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domingo, 4 de novembro de 2018

160 livros essenciais da literatura mundial: Quais você já leu?



Revista Prosa Verso e Arte

Literatura
“O mundo está cheio de livros fantásticos que ninguém lê.”

– Umberto Eco


Não foi fácil escolher, mas aqui está uma lista com 160 grandes títulos da literatura mundial, incluindo obras nacionais e latino-americanas.

A lista apresentada pela Revista Prosa, Verso e Arte tem por objetivo tanto estimular a leitura dos clássicos, como incentivar que os leitores e leitoras produzam suas próprias listas. Então, diga-nos, quais destes títulos você já leu, quais pretende ler e quais outros você indicaria a leitura?!

“Clássica é a obra que tem dimensão universal: consegue atravessar gerações, fronteiras e nacionalidades, sem perder as suas características.”

– Renato Rocha (músico e compositor), em “O Que faz de uma obra um clássico?”. Revista Poiésis, n. 11, p.191-213, nov. 2008.

segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

Pastoral americana, de Philip Roth

Pastoral americana, de Philip Roth, é livro a ser relido sempre. Se você, leitor, por acaso ainda não leu pela primeira vez, supere logo essa fase e passe à segunda, terceira, quarta leituras… Não parará mais.

Lembre-se, porém, que nem toda leitura conforta. Na verdade, a maioria dos bons livros inquieta, desconsola, desorienta, desconcerta — este, ao menos em parte, é o papel da arte.

Um querido amigo tinha o hábito de reler O som e a fúria, de Faulkner, duas vezes por ano. Cada releitura era seguida de um mês de depressão. A mulher, sábia e cansada diante das crises, determinou: O som e a fúria, no máximo uma vez por ano. Ele compreendeu: nem só o leitor arca com os custos do desassossego que a boa literatura produz.


segunda-feira, 7 de agosto de 2017

“Agosto”: de Rubem Fonseca

“Agosto”: O livro de Rubem Fonseca é obrigatório entre as melhores obras policiais do mundo 

“Agosto” (Companhia das Letras) é uma história que navega entre o tema histórico e a trama policial, e a participação de figuras importantes do Brasil de uma época que será lembrada para sempre em nossos livros didáticos traz à baila uma discussão: o que pequenas ações de algumas pessoas podem interferir no futuro de uma nação.

Mas a obra é mais do que isso: ela nos leva a um suspense extremo, a uma voracidade lançada a cada página que é digerida por nossos olhos e pensamento, uma motivação crescente de terminarmos sua leitura o mais rápido possível para descobrir seus pontos centrais.

A violência que há naqueles dias de Brasil não e tão diferente daquela enfrentada hoje. O clima é hostil e a infinita guerra travada através de jogos políticos tem reflexão iminente na base dos mais pobres também. Rubem Fonseca, espertamente, sabe como demonstrar isso por meio de sua verve literária.

quarta-feira, 2 de março de 2016

As Veredas do Mínimo Sertão: "Outros Cantos", de Maria Valéria Rezande


Alfredo Monte

“Nem pensei em voltar para a passagem no muro. Deus atirou-me para dentro de seu samburá de estreita boca, já não me debato. Soube logo que subiria, mas não por qual caminho, até que vi, pouco mais adiante, numa parede suja daquele mesmo beco, a marca do menino magro, fresca e brilhante, um fio de vermelho líquido ainda escorrendo. O único sinal que eu, vagamente, podia interpretar, neste mundo estranho onde nunca antes sequer imaginei penetrar. Meti-me pela viela que, alguns metros adiante, ao topar com uma parede de zinco e madeira carcomida, quebrava-se para a esquerda. Ninguém. Tive a impressão de que já não havia mais ninguém nesse labirinto, só eu e o menino pichador, porque pouco antes de que o caminho se bifurcasse, mais acima, vi outra vez a rubra assinatura. Sem outro fio senão aquele para guiar-me, eu o segui. Hesitei na bifurcação, mas ela estava lá outra vez, a marca, dizendo-me que lado escolher, direção que tomei sem mais duvidar, entranhando-me na armadilha das ruelas intrincadas”. (Trecho de O Muro, de Maria Valéria Rezende)

quinta-feira, 15 de outubro de 2015

A obra-prima de Raymond Chandler



Maurício Dias
 
Se você gosta dos filmes noir de Billy Wilder e John Huston; se gosta de Tarantino e seu séqüito de imitadores; ou de filmes tão dispares quanto Blade Runner ou Los Angeles, Cidade Proibida, é melhor tratar de conhecer logo o pai da matéria, o homem que influenciou todos eles: o escritor americano Raymond Chandler (1888-1959), alguém capaz de agradar a nomes tão diversos quanto o crítico literário e escritor Edmund Wilson ou o roqueiro Lou Reed.

sexta-feira, 31 de julho de 2015

O homem que amava os cachorros



Leonardo Padura


Esta premiadíssima e audaciosa obra do cubano Leonardo Padura, traduzida para vários países (como Espanha, Cuba, Argentina, Portugal, França, Inglaterra e Alemanha), é e não é uma ficção. A história é narrada, no ano de 2004, pelo personagem Iván, um aspirante a escritor que atua como veterinário em Havana e, a partir de um encontro enigmático com um homem que passeava com seus cães, retoma os últimos anos da vida do revolucionário russo Leon Trotski, seu assassinato e a história de seu algoz, o catalão Ramón Mercader, voluntário das Brigadas Internacionais da Guerra Civil Espanhola e encarregado de executá-lo.

quarta-feira, 13 de maio de 2015

Sou um homem doente… Sou mau; Melhores começos de livros.


Os 15 melhores começos de livros da literatura universal

Carlos Willian leite

Dando sequência à série de melhores trechos de livros, pedimos aos leitores, colaboradores, seguidores do Twitter e Facebook que apontassem quais eram os melhores começos de livros da literatura universal. Cinquenta e cinco livros foram citados, destes, selecionamos os 15 que obtiveram mais citações, são eles: “Moby Dick”, de Herman Melville; “Notas do Subsolo”, de Dostoiévski; “Grande Sertão: Veredas”, de Guimarães Rosa; “O Complexo de Portnoy”, de Philip Roth; “A Lua Vem da Ásia”, de Campos de Carvalho; “O Apanhador no Campo de Centeio”, de J.D. Salinger; “O Amanuense Belmiro”, de Cyro dos Anjos; “A Metamorfose”, de Franz Kafka; “Dom Casmurro”, de Machado de Assis; “Anna Kariênina”, de Liev Tolstói; “O Ventre”, de Carlos Heitor Cony; “Lolita”, de Vladimir Nabokov; “O Jardim do Diabo”, de Luis Fernando Verissimo; “Dom Quixote”, de Miguel de Cervantes; e “Cem Anos de Solidão”, de Gabriel García Márquez. 

sábado, 24 de janeiro de 2015

O manual do mau jornalismo, por Umberto Eco


Umberto Eco e o manual do mau jornalismo: Número Zero, nova obra do famoso escritor italiano, mostra a história de um jornal criado para difamar

Umberto Eco é autor de clássicos como O Nome da Rosa e O Pêndulo de Foucault .

O famoso escritor e ensaísta italiano Umberto Eco apresentou nesta semana na Itália seu novo romance, Número zero, uma espécie de manual do mau jornalismo ambientado na redação de um jornal imaginário.

O novo livro do influente intelectual italiano, autor do famoso romance O nome da rosa e de importantes tratados de semiótica, é uma história de ficção ambientada em 1992, um ano particular para a Itália contemporânea, marcado pelos escândalos de corrupção e pela investigação “Mani Pulite” (Mãos limpas), que arrasou com boa parte da classe política da época.

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

Meus romances brasileiros preferidos


Luiz Ruffato

Outra lista, desta vez contemplando apenas autores nacionais, limitada a autores que já se foram e livros publicados até 1977

Alguns leitores que consultaram a lista dos meus romances preferidos, publicada na edição passada, solicitaram outra, desta vez contemplando apenas autores nacionais. Aceitei arrolar minhas predileções, mas, neste caso, tenho que explicar e justificar algumas opções. A primeira delas: limitei-me a autores mortos, com a raríssima exceção de Raduan Nassar, que deixou de escrever ainda nos anos de 1970. Portanto, circunscrevi meu universo de escolhas até àquela década – o título mais recente é “A hora da estrela”, de Clarice Lispector, publicado em 1977. Outra observação importante: achei melhor citar apenas uma obra de cada autor, mas alguns deles poderiam, com certeza, estar aqui presentes com mais de um trabalho (casos de Machado de Assis e Graciliano Ramos, por exemplo). Finalmente, repito: trata-se de uma lista inútil, por subjetiva e aleatória, mas que talvez, como a outra, desperte curiosidade a respeito de um autor ou de um título. Eis tudo, que é nada...

sexta-feira, 15 de agosto de 2014

10 livros que vão mudar sua vida


A ideia de que um livro pode mudar a vida de alguém é altamente controversa. Há quem acredite; há quem discorde. O fato é que, caso a leitura de uma obra possa mesmo ser capaz de mudar a vida do leitor, isso depende em grande medida do conjunto de referências culturais e experiências vitais experimentadas por aquele que lê. Não creio, por exemplo, que um livro de filosofia possa mudar a vida de alguém sem disposição para o saber filosófico. Da mesma maneira, um livro de História não causará impacto naquele que não consiga se aperceber de que a compreensão do passado é fundamental para o entendimento do presente.

terça-feira, 22 de julho de 2014

O Estrangeiro;Albert Camus


Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

L'Étranger (em português O estrangeiro) é o mais famoso romance do escritor Albert Camus. A obra foi lançada em 1942, tendo sido traduzida em mais de quarenta línguas e recebido uma adaptação cinematográfica realizada por Luchino Visconti em 1967.

Faz parte do "ciclo do absurdo" de Camus, trilogia composta de um romance (L'Étranger), um ensaio (Le mythe de Sisyphe - O mito de Sísifo) e de uma peça de teatro (Calígula) que descrevem o aspecto fundamental de sua filosofia : o absurdo. O romance foi traduzido em quarenta línguas e uma adaptação cinematográfica foi realizada por Luchino Visconti em 1967. Recebeu o prêmio Nobel de Literatura

domingo, 20 de julho de 2014

O Risco do Bordado - Autran Dourado


Obra-prima da carpintaria literária, "O Risco do Bordado" vem percorrendo desde seu lançamento, em 1970, o caminho típico de um clássico contemporâneo, alcançando um notável sucesso de público e crítica, suscitando inúmeras teses universitárias e sendo adotado como leitura curricular. O próprio Autran Dourado considera-o o eixo central de sua obra pela forma com que conjuga sua obsessiva construção de uma mítica mineira. 

sábado, 7 de junho de 2014

Dois Irmãos de Milton Hatoum, Romance, Resenha Crítica


“ZANA”, A Melhor Mãe da Literatura Brasileira

(Romance “Dois Irmãos” de Milton Hatoum)

“Ficção é perder o olho(...)”

Colum McCann


Quando você acaba de ler o belíssimo romance “Dois Irmãos”, de Milton Hatoum, Editora Companhia de Bolso, além de você se encontrar em júbilo com a qualidade da obra, ficar com gosto de quero mais no paladar aguçado, ainda sai da leitura encorpado com o tamanho volume da Mãe dos dois irmãos que são elevados e revelados em todos os sentidos pela proposta do livro-obra, um clássico da literatura brasileira contemporânea. Sim, contundentes, paradoxais, Yaqub e Omar saltam aos olhos, mas, e a bendita (maldita?) Mãe?

A Mãe ZANA dos meninos no palco de Manaus, é, certamente, a melhor mãe retratada no historial da literatura brasileira como um todo. Retratando os dois irmãos em contundências e agonias, revelando-os de alto a baixo, na fluente narrativa cativadora e de qualidade, o autor está se nos apresentando página por página a mãe ZANA que gerou os gêmeos, a mãe que os amou, que os estragou e por assim dizer na criação fundou a tragédia continuada da familia até o fim.

segunda-feira, 21 de abril de 2014

Há uma efervescência cultural no Nordeste.


Gabriela Soutello

Extrato de entrevista com José Luiz Passos

Você é um escritor pernambucano, nascido em Recife. Em sua opinião, como está o panorama cultural pernambucano hoje? Existem outros autores da região do nordeste que você destacaria?

Há uma efervescência cultural no Nordeste. Por exemplo, filmes como O som ao redor (2012) e Tatuagem (2013), o teatro pernambucano e nomes importantes na literatura. Eu apontaria, entre vários outros

terça-feira, 25 de março de 2014

Cinzas do Norte


Milton Hatoum

Leia um trecho Cinzas do Norte, terceiro romance de Milton Hatoum, é o relato de uma longa revolta e do esforço de compreendê-la. Na Manaus dos anos 1950 e 1960, dois meninos travam uma amizade que atravessará toda a vida. De um lado, Olavo, de apelido Lavo, o narrador, menino órfão, criado por dois tios mal-e-mal remediados, que cresce à sombra da família Mattoso; de outro, Raimundo Mattoso, ou Mundo, filho de Alícia, mãe jovem e mercurial, e do aristocrático Trajano.

No centro das ambições de Trajano está a Vila Amazônia, palacete junto a Parintins, sede de uma plantação de juta e pesadelo máximo de Mundo.

quarta-feira, 19 de março de 2014

Machado de Assis nunca esteve tão na moda


Embora seja difícil de rotular, é possível perceber algumas tendências que estão em voga na literatura brasileira

Marina Rossi

Para se diferenciar da literatura europeia, os romances brasileiros, que começaram a surgir na primeira metade do século 19, eram escritos com grandes doses de regionalismo, nacionalismo, exaltação da terra e das características naturais de um país que tinha acabado de declarar a sua independência. Embora esse regionalismo venha permeando a literatura brasileira através dos séculos, hoje é difícil apostar em uma característica específica que marque os romances produzidos por aqui.

quinta-feira, 13 de março de 2014

Outros cantos; Maria Valéria Rezende


Para quem quiser saber como começa meu próximo romance, ainda em fase de acabamento, vai aqui o primeiro capitulinho, publicado no novo número do jornal Cândido, da BPP do Paraná. Mas quem não quiser ler, não deixe de abrir só pra ver a lindíssima ilustração da Carolina Vigna!

Maria Valéria Rezende 

Outros cantos

Capítulo 1

“Não eram muitos os que passavam dos trinta/ A velhice era privilégio das pedras e das árvores/ A infância durava tanto quanto a dos filhotes dos lobos// (...)// De todo modo, não contavam os anos/ Contavam as redes, os tachos, os ranchos, os machados / O tempo, tão generoso para qualquer estrela no céu / estendia-lhes a mão quase vazia/ e a retirava rápido, como se tivesse pena (...)//O bem e o mal/ deles sabiam pouco, porém tudo/ quando o mal triunfa, o bem se esconde/ quando o bem aparece, o mal fica de tocaia (...)/ Por isso, se há alegria é com um misto de aflição/ se há desespero, nunca é sem um fio de esperança/ A vida, mesmo se longa, sempre será curta/ Curta demais para se acrescentar algo.” Wislawa Szymborska


Eu fazia trinta anos no dia em que me meti pela primeira vez no sertão. Ainda não se havia espalhado por toda a terra a ilusão de poder-se fraudar o tempo e afastar indefinidamente o envelhecimento e a morte com técnicas cirúrgicas e calistênicas, fórmulas químicas, discursos Carolina Vignade auto-persuasão, mantras, injeções, lágrimas e incenso.

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Alguns Apontamentos Sobre a Literatura Brasileira Contemporânea


O escritor Luiz Ruffato* faz extenso panorama sobre a literatura brasileira, desde os primórdios até a geração atual, com foco especialmente na geração 90 e no século XXI. Confira:

OS PRIMÓRDIOS

Embora caudatária da literatura portuguesa, desde cedo a paisagem e uma maneira diferente de modular a língua conformaram a mentalidade brasileira, que logo se manifestou em expressão literária autônoma. Ao contrário de Portugal, cujas fronteiras se consolidaram ainda no Século XIII, encapsulando de certo modo o povo e seu idioma, o Brasil, colonizado a partir de 1500, recebeu vagas e vagas de influências estrangeiras. As primeiras, dos povos autóctones, que formavam inúmeras etnias, seguida dos africanos, trazidos como escravos para o trabalho forçado na lavoura e no serviço doméstico. O contato entre a cultura européia e as culturas indígena e africana (banto e iorubá, principalmente) produziu uma nova visão de mundo, exigindo formas singulares de representação artística[i].

sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

Melhores Contos de Machado de Assis


Almanaque indica os melhores contos de Machado de Assis; leia trecho

Os contos de Machado de Assis são considerados por parte da crítica como ensaios para seus romances. Outra parte defende que as melhores páginas de seus romances são compostas por contos intercalados.

O "Almanaque Machado de Assis" ajuda o leitor a iniciar-se na leitura dos contos e indica os melhores, como "A Causa Secreta", "A Missa do Galo", "O Alienista" e o discutido "O Espelho".

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Qual romance você está lendo?



Contardo Calligaris

Sempre pensei que fosse sábio desconfiar de quem não lê literatura. Ler ou não ler romances é para mim um critério. Quer saber se tal político merece seu voto? Verifique se ele lê literatura. Quer escolher um psicanalista ou um psicoterapeuta? Mesma sugestão.

E, cuidado, o hábito de ler, em geral, pode ser melhor do que o de não ler, mas não me basta: o critério que vale para mim é ler especificamente literatura --ficção literária.
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