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terça-feira, 29 de maio de 2018
sexta-feira, 9 de março de 2018
Conselhos Tutelares e crianças indígenas
MS: o racismo já separa as famílias indígenas
Em afronta aos direitos dos guaranis e kaiowás e à Constituição, Conselhos Tutelares retiram crianças de seus grupos e as internam em abrigos onde sua cultura é repudiada. Denúncia do CIMI é levada à OEA
Por Guilherme Cavalli, no site do CIMI (Conselho Indigenista Missionário)
No Mato Grosso do Sul (MS) o integracionismo, realidade ligada à aculturação e assimilação, assumiu dissimuladamente o teor de política pública. Vítimas do racismo sistemático que perdura cinco séculos, os povos indígenas enfrentam historicamente diversas violências – desde invasão dos territórios tradicionais até as políticas de “embranquecimento”. Hoje, o estado com 92% do seu território como propriedade privada, dos quais 83% são latifúndios, faceia políticas etnocídio.
Em afronta aos direitos dos guaranis e kaiowás e à Constituição, Conselhos Tutelares retiram crianças de seus grupos e as internam em abrigos onde sua cultura é repudiada. Denúncia do CIMI é levada à OEA
Por Guilherme Cavalli, no site do CIMI (Conselho Indigenista Missionário)
No Mato Grosso do Sul (MS) o integracionismo, realidade ligada à aculturação e assimilação, assumiu dissimuladamente o teor de política pública. Vítimas do racismo sistemático que perdura cinco séculos, os povos indígenas enfrentam historicamente diversas violências – desde invasão dos territórios tradicionais até as políticas de “embranquecimento”. Hoje, o estado com 92% do seu território como propriedade privada, dos quais 83% são latifúndios, faceia políticas etnocídio.
segunda-feira, 26 de fevereiro de 2018
Haddad aponta escalada obscurantista no Brasil e pede reação.
Lula Marques
Em estreia no Nocaute, o ex-prefeito Fernando Haddad faz um alerta sobre os retrocessos civilizatórios no País; ele menciona os casos da judoca Rafaela Silva, vítima de racismo no Rio, do professor Elisaldo Carlini, intimado a depor em razão de suas pesquisas sobre drogas, do também professor Luis Felipe Miguel, perseguido por ministrar um curso sobre o golpe, e das crianças revistadas nas comunidades carentes do Rio de Janeiro; confira
Em estreia no Nocaute, o ex-prefeito Fernando Haddad faz um alerta sobre os retrocessos civilizatórios no País; ele menciona os casos da judoca Rafaela Silva, vítima de racismo no Rio, do professor Elisaldo Carlini, intimado a depor em razão de suas pesquisas sobre drogas, do também professor Luis Felipe Miguel, perseguido por ministrar um curso sobre o golpe, e das crianças revistadas nas comunidades carentes do Rio de Janeiro; confira
quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018
A intervenção no Rio de Janeiro e o avanço do fascismo no Brasil
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| No caminho do fascismo |
Na intervenção no Rio de Janeiro, o racismo é elemento inseparável do deslocamento do inimigo público das elites para as classes populares.
Michel Temer assina o decreto de intervenção federal no Rio de Janeiro e promete resposta “dura” ao crime.
Por Carlos Eduardo Martins.
A intervenção federal militar na segurança do Rio de Janeiro e sua possível extensão a outros Estados marca uma nova etapa da escalada repressiva que avança no Brasil desde o golpe de 2016, configurando tecnicamente um Estado de Exceção.
Constitucionalmente, são três os níveis de Estado de Exceção: Intervenção Federal, Estado de Defesa e Estado de Sítio. Cumprimos com esta iniciativa o primeiro nível do Estado de Exceção: até o final de 2018, o Congresso terá suas prerrogativas reduzidas e, no Rio de Janeiro, a Justiça Militar substitui em parte a Justiça Civil para assuntos de segurança pública, situação que incidirá basicamente sobre a vida das camadas populares. A intervenção federal realiza-se de maneira açodada e não atende aos requisitos constitucionais substantivos para sua realização: não há grave desordem pública no Rio de Janeiro, como demonstram os indicadores da cidade no ranking da violência no país e os que atestam a redução dos índices de criminalidade deste carnaval em relação ao de 2017.
sexta-feira, 10 de novembro de 2017
Entender as opressões para combatê-las
Não se trata mais apenas expressar os interesses de uma classe operária entendida como sujeito coletivo unitário, mas de construir a vontade política e a unidade na ação de uma multiplicidade de grupos dominados. Para isso, entender com profundidade como se cruzam as diversas estruturas de opressão é fundamental.
Luis Felipe Miguel.
É lugar-comum dizer que a tradição marxista, ao definir que a dominação de classe é o fundamento último da ordem social, não leva em conta outras formas de assimetria e de opressão. Para esta tradição, o racismo teria nascido como um estratagema para minar a solidariedade entre os dominados; mesmo a opressão sobre as mulheres seria um subproduto da apropriação privada da riqueza, a crer no relato de Engels, apresentado no clássico A origem da família, da propriedade privada e do Estado. O corolário dessa percepção é que só a luta de classes importa; todo o resto seria desviacionismo. Quando o socialismo chegasse, todas as formas de dominação desapareceriam naturalmente.
Luis Felipe Miguel.
É lugar-comum dizer que a tradição marxista, ao definir que a dominação de classe é o fundamento último da ordem social, não leva em conta outras formas de assimetria e de opressão. Para esta tradição, o racismo teria nascido como um estratagema para minar a solidariedade entre os dominados; mesmo a opressão sobre as mulheres seria um subproduto da apropriação privada da riqueza, a crer no relato de Engels, apresentado no clássico A origem da família, da propriedade privada e do Estado. O corolário dessa percepção é que só a luta de classes importa; todo o resto seria desviacionismo. Quando o socialismo chegasse, todas as formas de dominação desapareceriam naturalmente.
sexta-feira, 13 de janeiro de 2017
terça-feira, 1 de novembro de 2016
quarta-feira, 11 de novembro de 2015
quarta-feira, 28 de outubro de 2015
A justiça é branca e rica
Cada vez mais marginalizadas, expõem o racismo e a feminização da pobreza no Brasil
por Djamila Ribeiro
Juliana Cristina da Silva, 28, foi presa após atropelar e matar duas pessoas e tentar fugir. Levada ao DP, fez o teste do bafômetro, que comprovou 0,85 de álcool No dia 15 de outubro Juliana Cristina da Silva, de 28 anos, responsável pelo atropelamento de dois operários que pintavam uma ciclo-faixa, foi libertada da prisão onde estava desde o dia do acidente, 18 último, para responder ao processo em liberdade.
segunda-feira, 13 de abril de 2015
segunda-feira, 1 de dezembro de 2014
Um débito colossal
Fábio Konder Comparato
A escravidão de africanos e afrodescendentes no Brasil foi o crime coletivo de mais longa duração praticado nas Américas
A ESCRAVIDÃO de africanos e afrodescendentes no Brasil foi o crime coletivo de mais longa duração praticado nas Américas e um dos mais hediondos que a história registra.
Milhões de jovens foram capturados durante séculos na África e conduzidos com a corda no pescoço até os portos de embarque, onde eram batizados e recebiam, com ferro em brasa, a marca de seus respectivos proprietários. Essa carga humana era acumulada no porão de tumbeiros, com menos de um metro de altura.
A ESCRAVIDÃO de africanos e afrodescendentes no Brasil foi o crime coletivo de mais longa duração praticado nas Américas e um dos mais hediondos que a história registra.
Milhões de jovens foram capturados durante séculos na África e conduzidos com a corda no pescoço até os portos de embarque, onde eram batizados e recebiam, com ferro em brasa, a marca de seus respectivos proprietários. Essa carga humana era acumulada no porão de tumbeiros, com menos de um metro de altura.
sábado, 27 de setembro de 2014
O recado dos atleticanos aos torcedores racistas
A torcida do Atlético-MG deu na noite de quinta-feira 25 um raro alento a quem busca traços de civilidade no futebol, e um recado aos torcedores racistas. Antes da partida entre o Galo e o Santos, pelo Campeonato Brasileiro, os atleticanos aplaudiram e gritaram o nome de Aranha, o goleiro adversário.
sábado, 20 de setembro de 2014
Um goleiro, uma torcida e o nosso racismo…
Parece que a polêmica entre o goleiro Aranha, do Santos, e a torcida do Grêmio ainda está longe de acabar. Depois do episódio lamentável em que o atleta foi chamado de “macaco” por torcedores – uma delas inclusive foi identificada e responsabilizada -, o jogador foi insistentemente vaiado durante o mais recente jogo entre os dois times. Na minha opinião, este ódio se deve ao fato do goleiro santista ter se comportado de maneira exemplar e pouco comum no Brasil. Não, ele não deixou “para lá” as ofensas racistas, nem quis se encontrar com a acusada, que agora se diz arrependida e não para de chorar em frente ás câmeras.
quinta-feira, 11 de setembro de 2014
Racismo: Aranha pode abrir um contra-ataque
Onda de indignação após ofensas
Aranha ao goleiro do Santos espalha-se, produz cenas de dignidade e pode servir de antídoto à maré conservadora
Laura Capriglione, em seu blog
A decisão inédita do STJD (Superior Tribunal de Justiça Desportiva), de excluir o Grêmio da Copa do Brasil por causa dos atos racistas perpetrados na quinta-feira (28/08) por seus torcedores, é para ser comemorada em grande estilo. Passará para a história.
É bem verdade que o STJD não tinha como se esquivar da punição, depois que o goleiro Aranha, do Santos, correndo inclusive o risco de ser expulso do jogo, denunciou abertamente a tentativa infame de humilhá-lo. Partida paralisada, as câmeras do estádio puderam flagrar gremistas covardes enquanto gesticulavam e xingavam o gigante negro:
“Ma-ca-coooo!”
Laura Capriglione, em seu blog
A decisão inédita do STJD (Superior Tribunal de Justiça Desportiva), de excluir o Grêmio da Copa do Brasil por causa dos atos racistas perpetrados na quinta-feira (28/08) por seus torcedores, é para ser comemorada em grande estilo. Passará para a história.
É bem verdade que o STJD não tinha como se esquivar da punição, depois que o goleiro Aranha, do Santos, correndo inclusive o risco de ser expulso do jogo, denunciou abertamente a tentativa infame de humilhá-lo. Partida paralisada, as câmeras do estádio puderam flagrar gremistas covardes enquanto gesticulavam e xingavam o gigante negro:
“Ma-ca-coooo!”
domingo, 7 de setembro de 2014
Um papo com a Cobra Vadia sobre preconceito
Juremir Machado
Encontrei a Cobra Vadia num terreno baldio de Porto Alegre. Amanhã explico quem é ela. Adianto que ela tem a língua viperina. Peço apenas que não a confundam com a Cabra Vadia. A Cobra estava indignada. Aproximei-me com cautela, pois tinha lido um artigo sobre cobras. Elas podem picar mesmo depois de perder a cabeça. A Cobra Vadia estava visivelmente descabelada.
– Que horror! – foi logo esbravejando.
– Que houve? – sempre falo pausadamente com desconhecidos.
Encontrei a Cobra Vadia num terreno baldio de Porto Alegre. Amanhã explico quem é ela. Adianto que ela tem a língua viperina. Peço apenas que não a confundam com a Cabra Vadia. A Cobra estava indignada. Aproximei-me com cautela, pois tinha lido um artigo sobre cobras. Elas podem picar mesmo depois de perder a cabeça. A Cobra Vadia estava visivelmente descabelada.
– Que horror! – foi logo esbravejando.
– Que houve? – sempre falo pausadamente com desconhecidos.
– Para onde vamos?
– Não tenho a menor ideia. Pretendo ir ao cinema.
– Não se pode mais chamar negro de macaco em estádio de futebol, não se pode mais defender maus tratos a presos em emissoras de rádio, não se pode mais fazer piada de fresco – a Cobra é antiga –, não se pode mais chamar negrão de crioulo, não se pode fazer mais nenhuma brincadeira inocente e saudável. Onde vamos parar desse jeito?
quinta-feira, 21 de agosto de 2014
quarta-feira, 13 de agosto de 2014
A fogueira dos fundamentalismos
Nuno Ramos de Almeida
“Lamento desiludir os racistas disfarçados, mas a selvageria não é exclusiva de nenhuma religião, coexiste bem com todas”
Estava em Florença durante o primeiro Fórum Social Europeu, em 2002. Na altura, a jornalista Oriana Fallaci fez um texto em que comparava o encontro dos militantes alter-globalização com a marcha dos camisas negras de Mussolini. Afirmava-se disposta a defender a sua cidade e impedir, mesmo dando a vida, a chegada a Florença desses selvagens. “Ouçam-me com atenção. Não apunhalo pelas costas. Luto abertamente para impedir este absurdo [o Fórum] e vou à luta. Florença não é Porto Alegre [cidade berço do Fórum Social Mundial], apesar das atrocidade cometidas todos os dias pelos filhos de Alá, a cidade é o testemunho vivo da nossa cultura, as suas belezas não estão apenas em museus de Florença, mas em cada estátua e pedra da cidade. Há um século e meio uma horda vinda de Livorno também veio fazer o seu ‘fórum’ [...] mudaram-se para a Piazza Santa Maria Novella, a Via Tornabuoni, a Piazza della Signoria, a Cidade Velha e permaneceram por lá mais de um mês para destruir, devastar, bater e mijar nos monumentos”, escrevia a santa senhora no “Corriere della Sera”.
quarta-feira, 9 de julho de 2014
A pluralidade étnica incompleta da Copa do Mundo
David Goldblatt
O rebelde Benzema, Pogba e Sakho, astros da França. Lógica empresarial do futebol aceita negros e árabes entre os astros, mas converteu estádios em espaços para elites
Equipes multirraciais expressam potência dos fenômenos migratórios. Mas pobres e não-brancos estão ausentes nas arquibancadas e nas comissões técnicas
As maquiagens étnicas dos 32 times da Copa do Mundo refletem as camadas sedimentares da migração global, nos últimos 500 anos. A destruição colonial, pelos europeus, dos indígenas na América nos dá os times quase inteiramente europeus no Chile, Argentina e México; a Austrália poder considerada uma versão deste fenômeno na Oceânia.
sexta-feira, 16 de maio de 2014
Futebol: Sobre bananas e ódio
Francisco Carlos Teixeira
O futebol, como todos os demais esportes de caráter popular e massivo depois do início do século XX, foi alvo, e palco, de manifestações racistas.
O futebol, como todos os demais esportes de caráter popular e massivo depois do início do século XX, foi alvo, e palco, de manifestações racistas. Nos primeiros tempos, na época da fundação dos grandes clubes e associações (ainda no final do século XIX), eram as elites que dominavam as instituições esportivas, que mantinham um férreo controle sobre o mundo dos esportes, considerado um privilégio – o ócio – das classes superiores. Na Inglaterra, ou no Brasil, as associações e ligas de futebol impunham regras que excluíam pobres e estrangeiros – das áreas coloniais na Inglaterra, é claro – e negros e pardos – no caso do Brasil – da participação efetiva nos esportes. Regras que impunham o “desinteresse” e o “amadorismo” aos esportistas, quer dizer, não poderiam ter remuneração de qualquer dito, afastava todos aqueles que não tinham rendas elevadas da prática regular de esportes.
sexta-feira, 7 de março de 2014
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