Michel Foucault
"Para que o xá se vá, estamos prontos para morrer aos milhares", diziam os iranianos no verão passado. E o aiatolá, recentemente: "Que o Irã sangre, para que a revolução se fortaleça."
Estranho eco entre essas frases que parecem se encadear. O horror da segunda condena a embriaguez da primeira?
As insurreições pertencem à história. Mas, de certa forma, lhe escapam. O movimento com que um só homem, um grupo, uma minoria ou todo um povo diz: "Não obedeço mais”, e joga na cara de um poder que ele considera injusto o risco de sua vida - esse movimento me parece irredutível.
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sexta-feira, 23 de dezembro de 2016
segunda-feira, 18 de julho de 2016
Safatle: Quando as ruas queimam: sobre a constituição de sujeitos políticos
Vladimir Safatle
Em Brasília, manifestantes ocupam a cúpula e o gramado do Congresso Nacional durante as manifestações de junho de 2013
Haveria de chegar um tempo no qual as ruas começariam a queimar. Desde 2008, elas queimam nos mais variados lugares. Em Túnis, em São Paulo, no Cairo, em Istambul, no Rio de Janeiro, em Madri, em Nova York, em Santiago, em Brasília. Elas ainda queimarão em muitos outros e imprevistos lugares, recolocando o que é separado pelo espaço em uma série convergente no tempo. Por mais que alguns procurem se convencer do contrário, por mais que agora o fogo pareça ter se retraído, as ruas não pararam de queimar desde então, elas só deslocaram suas intensidades. É importante lembrar disso, pois há algo que pode existir apenas quando as chamas explodem em uma coreografia incontrolada de intensidades variáveis. Por isso, diante de ruas queimando não há de se correr, não há de se gritar, há apenas de se perguntar: o que fala o fogo? O que se diz apenas sob a forma do fogo?
Em Brasília, manifestantes ocupam a cúpula e o gramado do Congresso Nacional durante as manifestações de junho de 2013
Haveria de chegar um tempo no qual as ruas começariam a queimar. Desde 2008, elas queimam nos mais variados lugares. Em Túnis, em São Paulo, no Cairo, em Istambul, no Rio de Janeiro, em Madri, em Nova York, em Santiago, em Brasília. Elas ainda queimarão em muitos outros e imprevistos lugares, recolocando o que é separado pelo espaço em uma série convergente no tempo. Por mais que alguns procurem se convencer do contrário, por mais que agora o fogo pareça ter se retraído, as ruas não pararam de queimar desde então, elas só deslocaram suas intensidades. É importante lembrar disso, pois há algo que pode existir apenas quando as chamas explodem em uma coreografia incontrolada de intensidades variáveis. Por isso, diante de ruas queimando não há de se correr, não há de se gritar, há apenas de se perguntar: o que fala o fogo? O que se diz apenas sob a forma do fogo?
quinta-feira, 27 de março de 2014
Comuna de Paris: outra democracia é possível?
Antoni Aguiló
Há 143 anos, começava insurreição que estabeleceu formas inéditas de autonomia popular. Quais foram e como podem inspirar movimentos contemporâneos
Acaba de completar 143 anos (em 26 de março) a proclamação da Comuna de Paris, uma das experiências de democracia popular participativa mais iluminadoras da história contemporânea do Ocidente, mas também, e ao mesmo tempo, uma das mais trágicas que já se conheceu.
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