Luiz Antonio Simas
A umbanda, religião que comemora o seu mito de origem no dia 15 de novembro, pode ser percebida como um resultado do amálgama entre os ritos de ancestralidade dos bantos, calundus, pajelanças indígenas, catimbós (o culto fundamentado na bebida sagrada do tronco da jurema), encantarias, elementos do cristianismo popular ibérico e do espiritismo kardecista. Seus saberes moram na encruzilhada da cristianização dos ritos africanos e da africanização do cristianismo, com o tempero profundamente indígena, acrescentado aos poucos por diversas contribuições.
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segunda-feira, 19 de novembro de 2018
sexta-feira, 29 de junho de 2018
Oriente e Ocidente: do cristianismo ao marxismo
Domenico Losurdo.
Nascido no coração do Ocidente, com a Revolução de Outubro, o marxismo se difundiu por todo o mundo, penetrando com força em países e áreas em condições econômicas e sociais mais atrasadas e com uma cultura muito diferente. Tendo atrás de si a tradição judaico-cristã, o marxismo ocidental, como vimos, não poucas vezes evoca motivos messiânicos (a espera por um “comunismo” concebido e sentido como a resolução de todos os conflitos e contradições e, portanto, como uma espécie de fim da história). Mas o messianismo está francamente ausente numa cultura como a chinesa, em geral caracterizada, em seu desenvolvimento milenar, pela atenção reservada à realidade mundana e social.
Nascido no coração do Ocidente, com a Revolução de Outubro, o marxismo se difundiu por todo o mundo, penetrando com força em países e áreas em condições econômicas e sociais mais atrasadas e com uma cultura muito diferente. Tendo atrás de si a tradição judaico-cristã, o marxismo ocidental, como vimos, não poucas vezes evoca motivos messiânicos (a espera por um “comunismo” concebido e sentido como a resolução de todos os conflitos e contradições e, portanto, como uma espécie de fim da história). Mas o messianismo está francamente ausente numa cultura como a chinesa, em geral caracterizada, em seu desenvolvimento milenar, pela atenção reservada à realidade mundana e social.
quinta-feira, 7 de junho de 2018
Marcha para Jesus
"Em suma,. para o cristianismo originário, as afinidades afetivas e eletivas (ou seja, os amigos) são muito mais importantes do que a família."
Antigo e Novo Testamento adotam valores bem diferentes para a família
Na semana passada, em São Paulo, na Marcha para Jesus, um político subiu no palanque e gritou: "Queeeeeem ama sua família? Queeeeem ama Jesus?" —para que, a cada vez, tivesse uma adesão indiferenciada: "Nóoooos!".
Esse tipo de pergunta, quando é colocada a uma multidão de pessoas que, em tese, pensam igual, é um protótipo da retórica fascista.
Na semana passada, em São Paulo, na Marcha para Jesus, um político subiu no palanque e gritou: "Queeeeeem ama sua família? Queeeeem ama Jesus?" —para que, a cada vez, tivesse uma adesão indiferenciada: "Nóoooos!".
Esse tipo de pergunta, quando é colocada a uma multidão de pessoas que, em tese, pensam igual, é um protótipo da retórica fascista.
segunda-feira, 20 de março de 2017
Papa: a indiferença para com o pobre é corrupção
Fiquemos atentos para não tomar o caminho que, do pecado, chega à corrupção. É a advertência feita na manhã dessa quinta-feira por Francisco na missa matinal na Casa Santa Marta.
O papa partiu do Evangelho do dia – tirado de Lucas – em que o Senhor conta a parábola do rico e do pobre Lázaro para enfatizar que, ainda hoje, devemos nos cuidar de nos fechar em nós mesmos, ignorando os pobres e os sem-teto das nossas cidades.
O papa partiu do Evangelho do dia – tirado de Lucas – em que o Senhor conta a parábola do rico e do pobre Lázaro para enfatizar que, ainda hoje, devemos nos cuidar de nos fechar em nós mesmos, ignorando os pobres e os sem-teto das nossas cidades.
domingo, 19 de março de 2017
A corrupção fede
Queridos irmãos e irmãs, bom dia!
Quis começar daqui, desta periferia, a minha visita a Nápoles. Saúdo todos vocês e vos agradeço pelo vosso caloroso acolhimento! Realmente se vê que os napolitanos não são frios! Agradeço ao vosso arcebispo por me ter convidado – também ameaçado se não tivesse vindo a Nápoles – pelas suas palavras de boas vindas; e obrigado àqueles que deram voz às realidades dos migrantes, dos trabalhadores e dos magistrados.
Quis começar daqui, desta periferia, a minha visita a Nápoles. Saúdo todos vocês e vos agradeço pelo vosso caloroso acolhimento! Realmente se vê que os napolitanos não são frios! Agradeço ao vosso arcebispo por me ter convidado – também ameaçado se não tivesse vindo a Nápoles – pelas suas palavras de boas vindas; e obrigado àqueles que deram voz às realidades dos migrantes, dos trabalhadores e dos magistrados.
quarta-feira, 21 de setembro de 2016
“Amar o próximo como a si mesmo” ou, erradique as disparidades sociais e impeça toda exclusão.
Relação fé e política
Frei Betto
Para que servem as Igrejas? Para alguns, meio de extorquir os fiéis e ainda usufruir do privilégio de não pagar impostos. Para outros, modo de dispor de poder revestido de suposta auréola de santidade que tem, como fiador, o próprio Deus.
E há quem acredite que da cabeça de Jesus surgiu a Igreja tal qual a conhecemos hoje.
quinta-feira, 23 de junho de 2016
Lowy: “Nenhum Papa foi tão longe na condenação ao capitalismo como Francisco”
Gabriel Brito
O papado de Francisco continua a alvoroçar o catolicismo e a opinião pública mundiais, num pontificado que, ao lado da promessa de fomento à “opção pelos pobres”, tem ousado fazer críticas às engrenagens de um capitalismo em crise em níveis bem acima do esperado. Para discutir o papel daquele que muitos consideram o maior líder político da atualidade, o Correio da Cidadania entrevistou o filósofo franco-brasileiro Michael Löwy, estudioso da Teologia da Libertação.
sábado, 11 de outubro de 2014
domingo, 24 de novembro de 2013
Cristianismo esquizofrênico
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| "Por acaso sou eu o guarda de meu irmão!” |
Pe. Alfredo J. Gonçalves
O termo esquizofrenia provém do universo da psicologia ou da psicoterapia. De acordo com os dicionários da língua portuguesa, designa "uma demência precoce caracterizada por distúrbios da afetividade”, ou também "uma desintegração da personalidade humana”. Transposto ao campo religioso, pode ser utilizado como metáfora para definir aqueles que, implícita ou explicitamente, costumam separar a fé do comportamento prático, seja este de ordem pastoral, socioeconômico ou político-cultural.
quinta-feira, 7 de novembro de 2013
Žižek e a tentativa radical de repensar a tradição cristã.
Entrevista com Adam Kotsko
Márcia Junges
"Žižek ainda não encontrou um interlocutor teológico que possa desafiá-lo de uma maneira produtiva — e espero que alguém se levante para preencher esse papel, porque é muito raro que um filósofo contemporâneo tenha qualquer interesse na teologia contemporânea", afirma o teólogo.
segunda-feira, 16 de setembro de 2013
Modernidade triste?
Contardo Calligaris
No século 4 da nossa era, nos mosteiros da Europa, a tristeza, "accidia" em latim, era considerada pecado grave, e as regras monásticas se esforçavam para identificá-la e combatê-la. Mesmo assim, muitos monges continuavam tristes.
A Europa era uma desolação. Das janelas de seus oásis de (relativa) tranquilidade, os monges podiam enxergar o horror. A cultura clássica, grega e romana, era esquecida --ignorada pela imensa maioria de iletrados ou perdida no descaso pelos manuscritos antigos.
quinta-feira, 25 de julho de 2013
Religiões: quando o cristianismo é pura intolerância
Extremistas católicos e evangélicos querem agora vetar lei que regulamenta atendimento do SUS às vítimas de estupro. Decisão está com Dilma
Gabriela Leite
Certas leis podem, no máximo, reduzir danos. É o caso de um texto aprovado no último dia 11, no Congresso Nacional. Proposto no século passado (em 1999) pela deputada Iara Bernardi (PT-SP), ele estabelece as normas para atendimento, no Sistema Único de Saúde, das mulheres que foram vítimas de estupro. É um problema sabidamente grave, mas crescente.
sábado, 8 de junho de 2013
A infecundidade de um cristianismo insosso
José Lisboa Moreira de Oliveira
Acabo de fazer contato com um amigo meu, com o qual não me comunicava há um bom tempo. Este amigo trabalhava para uma congregação religiosa. Na sua resposta me comunicou que estava de aviso prévio e que seria demitido do seu trabalho. Ao narrar a sua demissão meu amigo dizia-se decepcionado não tanto porque iria ficar sem o emprego, mas pela forma como foi demitido. Ele estranhou que, após anos de dedicação e de doação, fosse dispensado de maneira tão fria e tão formal, sem explicações e sem uma palavra de ânimo e de gratidão pelos serviços prestados.
quarta-feira, 22 de maio de 2013
Alguém pode ser marxista e religioso?
Carlos Pompe
O debate é recorrente. Apesar de Marx, Engels, Lenin e todos os marxistas que são referência para o debate ideológico se afirmarem materialistas, ateus, a dúvida persiste entre os que lutam pelo socialismo e querem uma sociedade justa e solidária. Dias atrás, o questionamento foi colocado numa página do Facebook e apresentou algumas das ideias que circulam sobre o assunto.
Uma internauta respondeu: “É possível, mas há aí uma contradição que um dia terá que ser resolvida...”. Outro participante afirmou que, se a pessoa for católica e se afirmar marxista, poderá ser excomungada.
sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013
Mais amar que ser amado
Quaresma: que eu procure mais amar, que ser amado
Leonardo Boff
Fazei com que eu procure mais amar, que ser amado.
Sentir-se amado é mais gratificante que amar, pois basta apenas acolher o amor gratuito do outro, sem ser necessário conquistá-lo ou dar-lhe provas de amor. Sentir-se amado é sentir-se importante e precioso para alguém. Aumenta a auto-estima e reforça o sentido de ser.
segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013
Cristianismo ou Capitalismo
As duas renúncias do Papa alemão
Toni Negri
Há mais de vinte anos, saiu a encíclicia Centesimus Annus, do Papa polonês Wojtyla, por ocasião do centenário da Rerum Novarum. Era o manifesto reformista, fortemente inovador, de uma Igreja que se pretendia, dali em diante, única representante dos pobres, depois da queda do império soviético. Àquele documento, meus companheiros parisienses do Futur Antérieur e eu dedicamos um comentário que era também o reconhecimento de um desafio. Teve por título “A V Internacional de João Paulo II”.
sexta-feira, 27 de abril de 2012
Vaticano II, um novo Pentecostes
[Concílio Vaticano II] Uma referência do tempo
Maria Clara Lucchetti Bingemer
Há 50 anos a Igreja Católica vivia um dos períodos mais importantes de seus mais de dois mil anos de história. Convocado pelo Papa João XXIII na festa de Natal de 1961, o Concílio Vaticano II era inaugurado no dia 11 de outubro de 1962. Realizado em 4 sessões, foi encerrado em 8 de dezembro de 1965, já sob o pontificado de Paulo VI.
O que pretendia o adorável e bondoso Papa João ao convocar em tempo recorde um Concílio Ecumênico com mais de 2000 participantes? Que necessidade pulsava nas entranhas da comunidade eclesial, fazendo sentir como necessária esta convocação? Por que a tradicional e respeitada Igreja Católica assumia o risco de abrir suas portas e situar-se sob os holofotes da opinião pública do mundo inteiro?
Desde Leão XIII, que em 1891 confessara com dor o distanciamento do catolicismo para com a classe operária, tornava-se sempre mais claro para o governo da Igreja que esse distanciamento se dava em relação ao mundo como um todo.
sexta-feira, 13 de abril de 2012
O papa e o marxismo
Frei Betto
O papa Bento XVI tem razão: o marxismo não é mais útil. Sim, o marxismo conforme muitos na Igreja Católica o entendem: uma ideologia ateísta, que justificou os crimes de Stalin e as barbaridades da revolução cultural chinesa. Aceitar que o marxismo conforme a ótica de Ratzinger é o mesmo marxismo conforme a ótica de Marx seria como identificar catolicismo com Inquisição. Poder-se-ia dizer hoje: o catolicismo não é mais útil. Porque já não se justifica enviar mulheres tidas como bruxas à fogueira nem torturar suspeitos de heresia. Ora, felizmente o catolicismo não pode ser identificado com a Inquisição, nem com a pedofilia de padres e bispos.
Do mesmo modo, o marxismo não se confunde com os marxistas que o utilizaram para disseminar o medo, o terror, e sufocar a liberdade religiosa.
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