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sexta-feira, 8 de setembro de 2017

A lei não é para todos

Eliane Brum

Como a Lava Jato reforça no país uma ideia perigosa: a de que prisão é justiça

A Operação Lava Jato, mesmo com todas as falhas e abusos cometidos, assim como a vaidade descontrolada de parte de seus protagonistas, presta um grande serviço ao Brasil ao revelar a relação de corrupção entre o público e o privado. Uma relação que atravessa vários governos e vários partidos e vários políticos de vários partidos. E a Operação Lava Jato presta também um grande desserviço ao Brasil ao reforçar uma das idéias mais perigosas, entranhadas no senso comum dos brasileiros, e realizada no concreto da vida do país: a de que prisão é sinônimo de justiça. Num país em que o encarceramento dos pobres e dos negros tornou-se uma política de Estado não escrita – e, paradoxalmente, acentuou-se nos governos democráticos que vieram depois da ditadura civil-militar (1964-1985), reforçar essa ideologia não é um detalhe. Tampouco um efeito colateral. É uma construção de futuro.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

Por que o governo gasta tanto dinheiro mantendo presos que não contribuem com a sociedade?

Ivan Marques

“Um dos grandes avanços da civilização humana foi a troca do direito de vingança pessoal - olho por olho, dente por dente, onde só o mais forte consegue impor consequência pelo dano sofrido - pelo monopólio da força pelo Estado, que é uma instituição movida pela promoção da justiça e da racionalidade. Isso significa que o valor do preso no Brasil – ou em qualquer lugar do mundo - não deve ser medido por quanto ele custa ao Estado, mas pela capacidade do Estado promover justiça, tanto em relação aos criminosos quanto às vítimas.

segunda-feira, 27 de julho de 2015

A função transformadora do ódio


Christian Ingo Lenz Dunker – 

Afeto nos convida à separação e ao ajuste de contas – mas que não se confunda com a utilização da justiça como pretexto para praticar a vingança

O antigo filósofo estoico chamado Sêneca dizia que a cólera é o afeto dos impotentes, ou seja, daqueles que acham que têm mais poder do que de fato têm. É assim que nós representamos os tiranos e seus tiranetes, sempre impacientes, insatisfeitos e coléricos. Mas isso não quer dizer que o ódio é um afeto do qual deveríamos nos ver livres.

quarta-feira, 9 de julho de 2014

O linchamento de Camilo Zuñiga e a alternativa


Fúria irracional de parte da sociedade contra jogador colombiano convida a rever ímpeto tacanho da vingança punitiva – e a substituí-lo pela lógica da reparação

Por Gabriel Rocha Gaspar

Depois de um ano de apologias a linchamentos, do assassinato bárbaro de uma mulher no Guarujá, do Pelourinho do Aterro do Flamengo e a consequente ode ao justiçamento por uma apresentadora de TV, não tem nada de surpreendente o linchamento virtual do lateral colombiano Camilo Zuñiga. Como qualquer linchamento, ele é alheio a qualquer restrição jurídica, ética ou moral. Ele expõe o que temos de mais grotesco: racismo, apologias ao estupro, assassinato e por aí vai. Tudo em nome da punição.

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Imitação da morte



Programas vespertinos que mostram violência de modo excessivo apenas contribuem para alastrá-la e não ajudam a compreendê-la

Bruno Paes Manso

Pode parecer absurdo, mas a invenção do enforcamento rápido e da guilhotina, no final do século 18 na Europa, é considerada por historiadores como um passo importante na direção do fortalecimento dos direitos humanos. Naquele mundo pré-iluminista repleto de torturas macabras, a criação desses instrumentos foi uma garantia de morte com menos sofrimento para os condenados à pena capital.
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