Eliane Brum
Como a Lava Jato reforça no país uma ideia perigosa: a de que prisão é justiça
A Operação Lava Jato, mesmo com todas as falhas e abusos cometidos, assim como a vaidade descontrolada de parte de seus protagonistas, presta um grande serviço ao Brasil ao revelar a relação de corrupção entre o público e o privado. Uma relação que atravessa vários governos e vários partidos e vários políticos de vários partidos. E a Operação Lava Jato presta também um grande desserviço ao Brasil ao reforçar uma das idéias mais perigosas, entranhadas no senso comum dos brasileiros, e realizada no concreto da vida do país: a de que prisão é sinônimo de justiça. Num país em que o encarceramento dos pobres e dos negros tornou-se uma política de Estado não escrita – e, paradoxalmente, acentuou-se nos governos democráticos que vieram depois da ditadura civil-militar (1964-1985), reforçar essa ideologia não é um detalhe. Tampouco um efeito colateral. É uma construção de futuro.
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sexta-feira, 8 de setembro de 2017
quinta-feira, 12 de janeiro de 2017
Por que o governo gasta tanto dinheiro mantendo presos que não contribuem com a sociedade?
Ivan Marques
“Um dos grandes avanços da civilização humana foi a troca do direito de vingança pessoal - olho por olho, dente por dente, onde só o mais forte consegue impor consequência pelo dano sofrido - pelo monopólio da força pelo Estado, que é uma instituição movida pela promoção da justiça e da racionalidade. Isso significa que o valor do preso no Brasil – ou em qualquer lugar do mundo - não deve ser medido por quanto ele custa ao Estado, mas pela capacidade do Estado promover justiça, tanto em relação aos criminosos quanto às vítimas.
“Um dos grandes avanços da civilização humana foi a troca do direito de vingança pessoal - olho por olho, dente por dente, onde só o mais forte consegue impor consequência pelo dano sofrido - pelo monopólio da força pelo Estado, que é uma instituição movida pela promoção da justiça e da racionalidade. Isso significa que o valor do preso no Brasil – ou em qualquer lugar do mundo - não deve ser medido por quanto ele custa ao Estado, mas pela capacidade do Estado promover justiça, tanto em relação aos criminosos quanto às vítimas.
segunda-feira, 29 de agosto de 2016
segunda-feira, 27 de julho de 2015
A função transformadora do ódio
Christian Ingo Lenz Dunker –
Afeto nos convida à separação e ao ajuste de contas – mas que não se confunda com a utilização da justiça como pretexto para praticar a vingança
O antigo filósofo estoico chamado Sêneca dizia que a cólera é o afeto dos impotentes, ou seja, daqueles que acham que têm mais poder do que de fato têm. É assim que nós representamos os tiranos e seus tiranetes, sempre impacientes, insatisfeitos e coléricos. Mas isso não quer dizer que o ódio é um afeto do qual deveríamos nos ver livres.
quarta-feira, 9 de julho de 2014
O linchamento de Camilo Zuñiga e a alternativa
Fúria irracional de parte da sociedade contra jogador colombiano convida a rever ímpeto tacanho da vingança punitiva – e a substituí-lo pela lógica da reparação
Por Gabriel Rocha Gaspar
Depois de um ano de apologias a linchamentos, do assassinato bárbaro de uma mulher no Guarujá, do Pelourinho do Aterro do Flamengo e a consequente ode ao justiçamento por uma apresentadora de TV, não tem nada de surpreendente o linchamento virtual do lateral colombiano Camilo Zuñiga. Como qualquer linchamento, ele é alheio a qualquer restrição jurídica, ética ou moral. Ele expõe o que temos de mais grotesco: racismo, apologias ao estupro, assassinato e por aí vai. Tudo em nome da punição.
quinta-feira, 26 de setembro de 2013
Imitação da morte
Programas vespertinos que mostram violência de modo excessivo apenas contribuem para alastrá-la e não ajudam a compreendê-la
Bruno Paes Manso
Pode parecer absurdo, mas a invenção do enforcamento rápido e da guilhotina, no final do século 18 na Europa, é considerada por historiadores como um passo importante na direção do fortalecimento dos direitos humanos. Naquele mundo pré-iluminista repleto de torturas macabras, a criação desses instrumentos foi uma garantia de morte com menos sofrimento para os condenados à pena capital.
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