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quinta-feira, 26 de julho de 2018

O desafio atual: resgatar a democracia


Leonardo Boff

Não são poucos os analistas sociais e juristas da maior qualidade que denunciam o atual situação política do Brasil como a instauração de um Estado de exceção. O golpe parlamentar, jurídico e midiático de 2016 permitiu que os golpistas passassem por cima da Constituição, modificassem as leis trabalhistas em favor dos patrões, engessassem o país com o teto de gastos, em saúde e educação, impedindo que se crie um Estado de Bem Estar Social.

A justiça deixou de ser imparcial e, mesmo nos níveis mais altos, mostra ter lado, contra o PT e a figura carismática de Lula.

quarta-feira, 25 de julho de 2018

O eclipse da ética na atualidade



"A ética da responsabilidade universal, ou assumimos juntos responsavelmente o destino de nossa Casa Comum ou então percorreremos um caminho sem retorno. Somos responsáveis pela sustentabilidade de Gaia e de seus ecossistemas para que possamos continuar a viver junto com toda a comunidade de vida", escreve Leonardo Boff, escritor, teólogo e filósofo.

domingo, 26 de novembro de 2017

A importância de derrotarmos as elites do atraso

Frei Leonardo Boff*

Por mais críticas que se façam e se tenha que fazer ao PT, com ele ocorreu algo inédito na história política do país. Alguém do andar de baixo conseguiu furar a blindagem que as classes do poder, da comunicação e do dinheiro, por séculos, montaram, para inviabilizar políticas públicas em benefício de milhões de empobrecidos.

As elites endinheiradas nunca aceitaram um operário, por voto popular, que chegasse ao poder central. É verdade que elas também se beneficiaram, pois a natureza de sua acumulação, uma das mais altas do mundo, sequer foi tocada. Mas permanecia aquele espinho na política: aceitar que o lugar que supunham ser seu, fosse ocupado por alguém vindo da grande tribulação imposta aos pobres, negros, indígenas, operários durante todo o tempo da existência do Brasil.

Seu nome é Luiz Inácio Lula da Silva.

segunda-feira, 7 de agosto de 2017

A “democracia” dos sem-vergonha

Leonardo Boff

Ela se revelou, desta vez, com nobres exceções, como um covil de denunciados por crimes, de corruptos e de ladrões

Efetivamente nenhum brasileiro merecia tamanha humilhação a ponto de tantos sentirem vergonha de ser brasileiros. / Agencia Brasil

É difícil ficar calado após ter assistido à funesta e desavergonhada sessão da Câmara dos Deputados que votou contra a admissibilidade de um processo pelo STF contra o Presidente Temer por crime de corrupção passiva.

quarta-feira, 21 de junho de 2017

Uma repactuação social necessária

Leonardo Boff

Seguramente não estou enganado se disser o que se está passando na cabeça das pessoas e se ouve por todas as partes: assim como está, o Brasil não pode continuar. A corrupção generalizada, porque foi naturalizada, contaminou todas as instâncias públicas e privadas. A política apodreceu. A maioria dos parlamentares não representa o povo, mas os interesses das empresas que financiaram suas campanhas eleitorais. São velhistas, perpetuando a política tradicional das coligações espúrias, das negociatas e dos conchavos a céu aberto.

sábado, 3 de junho de 2017

A centralidade dos humildes da Terra: a propósito do discurso de Lula

Esta reflexão foi motivada pelo discurso do ex-presidente Lula encerrando a abertura do 6º Encontro Nacional do Partido dos Trabalhadores no dia 1º de junho de 2017 em Brasília. Faço-o como observador interessado no projeto social que o PT em parte realizou nos anos de seu governo. Não sou filiado ao partido, pois, estimo que partido é sempre parte e tarefa do intelectual-pensador é tentar pensar o Todo e menos ocupar-se das partes que sempre são muitas, não raro, contraditórias.

sábado, 14 de janeiro de 2017

O Deus brasileiro é Moloc que devora seus filhos


Leonardo Boff 

Diz-se que Deus é brasileiro, não o Deus da ternura dos humildes mas o Moloc dos amonitas que devora seus filhos. Somos um dos países mais desiguais, injustos e violentos do mundo. Teologicamente vivemos numa situação de pecado social e estrutural em contradição com o projeto de Deus. Basta considerar o que ocorreu nos presídios de Manaus, Rondônia e Roraima. É pura barbárie: a fúria decapita, fura os olhos e arranca o coração.

quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

2016: o ano em que se tentou matar a esperança do povo brasileiro

Leonardo Boff
A situação social, política e econômica do Brasil mereceria uma reflexão severa sobre a tentativa perversa de matar a esperança do povo brasileiro, promovida por uma corja (esse é o nome) de políticos, em sua grande maioria corruptos ou acusados de tal, que, de forma desavergonhada, se pôs a serviço dos verdadeiros forjadores do golpe perpetrado contra a Presidenta Dilma Rousseff: a velha oligarquia do dinheiro e do privilégio que jamais aceitou que alguém do andar de baixo chegasse a ser Presidente do Brasil e fizesse a inclusão social de milhões dos filhos e filhas da pobreza.

quinta-feira, 6 de outubro de 2016

Oligarquias praticam o golpe da reconquista

Leonardo Boff, em seu blog:

O golpe de classe via parlamento é um processo que gerou uma cadeia de outros golpes com especial atropelo da ordem juridica e constitucional. Os golpes são contra a diversidade social e de gênero, não mais representada no governo, golpe na cultura, golpe na saúde, golpe nos direitos sociais, golpe nas aposentadoria, golpe judicial e ultimamente golpe nas eleições. Estes golpes têm por detrás as oligarquias conservadoras que utilizaram uma sagaz estratégia de conquistar setores do judiciário, do ministério publico, da polícia federal e do corpo de procuradores para conseguir seus fins.

quinta-feira, 19 de maio de 2016

A volta da classe do privilégio



A classe do privilégio aproveitou a oportunidade para agravar a crise econômica e, pela porta dos fundos, chegar ao Planalto.

 

Leonardo Boff*
 


O principal problema brasileiro que atravessa toda nossa história é a monumental desigualdade social que reduz grande parte da população à condição de ralé.
 

Os dados são estarrecedores. Segundo Marcio Pochman e Jessé Souza, que substituiu Pochman na presidência do IPEA são apenas 71 mil pessoas (ou 1% da população que representa apenas 0,05% dos adultos), multibilionários brasileiros, que controlam praticamente nossas riquezas e nossas finanças e através delas o jogo político. Essa classe dos endinheirados, que Jessé Souza chama de classe do privilégio, além de perversa socialmente é extremamente hábil pois se articula nacional e internacionalmente de tal forma que sempre consegue manobrar o poder de Estado em seu benefício.

segunda-feira, 28 de março de 2016

Um golpe nada mais por Vladimir Safatle


Vladimir Safatle é um renomado filósofo de São Paulo. Em momentos de crise como estamos vivendo é aconselhável ler textos que nos trazem luz no emaranhado de opiniões contraditórias. Ele afirma o que há anos venho repetindo: nossa democracia é de baixíssima intensidade. Confrontada com a justiça social, com o respeito aos direitos humanos e às leis é antes uma farsa que uma realidade. No Parlamento se encontram os principais corruptos que infestam nosso país. Bem diz Safatle:”Uma regra básica da justiça é: quem quer julgar precisa não ter participado dos mesmos atos que julga” É a contradição. Assumo sua proposta de convocar o poder instituinte que é o povo, fonte do poder político, para que decida uma nova eleição e assim restabelecer um novo patamar de relações sociais que tire o país da crise o faça se desenvolver, mantendo evidentemente, os benefícios conquistados para os mais vulneráveis que são as grandes maioria do país. Lboff

domingo, 19 de abril de 2015

A cultura do capital é anti-vida e anti-felicidade



Leonardo Boff

A demolição teórica do capitalismo como modo de produção começou com Karl Marx e foi crescendo ao longo de todo o século XX com o surgimento do socialismo e pela escola de Frankfurt. Para realizar seu propósito maior de acumular riqueza de forma ilimitada, o capitalismo agilizou todas as forças produtivas disponíveis. Mas teve como consequência, desde o início, um alto custo: uma perversa desigualdade social. Em termos ético-políticos, signfica injustiça social e produção sistemática de pobreza.

segunda-feira, 23 de março de 2015

Como desmontar o ódio social


Leonardo Boff

As igrejas, os grupos de reflexão e ação e especialmente a mídia e todas as pessoas de boa-vontade podem colaborar no desmonte desta carga negativa


Estamos constatando que vigora atualmente muito ódio e raiva na sociedade, seja pela situação geral de insatisfação que perpassa a humanidade, mergulhada numa profunda crise civilizacional, sem que ninguém nos possa dizer como seria a sua superação e para onde este voo cego nos poderia conduzir. O inconsciente coletivo detecta este mal-estar como já antes Freud o descrevera em seu famoso texto O mal estar na cultura (1929-1930) e que, de alguma forma, previa os sinais de uma nova guerra mundial.

sexta-feira, 6 de março de 2015

Boff: O que se esconde atrás do ódio ao PT?


O ódio é menos contra PT do que contra o povo pobre

Leonardo Boff


Há um fato espantoso mas analiticamente explicável: o aumento do ódio e da raiva contra o PT. Esse fato vem revelar o outro lado da “cordialidade” do brasileiro, proposta por Sérgio Buarque de Holanda: do mesmo coração que nasce a acolhida calorosa, vem também a rejeição mais violenta. Ambas são “cordiais”: as duas caras passionais do brasileiro.

Esse ódio é induzido pela mídia conservadora e por aqueles que na eleição não respeitaram rito democrático: ou se ganha ou se perde. Quem perde reconhece elegantemente a derrota e quem ganha mostra magnanimidade face ao derrotado. Mas não foi esse comportamento civilizado que triunfou. Ao contrário: os derrotados procuram por todos os modos deslegitimar a vitória e garantir uma reviravolta política que atenda a seu projeto, rejeitado pela maioria dos eleitores.

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

A urgência de refundar a ética e a moral


Leonardo Boff

Uma das demandas maiores atualmente nos grupos, nas escolas, nas universidades, nas empresas, nos seminários de distinta ordem é a questão da ética. As solicitações que mais recebo são exatamente para abordar este tema.

Hoje ele é especialmente difícil, pois não podemos impor a toda a humanidade a ética elaborada pelo Ocidente na esteira dos grandes mestres como Aristóteles, Tomás de Aquino, Kant e Habermas. No encontro das culturas pela globalização somos confrontados com outros paradigmas de ética. Como encontrar para além das diversidades, um consenso ético mínimo, válido para todos?

segunda-feira, 9 de junho de 2014

Pentecostes hoje: o Espírito que dá vida contra os hostis à vida


Leonardo Boff

A festa de Pentecostes deste ano a 8 de junho, nos cria a oportunidade de pensar sobre o significado do Espírito Santo com referência às ameaças atuais que pesam sobre a vida, e especialmente sobre a vida dos pobres deste mundo. As Escrituras dizem que “o Espírito é vida” (Rm 8,10). Afirmar que “o Espírito é vida” equivale a dizer que o Espírito está continuamente criando e dando suporte ao universo, à Mãe Terra e ao sistema-vida hoje ameaçado. O Espírito está do lado e dentro daqueles que menos vida têm. Grande parte da humanidade, especialmente na África, na Ásia e na América Latina vive num mundo estranho e hostil à vida.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Mais amar que ser amado



Quaresma: que eu procure mais amar, que ser amado

Leonardo Boff

Fazei com que eu procure mais amar, que ser amado.
Sentir-se amado é mais gratificante que amar, pois basta apenas acolher o amor gratuito do outro, sem ser necessário conquistá-lo ou dar-lhe provas de amor. Sentir-se amado é sentir-se importante e precioso para alguém. Aumenta a auto-estima e reforça o sentido de ser. 
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