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quinta-feira, 7 de setembro de 2017

Lula, Líder do Povo e Homem de Estado

Celso Amorim

Foi com enorme honra que recebi, em dezembro de 2002, o convite do Presidente Lula para ser seu Ministro das Relações Exteriores. Diplomata de carreira, eu fora chanceler de Itamar Franco e havia representado o Brasil,em diversos governos, perante às Nações Unidas, em Nova Iorque, à Organização Mundial do Comércio e outras organizações internacionais em Genebra. Quando recebi o convite, era Embaixador do Brasil junto ao governo britânico.

A opção do presidente recém-eleito por um funcionário de carreira já denotava sua visão sobre como deveria ser conduzida a política externa em seu governo, já que não faltavam, nos próprios quadros do Partido dos Trabalhadores, pessoas com qualificações e com amplo conhecimento e experiência na realidade internacional. Mais do que qualquer outra coisa – uma vez que jamais tivéramos contato direto – o Presidente Lula quis significar, com essa opção, que a política externa do Brasil, sem deixar de ser sensível aos anseios populares que o levaram ao poder, seria, sobretudo, uma política de Estado.

quarta-feira, 9 de agosto de 2017

A legalização da precariedade

"O homem que virou suco"
Lorena Holzmann

A recente aprovação da reforma da legislação trabalhista no Brasil – que seus defensores preferem chamar de modernização – suprime ou altera mais de 100 artigos da CLT – Consolidação das Leis do Trabalho – estatuto que regia as relações entre capital e trabalho desde o início da década de 1940. Apenas parte da classe trabalhadora foi, durante esse período, beneficiada por essa legislação, focada tão somente naqueles relacionados com o empresariado na condição de assalariados, com registro formal na carteira de trabalho. Esse documento se constituiu como uma espécie de passaporte, não só aos direitos laborais, mas também à respeitabilidade e à cidadania. Ter uma carteira de trabalho assinada passou a representar a linha divisória entre o trabalhador honrado e o malandro. Até os anos 1960, esses direitos eram exclusivos dos trabalhadores urbanos.


sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

Caim e o homem cordial

Alexandre Coslei

Atravessei a infância e a adolescência à sombra do Ato Institucional nº 5, o hiato da ditadura que alienou uma geração de jovens de todos os ideais políticos, das liberdades e do direito à expressão. Por uma dessas ironias da vida, cresci em frente a uma grande fábrica na Tijuca (a Brahma), que ficava ao lado do 1º Batalhão da Polícia do Exército, o temível DOI-Codi. Às sete horas da manhã, o apito da chaminé da fábrica me acordava, hora de ir para o colégio. No caminho, eu esbarrava com filas de operários iniciando a jornada de trabalho. Ao mesmo tempo, caminhava debaixo dos olhos soturnos de soldados em vigília. Formei minha consciência entre o proletariado e a repressão.

sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

É inútil revoltar-se?

Michel Foucault

"Para que o xá se vá, estamos prontos para morrer aos milhares", diziam os iranianos no verão passado. E o aiatolá, recentemente: "Que o Irã sangre, para que a revolução se fortaleça."

Estranho eco entre essas frases que parecem se encadear. O horror da segunda condena a embriaguez da primeira?

As insurreições pertencem à história. Mas, de certa forma, lhe escapam. O movimento com que um só homem, um grupo, uma minoria ou todo um povo diz: "Não obedeço mais”, e joga na cara de um poder que ele considera injusto o risco de sua vida - esse movimento me parece irredutível.

segunda-feira, 20 de junho de 2016

Um Deus que é gente



 
Chico Alencar
 

Cristãos do mundo ouvem hoje um trecho do Evangelho (Lc, 9, 18-24) que revela a singularidade do cristianismo, tão esquecida: Jesus Cristo - que se define como Filho do Homem, da Humanidade - identifica-se com o que é radicalmente humano ("tão humano assim, só podia mesmo ser Deus", ensina Leonardo Boff).

Ser humano em crescimento até Deus implica vivenciar o sofrimento, a rejeição em função da contestação dos poderes ("dos anciãos, dos chefes dos sacerdotes, dos doutores da lei"), a morte. E a prevalência da vida, apesar de tudo. De quem faz de sua vida uma doação, a morte, quando chegar, nada tem a tomar. Essa atitude é aposta na ressurreição.

Jesus propõe algo difícil: a renúncia a si mesmo, a disposição de, cada um, carregar a sua cruz (inevitável em nossas vidas) para encontrar a luz. Vale a pena.

Facebook


terça-feira, 5 de abril de 2016

O homem cordial


Luiz Zanin

As relações humanas no Brasil parecem ter chegado ao fundo do poço. Para comprovar, basta uma rápida olhada nas redes sociais, mas também na seção de cartas dos jornais ou na própria rua. Nem sombra do "homem cordial" de antigamente, essa leitura ingênua de Raízes do Brasil, obra-prima de Sergio Buarque de Holanda. O brasileiro, hoje, é tudo, menos cordial. Tornou-se um ser belicoso, desprovido de senso de humor, disposto a sair na porrada à menor provocação. Ou mesmo sem provocação alguma.

terça-feira, 29 de setembro de 2015

Olhar no olho do outro



Maria Rita Kehl

O outro é, bem ou mal, um semelhante. Aí residem seu valor, seu poder perturbador e seu caráter problemático. O que temo, na proximidade com o semelhante, é o mesmo que temo em mim
 
Viver junto é viver nas cidades. Não é viver em família, nem entre amigos. Viver junto não é um problema da vida privada, mas da vida pública. Só a vida urbana nos obriga a conviver com uma multidão de desconhecidos; estamos permanentemente na dependência do contato com pessoas que não escolhemos.

sexta-feira, 31 de julho de 2015

O homem que amava os cachorros



Leonardo Padura


Esta premiadíssima e audaciosa obra do cubano Leonardo Padura, traduzida para vários países (como Espanha, Cuba, Argentina, Portugal, França, Inglaterra e Alemanha), é e não é uma ficção. A história é narrada, no ano de 2004, pelo personagem Iván, um aspirante a escritor que atua como veterinário em Havana e, a partir de um encontro enigmático com um homem que passeava com seus cães, retoma os últimos anos da vida do revolucionário russo Leon Trotski, seu assassinato e a história de seu algoz, o catalão Ramón Mercader, voluntário das Brigadas Internacionais da Guerra Civil Espanhola e encarregado de executá-lo.

terça-feira, 3 de março de 2015

Kehl: Homens e Mulheres, Mínima Diferença

A mínima diferença

Maria Rita Kehl:

Há cem anos não se fala em outra coisa.1 O falatório surpreenderia o próprio Freud. Se ele criou um espaço e uma escuta para que a histérica pudesse fazer falar seu sexo, num tempo cuja norma era o silêncio, o que restaria ainda por dizer ao psicanalista, quando a sexualidade circula freneticamente em palavras e imagens, como a mais universal das mercadorias?

Ainda assim, parece que nada mudou muito. O escândalo e o enigma do sexo permanecem, deslocados – já não se trata da interdição dos corpos e dos atos – avisando que a psicanálise ainda não acabou de cumprir o seu papel. Mulheres e homens vão aos consultórios dos analistas (e, como há cem anos, mais mulheres do que homens), procurando, no mínimo, restabelecer um lugar fora de cena para uma fala que, despojada de seu papel de lata de lixo do inconsciente (no que reside justamente sua obscenidade), vem sendo exposta à exaustão, ocupando lugar de destaque na cena social, até a produção de uma aparência de total normalidade.

domingo, 15 de fevereiro de 2015

Leviatã: O bom Deus e o estado de Direito - onde estão?


Seguindo a belíssima tradição cultural russa, Leviatã é um filme sore a história universal e atemporal do homem contra o Estado.

Léa Maria Aarão Reis

Leviatã (Leviathan, produção russa de 2014; duas horas e vinte minutos) é um filme majestoso. Um filme com grandeur como escreveu, com propriedade e grande entusiasmo, Peter Bradshaw, do jornal inglês The Guardian, um dos mais respeitáveis críticos de cinema em atividade. Indicado agora para o Oscar de Melhor filme de língua estrangeira (a festa é dia 22 deste mês), ele foi prêmio de Melhor Roteiro em Cannes, ano passado, e ganhou um Globo de Ouro em janeiro último. Em exibição nos cinemas das principais cidades do Brasil, vem fazendo carreira surpreendente, em pequenas salas, porém lotadas. É a primeira obra prima do ano cinematográfico. E a consagração é universal.

sábado, 22 de fevereiro de 2014

Solidariedade feminina

Drauzio Varella

Se você só tem filhos homens, não tem mãe nem irmãs, reze para morrer antes de sua esposa. Se acontecer o contrário, meu amigo, é provável que seus últimos dias sejam passados com estranhos.

Vá aos hospitais. A probabilidade de ver um acompanhante do sexo masculino é mínima, ao lado de um doente internado haverá sempre uma mulher, seja filha, esposa, irmã, mãe, nora ou amiga.

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Homem, Pai e Senhor


Marcia

No início do século passado, ser feliz no casamento significava dividir afeto com o cônjuge, ter estabilidade familiar, dando carinho aos filhos e vivendo com segurança financeira. Era comum que a correspondência de época desvendasse os sentimentos entre casais separados por motivos de trabalho. Mulheres revelavam as saudades de maridos que trabalhavam em outra cidade, e eles, por sua vez, sentiam remorsos por afastar-se de suas companheiras. Amor conjugal e amor familiar se davam as mãos.

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

A Crise do Homem e o atendimento do SUS

Fabiane M. Borges

Imagina um lugar de aprendizagem sobre corpo, alimentação alternativa, ervas medicinais, banhos, sexualidade, massagens. Isso, sim, seria um Posto de Saúde

Esse texto é uma tentativa de falar sobre os problemas referentes aos postos de atendimentos primários e ambulatoriais de saúde a partir da perspectiva de um personagem conceitual. Ele é homem, meia idade, pobre, vive em uma comunidade qualquer e está atravessando uma profunda crise existencial, correndo risco de surto ou de adoecimento psíquico grave. Ele tem que decidir se entra ou não em tratamento de saúde seguindo os atendimentos e encaminhamentos desses postos.

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Contra a violência de gênero, um novo enfoque masculino



Nós homens, fomos criados para ser a parte principal do contrato . Para nunca vacilarmos em nossa carreira de provedores, detentores legítimos do poder, sujeitos que se definem pela ação permanente. Desde cedo insistem que devemos ser fortes, duros, aguerridos e insaciáveis. Treinados na arte da conquista e da autoridade, embora não sejam explicados os termos sexuais do contrato para que uma parte permaneça submetida e inclusive humilhada perante a outra.

Desde pequenos, nos roubaram a ternura do cuidado e a aprendizagem da empatia. Em vez disso, nos empurraram a ocupar o pátio da escola para provar permanentemente a masculinidade aos nossos pares e lutar quando alguém ousa questioná-la. A chave é que devemos aprender a ser homens e não mulheres. Isso significa, obviamente, humilhação e desprezo por aqueles que não respondem às expectativas de gênero ao ponto de haver os que não se comportam como homens e sim como neonazis .

quinta-feira, 7 de março de 2013

Mulheres emancipadas, homens receosos



 Luciano Siqueira


Parece-me uma obviedade dizer que o próximo dia 8, quando se comemora em todo o mundo o Dia Internacional da Mulher, assinala inúmeras conquistas e também renovação da luta pela igualdade de gênero. Idem registrar que essa luta, de caráter político, ideológico e cultural, se projeta em longo curso e tem caráter estratégico e decisivo no processo civilizatório das nações. Obviedades que nunca é demais reafirmar.

Do mesmo modo, vale comentar sobre o sentimento ainda largamente predominante entre nós outros que formamos a outra metade da população do planeta, os do gênero masculino, de verdadeiro incômodo, insegurança e receio diante do avanço da luta de libertação das mulheres. Porque no cotidiano de nossas vidas que mora a dificuldade.

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

E se o feminismo cuidar dos homens?



É hora de estimulá-los a vencer preconceitos disseminados pela mídia e família, e a superar uma forma particular de infantilidade

Por Marília Moschkovich

Cena um. Uma propaganda da Gilette .

Um homem branco, franzino, procura sua lâmina de barbear e não encontra. Grita, do banheiro, para a esposa: “Amor, cadê minha Gilette?”. A esposa responde que é pra ele usar a outra, “amarelinha” (numa alusão à concorrente, da marca Bic), que ela comprou. Quando ele vai pegar o aparelho na gaveta, seu banheiro é invadido por estrelas nacionais do MMA, como Vitor Belfort, que o lembram que coisa de macho mesmo é usar as lâminas da marca Gilette.

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Um Espelho para o Novo Sexo Frágil

O nascimento do homem novo 
Marcia Tiburi

Sobre as vantagens do feminismo na vida dos homens

O feminismo foi uma grande revolução cujos resultados continuam a merecer análise. Historicamente afirmado como um conjunto de procedimentos teóricos e práticos que pretendiam tanto ajudar na demolição dos preconceitos que impediam o alcance de direitos das mulheres, quanto desmanchar uma imagem da mulher como subalterna do homem, o feminismo chegou ao século 21 dito de muitos modos. É possível amá-lo e odiá-lo, mas não negar seus efeitos. Um dos efeitos mais curiosos do feminismo diz respeito à visão que os homens passaram a fazer de si mesmos e ao modo como são hoje representados por mulheres. Vejamos o que isto quer dizer.

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