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segunda-feira, 5 de junho de 2017

Cracolândia é símbolo fascinante e repugnante da possibilidade de fuga

Contardo Calligaris

Os craqueiros, expulsos da cracolândia original, levaram seu fluxo para a praça Princesa Isabel.

A reportagem de Roberto de Oliveira, na Folha de 29 de maio, nos diz como se sentem os moradores das ruas da nova cracolândia: "Não saio mais com bolsa"; "Costumava ir ao cinema à noite, mas vou agora [15h]"; "Eles abordam os moradores a todo momento. Espalham lixo, fazem cocô e xixi na sua frente".

Quem esteve alguma vez na cracolândia sabe que os entrevistados estão sendo comedidos: a convivência com o fluxo é intolerável.

sexta-feira, 2 de junho de 2017

Andreas Von Richthofen na cracolândia


Maratona da Alegria 
Sabe o embrulho no estômago ao ver que Andreas estava na cracolândia?

Sabe esse embrulho que dá no estômago e esse aperto no peito ao ler que o Andreas, irmão da Suzane Von Richthofen, estava em uma cracolândia?

Então. Cada um daqueles que estão ali é um Andreas. Cada um tem uma história terrível. Cada um teve parentes assassinados, famílias destruídas, histórias desmontadas. Se soubéssemos da dor de todos ao nosso redor, talvez viveríamos num constante estado de amargor, paralisados.

segunda-feira, 29 de maio de 2017

Christian Dunker: Tratar os usuários de crack é enfrentar o problema da pobreza no Brasil

Helô D'Angelo disse:

Psicanalista defende que intervenções violentas na Cracolândia apenas criminalizam a pobreza – e não solucionam o problema

A Cracolândia sempre foi um ponto de embates políticos. Desde do último dia 21, os debates se intensificaram, já que o local tem sido alvo de operações policiais visando à dispersão dos moradores e usuários de crack, sob as diretrizes da nova política de “acolhimento” da prefeitura de São Paulo, o programa Redenção.

O Laboratório de Teoria Social, Filosofia e Psicanálise da USP (Latesfip) publicou uma nota de repúdio ao programa em sua página no Facebook, afirmando que o Redenção é uma forma de “criminalização da pobreza” e “desmonte da já frágil estrutura de assistência pública”: “A judiciação da saúde pela via da repressão armada parece visar, sobretudo, o encarceramento da população empobrecida e a reorganização urbana em benefício do capital imobiliário”, diz o texto.
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