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sexta-feira, 1 de fevereiro de 2019
A culpa é da esquerda
A culpa é um afeto pouco transformativo. Assim como criticar tornou-se o mesmo que desqualificar e agredir, autocrítica tornou-se sinônimo de admissão de culpa.
Por Christian Ingo Lenz Dunker.
Agora que o castelo de areia criado pelo ódio e pela desinformação começa a ser varrido pelas ondas de corrupção e lama que vêm caracterizando as primeiras semanas do governo Bolsonaro, talvez tenha chegado a hora da autocrítica da esquerda. Qual parte lhe cabe nesse latifúndio de miséria, ignorância e regressão? Imagino que vários outros (bem mais qualificados em ciência política e no entendimento de processos institucionais, que efetivamente comandam o chão de fábrica da política) tenham muito mais e melhor a dizer do que eu. Mas aqui vai minha contribuição lateral para esse começo de conversa que teve bons e maus motivos para ser adiada.
quinta-feira, 25 de outubro de 2018
Reaprender a Escutar.
“As fake news denunciam nossa ingenuidade e a facilidade com a qual nos deixamos enganar”, diz psicanalista
Sob a influência de mentiras fabricadas com financiamentos empresariais milionários, os brasileiros vão às urnas eleger democraticamente quem governará o país pelos próximos anos
Ana Helena Rodrigues
Em períodos eleitorais é comum que o embate de ideologias cause conflitos entre os que se propõe a discutir política.
Como chegamos a esse estado de coisas?

Para psicanalista, Bolsonaro ‘extrai de nós o que temos de pior como ser humano’
O clima agressivo e por vezes violento que domina o cenário político brasileiro já chegou aos divãs dos psicanalistas de todo o Brasil. Mas uma pergunta que muitos se fazem ao deparar com o clima algo bélico do processo eleitoral de 2018 é como chegamos a esse estado de coisas?
quarta-feira, 25 de abril de 2018
Dunker: A regra do jogo
Lula em ato no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, São Bernardo do Campo,
Christian Ingo Lenz Dunker.
Durante seus dois mandatos na Presidência, Lula redescreveu os problemas políticos a partir da alegoria do futebol. Como todo jogo, a política e o futebol possuem regras constitutivas e regras regulativas. As regras regulativas permitem alterar a maneira de jogar sem contudo alterar a essência do jogo. Por exemplo, o futebol pode ser jogado com 11 ou com 5 jogadores, na praia ou na grama, com ou sem uso de câmeras para auxiliar o árbitro. Já as regras constitutivas definem o jogo em si. Sua eventual violação redunda na alteração do nome do jogo que se está a praticar. Por exemplo, um futebol que é jogado com a mão já não pode mais ser considerado futebol pois a regra de jogar com os pés (com exceção do goleiro e das cobranças de lateral etc.) define constitutivamente o que é o futebol. O novo existe, ele pode ser chamado de “manobol”.
Christian Ingo Lenz Dunker.
Durante seus dois mandatos na Presidência, Lula redescreveu os problemas políticos a partir da alegoria do futebol. Como todo jogo, a política e o futebol possuem regras constitutivas e regras regulativas. As regras regulativas permitem alterar a maneira de jogar sem contudo alterar a essência do jogo. Por exemplo, o futebol pode ser jogado com 11 ou com 5 jogadores, na praia ou na grama, com ou sem uso de câmeras para auxiliar o árbitro. Já as regras constitutivas definem o jogo em si. Sua eventual violação redunda na alteração do nome do jogo que se está a praticar. Por exemplo, um futebol que é jogado com a mão já não pode mais ser considerado futebol pois a regra de jogar com os pés (com exceção do goleiro e das cobranças de lateral etc.) define constitutivamente o que é o futebol. O novo existe, ele pode ser chamado de “manobol”.
terça-feira, 3 de outubro de 2017
Christian Dunker: o inimigo dá sentido para sua vida
A verdade é que: dificilmente você chegará ao fim desta entrevista tendo lido exatamente o que está escrito. Ante de uma possível incapacidade de interpretar texto, está, infelizmente, a tão urgente necessidade de escutar o outro. Christian Dunker, psicanalista pós-doutor pela Manchester Metropolitan University, conversa com a FAUSTO com exclusividade sobre, talvez, o maior mal de nosso tempo. Professor Livre Docente do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo, autor do recém lançado Reinvenção da Intimidade – Políticas do Sofrimento Cotidiano, Dunker convida para sairmos de nós mesmos. Mas será mesmo possível? Imperdível!
quarta-feira, 23 de agosto de 2017
A liberdade de limitar-se: psicanálise e teoria do poder
O moralismo que deu luz ao nosso momento atual entrou em colapso. O princípio de autolimitação foi trocado pelo modelo no qual a liberdade é exercer todo o poder que se pode.
Christian Ingo Lenz Dunker.
A psicanálise desenvolveu uma pequena teoria prática sobre o poder. Quando alguém procura a nós, psicanalistas, em geral este alguém está questionando suas posições e decisões na vida. Por isso mesmo abre-se para ouvir, pedindo que o outro lhe dê alguma direção, uma pista e até mesmo um conselho sobre a pergunta fundamental: o que fazer?
Christian Ingo Lenz Dunker.
A psicanálise desenvolveu uma pequena teoria prática sobre o poder. Quando alguém procura a nós, psicanalistas, em geral este alguém está questionando suas posições e decisões na vida. Por isso mesmo abre-se para ouvir, pedindo que o outro lhe dê alguma direção, uma pista e até mesmo um conselho sobre a pergunta fundamental: o que fazer?
quarta-feira, 5 de julho de 2017
segunda-feira, 29 de maio de 2017
Christian Dunker: Tratar os usuários de crack é enfrentar o problema da pobreza no Brasil
Helô D'Angelo disse:
Psicanalista defende que intervenções violentas na Cracolândia apenas criminalizam a pobreza – e não solucionam o problema
A Cracolândia sempre foi um ponto de embates políticos. Desde do último dia 21, os debates se intensificaram, já que o local tem sido alvo de operações policiais visando à dispersão dos moradores e usuários de crack, sob as diretrizes da nova política de “acolhimento” da prefeitura de São Paulo, o programa Redenção.
O Laboratório de Teoria Social, Filosofia e Psicanálise da USP (Latesfip) publicou uma nota de repúdio ao programa em sua página no Facebook, afirmando que o Redenção é uma forma de “criminalização da pobreza” e “desmonte da já frágil estrutura de assistência pública”: “A judiciação da saúde pela via da repressão armada parece visar, sobretudo, o encarceramento da população empobrecida e a reorganização urbana em benefício do capital imobiliário”, diz o texto.
Psicanalista defende que intervenções violentas na Cracolândia apenas criminalizam a pobreza – e não solucionam o problema
A Cracolândia sempre foi um ponto de embates políticos. Desde do último dia 21, os debates se intensificaram, já que o local tem sido alvo de operações policiais visando à dispersão dos moradores e usuários de crack, sob as diretrizes da nova política de “acolhimento” da prefeitura de São Paulo, o programa Redenção.
O Laboratório de Teoria Social, Filosofia e Psicanálise da USP (Latesfip) publicou uma nota de repúdio ao programa em sua página no Facebook, afirmando que o Redenção é uma forma de “criminalização da pobreza” e “desmonte da já frágil estrutura de assistência pública”: “A judiciação da saúde pela via da repressão armada parece visar, sobretudo, o encarceramento da população empobrecida e a reorganização urbana em benefício do capital imobiliário”, diz o texto.
terça-feira, 23 de maio de 2017
sábado, 13 de maio de 2017
Justiça Escolar
Esperamos que as escolas formem nossas crianças na disciplina da diversidade que as habilitará ao tratamento do conflito
Christian Ingo Lenz Dunker
A greve de 28 de abril, contra as reformas ora em curso no Brasil, envolveu boa parte da população em diversos estados do Brasil, com participação popular semelhante à que verificamos nas manifestações que culminaram no afastamento de Dilma Rousseff. Se isso foi necessário para o afastamento de uma, porque não seria para o afastamento de outro? Escândalos de corrupção envolvendo ministros de Temer, impopularidade no mesmo patamar, idêntica insatisfação social com os rumos do País e como gerente geral os resultados econômicos são de mesmo quilate. Ademais se poderia dizer que uma foi eleita, o outro não. Contra isso uma mente mais imparcial diria: “é, mas ela foi uma condição crônica e dolorosa, ao passo que ele ainda é um golpe agudo e pungente”. No frigir dos ovos, empate.
Christian Ingo Lenz Dunker
A greve de 28 de abril, contra as reformas ora em curso no Brasil, envolveu boa parte da população em diversos estados do Brasil, com participação popular semelhante à que verificamos nas manifestações que culminaram no afastamento de Dilma Rousseff. Se isso foi necessário para o afastamento de uma, porque não seria para o afastamento de outro? Escândalos de corrupção envolvendo ministros de Temer, impopularidade no mesmo patamar, idêntica insatisfação social com os rumos do País e como gerente geral os resultados econômicos são de mesmo quilate. Ademais se poderia dizer que uma foi eleita, o outro não. Contra isso uma mente mais imparcial diria: “é, mas ela foi uma condição crônica e dolorosa, ao passo que ele ainda é um golpe agudo e pungente”. No frigir dos ovos, empate.
segunda-feira, 3 de abril de 2017
Amando animais e seus limites
Eles podem ser parte de nossa recuperação psíquica, mas também se prestam a suportar, silenciosos, nossas formas mais patológicas de expressão de afeto e perversão
Christian Ingo Lenz Dunker
Animais de estimação são como filhos, mas filhos que não crescem nem nos abandonam. Retribuem nosso amor com sua presença e solicitude, sem conflitos ou oscilações na qualidade afetiva, oferecendo suporte simbólico para experiências de reconhecimento, metafóricas e metonímicas, centrais na formação e na reconstrução de nossa capacidade de amar.
Christian Ingo Lenz Dunker
Animais de estimação são como filhos, mas filhos que não crescem nem nos abandonam. Retribuem nosso amor com sua presença e solicitude, sem conflitos ou oscilações na qualidade afetiva, oferecendo suporte simbólico para experiências de reconhecimento, metafóricas e metonímicas, centrais na formação e na reconstrução de nossa capacidade de amar.
sábado, 31 de dezembro de 2016
Heroi ético, ambulante enfrentou nosso modo covarde de existir, falou e tentou impedir a violencia homofóbica.
Ato de ambulante que morreu no metrô foi 'trangressão' a nosso modo covarde de existir, diz psicanalista
Ingrid Fagundez
Ambulante Luiz Carlos Ruas foi espancado depois de tentar defender duas travestis. Um crime que chocou o país: o vendedor ambulante Luiz Carlos Ruas morreu na noite de Natal, depois de ser espancado por dois homens no chão de uma estação de metrô em São Paulo - diante de dezenas de testemunhas.
Para o psicanalista, professor e escritor Christian Dunker, Ruas morreu porque não se calou. Ao contrário das pessoas que viram seu espancamento, Índio, como era conhecido, falou com seus agressores, tentando impedir que os jovens batessem em duas travestis do lado de fora da estação. Ao intervir, Índio tornou-se o alvo da violência.
Ingrid Fagundez
Ambulante Luiz Carlos Ruas foi espancado depois de tentar defender duas travestis. Um crime que chocou o país: o vendedor ambulante Luiz Carlos Ruas morreu na noite de Natal, depois de ser espancado por dois homens no chão de uma estação de metrô em São Paulo - diante de dezenas de testemunhas.
Para o psicanalista, professor e escritor Christian Dunker, Ruas morreu porque não se calou. Ao contrário das pessoas que viram seu espancamento, Índio, como era conhecido, falou com seus agressores, tentando impedir que os jovens batessem em duas travestis do lado de fora da estação. Ao intervir, Índio tornou-se o alvo da violência.
terça-feira, 22 de novembro de 2016
Vocês esqueceram a revolução sexual
Aquarius é um filme essencial a ser estudado por aqueles que estão em busca do próximo capítulo, depois do “aquilo deu nisso”, que vai de Lula e Temer
Christian Dunker
Encontrei Kleber Mendonça Filho no dia em que ele tinha terminado de editar Aquarius. Ele estava meio distante, com aquele branco cansado de quem passou pela maratona da sala de montagem. Conversamos sobre a Fundação Joaquim Nabuco, sobre a Ocupação Estelita e sobre a crítica que eu havia feito de Som ao Redor. Ele parecia longe. Como alguém que olha a vida com um recuo, tipo quinze anos para trás ou para frente. Uma distância que ninguém na mesa, em tempos de impeachment, conseguia ter.
Christian Dunker
Encontrei Kleber Mendonça Filho no dia em que ele tinha terminado de editar Aquarius. Ele estava meio distante, com aquele branco cansado de quem passou pela maratona da sala de montagem. Conversamos sobre a Fundação Joaquim Nabuco, sobre a Ocupação Estelita e sobre a crítica que eu havia feito de Som ao Redor. Ele parecia longe. Como alguém que olha a vida com um recuo, tipo quinze anos para trás ou para frente. Uma distância que ninguém na mesa, em tempos de impeachment, conseguia ter.
segunda-feira, 7 de novembro de 2016
sexta-feira, 30 de setembro de 2016
Dunker: A Convicção Punitiva
A tendência anti-intelectual em curso em nosso momento político parece ter instituído a soberania da convicção sobre a força das provas, a prevalência das teses sobre as evidências, a supremacia de quem você é sobre o que você faz
Christian Ingo Lenz Dunker
Uma das contribuições mais simples e mais clinicamente eficazes de Freud para entendermos o sentimento de culpa reside na inversão que este afeto frequentemente nos leva a fazer entre causas e efeitos. Não apenas sentimos culpa porque fazemos algo errado, mas também fazemos coisas erradas porque sentimos culpa.
Christian Ingo Lenz Dunker
Uma das contribuições mais simples e mais clinicamente eficazes de Freud para entendermos o sentimento de culpa reside na inversão que este afeto frequentemente nos leva a fazer entre causas e efeitos. Não apenas sentimos culpa porque fazemos algo errado, mas também fazemos coisas erradas porque sentimos culpa.
segunda-feira, 27 de junho de 2016
domingo, 15 de maio de 2016
A crise brasileira como Retorno do Recalcado
Até o golpe civil-militar de 1964 o Brasil cultivou uma tradição de reflexão sobre si mesmo. Esta discussão foi suspensa pelo golpe e substituída por uma narrativa de Estado, compulsória, definindo a natureza, a ordem e o ritmo do que seria o projeto nacional e desenvolvimento
Christian Ingo Lenz Dunker
Os múltiplos e súbitos intérpretes da crise brasileira se viram diante da dificuldade de ler um processo que é ao mesmo tempo institucional e popular, político e jurídico, cultural e econômico. Isto é de certa forma esperado, pois em situações de crise precisamos de um ponto de vista geral sobre as coisas, uma vez que é próprio e definição do que é uma crise, nos fazer perguntar do que algo é feito, sua substância, razão ou causa.
terça-feira, 18 de agosto de 2015
Hipótese sobre o Brasil
A interpretação que os “analistas de mercado” fazem sobre o futuro interfere ou não no presente de nossa realidade econômica?
A interpretação de que a corrupção atravessa todos os setores do governo, da política e das corporações, favorece ou dificulta que a realidade atual da corrupção se transforme?
Christian Ingo Lenz Dunker*
quinta-feira, 25 de junho de 2015
A Alma Revolucionária
Christian Ingo Lenz Dunker.
Tenho recebido objeções de que minhas ideias em torno da emergência de uma lógica de condomínio no Brasil são aplicadas de modo exclusivo aos condomínios de direita. Aceito parcialmente a crítica de que minha anatomia, ainda em curso, dos pensadores liberais, mesmo os liberais por subtração, deixa de lado os condomínios de esquerda.
quarta-feira, 6 de maio de 2015
Ódio como Afeto Político
Christian Ingo Lenz Dunker.
O que você realmente está fazendo é esperar o acidente acontecer é o nome da peça em cartaz na Oficina Cultural Oswald de Andrade em montagem da Cia. de Teatro Acidental. O tema é objeto de um seminário internacional sobre o ódio como afeto político que acontece no mesmo espaço, aliás, uma das boas realizações de nossa Secretaria de Cultura. O tema e o título não poderiam ser mais atuais.
A peça consegue captar com precisão a lógica de nosso atual processo transformativo. Ela abre com um formato bastante brechtiano, em tom quase programático ou pedagógico citando Nelson Rodrigues de Beijo no Asfalto.
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