"Para a ideologia dominante de hoje, a dominação colonial e o banho de sangue da guerra mundial são sinônimos de normalidade, ou mesmo de sanidade psicológica, enquanto que a Revolução de Outubro – oposta a tudo isso – representa uma epidemia, a disseminação da loucura."
Por Domenico Losurdo.
“Duas epidemias assolaram o mundo em 1918. Uma foi a influenza espanhola […] A outra epidemia foi o bolchevismo, que por determinado período pareceu quase tão contagioso quanto e no final das contas se provou tão letal quanto a influenza.”
(Niall Ferguson, The War of the World, pp. 115-5).
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segunda-feira, 21 de agosto de 2017
sábado, 19 de agosto de 2017
Bensaïd: As questões de Outubro
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| Complô, prematura,burocracia |
Por Daniel Bensaïd.
Antes mesmo de entrar na massa dos novos documentos acessíveis pela abertura dos arquivos soviéticos (que permitirão, indubitavelmente, novas luzes e uma renovação das controvérsias), as discussão vem tropeçar no pensamento pronto da ideologia dominante, bem ilustrada pela recente homenagem necrológica consensual à François Furet. Nesses tempos de contra-reforma e de reação, não surpreende que os nomes de Lênin e Trótski se tornem tão impronunciáveis quanto foram aqueles de Robespierre e Saint Just sob a Restauração.
quinta-feira, 10 de agosto de 2017
Michael Löwy: O significado histórico de Outubro de 1917
A Revolução Russa abriu um horizonte emancipatório que não foi eclipsado, apesar das traições, das decepções e, por fim, da brutal restauração capitalista que a sucedeu.
Por Michael Löwy.
“Semelhante fenômeno não mais se esquece na história da humanidade. […] Ainda que a revolução viesse por fim a fracassar […] aquela predição filosófica nada perde, apesar de tudo, da sua força. De fato, tal acontecimento é demasiado grande, demasiado entretecido com o interesse da humanidade e, segundo a sua influência, demasiado propalado no mundo em todas as suas partes para, entre os povos, não ter de ser despertado na memória e na repetição de novos intentos desta índole, em qualquer ocasião de circunstâncias favoráveis.”
Por Michael Löwy.
“Semelhante fenômeno não mais se esquece na história da humanidade. […] Ainda que a revolução viesse por fim a fracassar […] aquela predição filosófica nada perde, apesar de tudo, da sua força. De fato, tal acontecimento é demasiado grande, demasiado entretecido com o interesse da humanidade e, segundo a sua influência, demasiado propalado no mundo em todas as suas partes para, entre os povos, não ter de ser despertado na memória e na repetição de novos intentos desta índole, em qualquer ocasião de circunstâncias favoráveis.”
segunda-feira, 31 de julho de 2017
Sobre a Revolução Russa de Outubro de 1917
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| o capitalismo para sempre será algo do passado |
Eu gostaria de enfatizar um ponto que parece ter sido esquecido hoje em dia, depois do aparente triunfo do capitalismo em escala global: A Revolução Russa de 1917 foi evento sem precedentes na história da espécie humana.
Neste caso, vale a pena lembrarmos que a história da humanidade é relativamente curta, levando tudo em consideração. Ela soma por volta de 200,000 anos, o que não é muito se compararmos com os milhões de anos em que os dinossauros dominavam o planeta. Podemos sustentar que, nesta breve sequência, tivemos basicamente apenas uma fundamental “Revolução”: a revolução Neolítica. Essa revolução traduziu-se em ferramentas mais efetivas, estabelecimento da agricultura, uma noção estabelecida de propriedade de terras, objetos de cerâmica, a possibilidade de excesso de alimento que permitiu a existência um classe dominante ociosa, resultando na criação de um estado, da escrita, do dinheiro, de taxas, do aperfeiçoamento (graças ao bronze) de equipamentos militares, comércio a longa distância… Tudo isto, datando apenas alguns milênios atrás e ainda estamos no mesmo lugar.
sábado, 17 de junho de 2017
100 anos da Greve Geral de 1917: marco na história da classe operária
Mary Del Priore
Julho de 1917 representa um marco na história da classe operária brasileira. Em protesto contra os baixos salários, insuficientes para alimentar as famílias; contra as longas jornadas de trabalho impostas a homens, mulheres e crianças, que chegavam a lidar 14 horas diárias; ambientes insalubres e jornadas noturnas para mulheres e crianças, os operários têxteis iniciaram uma greve.
terça-feira, 21 de fevereiro de 2017
A audácia fez de 1917 um evento na história da humanidade
Estátua de Lênin na cidade de Krasnoyarsk, na Sibéria
Em fevereiro, 150 milhões de almas seguiam cegamente o autocrata. O czar governava com o apoio do Parlamento, da Igreja, do Exército, da Universidade, da Imprensa e de todas as cabeças bem pensantes, ou apenas razoáveis. Veio o Dia das Mulheres, em fevereiro.
Em cinco dias de protestos, Nicolau 2º virou pó. Veio abaixo o império, enraizado na tundra milenar da ignorância e da brutalidade.
domingo, 5 de fevereiro de 2017
Boaventura: Revolução Russa, ano 100
Boaventura de Sousa Santos
Aventura soviética teve limites, contradições e misérias, mas ao menos um enorme mérito. Ela demonstrou que havia alternativa ao capitalismo e o obrigou a recuar
Assinalam-se este ano os 100 anos da Revolução Russa (RR)1 e também os 150 anos da publicação do primeiro volume de Das Kapital de Karl Marx. Juntar as duas efemérides pode parecer estranho porque Marx nunca escreveu em detalhe sobre a revolução e a sociedade comunista e, se tivesse escrito, é inimaginável que o que escrevesse tivesse alguma semelhança com o que foi a União Soviética (URSS), sobretudo depois que Stalin assumiu a liderança do partido e do Estado. A verdade é que muitos dos debates que a obra de Marx suscitou durante o século XX, fora da URSS, foram um modo indireto de discutir os méritos e os deméritos da RR.
Aventura soviética teve limites, contradições e misérias, mas ao menos um enorme mérito. Ela demonstrou que havia alternativa ao capitalismo e o obrigou a recuar
Assinalam-se este ano os 100 anos da Revolução Russa (RR)1 e também os 150 anos da publicação do primeiro volume de Das Kapital de Karl Marx. Juntar as duas efemérides pode parecer estranho porque Marx nunca escreveu em detalhe sobre a revolução e a sociedade comunista e, se tivesse escrito, é inimaginável que o que escrevesse tivesse alguma semelhança com o que foi a União Soviética (URSS), sobretudo depois que Stalin assumiu a liderança do partido e do Estado. A verdade é que muitos dos debates que a obra de Marx suscitou durante o século XX, fora da URSS, foram um modo indireto de discutir os méritos e os deméritos da RR.
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