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segunda-feira, 24 de dezembro de 2018

“Reformar o país” ; Rene de Carvalho


Mensagem de Rene de Carvalho

amig@s:

Quando ouvia dizer que FHC e o Papa eram comunistas, sorria do evidente absurdo. Aos poucos, entretanto, fui entendendo que havia grupos e movimentos e não tão pouca gente, que sentiram o fim da ditadura como uma derrota. E que não se veem representados no processo que se inicia com o fim da ditadura e tem como referência a Constituição de 1988. Ou seja: não se reconhecem na Nova República e, consequentemente, nos governos FHC e é claro, Lula e Dilma. Não ocuparam postos expressivos em nenhum desses governos além de terem sido inúmeras vezes preteridas em ministérios e instituições públicas. Para eles, voltar décadas atrás é voltar a esses tempos.


segunda-feira, 22 de maio de 2017

O fascismo nosso de cada dia ... ou quem será comido primeiro?

Fernando Horta

Muitos colegas, professores e pesquisadores da área de humanas torcem o nariz quando ouvem o termo “fascismo” para descrever o momento atual do país. Pensam que é uma demasia. Respeito opiniões em contrário, mas creio que já estamos sim dentro do espectro do fascismo. O fascismo não é um estado em que a sociedade entra, de uma hora para outra, com líderes gritando em microfones, matando pessoas, fazendo guerras, atacando os direitos das minorias e etc.. Isto é muito clichê. As imagens, normalmente em preto e branco, com um líder fardado falando e uma massa organizada respondendo, formam uma estética característica que, quando comparada com as cores atuais, manifestações de ruas e a ausência de uma liderança forte, parecem demonstrar que as duas coisas não são semelhantes. Daí as pessoas acharem “demasiado” se falar em fascismo.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

O que é a vulgaridade do poder?


“... luxo, sem cultura, era dramaticamente vulgar, pois, não se justificando pelo gosto, ele se tornava violência pura: um esbanjo que só servia para exibir o privilégio.(...)O poder é vulgar de duas formas básicas, que se misturam facilmente. Há a vulgaridade do poder sem cultura e há a vulgaridade do poder sem questões e dilemas morais.”

Contardo Calligaris

Volto a uma história de minha adolescência. Talvez hoje eu consiga entender plenamente sua significação.

No começo dos anos 1960, na Itália, eu simpatizava com os partidos de esquerda. Meu pai era um social-democrata sem afiliação partidária, mas ele tinha participado da resistência ao fascismo, durante os últimos anos da Segunda Guerra.

domingo, 10 de abril de 2016

Que julgamento é possível na era do empobrecimento da subjetividade?


Marcia Tiburi e Rubens Casara

A ausência de reflexão é uma das causas da personalidade autoritária. A crença no uso da força para resolver os mais variados problemas sociais é característica dessa personalidade. A percepção de que os direitos e garantias fundamentais são obstáculos tanto à eficiência repressiva do Estado quanto ao funcionamento do mercado são, por sua vez, sintomas de uma sociedade formada por pessoas que se acostumaram com o arbítrio e que se revelam incapazes de compreender a importância dos limites ao exercício do poder inerentes ao Estado Democrático de Direito.

domingo, 20 de dezembro de 2015

Sou visto, logo existo: Bauman e a Cegueira Moral


Erick Morais

“A participação na sociedade confessional é convidativamente aberta a todos, mas há uma grave penalidade para quem fica de fora. Os que relutam em ingressar são ensinados (em geral do modo mais duro) que a versão atualizada do cogito de descartes é “sou visto, logo sou” – e quanto mais pessoas me veem, mais eu sou...”

Pascal já dizia que o encontro mais doloroso da vida é entre o eu e o mim. Passados mais de trezentos anos, o homem moderno com toda sua inteligência e exuberância, ainda teme esse encontro, pois sabe que enxergar-se sem uma máscara pode não ser uma experiência das mais entusiásticas.

terça-feira, 1 de dezembro de 2015

Sobre a crise ético-moral no Brasil


A crise ético-moral que a imprensa e a oposição atribuem aos governos da última década é, na verdade, bem mais antiga, apenas era desconhecida da população.


Para ilustrar, basta dizer que nos últimos doze anos houve significativa redução da cultura do segredo, com a aprovação e incorporação ao ordenamento jurídico brasileiro de uma série de leis e emendas à Constituição com o propósito de ampliar a transparência, o controle, o acesso à informação e o combate à corrupção, entre as quais:

quarta-feira, 14 de outubro de 2015

Zaidan: Hegemonia, Corporativismo e Centralismo Orgânico




Michel Zaidan Filho

Foi solicitado, na última aula, que se fizesse uma explanação sobre os conceitos da politologia gramsciana de "Hegemonia", "corporativismo" e eu acrescentei "centralismo orgânico".
 

l. Hegemonia Essa é uma palavra grega, oriunda da terminologia militar ou dos estudos estratégicos. Significa "controle", "Domínio", "supremacia" ou "direção". Originalmente vem da Confederação de Delos, liderada pela cidade-estado de Atenas. A cidade grega que detinha a hegemonia na Confederação de Delos. Era a líder daquela confederação.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

Agripino Maia, Presidente do DEM, é citado em esquema de corrupção

Uma Reserva  Moral  Fake


O presidente nacional do Democratas (DEM), senador Agripino Maia.

A Operação Sinal Fechado, que desbaratou esquema criminoso na implantação do serviço de inspeção veicular no Rio Grande do Norte, fato ocorrido no ano de 2010, foi destaque neste domingo (22) com a divulgação de um “novo” personagem conhecido da grande imprensa.

A reportagem, que foi ao ar neste domingo (22), no Fantástico, da Rede Globo, foi baseada no depoimento do empresário George Olímpio, dado ao Ministério Público em delação premiada, em que afirma que o senador José Agripino é beneficiário de um esquema criminoso de corrupção em mais de 1 milhão de reais.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

A comunicação na batalha das ideias


Dênis de Moraes - Abril 2009

A comunicação jamais esteve tão fortemente entranhada na batalha das ideias pela direção moral, cultural e política da sociedade. Reconhecendo o caráter estratégico da produção simbólica nas disputas pelo poder, compartilho da ideia de Jean-Paul Sartre (1994: 23) de que a mídia desempenha os papéis de “servidores da hegemonia e guardiães da tradição”. Ocupa posição proeminente no âmbito das relações sociais, visto que fixa os contornos ideológicos da ordem hegemônica, elevando o mercado a instância máxima de representação de interesses.

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

A urgência de refundar a ética e a moral


Leonardo Boff

Uma das demandas maiores atualmente nos grupos, nas escolas, nas universidades, nas empresas, nos seminários de distinta ordem é a questão da ética. As solicitações que mais recebo são exatamente para abordar este tema.

Hoje ele é especialmente difícil, pois não podemos impor a toda a humanidade a ética elaborada pelo Ocidente na esteira dos grandes mestres como Aristóteles, Tomás de Aquino, Kant e Habermas. No encontro das culturas pela globalização somos confrontados com outros paradigmas de ética. Como encontrar para além das diversidades, um consenso ético mínimo, válido para todos?

terça-feira, 7 de outubro de 2014

As desigualdades não são produzidas por diferenças individuais de talento, capacidade, inteligência e força de vontade.


Divisão Social do Trabalho e Ideologia Burguesa

Emídio Quaresma (*)

Há milhares de anos atrás aconteceu a divisão social do trabalho e os meios de produção se tornaram privados, como vemos atualmente no capitalismo. A exploração do homem pelo homem se iniciou aproximadamente oito mil anos atrás; foi quando surgiu a classe dominante propriamente dita, que detinha e acumulava os bens necessários à vida, enquanto à classe dominada só restava a força de trabalho e esta passou a vendida ou trocada por suprimentos, como alimentos, roupas etc. Foi só no século XIV que a burguesia apareceu enquanto classe social e o capitalismo passou por três fases: capitalismo comercial ou mercantilista, capitalismo industrial e o capitalismo financeiro ou bancário. Na Revolução Francesa foi criado o Estado burguês, com sua democracia e o instituto das eleições burguesa, adotado até nossos dias.

quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Zaidan: O Estado não é um prolongamento da família


Michel Zaidan Filho:

Seguindo as lições de Hegel, Weber e o nosso brasileiríssimo Sérgio Buarque de Holanda - o pai de Chico Buarque de Holanda - a matriz formadora do estado brasileiro é a moral da família, ou a ética de Antígona, onde os deveres e as lealdades de sangue se sobrepõe as do Estado republicano. Diz o historiador paulista que o patrimonialismo é a marca registrada das nossas instituições políticas locais e nacionais. Os chefes políticos e oligarcas pensam que o Estado é um mero prolongamento da organização familiar. E agem, segundo o famoso dito popular: "amigos e parentes, tudo. Aos inimigos, os rigores da lei".

quarta-feira, 11 de junho de 2014

Solidariedade sem transcendência?


Para Freud, a disposição de cuidar do outro em estado de desamparo seria a origem de um tipo de identificação

Christian Ingo Lenz Dunker

Uma antiga questão na filosofia da ética e na psicologia moral é saber se seria possível explicar a origem do sentimento de solidariedade sem recorrer a algum pressuposto transcendente, seja ele de natureza teológica, como Deus ou a imortalidade da alma, seja de compleição metafísica, como a universalidade da razão ou a liberdade essencial do homem.

domingo, 4 de maio de 2014

Esquerda e Direita diante da Ética contemporânea


Ladislau Dowbor

Livro recente sugere: mesmo torturadores, ou especuladores financeiros, precisam amparar-se em valores considerados legítimos. Alguns destes ainda reforçam obediência, autoridade e religião.

Mentimos, trapaceamos e justificamos tão bem que passamos a acreditar honestamente que somos honestos.

quarta-feira, 30 de abril de 2014

Demagogia

Vladimir Safatle

Na semana passada, o colunista desta Folha Vinicius Torres Freire achou por bem tentar desqualificar minha defesa da cobrança do IPVA para embarcações de lazer e esporte, helicópteros e outras aeronaves privadas.


Aproveitando-se de uma imprecisão –que reconheço– a respeito do montante aproximado do valor arrecadado, ele termina por concluir que propostas dessa natureza seriam demagógicas e irrelevantes, pois desproporcionais a respeito da relação entre meios e fins. Melhor seria discutir o "crescimento do PIB", em vez de perder tempo a debater desigualdade econômica.

segunda-feira, 14 de abril de 2014

Futebol: Roubado é Mais Gostoso ?


As contradições que ligam o futebol ao nosso dia a dia

Pedro Luiz Teixeira de Camargo (Peixe) *

Após mais um domingo de decisões estaduais de futebol, é sempre comum vermos as gozações entre torcedores, especialmente entre os ganhadores e os perdedores. Quando se tem um erro de arbitragem então, nem se fala, é polêmica para semana toda! Foi assim no Rio de Janeiro por exemplo.

Antes que alguém mais desavisado ache que vou reclamar de arbitragem, aviso que está enganado, pois erros de juízes apitando é tão comum aqui como na Europa, quem acompanha o Campeonato Inglês, por exemplo, entende bem sobre o que eu estou falando.

terça-feira, 8 de abril de 2014

O triunfo do fracasso


Michel Zaidan Filho:

A cada período eleitoral no Brasil, tenho que responder ao meu filho uma pergunta aparentemente embaraçosa: porque votar sempre nos candidatos que perdem, não nos que sempre ganham?

Não é esta uma questão fácil de responder para aqueles que acham a vitória ou sucesso, a qualquer custo, o critério da verdade histórica ou eleitoral. Há muita vitória de "pirro", feita de enganação, fraude, ludíbrio, manipulação do voto dos eleitores.

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

A moral psiquiátrica


Vladimir Safatle

Há alguns meses, as livrarias, enfim, receberam a última versão do "Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5)".

Ainda sem tradução em português, o "Manual" foi objeto de críticas virulentas vindas até mesmo de psiquiatras que trabalharam em versões anteriores dele, como Allen Frances. As acusações giravam em torno da verdadeira "psiquiatrização da vida cotidiana" que a profusão de categorias clínicas produzidas pela nova versão do "Manual" parece acarretar.
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