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quarta-feira, 19 de julho de 2017

Sou preto, mas não sou ladrão, doutor

O abismo que nos separa...

O caminho que conduz à verdadeira democracia é longo e sinuoso

Milton Hatoum, O Estado de S.Paulo

“Trabalhar nós trabalhamos/Porém pra comprar as pérolas/Do pescocinho da moça/Do deputado Fulano”. (Mário de Andrade, ‘Acalanto do Seringueiro’, em ‘Clã do Jabuti’, 1927)

Numa tarde de 2001, quando ainda morava perto do centro da cidade, um homem de uns 50 anos veio ao meu encontro: “Sou preto, mas não sou ladrão, doutor. Só quero o dinheiro do ônibus”.

Ele havia procurado emprego num supermercado, e queria voltar à sua casa.

quarta-feira, 21 de junho de 2017

Sobre Jack London, a Ocupação Lanceiros Negros, o Chefe da Casa Civil, um pouco conhecido livro de História de uma cidade do extremo sul, e o sentido das coisas (por Gérson Wasen Fraga)

É incrível como os livros de História possuem a capacidade de nos fazer refletir sobre nosso presente. Quando menos esperamos, a realidade à nossa volta evoca novas e antigas leituras, e as coisas passam a ter seu verdadeiro sentido desvelado. Ou ainda, passam a não fazer mais sentido nenhum, conforme o caso.

Em 1903, o escritor estadunidense Jack London publicava “O Povo do Abismo”. O texto, um misto de reportagem e observação participativa, relata a inserção do autor no mundo dos excluídos pela sociedade industrial de então. Trabalhadores tentando sobreviver com salários irrisórios, abrigos e albergues sem condições de dignidade, a truculência policial contra os que nada tinham ou ainda o abandono e a miséria sofridos por aqueles que labutaram uma vida inteira quando chegados à velhice são alguns dos fatos relatados ao longo de mais de trezentas páginas por um autor que mergulhou em um mundo “invisivel” aos beneficiários do sistema.

sexta-feira, 29 de abril de 2016

Ponte para o abismo


Luiz Bernardo Pericás.

Nos pântanos de Brasília, os conspiradores se reúnem nos bastidores para efetivar o golpe institucional em curso. Serpentes, abutres e tucanos, sorrateiramente, planejam a cada dia os novos rumos políticos que querem impor ao país. No centro das discussões, o famigerado programa “Uma ponte para o futuro”, elaborado pelo PMDB, o qual, apesar do nome, mais se parece com a ciclovia da Niemeyer, no Rio: uma passarela suspensa, mal construída, que levará a nação para o abismo. Os retrocessos serão enormes e a possibilidade de se implementar uma agenda popular, progressista, será jogada para escanteio imediatamente após a usurpação do poder.

domingo, 20 de dezembro de 2015

Uma dança à margem do abismo



Este livro reúne textos publicados em jornais e revistas, entre 2002 e 2015 – eles trazem uma rigorosa e atenta análise da política brasileira.
 

José Carlos Ruy
 

Tendo examinado inúmeros estudos sobre a corrupção política no Brasil e em todo o mundo – nos países europeus, Inglaterra sobretudo, Estados Unidos, Japão etc, etc, etc, e em todas as épocas, o cientista político Wanderley Guilherme dos Santos assegura: em todos os estudos “está o tema de que a política muda de qualidade com a entrada de novas classes sociais no jogo político.
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