Eugênio Aragão, ex-ministro da Justiça
Segunda feira estive no Rio de Janeiro para um debate sobre a intervenção militar. Entre os debatedores estava Buba, moradora de Acari e ativista comunitária. Seu relato sobre a situação dos moradores de favelas e da periferia me deixou sem palavras. Não tinha nada a dizer diante do descalabro do drama vivido por essa enorme maioria de brasileiras e brasileiros, espremidos entre as balas da polícia-bandida e do tráfico opressor.
Buba vive perto de um beco que exala fedor de sangue coagulado, suor e fezes. Lá é frequente serem “desovados” cadáveres de moradores sumariamente executados pela criminosa repressão e pela repressão dos criminosos. A morte a tiros ali é rotina e, como disse Buba, não sabem os moradores diferenciar entre o que é uma ditadura e a tal “democracia” por que clama a burguesia da Zona Sul, ávida por consumir e viajar a Miami e Europa. Em Acari não há democracia e nunca houve, seja com Lula, com Dilma ou com os golpistas de hoje.
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sexta-feira, 16 de março de 2018
quarta-feira, 28 de fevereiro de 2018
quinta-feira, 28 de dezembro de 2017
Na periferia, o Estado é de Exceção!
Max Maciel
“Polícia invade seu barraco sem mandado, xinga sua esposa, quebra tudo e depois sai vazado....”
O trecho logo acima é da música Ceilândia Resistência, do rapper Brasiliense Japão (Viela 17). A frase narra um pouco sobre sua realidade e o que ocorreu com ele. A polícia invade, causa o terror na família e, depois, simplesmente diz que foi “engano”. Sem saber a quem recorrer, só lhe resta recolher a bagunça, arrumar. E a vida segue.
Na mesma rua, anos depois, a polícia invade uma casa, pega o jovem suspeito e leva para a DP, também sem mandado. Ao falar sobre, não é difícil aparecer jovens relatando que foram detidos sem sequer cometerem algo. Alguns ficam 6 meses, na legal afirmação de prisão temporária. Saem quando a Justiça percebe que o engano ou mesmo que eles não tiveram participação no crime em questão. Mas aí fica a mancha que nem sempre sai rápido. Ex-presidiário. A tal condução coercitiva é prática corriqueira nas periferias brasileiras.
“Polícia invade seu barraco sem mandado, xinga sua esposa, quebra tudo e depois sai vazado....”
O trecho logo acima é da música Ceilândia Resistência, do rapper Brasiliense Japão (Viela 17). A frase narra um pouco sobre sua realidade e o que ocorreu com ele. A polícia invade, causa o terror na família e, depois, simplesmente diz que foi “engano”. Sem saber a quem recorrer, só lhe resta recolher a bagunça, arrumar. E a vida segue.
Na mesma rua, anos depois, a polícia invade uma casa, pega o jovem suspeito e leva para a DP, também sem mandado. Ao falar sobre, não é difícil aparecer jovens relatando que foram detidos sem sequer cometerem algo. Alguns ficam 6 meses, na legal afirmação de prisão temporária. Saem quando a Justiça percebe que o engano ou mesmo que eles não tiveram participação no crime em questão. Mas aí fica a mancha que nem sempre sai rápido. Ex-presidiário. A tal condução coercitiva é prática corriqueira nas periferias brasileiras.
quinta-feira, 4 de maio de 2017
A periferia e o PT | José de Souza Martins
A Fundação Perseu Abramo, instituição de estudos do Partido dos Trabalhadores, acaba de divulgar os resultados de uma pesquisa qualitativa sobre as mudanças de mentalidade social e política na periferia de São Paulo que levaram à decadência da mítica do partido e à sua derrota nas últimas eleições.
A pesquisa reflete o binarismo ideológico do PT e, no geral, do impolítico partidarismo brasileiro. Basicamente, a análise propõe que, no apogeu do petismo, a população da periferia era orientada por horizontes "associativistas e comunitaristas". Com a expansão e o avanço do ciclo econômico, "novos valores (...) foram gestados entre as camadas populares, que passaram a se identificar mais com a ideologia liberal que sobrevaloriza o mercado".
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Os valores da nova classe trabalhadora
Marcio Pochmann
A emergência de uma nova classe trabalhadora é permeada por especificidades nem sempre bem observadas, como revela a mais recente pesquisa da Fundação Perseu Abramo sobre a periferia de São Paulo.
No passado, a formação da classe trabalhadora industrial brasileira também havia sido demarcada por singularidades, sobretudo se comparada à europeia. Em geral, a transição da servidão para a condição de operário industrial significou regressão social, acompanhada de estranhamento e polarização, com revoltas e a construção do novo sindicalismo europeu.
A emergência de uma nova classe trabalhadora é permeada por especificidades nem sempre bem observadas, como revela a mais recente pesquisa da Fundação Perseu Abramo sobre a periferia de São Paulo.
No passado, a formação da classe trabalhadora industrial brasileira também havia sido demarcada por singularidades, sobretudo se comparada à europeia. Em geral, a transição da servidão para a condição de operário industrial significou regressão social, acompanhada de estranhamento e polarização, com revoltas e a construção do novo sindicalismo europeu.
terça-feira, 25 de abril de 2017
O Estado inimigo do povo
Marta: população vê o Estado como inimigo do povo
A senadora Marta Suplicy (PMDB-SP), am artigo publicado nesta segunda-feira, destacou os resultados da pesquisa da Fundação Perseu Abramo com moradores da periferia de São Paulo, a peemedebista escreveu sobre a necessidade de interpretar com atenção as conclusões do levantamento; "Desemprego? Corrupção? Nada disso. O principal inimigo do povo, sabe-se agora, é o Estado: exige muito, na forma de impostos, e faz pouco pela sociedade que deveria servir e proteger. Num país de desigualdades gritantes, de injustiças múltiplas, o fato de o Estado se apoderar do papel de vilão nacional é um feito notável"
A senadora Marta Suplicy (PMDB-SP), am artigo publicado nesta segunda-feira, destacou os resultados da pesquisa da Fundação Perseu Abramo com moradores da periferia de São Paulo, a peemedebista escreveu sobre a necessidade de interpretar com atenção as conclusões do levantamento; "Desemprego? Corrupção? Nada disso. O principal inimigo do povo, sabe-se agora, é o Estado: exige muito, na forma de impostos, e faz pouco pela sociedade que deveria servir e proteger. Num país de desigualdades gritantes, de injustiças múltiplas, o fato de o Estado se apoderar do papel de vilão nacional é um feito notável"
quinta-feira, 13 de abril de 2017
A periferia não binária
Ivana Bentes
Pesquisa da Fundação Perseu Abramo revela como o imaginário da periferia explode as bolhas e não cabe no ideário liberal nem no esquerdista
O MBL foi o primeiro a comemorar: “Pesquisa do PT mostra que periferia é de direita”, seguido por páginas, sites e comentaristas das mídias conservadoras que usaram a pesquisa da Fundação Perseu Abramo, “Percepções e valores políticos nas periferias de São Paulo”, para reforçar “o que já sabiam”: que a derrota do PT na prefeitura de São Paulo e o impeachment seriam a expressão de uma “periferia liberal” que emergiu nos últimos anos e que só o PT ainda não tinha se dado conta dessas mudanças.
Pesquisa da Fundação Perseu Abramo revela como o imaginário da periferia explode as bolhas e não cabe no ideário liberal nem no esquerdista
O MBL foi o primeiro a comemorar: “Pesquisa do PT mostra que periferia é de direita”, seguido por páginas, sites e comentaristas das mídias conservadoras que usaram a pesquisa da Fundação Perseu Abramo, “Percepções e valores políticos nas periferias de São Paulo”, para reforçar “o que já sabiam”: que a derrota do PT na prefeitura de São Paulo e o impeachment seriam a expressão de uma “periferia liberal” que emergiu nos últimos anos e que só o PT ainda não tinha se dado conta dessas mudanças.
quinta-feira, 26 de janeiro de 2017
Evangélicos: Teologia da prosperidade ou do acolhimento ?
"Quando ele entra na comunidade e é acolhido como um ser humano, é chamado pelo nome, recebe palavras que o dignificam e deixa de ser um sujeito perdido na cidade para ser um potencial de Deus, isso recupera a dignidade dele."
A ascensão do protestantismo no Brasil é um fenômeno eminentemente urbano. O crescimento se explica, em grande medida, pelo acolhimento que a igreja consegue dar à base da pirâmide social: os não-brancos, as mulheres, os pobres. Trabalho que a esquerda brasileira deixou de lado desde que alcançou o executivo, se afastando das periferias e deixando espaço para um projeto de direita conservador e moralista.
sexta-feira, 6 de janeiro de 2017
Pastor Ariovaldo: ‘Os evangélicos descobriram o que Lula não conseguiu: para vencer é preciso Mídia’
Ninja
A ascensão do protestantismo no Brasil é um fenômeno eminentemente urbano. O crescimento se explica, em grande medida, pelo acolhimento que a igreja consegue dar à base da pirâmide social: os não-brancos, as mulheres, os pobres. Trabalho que a esquerda brasileira deixou de lado desde que alcançou o executivo, se afastando das periferias e deixando espaço para um projeto de direita conservador e moralista.
A ascensão do protestantismo no Brasil é um fenômeno eminentemente urbano. O crescimento se explica, em grande medida, pelo acolhimento que a igreja consegue dar à base da pirâmide social: os não-brancos, as mulheres, os pobres. Trabalho que a esquerda brasileira deixou de lado desde que alcançou o executivo, se afastando das periferias e deixando espaço para um projeto de direita conservador e moralista.
domingo, 31 de julho de 2016
Por que milhões ficam em casa ao invés de sairem às ruas em defesa da democracia no Brasil?
Bajonas Teixeira de Brito Junior
A democracia no Brasil é o período em que a violência policial se abate apenas sobre os pobres e os negros de forma inclemente, resguardando a classe média. Já as ditaduras são aqueles momentos em que a classe média vê suspensas as prerrogativas e privilégios que a resguardam da violência policial (e também judicial) exercida diariamente nas periferias. Assim, é claro, que por mais ‘democrático’ que seja o período que o país atravessa, para os pobres é sempre ditadura.
A democracia no Brasil é o período em que a violência policial se abate apenas sobre os pobres e os negros de forma inclemente, resguardando a classe média. Já as ditaduras são aqueles momentos em que a classe média vê suspensas as prerrogativas e privilégios que a resguardam da violência policial (e também judicial) exercida diariamente nas periferias. Assim, é claro, que por mais ‘democrático’ que seja o período que o país atravessa, para os pobres é sempre ditadura.
sexta-feira, 29 de abril de 2016
Periferia foge da polarização
Opiniões da periferia são mais complexas do que as de manifestantes contra ou a favor do impeachment
Marina Rossi
A quilômetros de distância da avenida Paulista e do vale do Anhangabaú, onde ocorrem as manifestações pelo impeachment ou em defesa da permanência de Dilma Rousseff no Governo, os moradores da periferia de São Paulo têm opiniões que fogem da lógica binária do a favor ou contra a destituição do Governo.
A polarização se dissolve ao longo dos quilômetros que separam bairros como o Grajaú, no extremo sul, ou Guaianases, na zona leste, do centro de São Paulo. Ali, moradores ouvidos por EL PAÍS mostraram que têm opiniões mais complexas. “Sou a favor do impeachment de Dilma”, disse o motorista de ônibus João da Silva, 40, no Grajaú. “Mas se Lula voltar em 2018, eu voto nele”.
terça-feira, 12 de abril de 2016
“Periferias Contra o Golpe”
Manifesto
“Periferias, vielas, cortiços… Você deve estar pensando o que você tem a ver com isso”
Nós, moradoras e moradoras das periferias, que nunca dormimos enquanto o gigante acordava, estamos aqui pra mandar um salve bem sonoro aos fascistas: somos contra mais um golpe que está em curso e que nos atinge diretamente!
Nós, que não defendemos e continuamos apontando as contradições do governo petista, que atendeu poucas das nossas demandas reais enquanto se aliou com quem nos explora. Nós, que também nos negamos a caminhar lado a lado de quem representa a Casa Grande.
quarta-feira, 2 de setembro de 2015
Pobre, negro e morador da periferia é quem vai preso, afirma socióloga
Por Leslie Chaves
A combinação entre uma legislação que agrava penas e contribui para a superlotação dos presídios e a morosidade judicial que obstrui o fluxo de entrada e saída de encarcerados dos presídios é o principal fator que gera e sustenta a situação caótica do sistema prisional brasileiro. A análise é da socióloga Julita Lemgruber, que desde os anos 1980 estuda o tema e afirma que esse cenário se mantém inalterado ao longo de décadas. De acordo com a pesquisadora, os principais punidos por esta estrutura são os que estão na base da pirâmide social do país. “Aqui quem acaba sendo penalizado com a pena de prisão, com raríssimas exceções, são os pobres, os negros, aqueles que moram nas periferias, enfim, quem não tem voz nem poder nessa sociedade”, aponta.
terça-feira, 21 de julho de 2015
Disputa política nas periferias passa cada vez mais longe da polarização esquerda versus direita, diz pesquisador da USP
Marina Amaral
Gabriel Feltran, professor do Centro de Estudos da Metrópole da USP, comenta novos atores políticos nas comunidades periféricas: 'metáfora da guerra parece fazer mais sentido para pensar a política hoje do que a metáfora da democracia'
O jovem brasileiro da periferia passa cada vez mais longe da polarização esquerda versus direita, explica o professor Gabriel Feltran, do Centro de Estudos da Metrópole da USP.
quarta-feira, 25 de março de 2015
A intervenção militar já chegou à periferia
Qualquer ataque à democracia atinge brutalmente os mais pobres. Mas é hipócrita falar em liberdades civis esquecendo que para dezenas de milhões elas já não existem
Por Joselicio Junior
Invasão de casa sem mandado de segurança. Atira para depois saber se tem culpa ou não. Utilização do kit flagrante com arma raspada e drogas ilícitas para alterar a cena do crime. Certeza de impunidade com o uso do autos de resistência para justificar execuções alegando confrontos que não existiram. Formação de grupos de extermínio para proteger os comerciantes locais sem comprometer os acordos com o tráfico. Dura repressão aos populares que se rebelam indignados com as injustiças cometidas pela policia.
terça-feira, 16 de dezembro de 2014
sexta-feira, 31 de outubro de 2014
Trabalhadores que votam na direita
Periferia, cansada do mais do mesmo, quer mudança
Para refletir . Belo texto , talvez o mais elucidativo sobre por quais caminhos foram as classes trabalhadoras nesta eleição ! Um refresco no Fac!
Essa é a foto do boletim da seção eleitoral em que fui mesária. Ela não fica nos Jardins, nas Perdizes, no Morumbi... fica na Brasilândia, periferia, CHEIA de nordestinos, reduto histórico do PT, onde pululavam CEB's, região lembrada por virar grandes eleições para o PT, como a da Erundina para a prefeitura de São Paulo.
Para refletir . Belo texto , talvez o mais elucidativo sobre por quais caminhos foram as classes trabalhadoras nesta eleição ! Um refresco no Fac!
Essa é a foto do boletim da seção eleitoral em que fui mesária. Ela não fica nos Jardins, nas Perdizes, no Morumbi... fica na Brasilândia, periferia, CHEIA de nordestinos, reduto histórico do PT, onde pululavam CEB's, região lembrada por virar grandes eleições para o PT, como a da Erundina para a prefeitura de São Paulo.
segunda-feira, 28 de julho de 2014
Letras periféricas. Nossa história 'nóis escreve'
Literatura produzida na periferia de São Paulo cresce em leitores e autores, recebe destaque no exterior e é convidada de honra na Feira de Buenos Aires
Lívia Lima
“Ver tanta gente saindo ao mesmo tempo do Brasil é muito inédito” Alessandro Buzo (Arthur Rampazzo Roessle)
“Nóis é ponte e atravessa qualquer rio.” O verso do poeta Marco Pezão, do Sarau A Pleno Pulmões, já se tornou um dos lemas dos participantes dos mais de 50 saraus que acontecem atualmente na cidade de São Paulo. A atividade surgiu como alternativa à ausência de espaços e ações culturais na periferia, se tornou movimento de grande proporção. Sua produção literária tem sido lida e estudada dentro e fora do país, atravessando pontes e derrubando preconceitos.
quarta-feira, 28 de maio de 2014
"Eu sei como pisar no coração de uma mulher, já fui mulher, eu sei"; Mulheres da Periferia, por elas mesmas
Surge coletivo disposto a expressar o que é ser mulher nas bordas das metrópoles — longe dos preconceitos da mídia e produzindo jornalismo crítico e de profundidade
Andressa Pellanda
“Somos a irmã que cuida dos irmãos mais novos até a mãe voltar do serviço e que lava a louça do almoço enquanto o irmão vai jogar bola. Somos aquelas que amam os filhos das patroas. Somos as ‘mãezinhas’ que gritam nos corredores das maternidades. Somos quem chora quando nossos filhos são mortos por serem suspeitos. Somos mães de abril, maio, de junho, setembro. Somos as mães que trabalham para as filhas estudarem. Somos as filhas que se formam na universidade para as mães voltarem para a escola.
quinta-feira, 6 de março de 2014
Na periferia falta vaga
Na zona sul de São Paulo, movimentos sociais e moradores lutam juntos pela garantia de direitos básicos, contra a desigualdade e o déficit habitacional.
Carolina Piai, Thiago Gabriel e Victor Santos
Como dizia Sabotage, em trecho do aclamado álbum Rap é Compromisso! de 2000, na Zona Sul o cotidiano é difícil. Essa realidade cantada pelo rapper é evidente ainda hoje na região, que sofre com a falta de serviços públicos acessíveis, a precariedade habitacional, o desemprego e o abandono das promessas de campanha de diferentes administrações tanto municipais quanto estaduais. Como na época de Sabotage, na periferia falta vaga.
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