quarta-feira, 10 de abril de 2013

Modernização conservadora: cortar árvores



Porto Alegre: modernização conservadora

O episódio ocorrido na capital gaúcha, nos surpreendendo em amanhecer ainda recente pelos cortes de árvores na região da Usina do Gasômetro, causando protestos populares, é revelador da tentativa de retomada de uma visão que parecia superada em nossa cidade, que é a subordinação das pessoas, das praças, dos parques e a arborização aos viadutos, ao asfalto e aos veículos automotores.

Desde meados dos anos 70, quando começaram fortes manifestações em defesa das questões ambientais em Porto Alegre, este tema parecia estar resolvido. O que nos levou a sermos conhecidos como a capital mais verde do Brasil. Com uma paisagem fortemente diversificada, compostas de várias espécies nativas, contando também com a presença de espécies exóticas, isto fica muito evidente quando debruçamos até um breve olhar sobre as ruas, praças e parques de nossa cidade.

Cortar espécies de árvores consideradas na bibliografia especializada, das mais utilizadas para o paisagismo urbano na região sul da América Latina é revelador de uma opção: fazer um discurso e na prática operar outra política. Ou seja “nós queremos uma cidade para as pessoas”, mas objetivamente fazem a opção pelos automóveis, pelo asfalto e pelos viadutos. Aquilo que Peñalosa critica de “direito de ir e vir das máquinas e não das pessoas”.

Avaliamos uma administração pública, não somente pelo seu discurso, mas pela sua prática quando está na gestão. E é ai que vemos quando você se rende ao modelo tradicional de cidade, deixando de concebê-la através de seus espaços de sociabilidade e sustentabilidade.

É certo que nos dias atuais a potencialidade humana se desenvolve na medida em que conseguimos sistemas de gestão abertos, transparentes e democráticos de cidades. E para que voltemos ao nosso pioneirismo nas questões socioambientais, é indispensável que tenhamos uma política de sustentabilidade, que possa dar exemplo de como viver melhor nas cidades no século XXI.

É momento de dizer não, tanto ao retrocesso, quanto a uma modernização conservadora, é chegada a hora mais uma vez, de mostrarmos ao Brasil e ao mundo que sabemos inovar na questão da sustentabilidade e nos preparamos para um mundo melhor e uma cidade verdadeiramente para as pessoas.

Sul 21 


Nenhum comentário:

Postar um comentário

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...