Para quem quiser saber como começa meu próximo romance, ainda em fase de acabamento, vai aqui o primeiro capitulinho, publicado no novo número do jornal Cândido, da BPP do Paraná. Mas quem não quiser ler, não deixe de abrir só pra ver a lindíssima ilustração da Carolina Vigna!
Maria Valéria Rezende
Outros cantos
Capítulo 1
“Não eram muitos os que passavam dos trinta/ A velhice era privilégio das pedras e das árvores/ A infância durava tanto quanto a dos filhotes dos lobos// (...)// De todo modo, não contavam os anos/ Contavam as redes, os tachos, os ranchos, os machados / O tempo, tão generoso para qualquer estrela no céu / estendia-lhes a mão quase vazia/ e a retirava rápido, como se tivesse pena (...)//O bem e o mal/ deles sabiam pouco, porém tudo/ quando o mal triunfa, o bem se esconde/ quando o bem aparece, o mal fica de tocaia (...)/ Por isso, se há alegria é com um misto de aflição/ se há desespero, nunca é sem um fio de esperança/ A vida, mesmo se longa, sempre será curta/ Curta demais para se acrescentar algo.” Wislawa Szymborska
Eu fazia trinta anos no dia em que me meti pela primeira vez no sertão. Ainda não se havia espalhado por toda a terra a ilusão de poder-se fraudar o tempo e afastar indefinidamente o envelhecimento e a morte com técnicas cirúrgicas e calistênicas, fórmulas químicas, discursos Carolina Vignade auto-persuasão, mantras, injeções, lágrimas e incenso.