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domingo, 20 de setembro de 2015

Ñaumu - Povo Yanomami - RR





[Part. Esp.: Gilberto Gil] 08:16
TODOS OS SONS (cantos indígenas) por MARLUI MIRANDA, vídeo MOACIR SILVEIRA 

sexta-feira, 15 de agosto de 2014

10 livros que vão mudar sua vida


A ideia de que um livro pode mudar a vida de alguém é altamente controversa. Há quem acredite; há quem discorde. O fato é que, caso a leitura de uma obra possa mesmo ser capaz de mudar a vida do leitor, isso depende em grande medida do conjunto de referências culturais e experiências vitais experimentadas por aquele que lê. Não creio, por exemplo, que um livro de filosofia possa mudar a vida de alguém sem disposição para o saber filosófico. Da mesma maneira, um livro de História não causará impacto naquele que não consiga se aperceber de que a compreensão do passado é fundamental para o entendimento do presente.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Mano Brown defende impeachment de Geraldo Alckmin


José Francisco Neto

Durante a entrega do Prêmio Santo Dias de Direitos Humanos, o líder do Racionais MC´s também denunciou o genocídio dos jovens negros na periferia da capital paulista

Mano Brown, integrante do grupo de rap Racionais MC’s, defendeu o impeachment do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, em discurso feito na Assembleia Legislativa (Alesp), na última segunda-feira (10). O rapper foi um dos vencedores do XVI Prêmio Santo Dias de Direitos Humanos.

quinta-feira, 29 de março de 2012

Civilizar pela música: a inquisição da elite intelectual



Leonardo Sakamoto


“Essa gente precisa é de Chico Buarque.”

Sinceramente acho que todo mundo precisa escutar o homem. Mas a frase, vinda da boca de um culto amigo, irritado com um carro que jorrava tecnobrega no último, gerou aquele arrepio na espinha.

E, certamente, não foram os fantasmas de Theodor Adorno e Max Horkheimer passando por perto. Sua crítica não se relacionava ao tratoramento da arte pela estrutura capitalista de reprodução e distribuição de cultura, que a transforma em mercadoria a ser consumida passivamente. Pois, ele próprio é um desses consumidores, que bebe empacotados dito eruditos, vilamadalenizados, mas que tenta “curar” o outro. 

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Carros barulhentos em João Pessoa

Mais de 4.700 denúncias de poluição sonora este ano em João Pessoa


O 'Disque Silêncio' da Prefeitura de João Pessoa (PMJP), que funciona pelo telefone 0800 281 9208, é um dos serviços mais utilizados pela população da cidade para denúncias sobre poluição sonora.

Só no primeiro semestre deste ano, a Secretaria de Meio Ambiente (Semam) registrou 4.708 denúncias e aplicou 129 multas, sendo que 101 delas tiveram como fontes poluidoras carros com equipamentos de som.

De acordo com dados da Divisão de Fiscalização da Semam, o setor recebe, em média, 30 denúncias de poluição sonora por dia. Nos fins de semana, esse número chega a 60 ligações ou mais.

Sistema - 

 O registro de denúncia é atualizado a cada chamada indicando o local onde está ocorrendo o fato com seu ponto de referência, a fonte poluidora, dia e hora em que foi efetuada a reclamação, além da identificação do denunciante e número de telefone para contato. O serviço funciona 24h.

O repasse da denúncia é feito de imediato via rádio ou entregue em mãos aos fiscais plantonistas, que vão até o local indicado. Ao chegar lá, a equipe faz as medições do ambiente segundo parâmetros estabelecidos pela Norma Brasileira 10151 acústica, que faz a avaliação do ruído em áreas habitadas. O objetivo desse trabalho é garantir o conforto e a saúde da população, para então adotar as medidas legais pertinentes.

Fiscalização -

As ações dos fiscais da Divisão de Fiscalização da Semam são pautadas pela legislação brasileira. Porém, em muitos casos, os servidores municipais enfrentam reações violentas por parte dos denunciados, que na maioria são donos de carros particulares.  As agressões são muitas vezes verbais, mas existem registros de agressão física.

Segundo o art. 331 do Código Penal Brasileiro, desacatar funcionário público no exercício da função ou em razão dela origina pena de detenção de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos, ou multa.


Correio PB

quarta-feira, 13 de julho de 2011

TCE investiga mau uso de verbas públicas em festas juninas da PB

Verba federal garantiu o São João de 39 cidades; PB lidera ranking

Bancada federal da PB lidera ranking de liberação de verbas para São João



O Tribunal de Contas do Estado da Paraíba pretende analisar detalhadamente os gastos das prefeituras com os festejos juninos de 2011. O Tribunal quer saber a origem das verbas usadas nas festas e sua aplicação, bem como a responsabilidade de licitações e contratos com atrações musicais que se apresentaram nos eventos. O objetivo da corte é tentar coibir o desvio de recursos.



Para o TCE é necessário que haja uma investigação criteriosa porque em alguns casos os recursos que são destinados para as prefeituras acabam sendo mal utilizados. É essa prática que o TCE/PB pretende inibir identificando na fonte a responsabilidade de cada gestor sobre os contratos assinados e sua regularidade.



Neste ano o Ministério do Turismo disponibilizou R$ 22 milhões para a realização de festas juninas em todo o país. Sendo que deste valor R$ 6,7 milhões foram liberados através de emendas feitas por parlamentares paraibanos para eventos em cidades do Estado. Com isso a Paraíba foi quem mais recebeu recursos do órgão.

As verbas serviram para bancar o São João de 39 cidades do Estado. Campina Grande foi a cidade que mais recebeu dinheiro, um total de R$ 1,8 milhões. Sendo R$ 2, 05 milhões direcionados apenas por emendas do senador Vital do Rêgo (PMDB) que foi o campeão de liberação em todo o país.



O TCE está aceitando denúncias e informações, dos moradores de municípios que receberam verbas, sobre qualquer irregularidade ocorrida durante os festejos com o uso indevido da verba pública.



Paraiba 1

sábado, 12 de março de 2011

Outros bárbaros

Gilberto Gil

Será que ainda temos o que fazer na cidade
Em nossos corações ainda resta um quê de ansiedade
Apesar de ter sido um grande prazer para todos
Resta saber se ainda queremos seguir
Querendo-nos, mútuo prazer
Outros bárbaros tão doces tão cruéis
Seguem vindo
Vivendo seus papéis de mocinhos e
De bandidos
Será que ainda temos o que fazer na cidade
Em nosso corações já reside um quê de saudade
De saudade

sábado, 29 de janeiro de 2011

Simone de Beauvoir e Gil: arte de envelhecer




Em entrevista, o compositor Gilberto Gil ensina a arte de envelhecer

Vitor Hugo Soares


Há alguns anos recebi de presente de aniversário o livro "A Velhice", de Simone de Beauvoir, mais importante e referencial ensaio contemporâneo que conheço sobre as condições de vida dos idosos. O regalo - como dizem os portenhos - veio de uma querida irmã jornalista - fã de carteirinha da escritora francesa, mas preocupada, também, com o avançar da idade do mano. A obra, publicada em 1970, segue mais atual do que nunca, principalmente no País de pouco cuidado - para não dizer desprezo escancarado - com os seus velhos.

Mas o jornalístico e factual nesse "nariz de cera" é a oportunidade de dizer que desde então não lembro de ter lido mais nada tão interessante e revelador sobre o envelhecer, que as reflexões do artista Gilberto Gil, ex-ministro da Cultura do Brasil, esta semana em Salvador.

Estão na entrevista concedida pelo cantor e compositor de 68 anos à jovem repórter Emanuella Sombra, publicada como matéria de capa de "Muito", a revista da edição dominical do jornal A Tarde.

Não recordo igualmente de ter lido nada melhor nos jornais e revistas nacionais nesses últimos dias. Sei que afirmativas como essas são perigosas e incomodam muita gente do meio. Mexem com vaidades e ciumeiras tolas do cada dia mais estranho e egocêntrico modo de pensar e fazer jornalismo, ultimamente.

Devo acrescentar, a bem da verdade e da qualidade da informação, nestas linhas, que a entrevista do ex-ministro da Cultura do Brasil não é mais um daqueles tratados insuportáveis sobre velhice, cheios de obviedades e lições hipócritas e "politicamente corretas" de como vencer achaques e limitações.

Gil faz um balanço quase completo da carreira. Fala da vida, da juventude, dos atritos durante sua atuação no ministério do governo Lula (a polêmica demissão do ator Antonio Grassi, que acaba de voltar com Ana de Hollanda no governo Dilma, por exemplo). Conversa livre e abertamente, também, sobre amores passados e presentes, da mãe Claudina (a "negra baiana cem por cento" da maravilhosa canção na volta do exílio), da relação com Flora e Sandra (Drão) - mulheres para as quais compôs duas de suas músicas mais belas e expressivas -, dos filhos, netos e amigos. E, obviamente, do show do CD "Fé na Festa", que ele apresenta neste domingo, 30, na Concha Acústica do Teatro Castro Alves, em Salvador.

Já se vê por esta "palinha" que a conversa do autor de "Parabolicamará" com a repórter baiana não é coisa de velho saudosista - como alguns apressadamente podem pensar - maldosamente (ou não) - mesmo que a saudade atravesse as palavras do artista de vez em quando, mas quase sempre daquele jeito bom de que falava o genial sanfoneiro e cantor pernambucano, Luiz Gonzaga, em seu baião antológico.

Mas o forte e eloquente da entrevista é mesmo o jeito original e marcante de Gilberto Gil encarar a velhice, na atual etapa de sua vida e de seu trabalho. Aproximando-se dos 70, o artista não esconde nem evita falar sobre as limitações dos anos nas costas, mas ensina com doçura e realismo como essas limitações estão sendo transformadas por ele numa nova juventude.

Ah! Antes que esqueça por uma traição da memória: as fotos, da capa com o título "Tempo Rei", e das páginas internas são assinadas por Fernando Vivas (de tantas jornadas ao lado de Bob Fernandes e Ricardo Noblat, pela Bahia e país afora, às vezes também deste que vos escreve, no tempo da sucursal da Veja). Imagens que impactam, encantam, informam e fazem pensar nessa matéria quase completa em termos de bom jornalismo.

Gil com a palavra, sobre as limitações do envelhecer e seu jeito de encarar o passar do tempo:

"Muda o sentido de atenção, de cuidado. O desempenho físico é outro, as tarefas, os afazeres são afetados. E isso também afeta o desempenho psíquico. A memória é uma coisa que é afetada drasticamente, ela começa a ter menos resposta do que antes.

Envelhecer implica uma outra maneira de viver, uma outra arte de viver, novas autorresponsabilidades. Você passa a ter que responder a si próprio de maneira diferente, a dizer sim de maneira diferente, a dizer não mais severo, com mais intensidade, mais frequência. Passa a aceitar o sentimento de renúncia com mais resignação".

Um pouco mais de um dos motores mais vibrantes da revolucionária Tropicália na entrevista a Muito, quando a repórter pede que ele explique melhor: "Renuncia a muita coisa que você não pode fazer mais, como subir uma escada, que era um ato inconsciente e irresponsável. Hoje em dia envolve todo um desempenho e um empenho, um cuidado ao subir ou descer uma escada que me obriga a renunciar a tudo aquilo, à espontaneidade, ao desleixo, a uma impetuosidade". Subir em um trio elétrico no Carnaval de Salvador, para passar horas como no passado, também é algo impensável atualmente, confessa Gil.

Tem mais, muito mais na entrevista para ler e guardar. Como o livro que Simone de Beauvoir escreveu nos anos 70 para rasgar o véu de hipocrisia e "quebrar a conspiração do silêncio" em relação à velhice, assunto que aparece para os homens e para a sociedade como uma espécie de "segredo vergonhoso".

Grande Simone! Bravo Gil!

Terra Magazine

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Alceu elogia Pontos de Cultura e diz que novo tempo "chegou"


Com 38 anos de carreira, o cantor e compositor pernambucano Alceu Valença continua criativo, rebelde, crítico da indústria cultural, da importação de modelos e da falta de divulgação dos artistas brasileiros. Perto de completar 64 anos, em julho, continua com a vitalidade dos anos 1980, auge de sua carreira, e ainda cativa o público jovem, que revisita suas canções, olha com curiosidade para seus novos trabalhos, suas misturas de sons e ritmos.
Herdeiro musical de Luiz Gonzaga, de Jackson do Pandeiro e de Dorival Caymmi, Alceu deu novo brilho aos ritmos regionais, como baião, coco, toada, maracatu, frevo, caboclinhos, embolada, repentes. Em seu primeiro disco, lançado em 1972 em dobradinha com Geraldo Azevedo, já punha um tempero rock’n’roll nas batidas tradicionais nordestinas que continuaram marcando docemente o compasso de sua história musical, inclusive nos clássicos como Coração Bobo, Espelho Cristalino, Morena Tropicana, La Belle d’Jour, entre outros.

Nas letras das canções Papagaio do Futuro e Espelho Cristalino, ainda nos 70, Alceu já expunha a questão ambiental. O artista, aliás, sempre foi um inquieto “militante” da diversidade cultural brasileira. E da esperança, sentimento presente em muitas de suas letras, falando de amor ou da natureza.

Em suas turnês pelo exterior, o pernambucano influenciou artistas americanos, europeus e brasileiros das gerações mais recentes como Chico Cesar e Zeca Baleiro. Foi um divulgador do movimento manguebeat, de Chico Science e o Nação Zumbi. E considera que as imposições estéticas do imperialismo cultural americano e a falta de divulgação por parte dos veículos de comunicação de massa ainda dificultam o surgimento de novos artistas no país.

Com 28 álbuns lançados, Alceu Valença surgiu para o grande público na apresentação ao vivo no 7º Festival Internacional da Canção – tido como o último dos grandes –, com Papagaio do Futuro.

Era 1972, o clima de ebulição dos episódios anteriores não era mais tolerado pela ditadura, a Globo cedia a todas as pressões e as caras começaram a mudar. Despontavam nomes como Belchior, Ednardo, Fagner, Walter Franco, Raul Seixas, Sérgio Sampaio. A fase nacional foi vencida por Fio Maravilha (de Jorge Ben, com Maria Alcina), e Diálogo, samba de Baden Powel e Paulo César Pinheiro.

Alceu não figurou entre os primeiros, mas levantou a plateia ao se apresentar na companhia de Geraldo Azevedo e Jackson do Pandeiro. “Estou montado no futuro indicativo/ Já não corro mais perigo/ Nada tenho a declarar/ Terno de vidro costurado a parafuso/ Papagaio do futuro/ Num para-raio ao luar.../ Eu fumo e tusso/ Fumaça de gasolina/ Olha que eu fumo e tusso/ É fumaça de gasolina.”

Nos anos 1980 emplacou um clássico que fez história, o disco Cavalo de Pau, e nos anos 1990 outro, O Grande Encontro, na companhia de Geraldo Azevedo, Zé Ramalho e Elba Ramalho.

Alceu é um entusiasta dos Pontos de Cultura, programa criado pelo Ministério da Cultura em 2005 que, por meio de convênios, fortalece iniciativas artísticas desenvolvidas pela sociedade civil nas comunidades. Atualmente, existem mais de 650 deles espalhados pelo país: “Esse projeto favorece realmente os mais carentes, mas a barreira ainda está na mídia, na imprensa. Precisamos aprofundar a discussão e a divulgação da cultura brasileira, que têm de ser em escala bem maior”, disse numa entrevista.

Em seu blog, o músico expressou assim a percepção de mudanças que vêm acontecendo no país: “Desde o início da minha carreira, botei o pé na estrada, me doía ver a miséria berrante da maior parte de nossa gente, quase sempre negros, caboclos, quase sempre nordestinos. Mês passado, ao viajar, em busca de locações para a Luneta do Tempo, pelo interior do agreste de Pernambuco (São Bento, Pesqueira, Alagoinha, Cimbres), me comovi vendo que os lugares por onde passei estão caminhando para um nível de vida mais digno. As cidades estão mais limpas, as casas bem pintadas, as praças ajardinadas, o povo mais feliz. Tenho consciência que precisamos avançar muito mais, sobretudo, na educação e na saúde. Cada vez mais acredito no Brasil e em nossa gente”.

E a esperança e a alegria que marcam sua poesia e sua música parecem continuar firmes na sua forma de pensar e ver o Brasil: “Demorou, mas chegou. Um novo tempo. Conseguimos resistir, por décadas, a toda sorte de colonialismo, intempéries sociais, econômicas e políticas. Saímos fortalecidos, mais maduros, sabendo, inclusive, que o processo está no início e que, portanto, precisamos continuar trilhando esse novo caminho. Não precisamos mais seguir a cartilha de ninguém. Agora negociamos com países africanos, árabes, europeus e asiáticos sem tutor e sem chancela de ninguém. Alegria, minha gente, alegria...”


Fonte: Rede Brasil Atual

sexta-feira, 30 de abril de 2010

Chico Buarque vota em Dilma, mas...




O cantor e compositor Chico Buarque de Holanda declarou seu voto na eleição presidencial deste ano. Deve apoiar Dilma Rousseff (PT). “Vou votar na Dilma porque é a candidata do Lula e eu gosto do Lula”. Em seguida, fez uma ressalva: “Mas, a Dilma ou o Serra, não haveria muita diferença”.

A declaração de Chico aparece na revista “Brazuka”, uma publicação mensal distribuída gratuitamente em Paris, ile-de-France e Bruxelas. O compositor respondia a uma pergunta sobre declaração polêmica no ano passado de Caetano Veloso criticando Lula. Eis a íntegra da pergunta e o que respondeu Chico:

Revista Brazuca: E o que você acha da entrevista recente do Caetano Veloso, onde ele falou mal do Lula e depois acabou sendo desautorizado pela própria mãe?

Chico Buarque: “Nossas mães são muito mais lulistas que nós mesmos. Mas não sou do PT, nunca fui ligado ao PT. Ligado de certa forma, sim, pois conheço o Lula mesmo antes de existir o PT, na época do movimento metalúrgico, das primeiras greves. Naquela época nós tínhamos uma participação política muito mais firme e necessária do que hoje. Eu confesso, vou votar na Dilma porque é a candidata do Lula e eu gosto do Lula. Mas, a Dilma ou o Serra, não haveria muita diferença”.

A revista também pergunta a Chico sobre o comportamento da mídia brasileira, se haveria tratamento adequado à administração federal do PT (“Você acha que a mídia ataca o Lula injustamente?”). E a resposta: “Nem sempre é injusto, não há uma caça às bruxas. Mas há uma má vontade com o governo Lula que não existia no governo anterior”.

Blog do Noblat

sábado, 12 de dezembro de 2009

Bibliotecas públicas e a voz da comunidade



Esses dias eu percebi que um hábito de consumo meu mudou muito desde que me mudei para Londres. Eu praticamente parei de comprar livros aqui. Neste ano, só comprei dois livros.

No entanto, 2009 foi um ano em que li vários livros - de clássicos a lançamentos recentes. O motivo disso são as excelentes bibliotecas públicas de Londres. É difícil achar defeitos nas bibliotecas daqui. Os catálogos são atualizadíssimos, quase sempre com várias cópias dos últimos lançamentos do mercado. Os prazos são flexíveis (três semanas por livro), com multas baixas e possibilidade de renovação pela internet.

Caso você não encontre um livro na sua biblioteca, mas que está disponível em outra do mesmo bairro, é possível encomendá-lo via internet para que ele seja retirado na biblioteca mais próxima da sua casa. Eu, que moro na fronteira de dois bairros de Londres - Lambeth e Southwark -, ainda tenho a vantagem de poder explorar os catálogos dos dois bairros.

Isso sem falar no vasto catálogo de CDs e DVDs, que são alugados a baixos preços. Isso explica porque há tão poucas locadoras de filmes em Londres. É impossível competir com a biblioteca pública.

Além disso, as bibliotecas se esforçam para unir pessoas de interesses comuns na comunidade. Há mais de um ano, minha esposa e eu estamos frequentando um grupo de leitores de quadrinhos. Nunca fui um grande fã das "graphic novels", mas confesso que graças ao grupo conheci vários quadrinhos com qualidade superior a de muitos livros da literatura clássica, como a série Love & Rockets, dos irmãos Hernandez.

Pois foi frequentando o grupo de quadrinhos que tive uma inusitada experiência de participação política nas decisões da comunidade daqui.

Há dois meses, os administradores das bibliotecas de Lambeth decidiram encerrar as atividades do grupo de quadrinhos do qual eu participo. Na visão deles, não havia necessidade de pagar hora extra para o funcionário que organizava os encontros. As reuniões acontecem uma vez por mês às 19h30, o único horário possível para quem trabalha durante o dia.

Nós não aceitamos uma possível troca de horário e o funcionário disse que, nesse caso, não havia nada que ele pudesse fazer para salvar o grupo, que teria de ser encerrado. Mas ele sugeriu que nós, os usuários do serviço, poderíamos enviar cartas e e-mails para protestar contra a decisão.

Depois de três e-mails enviados, a biblioteca recuou da decisão e optou por continuar com o encontro no horário marcado, arcando com os custos de se manter as reuniões naquele horário.

Ficamos contentes com a decisão, porque o grupo faz um trabalho de alta qualidade ao longo dos últimos quatro anos e com grande participação de pessoas da comunidade. Com ajuda de outros grupos de quadrinhos de Londres, já recebemos a visita de ilustradores famosos, como Kevin O'Neill, da Liga de Cavalheiros Extraordinários, e D'Israeli, de Scarlet Traces.

Fiquei pensando que algumas experiências da Grã-Bretanha eu gostaria muito de poder exportar para o Brasil. Uma delas é o acesso gratuito ou com baixo preço a livros, discos e filmes para todos - tudo com dinheiro público. A outra é a de ter a minha voz ouvida nas decisões da comunidade, por menores e mais irrelevantes que elas possam parecer para os demais.

Daniel Gallas
BBC Brasil

sábado, 7 de novembro de 2009

"Calúnia"

“Quiseste ofuscar minha fama
E até jogar-me na lama
Só porque eu vivo a brilhar
Sim, mostraste ser invejoso
Viraste até mentiroso
Só para caluniar
Deixe a calúnia de lado
Se de fato és poeta
Deixe a calúnia de lado
Que ela a mim não afeta
Se me ofendes, tu serás ofendido
Pois quem com ferro fere
Com ferro será ferido
Quiseste ofuscar minha fama
E até jogar-me na lama
Só porque vivo a brilhar”

de Caetano Veloso

Blog do Josias de Souza
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