sábado, 19 de junho de 2010

Patos, PB. : Eleitor é presa fácil da compra de votos


Em apenas 28 dias de investigação na região de Patos, a Polícia Federal instaura 52 inquéritos por crime eleitoral

Suetoni Souto Maior


Cinquenta e dois inquéritos motivados por crimes eleitorais relatados em apenas 28 dias e uma constatação: infelizmente, o eleitorado paraibano, com algumas ressalvas, é facilmente corrompido. Essa foi a observação feita ontem pelo delegado da Polícia Federal, Derly Brasileiro, ao retornar de uma peregrinação pelos 35 municípios polarizados pela delegacia de Patos, no Sertão do estado.

Durante esse período, o delegado percorreu cidades, vilarejos e sítios onde vivem corruptores e pessoas corrompidas no processo eleitoral de 2008 e até de 2006. As investigações de compra de votos, segundo o delegado, representam algo em torno de 85% do total dos casos investigados pela PF a pedido da Justiça Eleitoral. E o pior: dos 54 inquéritos abertos, havia indícios fortes de crime em 52.

Além da compra de votos, Brasileiro constatou crimes como transferência irregular de domicílio, descumprimento de ordem judicial, não fornecimento de carros para juízes no dia da eleição e até falso testemunho. Esse último caso foi praticado por uma advogada, que não teve o nome revelado. Ela entrou com ação contra um adversário, mas ficou a má-fé nas informações prestadas à Justiça Eleitoral.

A lista de indiciados na delegacia de Patos ainda inclui um prefeito e uma vice-prefeita, que tiveram as identidades preservadas. Houve também o caso de um candidato a vereador que aceitou uma quantia em dinheiro para abrir mão da disputa em nome de outro postulante. Como os dois não confiavam um no outro, eles deixaram o dinheiro nas mãos de um terceiro. O corrompido recebeu a quantia, mas denunciou o corruptor após a eleição. Os dois, lógico, foram indiciados.

Houve também o caso de uma líder comunitária que aceitou a promessa de um pagamento de R$ 800 para que ela votasse e, de quebra, conseguisse mais alguns sufrágios para uma candidata. Ela recebeu R$ 400 na hora e usou o dinheiro para pagar o velório da mãe falecida. O problema é que depois da eleição ela não recebeu a outra parcela combinada. Irritada, procurou a PF. Questionada por Derly se ela denunciara mesmo recebendo o pagamento integral, a líder comunitária foi enfática: "lógico que não".

De acordo com a legislação eleitoral, a pena para os envolvidos na compra de voto pode chegar a quatro anos de prisão, tanto para o corruptor, quanto para o corrompido, além de multa. O agravante para o político que compra voto é que ele corre o risco de perder o mandato e ainda se tornar inelegível.

O NORTE

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