quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Barack Obama: Nobel da Guerra



Ganhador na semana passada do prêmio Nobel da Paz, o presidente dos EUA, Barack Obama, deve enviar mais 13 mil soldados para o Afeganistão, segundo o Washington Post. Eles vão se somar aos 21 mil homens anunciados por Obama em março deste ano. Contando com os contingentes já no Afeganistão e no Iraque, serão mais de 200 mil homens em operações de guerra.

O pessoal reclama, mas homenagear com o Nobel da Paz um presidente que está em duas guerras é condizente com o prêmio criado pelo inventor da dinamite, a arma de destruição em massa do século 19, né não?


Blog do Luiz Antonio Ryff

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Compra de voto com emprego público é crime eleitoral




MPT dá prazo para Prefeitura de Aroeiras demitir não concursados
16/09/2009 às 08:25



Por determinação do Ministério Público do Trabalho, através de um aditivo ao Termo de Ajustamento de Conduta – TAC 039, assinado no ano de 2007, a Prefeitura de Aroeiras terá que demitir, até o dia 28 de fevereiro de 2010, todos os trabalhadores não concursados, admitidos a partir de 05 de outubro de 1988. A decisão inclui, segundo o TAC, “aqueles que tenham ingressado em seus quadros (Prefeitura) por prazo determinado / temporários”.

A determinação abrange “todo e qualquer trabalhador cuja contratação afronte quaisquer das obrigações estabelecidas no instrumento original (TAC Original)”. O documento do MPT também determina a realização de concurso público “a fim de possibilitar a substituição dos servidores contratados irregularmente, que serão, obrigatoriamente, desligados do quadro de pessoal do município”.

O Termo do Ministério Público do Trabalho também coloca uma condição, pelo fato de o órgão ter aceito a dilatação do prazo para desligamento dos servidores - até 28 de fevereiro do ano que vem: que a Prefeitura tome as providências necessárias “para desligar de seus quadros pelo menos a metade dos trabalhadores admitidos de forma direta, por meio de contratações ‘por tempo determinado’ ou outras equivalentes”, até o dia 30 de setembro de 2009, ou seja, até o final deste mês.

O TAC foi assinado pelo prefeito de Aroeiras, Gilseppe de Oliveira Sousa; e pelo Procurador do Trabalho, Carlos Eduardo de Azevedo Lima. O documento deixa claro que, “na eventual hipótese de descumprimento das obrigações”, a prefeitura e o prefeito poderão sofrer “sanções pecuniárias”, que foram ratificadas, integralmente, pelo atual gestor municipal.

Após a audiência que resultou na assinatura do Termo, o prefeito Gilseppe Oliveira lamentou o fato de ter que demitir servidores. Porém, disse que não pode descumprir a lei. “Não é minha intenção demitir qualquer servidor, mas tenho que cumprir a determinação do Ministério Público do Trabalho. Se não o fizer, sofrerei as sanções legais, além de multa diária de R$ 1.000,00 por cada servidor contratado por tempo determinado, como disciplina o TAC original firmado pelo ex-gestor em 2007”.


http://www.paraiba.com.br/noticia.shtml?101217

Argentina aprova polêmica lei de comunicações




BUENOS AIRES, Argentina — O Senado argentino aprovou definitivamente neste sábado uma reforma do audiovisual destinada a lutar contra os monopólios, apoiada pelos sindicatos de jornalistas, mas apresentada pela oposição e os grandes grupos de mídia como uma tentativa do Executivo de controlar a imprensa.
O texto, já aprovado pelos deputados no mês passado, foi votado por 44 a 24 ao final de 20 horas de debate.
A presidente argentina, Christina Kirchner, conseguiu antes a aprovação do projeto na Câmara dos Deputados graças ao apoio dos blocos de centro-esquerda, coalizão que representou uma virada na política de alianças do governo. A presidente ainda tenta se refazer politicamente da dura derrota sofrida nos maiores distritos nas eleições legislativas de junho.
A nova lei substituirá a atualmente em vigor, que data da ditadura (1976-1983). Ela prevê que as organizações não-governamentais terão acesso a um terço do espaço audiovisual, assim como as mídias públicas e privadas, o que fez com que a lei fosse apoiada por inúmeras associações.
Para acabar com os monopólios, o projeto impediu também uma mesma empresa de possuir um canal aberto e um canal a cabo na mesma região. Os grupos afetados terão um ano para se desfazer de um ou de outro canal.
Entre as empresas obrigadas a se desfazerem de alguns canais está o Clarin, principal grupo de multimídia, muito criticado aos olhos da política governista.
A oposição (direita e social democrata) questionou, além disso, que o governo de centro esquerda de Cristina Kirchner está se aproveitando desta nova lei para assumir o controle das novas mídias, com a cumplicidade de investidores que a apoiam.
A oposição considerou também que o novo organismo de regulação dos meios de comunicação, compostos por sete membros (dois nomeados pelo poder executivo, três pelo Congresso e dois pelas organizações profissionais), não será autônomo o suficiente em relação ao governo.
Esta reforma também foi criticada pela Sociedade interamericana de imprensa (SIP), que reune os maiores grupos de mídia latino-americanos, mas ela recebeu, em contrapartida, o apoio do enviado especial da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre a proteção e a promoção da liberdade de opinião e de expressão, o guatemalteco Frank La Rue.

AFP.

Comunicação: meios para a construção de direitos e da cidadania na era digital”



Conferência discute políticas públicas na comunicação
10 de Outubro de 2009

Vários temas foram discutidos entre aos profissionais de comunicação
Lages sediou a 1° Conferência Intermunicipal em Santa Catarina. O evento aconteceu durante a tarde de quinta-feira (08) no auditório da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL). O objetivo foi promover um debate de preparação para as etapas estadual, que acontece em novembro em local ainda indefinido, e a nacional, que será em dezembro em Brasília. Além da sociedade civil, estiveram presentes representantes de órgãos públicos e veículos de comunicação de toda a região serrana.

Foram discutidas novas propostas de políticas públicas para promover a democratização da comunicação. “Todos tem direito à informação, pois comunicação não existe somente nos veículos, mas também a comunidade, por isso temos de ter transparência sem sensacionalismos”, comenta Jamile Araújo Yared, representante da comissão organizadora da Cáritas Diocesana.

O tema central da Conferência foi “Comunicação: meios para a construção de direitos e da cidadania na era digital”, e foram abordadas também as seguintes pautas: a produção de conteúdo, os meios de distribuição e os direitos e deveres dos cidadãos. Mais informações na próxima edição de O Momento.

O momento

sábado, 10 de outubro de 2009

O Anjo da Guarda

Quando minha irmã morreu
(Devia ter sido assim)
Um anjo moreno, violento e bom
-brasileiro

Veio ficar ao pé de mim
O meu anjo da guarda sorriu
E voltou para junto do Senhor


em Libertinagem, de Manuel Bandeira

Lagoa, João Pessoa, Paraíba

Um alerta para 250 mil servidores públicos: GEAP



Peço a atenção de todos para o alerta dado pela diretora da Fundação de Seguridade Social (GEAP), Regina Parizi, em sua entrevista publicada no Correio Braziliense, neste domingo (04.10)

Ela adverte que cerca de 250 mil funcionários públicos - em especial os de idade avançada - correm o risco de perder o benefício do plano de saúde se o Supremo Tribunal Federal (STF) decidir que a GEAP não pode firmar convênio com órgãos diferentes daqueles que a criaram.

Criada em 1945, com o nome de Patronal, a GEAP é uma entidade fechada de Previdência Complementar sem fins lucrativos. Oferece a servidores públicos federais, estaduais e municipais planos e programas de saúde e previdência, além de assistência social. Quase metade dos seus 700 mil assistidos tem 60 anos de idade ou mais — 524 completaram ou já passaram dos 100 anos.

Em 2004, o Tribunal de Contas da União (TCU) considerou legais os convênios, porém proibiu sua renovação com os órgãos não instituidores da fundação - por exemplo, com os ministérios da Saúde, da Previdência Social e do Trabalho.

Conforme explica Regina, com a proibição “há uma grande parte bastante idosa dentro desse grupo que corre risco de sair. A dificuldade (dessa parcela) ser absorvida no mercado de plano de saúde será enorme. Essas pessoas ficariam sem cobertura”.

Leia a íntegra da entrevista de Regina Parizi publicada no Correio Braziliense.

Blog do Dirceu

Brasil recebe enxurrada de capital especulativo



Li o levantamento do Instituto de Finanças Internacionais (IIF, na sigla em inglês), entidade que reúne os 375 maiores bancos do mundo, segundo o qual o Brasil deve receber este ano um total de US$ 42,7 bilhões, 21% a mais do que os US$ 34,7 bilhões que entraram em 2008. E em 2010 esse fluxo de entrada será ainda maior: US$ 63.798 bilhões.

Enquanto o Brasil registra esse extraordinário aumento de 21% nos fluxos de capital estrangeiro em 2009, os outros países latino-americanos terão uma queda de 24% nos investimentos externos, de acordo com o cálculo do IFF. Já nos países emergentes, no total entrarão US$ 349 bilhões este ano, um recuo de 46,3% comparado ao recebido no ano passado.

A principal razão para a forte entrada de dólares no Brasil é o fluxo de investimentos especulativos: de US$ 8,9 bilhões em 2008, esse capital (especulativo) saltará para S$ 29 bilhões neste ano.

Blog do Dirceu

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

1ª Conferência Municipal de Comunicação da Cidade de João Pessoa (Confecom-JP)


As inscrições para a 1ª Conferência Municipal de Comunicação da Cidade de João Pessoa (Confecom-JP), que acontece nos dias 16 e 17 deste mês, começam nesta quinta-feira (08) e podem ser feitas até a próxima terça-feira (13). O evento, que tem como tema principal "Comunicação: meios para a construção de direitos e de cidadania na era digital", será realizado no Hotel Litoral, na praia de Cabo Branco, na Capital.

As inscrições são gratuitas e serão realizadas no Centro Acadêmico (CA) do Curso de Comunicação, campus I da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), Sindicato dos Jornalistas, localizado à rua Índio Piragibe - Centro, número 98, primeiro andar; Associação Paraibana de Imprensa (API), na rua Visconde de Pelotas – Centro; e na Secretaria Municipal de Comunicação, no Paço Municipal. Os interessados podem se inscrever no horário comercial, exceto no CA de Comunicação, cujo serviço só estará disponível das 8h às 12h e das 19h às 22h. Mais informações no endereço eletrônico http://www.joaopessoa.pb.gov.br/eventos/2009/confecom .

A Confecom-JP é aberta ao público em geral e terá como foco principal o envolvimento do maior número possível de atores sociais, seja do meio empresarial, dos movimentos sociais, dos profissionais da comunicação e dos meios acadêmicos, extraindo deles resoluções que caminhem no sentido da democratização das comunicações no país.

A 1ª Conferência Municipal de Comunicação da Cidade de João Pessoa foi convocada pelo prefeito Ricardo Coutinho (PSB) através do decreto 6667/2009, assinado em setembro. A escolha da data para a realização do evento segue requisito regimental, que determina a sua realização 20 dias antes da etapa estadual, que acontecerá nos dias 05 e 06 de novembro. Já a etapa nacional será realizada nos dias 1º, 02 e 03 de dezembro, em Brasília (DF).

Blog do Fabio Rodrigues

3 Perspectivas sobre o MST


Destruir pé de laranja é crime, atirar em índio, não

Sempre defendi neste espaço a ocupação de terras improdutivas, irregulares ou que são usadas para a exploração da dignidade alheia como instrumento de pressão popular. Quem acha que a propriedade privada está acima de qualquer coisa, procure outro blog. Mas em um momento em que coiotes no Congresso Nacional tentam criar uma CPI contra o MST para, entre outros objetivos, barrar a atualização dos índices de produtividade (o que faria com que as terras usadas para especulação fossem desapropriadas, tendo uma melhor destinação) dar munição aos conservadores da imprensa e aos caninos-congressistas soa fora de hora e desnecessário.

Porque quem tem acesso à opinião pública não vai ficar preocupado em se debruçar sobre os crimes cometidos pela empresa em questão e sim em colocar na mesa mais uma justificativa, ainda que infundada, para criticar a luta pela reforma agrária. As imagens dos pés de laranja derrubados têm ecoado na mídia da mesma forma que as mudas de eucalipto retiradas em uma ação do MST, anos atrás, no Rio Grande do Sul. Por mais que as presenças de ambas as plantações sejam irregulares, é difícil explicar para a maioria da população que a laranja, que é comida, teve culpa na história.

Agora, considerado isso, o ministro Guilherme Cassel (Desenvolvimento Agrário) e o presidente do Incra, Rolf Hackbart, se disseram chocados com a “grotesca” e “injustificável” ação. Não me lembro dos dois funcionários públicos usarem os mesmos termos para tratar da situação dos guaranis kaiowás no Mato Grosso do Sul, que no último mês sofreram ataques, tiveram acampamentos incendiados e foram baleados por proprietários rurais e seus capangas na região – mais um capítulo de uma longa história de negação de direitos. O mais interessante é que o próprio Incra considera a terra grilada, luta na justiça para recuperá-la e ninguém fala nada.

Dois pesos, duas medidas. Comportamento este também compartilhado por parte da imprensa. Destruir pés de laranja é crime inafiançavel, atirar em índio, não. De repente dá até medalha.

Blog do sakamoto

Fim de linha para o MST: vandalismo, furto e destruição


O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, que surgiu no início dos anos 1980, em Encruzilhada Natalino, no Rio Grande do Sul, e transformou a sigla MST no símbolo da lula pela reforma agrária no país, acabou para mim esta semana, em Iaras, no interior de São Paulo.

Acompanhei este movimento desde o começo, fiz dezenas de reportagens com seus líderes e sobre suas conquistas em jornais, revistas e redes de televisão, corri riscos junto com eles nas desocupações violentas promovidas pelas forças policiais, mas venho notando nos últimos anos que o MST perdeu completamente o sentido, o rumo e a razão de ser.

As cenas de vandalismo, furto e destruição, pichações e lixo espalhado pelo chão, que marcaram esta semana a invasão da fazenda da Cutrale por 250 famílias, em Iaras, tornaram-se o símbolo do triste fim de linha a que seus líderes conduziram um movimento que em boa parte da sua história contou com o apoio de amplas parcelas da sociedade. Agora, acabou da forma mais melancólica possível.

Por mais que me doa escrever isso, lembrando das tantas famílias de sem terra que acreditaram neste sonho, acampadas nas beiras das estradas por este país afora, o que era justa luta pela sobrevivência virou banditismo puro e simples.

Não é de agora que isso acontece, mas o que vimos na fazenda da Cutrale após a reintegração de posse determinada pela Justiça, com a destruição de máquinas e equipamentos, além de parte das plantações de laranja, é coisa de vândalos, simplesmente _ nada a ver com quem busca um pedaço de terra para plantar.

Mais grave do que a violência praticada contra funcionários e os prejuízos econômicos causados á empresa, porém, foi o que os sem terra fizeram na casa de uma faxineira, como relata o repórter Maurício Simionato, na Folha desta quinta-feira:
“Levaram DVD, TV, rádio, roupas, calçados, inalador, ferro de passar roupa, o chuveiro e até lâmpadas e torneiras”, declarou Silvana Fontes, 37, cozinheira e faxineira da sede da fazenda. Oito das nove casas de empregados foram arrombadas.

Para quem começou lutando contra latifundiários, invadir e furtar a casa de uma faxineira, levando até seus presentes de casamento ainda dentro das caixas, chega a ser uma afronta a justificativa dada por um dos líderes do movimento, Paulo Albuquerque, para a ação dos sem terra em Iaras: segundo o MST, a terrra ocupada pela Cutrale é propriedade da União.

E daí? Mesmo que fosse, o que a empresa desmente, caberia à Justiça decidir a quem pertence a terra e não a um grupo de fora da lei que passou com tratores por cima de milhares de pés de laranja (entre 7 e 10 mil, segundo a empresa, ou “só” 3 mil, de acordo com os líderes do MST).

Para Paulo Albuquerque, diretor estadual do MST, tudo não passaria de armação da Cutrale, que resolveu destruir seus próprios bens, numa tentativa “não só de criminalizar o movimento, mas também de punir lideranças. Daqui a pouco vão querer prender algum integrante do MST por causa dessa invasão”.

Pois, se ficar provado pelas investigações da polícia quem foram os autores destas ações de vandalismo, tem mais é que prender mesmo. “É a palavra deles (Cutrale e policiais) contra a nossa. Nós temos condições de rebater todas estas falsas afirmações que estão fazendo contra nós”, defendeu-se Albuquerque.

Por tudo que já vimos acontecer nos últimos meses, em invasões de prédios públicos e propriedades privadas produtivas durante ações do MST, não acho que a faxineira Silvana Fontes tenha mentido sobre o que aconteceu na fazenda. Como jornalista que acompanhou toda esta trajetória do MST nos últimos trinta anos, do sonho ao pesadelo, prefiro acreditar nela e no relato do repórter Maurício Simionato.

Blog do Ricardo Kotscho

CPT lança nota atacando papel da mídia no caso MST versus Cutrale





A Comissão Pastoral da Terra (CPT) divulgou nota aprovada nesta quarta-feira (7/10) em que questiona os interesses de divulgação das imagens do trator do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) destruindo laranjais em terra da União grilada pela empresa Cutrale. Confira abaixo a íntegra da nota.

"Mais uma vez mídia e ruralistas investem contra o MST

A Coordenação Nacional da CPT vem a público para manifestar sua estranheza diante do “requentamento” por toda a grande mídia de um fato ocorrido na segunda feira da semana passada, 28 de setembro, e que foi noticiado naquela ocasião, mas que voltou com maior destaque, uma semana depois, a partir do dia 5 de outubro até hoje.

Trata-se do seguinte: no dia 28 de setembro, integrantes do MST ocuparam a Fazenda Capim, que abrange os municípios de Iaras, Lençóis Paulista e Borebi, região central do estado de São Paulo. A área faz parte do chamado Núcleo Monções, um complexo de 30 mil hectares divididos em várias fazendas e que pertencem à União. A fazenda Capim, com mais de 2,7 mil hectares, foi grilada pela Sucocítrico Cutrale, uma das maiores empresas produtora de suco de laranja do mundo, para a monocultura de laranja. O MST destruiu dois hectares de laranjeiras para neles plantar alimentos básicos. A ação tinha por objetivo chamar a atenção para o fato de uma terra pública ter sido grilada por uma grande empresa e pressionar o judiciário, já que, há anos, o Incra entrou com ação para ser imitido na posse destas terras que são da União.

As primeiras ocupações na região aconteceram em 1995. Passados mais de 10 anos, algumas áreas foram arrecadadas e hoje são assentamentos. A maioria das terras, porém, ainda está nas mãos de grandes grupos econômicos. A Cutrale instalou-se há poucos anos, 4 ou 5 mais ou menos. Sabia que as terras eram griladas, mas esperava, porém, que houvesse regularização fundiária a seu favor.

As imagens da televisão, feitas de helicóptero, mostram um trator destruindo as plantas. As reações, depois da notícia ser novamente colocada em pauta, vieram inclusive de pessoas do governo, mas, sobretudo, de membros da bancada ruralista que acusam o movimento de criminoso e terrorista.

A quem interessa a repetição da notícia, uma semana depois?

No mesmo dia da ação dos sem-terra foi entregue aos presidentes do Senado e da Câmara, um Manifesto, assinado por mais de 4.000 pessoas, entre as quais muitas personalidades nacionais e internacionais, declarando seu apoio ao MST, diante da tentativa de instalação de uma CPMI para investigar os repasses de recursos públicos a entidades ligadas ao Movimento. Logo no dia 30, foi lido em plenário o requerimento para sua instalação, que acabou frustrada porque mais de 40 deputados retiraram seu nome e com isso não atingiu o número regimental necessário. A bancada ruralista se enfureceu.

A ação do MST do dia 28, que ao ser divulgada pela primeira vez não provocara muita reação, poderia dar a munição necessária para novamente se propor uma CPI contra o MST. E numa ação articulada entre os interesses da grande mídia, da bancada ruralista do Congresso e dos defensores do agronegócio, se lançaram novamente as imagens da ocupação da fazenda da Cutrale.

A ação do MST, por mais radical que possa parecer, escancara aos olhos da nação a realidade brasileira. Enquanto milhares de famílias sem terra continuam acampadas Brasil afora, grandes empresas praticam a grilagem e ainda conseguem a cobertura do poder público.

Algumas perguntam martelam nossa consciência:

Por que a imprensa não dá destaque à grilagem da Cutrale?

Por que a bancada ruralista se empenha tanto em querer destruir os movimentos dos trabalhadores rurais? Por que não se propõe uma grande investigação parlamentar sobre os recursos repassados às entidades do agronegócio, ao perdão rotineiro das dívidas dos grandes produtores que não honram seus compromissos com as instituições financeiras?

Por que a senadora Kátia Abreu (DEM-TO), declarou, nas eleições ao Senado em 2006, o valor de menos de oito reais o hectare de uma área de sua propriedade em Campos Lindos, Tocantins? Por que por um lado, o agronegócio alardeia os ganhos de produtividade no campo, o que é uma realidade, e se opõe com unhas e dentes á atualização dos índices de produtividade? Por que a PEC 438, que propõe o confisco de terras onde for flagrado o trabalho escravo nunca é votada? E por fim, por que o presidente Lula que em agosto prometeu em 15 dias assinar a portaria com os novos índices de produtividade, até agora, mais de um mês e meio depois, não o fez?

São perguntas que a Coordenação Nacional da CPT gostaria de ver respondidas.

Goiânia, 7 de outubro de 2009
Coordenação Nacional da CPT"
Fonte: CPT

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Paraíba: Defensores públicos decidem entrar em greve por tempo indeterminado




Após assembleia da categoria no início da tarde desta quinta-feira (1), os defensores públicos da Paraíba decidiram entrar em greve por tempo indeterminado a partir da próxima segunda-feira (5).

Segundo o presidente do Sindicato dos Defensores Públicos da Paraíba, Levi Borges, a principal reivindicação da categoria é fixação das remunerações por parte do governo do Estado, o que segundo ele, é determinado pela constituição federal.

Levi Borges afirmou que há mais de um ano que é feita esta reivindicação e que outubro do ano passado já haviam feito uma paralisação. Ele informou que na segunda-feira, às 9h, haverá a declaração oficial de greve em frente ao prédio da defensoria Estadual no Parque Solon de Lucena.

Paraíba 1

-----------------
Eu apoio a luta dos defensores para a valorização da função e melhoria de salarios.

Mas aproveito e coloco algumas dúvidas sobre os Defensores:

1. Porque eles não são escolhidos por concurso público.?

2. Os Defensores publicos podem ter um segundo emprego ou ocupação ?

3. Existem Defensores "fantasmas" ?

4. Um Defensor pode exigir pagamento à um cliente ?

5. Quem é o responsavel pela fiscalização do desempenho da Defensoria e dos Defensores ?

João Otavio

Renovar o PT, radicalizar a democracia: uma reflexão teórica sobre o PED




Por Giuseppe Cocco, Alexandre Mendes e Pedro Barbosa, no Leitura Global

O Partido dos Trabalhadores é o mais importante partido de esquerda do mundo e, ousamos dizer, aquele que possui a mais potente dinâmica social e política na conjuntura atual: é um partido de massa, democrático que se mantêm ancorado a uma nítida perspectiva de emancipação do trabalho e construção da liberdade.

Apesar de suas profundas contradições, o PT – através de sua experiência de governo – é atualmente o partido que coloca o debate sobre as alternativas ao neoliberalismo no campo da inovação, pensando a democracia para além das experiências socialistas do século XX.

Essa dimensão potente do PT é ainda mais emblemática diante do declínio programático, social e ético – que não parece ter fim – da esquerda mundial em geral e da européia particularmente. Uma exceção ao declínio do camp o democrático e progressista nos países do norte talvez tenha sido a eleição de Barack Obama. Sua candidatura foi inovadora, especialemente, por passar “por fora”dos tradicionais mecanismos de representação do Partido Democrata dos EUA: a base da eleição de Obama foi o movimento independente e progressista – organizado na e pela internet – conhecido como Move On: Democracia em ação e, obviamente, o movimento contra a guerra do Iraque. A particularidade da experiência brasileira nos diferencia também da atual dinâmica vivenciada pela esquerda latino-americana, na qual o ciclo progressista que envolve a quase totalidade dos governos não pode se apoiar e contar com a realidade política e partidária do PT brasileiro. A única exceção é o MAS (Movimiento al Socialismo) boliviano. Contudo, inclusive nesse caso, não encontramos os efeitos de acumulação política e expressiva experiência de movimento e governo que caracterizam o PT.

Esse é o Partido que hoje tem pela frente um grande desafio: consolidar, aprofundar e radicalizar as conquistas de sua história e da experiência dos dois governos Lula.

Limites da experiência e produção de novas sínteses

O reconhecimento desta dinâmica virtuosa nos possibilita organizar uma balanço extremamente positivo dos dois mandatos do Presidente Lula. No entanto, não pode nos impedir de reconhecer os limites e, inclusive, os sinais de esgotamento do processo social que alimentou (e ainda alimenta em parte) a dinâmica do PT e a liderança de seu presidente: Lula. Tudo aquilo que fez com que Lula “contasse mais do que o PT” vem, como sabemos, da onda operária do “novo sindicalismo” da periferia industrial de São Paulo. Muitos elementos indicam que, embora as organizações sindicais continuem constituindo alguns dos pilares fundamentais do PT e da esquerda mais em geral (inclusive do governo), essa “onda de movimento” tem perdido sua força e capacidade de construir um referencial social geral.

O PED é o produto ambíguo dessa pujança e desses sinais de esgotamento:

Blog do Fabio Rodrigues
@@@@@@@@@@

Hoje na história: Mao Tsé-Tung proclama a República Popular da China


Hoje na história: Mao Tsé-Tung proclama a República Popular da China
Há exatos 60 anos, no dia 1º de outubro de 1949, reuniram-se na Praça Tian’ammen meio milhão de pessoas para ouvir da boca do líder da Revolução Chinesa, Mao Tsé-Tung (ou Mao Zedong), a proclamação solene da fundação da República Popular da China.


Mao Tsé-Tung anuncia fundação da República Popular da China, em 1949

Anteriormente, de 21 a 30 de setembro de 1949, realizara-se a I Sessão Plenária da Conferência Consultiva do Povo Chinês, e dela participaram representantes dos diversos partidos, grupos e círculos sociais e democratas sem filiação partidária. Naquela ocasião foi elaborado o Programa Comum, que desempenhou a função da Constituição Provisória, e se elegeu o Conselho de Governo da República Popular da China, com Mao Tsé-Tung como presidente e Zhou Enlai como primeiro-ministro e ministro das Relações Exteriores.

A proclamação foi o clímax da guerra entre as forças guerrilheiras de Mao e as tropas legalistas do líder nacionalista Chiang Kai-Shek, que vinha sendo apoiado com dinheiro e armas pelo governo norte-americano de Harry Truman. A perda da China, a maior nação da Ásia e a maior população da Terra, significou para os desígnios dos Estados Unidos do pós-guerra um contundente golpe.

Um episódio que marca a história da Revolução Chinesa foi a chamada Longa Marcha (outubro de 1934 - outubro de 1935), façanha épica do movimento maoísta a pavimentar mais tarde a vitória contra o movimento Kuomintang de Chiang Kai-Shek. Combatendo, ao mesmo tempo em que se retirava, o Exército Vermelho - cuja base social era o campesinato, sob o comando militar de Chu Teh - conseguiu protagonizar momentos extraordinários quando, por exemplo, atravessou o caudaloso rio Wu em jangadas de bambu, derrubando as defesas inimigas na outra margem. Ou, ainda, a incrível passagem pela ponte pênsil estendida sobre o rio Datong, quando um punhado de homens armados de granadas, equilibrando-se como podiam, transpuseram-na, asseguraram a sua posse, permitindo que a marcha seguisse em frente.

Estima-se que o Exército Vermelho, nesta retirada, chegou a roçar as fronteiras do Tibet, percorrendo 10 mil quilômetros a pé pelo interior da China em busca de um refúgio permanente. No trajeto, dizimados pela fome, pela doença, pelos combates e escaramuças, apenas uns 8 ou 9 mil guerrilheiros, dos 80 mil que partiram de Kiangsi, sobreviveram. Alcançaram Yenam, a capital da província de Shensi, no remoto noroeste do país, em farrapos, meio mortos-vivos. A região semidesértica limitava-se com a Mongólia interior e estava protegida pela Muralha da China, servindo como um santuário ideal, distanciada o bastante para manter os maoístas a salvo dos ataques do Kuomintang.

Durante a longa guerra, Mao definiu as famosas regras essenciais da guerrilha, entre as quais se destacam: íntima ligação entre a população e os guerrilheiros, retirada diante do inimigo superior em força, fustigamento e ataque ante o inimigo em retirada, armamento pelo que for tomado do inimigo.

A Revolução tornou a China independente, abriu caminho para a construção do socialismo, enfrentou complexos e angustiantes problemas econômicos e sociais e retomou o processo de unificação do país. Traduziu-se, por outro lado, num salto civilizacional para o povo chinês. O triunfo da Revolução em 1º de outubro de 1949 teve por cenário uma China retrógrada, uma das sociedades mais pobres e atrasadas do mundo de então, semifeudal, semicolonial, dependente e submissa às potências imperialistas.

Durante estas seis décadas, ocorreram lutas políticas de envergadura contra as classes outrora dominantes e os intentos de desestabilização do novo poder pelo imperialismo. Foi uma evolução sinuosa, marcada por sérios conflitos internos. O país avançou em meio a acertos e erros, a fluxos e refluxos, e registra hoje, nos 60 anos da revolução, o fato de ter alcançado posição de destaque na economia e na política mundial.

Opera Mundi
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...