mídia Ninja, MTST, Movimento Indígena e outros movimentos populares.
Num grande ato político, que contará com a presença de pré candidatos do PCB de vários estados brasileiros, convidados do PSOL e representantes de organizações de luta e movimentos sociais, o PCB apresenta a sua contribuição política ao programa da Frente de Esquerda, cujos termos divulgamos a seguir. Vamos sem medo de mudar o Brasil!
Rancor contra os funcionários públicos
Valerio Arcary
O tema da unidade da classe trabalhadora para lutar deve ser uma questão central para a esquerda. Esta unidade não é fácil de construir. Há uma luta ideológica por fazer. O rancor contra os funcionários públicos ainda é muito grande. Repousa na ideia que ganham, injustamente, mais do que os trabalhadores do setor privado da economia, e trabalham pouco. O barnabé preguiçoso, com o paletó descansando na cadeira, é uma caricatura clássica. O funcionalismo público era uma das poucas janelas de oportunidade para a melhorar de vida, se você nasceu em uma família de assalariados, humilde ou remediada, mas teve a oportunidade de acesso à educação.
sexta-feira, 20 de julho de 2018
Como discutir com os reacionários?
Valério Arcary
O cenário é ruim. Um candidato neofascista, Jair Bolsonaro, pode chegar ao segundo turno das eleições presidenciais, pela primeira vez, desde o fim da ditadura militar. A bandeira da “intervenção militar” adquiriu influência real. Ou seja, a situação é grave. Mas as eleições estão, totalmente, indefinidas.
A evolução da esquerda - 1
Hamilton Garcia de Lima - Junho 2018
A esquerda moderna no Brasil, que compreende a organização dos trabalhadores em movimentos de luta por direitos econômico-sociais associados a correntes ideológicas de viés socialista, nasce em meio à confluência, na passagem do século XIX ao XX, da industrialização propiciada pela acumulação dos excedentes econômicos da cafeicultura paulista, da urbanização incrementada pelo fim da escravidão e do incentivo governamental à imigração europeia, visando ao aumento da produtividade do trabalho.
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