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quarta-feira, 31 de outubro de 2018

Adorno: A psicanálise da adesão ao fascismo


"A imagem do líder satisfaz o duplo desejo do seguidor de se submeter à autoridade e de ser ele próprio a autoridade. Isso corresponde a um mundo no qual o controle irracional é exercido, apesar de ter perdido sua convicção interna em função do esclarecimento universal. As pessoas que obedecem aos ditadores sentem que eles são supérfluos. Elas se reconciliam com essa contradição por meio da presunção de que elas próprias são o opressor cruel."

sexta-feira, 2 de março de 2018

Sobre o obscurantismo contemporâneo

Por Alain Badiou, via Theory Leaks, traduzido por Daniel Alves Teixeira

Do que devemos chamar as extraordinárias construções intelectuais que são as obras de Darwin, Marx e Freud? Não são estritamente ciências, mesmo que a biologia – incluindo a biologia contemporânea – seja pensada dentro do quadro darwinista. Certamente elas não são filosofias, mesmo que a dialética, esse antigo nome platônico para a filosofia, tenha tido um novo momento através de Marx. Elas não podem ser reduzidas às práticas sobre as quais elas lançam luz, mesmo que a experiência prove que Darwin estava certo, mesmo que a política revolucionária tente verificar a hipótese comunista de Marx, e mesmo se a cura psicanalítica coloca Freud nas fronteiras sempre mutantes da psiquiatria.

sexta-feira, 14 de outubro de 2016

O suspiro da criatura oprimida

Michel Zaidan

Ludwig Feuerbach, filósofo alemão do século 19

A modernidade não tratou com benevolência as religiões. Sigmund Freud se referiu a elas como uma espécie de neurose, fuga ou escape diante da dura realidade de cada um. E chegou a prever sua extinção, com o avanço da ciência e do pensamento esclarecido. Marx foi mais longe, chamou-as de “ópio do povo”, recriminando as classes que precisavam se apegar a uma ilusão para viver. Os autores contemporâneos – adotando uma postura agnóstica e pragmática – predispuseram-se a aceitar o fenômeno religioso como um fato sociológico, funcional para a sobrevivência da humanidade.

quarta-feira, 24 de agosto de 2016

Palavras sempre geram atos. Já os atos antidemocráticos não geram democracia

Instinto de morte de Freud está presente na derrubada de Dilma

Mario Sergio conti

Além de deixar cartas e ensaios nos quais contou como a sua vida regrada o levou a uma obra subversiva, Freud foi muito bem biografado por Ernest Jones e Peter Gay. Já a psicanálise, com o passar dos anos, vem se retraindo na clínica e se dissipando na filosofia —dois movimentos que o teriam chateado bastante.

Há sentido, então, nesse tempo de depressão e de autoajuda, de retorno do religioso e de medicalização das almas, numa nova biografia do intelectual que disse que a religião é uma neurose obsessiva da humanidade?

Pois "Sigmund Freud", de Élisabeth Roudinesco (Zahar, 528 págs.), mostra que a sua obra e a sua vida ainda têm o que dizer ao presente. O livro pode dizer algo até ao Brasil da regressão iluminista, do golpe democrático desferido por pessoas racionais, interessadas apenas no bem público.
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