terça-feira, 4 de agosto de 2009

Andrea Camilleri



Andrea Camilleri nasceu em Porto Empedocle (Agrigento), em 1925. Iniciou a sua actividade como encenador, autor de teatro e televisão mas, a partir dos anos oitenta, passou a dedicar-se à narrativa com mais frequência. O entusiasmo e a admiração dos leitores foi crescendo, assim como o interesse da crítica, quer pelas aventuras satíricas, quer pelos romances policiais ambientados na Vigàta actual do comissário Montalbano, protagonista recorrente nos romances de Camilleri: "A Forma da Água", "O Ladrão de Merendas" (Prémio Ostia 1997), "A Voz do Violino" (Prémio Selezione Bancarella 1998), "Excursão a Tindari", "O Cão de Barro" e "O Cheiro da Noite", todas publicadas pela Difel, são obras que lhe conferiram o estatuto de escritor de culto, confirmado em 1998 com a atribuição do prestigiado Prémio Empedocle.
De www.wook.pt

Corrupção no Senado

E conhecereis a verdade e a verdade vos libertará

Sarney diz que fica e tropa de choque ameaça oposição com dossiê


Aliados do presidente do Senado decidem 'vazar' denúncias de irregularidades praticadas por desafetos
Apoiados pelo Palácio do Planalto, os aliados do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), cumpriram à risca a estratégia montada na semana passada e voltaram do recesso acuando a oposição, que pede sua renúncia do cargo. O próprio Sarney, após indicar para aliados e familiares, na semana passada, que iria renunciar, ontem mudou de ideia, reforçou a corrente de resistência da tropa de choque e negou que vá deixar o cargo. "Isso não existe, isso não existe", repetiu, ao deixar o plenário.

Na sessão, os aliados de Sarney revelaram abertamente que preparam "dossiês" sobre senadores da oposição. Também "vazaram" denúncias de irregularidades praticadas por desafetos do presidente da Casa. "Eu peguei todos os atos. Xeroquei do original. Tem a assinatura de cada um dos líderes lá avalizando as atitudes tomadas pelo presidente. Eu tenho os documentos", avisou Wellington Salgado (PMDB-MG), da tropa de Sarney, em plenário. Pelo raciocínio do grupo, se ele cair, não será sozinho.

A senha para o ataque foi o discurso do senador Pedro Simon (PMDB-RS), que pediu a renúncia de Sarney da presidência. Liderada por Renan Calheiros (PMDB-AL), a reação contou com a adesão de Fernando Collor (PTB-AL), que reeditou o estilo "bateu levou", da época em que presidiu o Brasil, entre 1990 e 1992, antes de ser alvo de processo de impeachment e ter o mandato cassado.

Momentos antes de o clima de beligerância tomar conta do plenário, Sarney saiu e se recolheu a seu gabinete. "Estou com um espírito muito bom. Nunca deixei de estar confiante", afirmou, ao ser indagado se estava tranquilo para enfrentar os 11 pedidos de investigação protocolados no Conselho de Ética.

Desde que assumiu, em fevereiro, Sarney vem sendo alvo de denúncias que envolvem emprego de familiares, uso de atos secretos no Senado e desvios da fundação que leva seu nome.

Os aliados passaram o início da tarde tentando pôr panos quentes na crise e refutando a hipótese de renúncia. "Isso aqui não é como time de futebol, que troca de técnico a toda hora", disse o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR). "Não existe possibilidade de renunciar", emendou Salgado.

Ao ser indagado sobre a nota do PMDB, divulgada anteontem, que aconselhou os dissidentes a saírem da legenda, em uma referência a Simon e Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE), Jucá tentou amainar a crise. "Se estamos trabalhando para desidratar a crise, não há como jogar mais combustão", disse.

A decisão do Palácio do Planalto de apoiar Sarney foi tomada com base na certeza de que, se ele cair agora, a derrota será debitada pelo PMDB na conta do PT. O argumento é que o senador pode até não resistir à guerra e renunciar ao cargo, mas não é inteligente o PT empurrá-lo para o abismo. Ao contrário, trata-se, no diagnóstico do governo, de "tática suicida".

Na tentativa de baixar a temperatura da crise, o ministro das Relações Institucionais, José Múcio Monteiro, reuniu ontem para jantar os senadores Renan, Aloizio Mercadante (PT-SP), Gim Argello (PTB), Jucá, Ideli Salvatti (PT-SC) e o presidente do PT, deputado Ricardo Berzoini (SP). A mesa era a expressão das divergências na base aliada. Berzoini criticou em tom duro a nota divulgada na semana retrasada por Mercadante pedindo o afastamento de Sarney.
Do Estadão

Ronaldo Correia de Brito e Altair Martins vencem Prêmio SP de Literatura


Os escritores Ronaldo Correia de Brito e Altair Martins foram anunciados na noite desta segunda-feira (3) como vencedores do Prêmio São Paulo de Literatura 2009.

O escritor Ronaldo Correia de Brito foi um dos vencedores do Prêmio SP de Literatura
A cerimônia aconteceu no Museu da Língua Portuguesa.
Ronaldo Correia de Brito venceu com o livro "Galiléia" a categoria Melhor Livro do Ano. Já Altair Martins foi contemplado na categoria Melhor Livro do Ano - Autor Estreante pelo livro "A Parede no Escuro". Como prêmio, cada um deles ganhou R$ 200 mil.

Esta foi a segunda edição do prêmio, concedido pelo governo do Estado de São Paulo.
No ano passado, venceram a primeira edição do Prêmio São Paulo de Literatura o curitibano Cristovão Tezza, com "O Filho Eterno", e a estreante Tatiana Salem Levy, autora de "A Chave de Casa".

Da Folha Online

Tratar desigualmente os desiguais é justo


Basta olhar para os Estados Unidos e ver quantos negros há ali em posições de destaque, nas empresas, universidades e governos. Na comparação, nós tomamos de goleada. Até quando vamos conviver com isso?

O presidente do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, decidu negar o pedido do Democratas para suspender imediatamente as cotas raciais na Universidade de Brasília. O ministro fez notar na decisão que o sistema já vige há algum tempo — e não seria o caso de simplesmente interrompê-lo. A discussão sobre cotas é boa e necessária, e o tribunal certamente a fará no momento oportuno. Entretanto, dada a delicadeza do tema e as sensibilidades que desperta, desejável será que o julgamento do STF culmine um processo de sedimentação na sociedade. O que aliás tem sido hábito na Suprema Corte.

Sem a necessidade da urgência, Gilmar Mendes poderia ter optado por emitir uma decisão sintética. Mas, felizmente para a discussão, ele foi além, incursionou em questões relativas ao mérito para, no fim, alinhavar algumas dúvidas razoáveis. Pergunta o presidente do tribunal: “Em relação ao ensino superior, o sistema de cotas raciais se apresenta como o mais adequado ao fim pretendido? As ações afirmativas raciais que conjuguem o critério econômico serão mais eficazes? Cotas baseadas unicamente na renda familiar ou apenas para os egressos do ensino público atingiriam o mesmo fim de forma mais igualitária? Quais os critérios mais adequados para as peculiaridades da realidade brasileira?”.

São boas linhas para a polêmica. Há entretanto uma preliminar. É justo a lei tratar desigualmente os desiguais? Na decisão, fala o ministro: “(...) toda igualdade de direito tem por consequência uma desigualdade de fato, e toda desigualdade de fato tem como pressuposto uma desigualdade de direito (...). Assim, o mandamento constitucional de reconhecimento e proteção igual das diferenças impõe um tratamento desigual por parte da lei. O paradoxo da igualdade, portanto, suscita problemas dos mais complexos para o exame da constitucionalidade das ações afirmativas em sociedades plurais”.

Cristalino. Assim, vão ao arquivo os argumentos que desqualificam a priori as cotas como “não republicanas”, por supostamente legitimarem a desigualdade. Não. Numa sociedade desigual (e a nossa é campeã nisso), a lei precisa tratar diferentemente os diferentes em algumas situações, para ajudar a equalizar seus direitos. A alíquota do Imposto de Renda cresce conforme sobe a renda do contribuinte, os idosos têm privilégios no transporte coletivo e os portadores de necessidades especiais têm vagas garantidas para estacionar. Tudo muito constitucional.

Superada então essa etapa, pode-se ir ao mérito. O que é melhor: cotas raciais ou cotas sociais? Ou um sistema misto? Como colunista em cima do muro não pega bem, adianto aqui minha posição até o momento. Sou favorável a um sistema misto de cotas sociais e raciais nas universidades públicas. Um modelo “social” puro não enfrentará o abismo racial brasileiro. Mas um modelo “racial” puro terá como efeito abrir as portas do ensino superior gratuito apenas para a camada socialmente mais favorecida do grupo que se pretende ajudar. Os negros pobres continuarão marginalizados.

Outros detalhes importantes. O sistema de cotas talvez devesse ser obrigatoriamente transitório, com prazo de vigência, pois trata-se de política compensatória, cujo objetivo é tornar-se desnecessária. Deveria também ser adicional. Os cotistas ocupariam vagas novas criadas pelo governo federal (ou estadual, se for o caso). Para não atingir direitos dos que estão fora das cotas. E deveriam ser declinantes no tempo, exatamente para serem eliminadas de forma suave e progressiva. Esse tempo poderia ser bastante longo, não importa. Valeria o princípio.

São algumas ideias. Deve haver outras bem melhores. Mais importante, porém, será buscar no debate um centro, uma referência moderada. Pois as posições extremas, radicalizadas, conduzirão ao impasse e ao imobilismo. Um exemplo é o Estatuto da Igualdade Racial que tramita no Congresso. Aprovado do jeito que está, correrá o sério risco de cair no Supremo, por inconstitucional. Do outro lado, a negação absoluta das políticas de ação afirmativa vinculadas à cor da pele ignoram que o Brasil tem uma dívida com os negros. E que nosso racismo é pior até do que o norte-americano.

Basta olhar para o vizinho do norte e ver quantos negros há ali em posições de destaque, nas empresas, universidades e governos. Na comparação, nós tomamos de goleada. Até quando vamos conviver com isso?

Coluna (Nas entrelinhas) publicada hoje no Correio Braziliense.

PMDB vai denunciar Arthur Virgílio, líder do PSDB


Apesar de ser uma decisão tomada pela bancada do PMDB, o líder do partido, senador Renan Calheiros (AL), afirmou nesta segunda-feira que a representação ao Conselho de Ética contra o líder do PSDB, senador Arthur Virgílio (AM), será protocolada "no decorrer da semana". Segundo ele, é necessário aguardar a presença em Brasília dos parlamentares que começam a chegar após o recesso parlamentar.
O texto da representação já está pronto e deve cobrar a apuração de três fatos que envolvem o líder tucano: o pagamento de salário a um funcionário do seu gabinete enquanto ele fazia um curso no exterior; a legalidade do ressarcimento financeiro pelo Senado dos gastos da mãe do parlamentar com tratamento de saúde; e o socorro financeiro de cerca de US$ 10 mil concedido pelo ex-diretor-geral do Senado Agaciel Maia ao tucano durante viagem ao exterior.
Calheiros reafirmou que a iniciativa de representar contra Virgílio decorre do fato dele praticamente ter forçado o PSDB a representar contra o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), no Conselho de Ética:
- O problema é que o Arthur Virgílio levou o PSDB a tomar uma atitude e, diante disso, não poderíamos agir diferente.
O peemedebista negou que a iniciativa represente qualquer senha para intimidar outros senadores que defendem o afastamento do presidente da Casa.

Do blog do Noblat

Complexo de Lear (Quem é o alvo de Marina Silva?)



Artigo da senadora Marina Silva (PT-AC). O desafio: tentar descobrir a quem ela indiretamente se refere. Sarney? Lula? Quem mais?
"Durante curso de especialização na Universidade de Brasília, estudei a obra "Rei Lear", de Shakespeare. Talvez a tragédia possa nos ajudar a entender um pouco a política brasileira.
Ao sentir-se velho, Lear decide abdicar da sua condição de rei, do enfadonho encargo de governar.
Chama as filhas -Goneril, Regana e Cordélia- para dividir seus bens e poder, anunciando que seria mais agraciada aquela que lhe fizesse a maior declaração de amor. E impõe outra condição: enquanto vivesse, o rei deveria ter assegurado respeito, prestígio, cuidado e, quem sabe, até mesmo o amor de suas filhas e súditos. Quer deixar de ser rei sem perder a majestade.
Cordélia, a mais jovem, com quem o rei mais se identificava, e que muito o amava, não soube dizer o que sentia. As outras não sentiam amor pelo pai, mas eram hábeis na verve.
O que torna sua jornada trágica e dolorosa é que Lear se recusa a retornar ao que um dia foi, um simples homem, rei de si mesmo. Não quer morrer, tornar-se passado. Quer ser sucessivo como é a vida, reviver a fase do prazer de poder.
Quer ter séquito e até mesmo um bobo para ninar seu desamparo.
Mas ninguém pode impunemente regredir sem ser atormentado pelo fantasma da repetição. No seu obsessivo desejo de ser amado, Lear agarra-se às palavras de Goneril e Regana. E rejeita amargamente a rebeldia de Cordélia, que só sabia sentir e não se sujeita a ter que fazer uma declaração de amor ao pai, obrigando-o a perceber esse amor no único lugar onde deveria estar: no resultado afetivo de suas relações pessoais.
Não por acaso desmorona o mundo de Lear. O que antes era tão bem definido, passa a ser ambivalente. Certeza e dúvida, coragem e medo, segurança e desamparo. A loucura de não mais saber quem é.
O alto preço por ter almejado e transformado em "ato" o desejo de retornar ao lugar onde um dia esteve e querer assumir a forma do que um dia foi. Ele só existe no mundo daqueles que o aceitam e o amam tal como é. E mesmo estes, incluindo Cordélia, não têm mais como aceitar seu governo senil. Até porque foi ele próprio quem decidiu abdicar de ser quem era para tornar-se quem não mais podia ser.
Tornou-se merecedor da reprimenda feita por meio das palavras do bobo: "Tu não deverias ter ficado velho antes de ter ficado sábio".
Genial Shakespeare, trágico rei, frágil humanidade de sempre, que não quer passar. Que infringe a ordem dos acontecimentos, sem o árduo trabalho de elaborá-los. Que desiste de ressignificar-se, e quer tão somente repetir o prazer da sensação vivida nas ilusões de majestade.

Do blog do Noblat

Juristas querem fixação de mandato no STF


Seis renomados juristas do país – Dalmo Dallari, Paulo Bonavides, José Afonso da Silva, Fábio Konder Comparato, Cezar Britto e Gustavo Binenbojm – defendem que o Congresso Nacional promova uma profunda alteração no Supremo Tribunal Federal (STF) com a fixação de mandato para os futuros ministros que venham a ocupar uma cadeira na mais alta Corte de justiça do país.
Todos são unânimes em defender a vitaliciedade – até os 70 anos - dos atuais ministros do Supremo. No entanto, os juristas querem que os futuros ministros permaneçam no cargo 8 anos, no mínimo, e 12 no máximo. Opiniões de juristas quanto a um mandato fixo para os ministros do STF:
Dalmo Dallari, jurista e professor emérito da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo
“Apóio integralmente a idéia de se instituir um mandato de dez anos para os ministros do Supremo Tribunal Federal. O essencial, neste momento, seria fixar o mandato e, depois, partir para a discussão de pormenores como a possibilidade de recondução e a reserva de um mínimo de vagas para magistrados, como defendem as associações de juízes. Quanto à preservação da vitaliciedade dos atuais ministros, entendo que esta deve existir porque eles já foram escolhidos e nomeados com base na Constituição e segundo a observância das regras atuais. Para os novos ministros, daqui em diante, se aplicariam as normas do mandato com período fixo”.
Paulo Bonavides, jurista, catedrático emérito da Faculdade de Direito da Universidade Federal do Ceará e doutor honoris causa da Universidade de Lisboa
“Entendo que a função de ministro do STF não deve ser vitalícia. A escolha deve ser democratizada para que ninguém se perpetue no cargo, como ocorre nos Estados Unidos, por exemplo, onde a permanência é vitalícia e os ministros só se retiram voluntariamente, se renunciarem ao cargo. A escolha de membros do STF com mandato fixo, talvez com o período de 8 a 12 anos, e sem possibilidade de recondução, seria mais democrática.”
Gustavo Binenbojm – jurista e professor de Direito Constitucional da UERJ
A fixação de um mandato – entre 9 e 12 anos - para os ministros do STF resolve alguns inconvenientes do regime de vitaliciedade, atualmente em vigor: evita a permanência de ministros nomeados ainda muito jovens por períodos excessivamente longos (entre 20 e 30 anos), o que é incompatível com a necessidade de renovação periódica da Corte; permite renovações mais graduais da Corte, uma vez que os mandatos terminam em datas não coincidentes; evita que um mesmo Presidente da República consiga nomear, em seu mandato, a maioria dos ministros da Corte".
José Afonso da Silva, constitucionalista e fundador da Associação Brasileira de Constitucionalistas Democráticos
“Defendo há muito tempo o mandato fixo para ministros do STF. Um mandato de 12 anos, sem possibilidade de recondução. Temos, no entanto, que ressalvar os atuais ministros, pois eles têm cargo vitalício e essa seria uma dificuldade. Não se pode e não se deve interromper o curso da atuação dos atuais ministros. Por via de emenda constitucional seria difícil retirar essa vitaliciedade. Isso dificultaria a implementação do mandato fixo, pois, se se ressalva a posição dos ministros atuais, quando se implementaria o resto? No entanto, sou amplamente favorável à fixação de um mandato de 10 anos para os ministros do Supremo”.
Cezar Britto, presidente nacional da OAB
"Defendo a fixação de um mandato de dez anos, sem direito a recondução, para os onze ocupantes do Supremo. Hoje, o cargo de ministro do STF é vitalício, com o ministro se aposentando compulsoriamente ao completar 70 anos de idade. Instituir um mandato fixo seria uma forma de oxigenar a Corte. É preciso que quem interpreta a Constituição tenha uma vinculação muito grande com as mudanças do tempo. As pessoas mudam, os entendimentos mudam e a interpretação da Constituição brasileira tem de seguir o rastro da evolução. Com isso, teríamos um Supremo muito mais ágil e receptivo à evolução da sociedade.”
Fábio Konder Comparato, constitucionalista, doutor em Direito pela Universidade de Paris e doutor honoris causa da Universidade de Coimbra.
“No meu anteprojeto de Constituição, que data de 1985, incluí a sugestão de criação de uma Corte Constitucional, pois entendo que é preciso separar as funções de juízo constitucional de um lado e as de tribunal superior do outro. O STF junta ambas as funções hoje. No caso do tribunal constitucional, tal como ocorreu na Alemanha, por exemplo, seria preciso estabelecer um mandato limitado para os seus ocupantes. Um mandato de nove anos seria um bom período, sem direito a renomeação. Os atuais ministros do STF não podem ter o seu mandato encurtado. No entanto, se optarmos pela criação de dois tribunais, os atuais ministros continuariam no STF, desde que se modificasse sua competência, e se nomeariam outros para o tribunal constitucional, estes obrigatoriamente com mandato fixo.”

Do Blog do Noblat

Defensorias Públicas


Você sabe, caro leitor, quais são os três estados brasileiros onde não existem Defensorias Públicas? Você leu na Fórum, via Biscoito, primeiro: Santa Catarina, Paraná e Goiás. Três dos grandes – se não os três maiores – bastiões do anti-lulismo. O artigo de Cinthia Rodrigues é uma reflexão breve, mas informativa, incisiva, sobre o triste estado das nossas Defensorias. AC, AP, DF, MS, PB e RR tem 100% de suas comarcas atendidas por Defensorias. Só 47% das comarcas mineiras são atendidas por Defensorias. O estado de São Paulo? Quinto pior índice do Brasil, 7,1%

No artigo de Cinthia Rodrigues.
Do Biscoito Fino e a Massa

Censura: O Estadão perdeu o senso de responsabilidade



Não resiste aos fatos essa afirmação de O Estado de S.Paulo hoje - e de certa forma toda a imprensa o segue nessa linha - de que a decisão judicial de impedir a publicação pelo jornal de notícias a partir do vazamento de informações sigilosas sobre um processo relativo a Fernando Sarney, "aumentou a pressão pela renúncia" do pai deste, o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP).

Como vocês podem ler na internet, em declarações feitas hoje, o senador José Sarney nega essa possibilidade de renúncia. Ao noticiar os fatos dessa forma, o jornal tenta pressionar a justiça, e fazê-la rever a decisão do desembargador Dácio Vieira, do Tribunal de Justiça do Distrito Federal, que concedeu a liminar a Fernando Sarney para que O Estado de S.Paulo não continuasse a publicar as informações obtidas de forma ilegal no processo da Operação Boi Barrica, da Polícia Federal (PF).

Observada a legislação vigente no país, a deliberação do magistrado brasiliense - e concedida em medida liminar - não representa censura nenhuma. É, sim, uma decisão judicial que pode ou não ser revogada, já que a lei assegura ao jornal o direito de recorrer, e o Estadão já anunciou a intenção de fazê-lo. A decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) mediante esse recurso deve se converter, inclusive, em uma sentença histórica, porque pode por um fim aos abusos da imprensa ao estabelecer que também ela deve obedecer a limites e está sujeita ao cumprimento das leis do país.
Ao governo e aliados, acusações; aos adversários, "esquecimento".

Não há como esconder que o jornal (e a grande maioria dos demais veículos da imprensa brasileira) praticam há muito essa ilegalidade no país, a publicação de informações sigilosas, sob segredo de justiça. Fazem-no com o agravante que são noticiadas como verdade e servem de pano de fundo para campanhas de linchamento público de adversários da mídia.

Já os amigos são poupados. Estão aí os exemplos do deputado Fernando Gabeira (PV-RJ), do senador Pedro Simon (PMDB-RS), do prefeito de Curitiba, Beto Richa (PSDB), da governadora gaúcha Yeda Crusius (PSDB), e dos tucanos paulistas, sempre protegidos pela mídia, a começar pelo Estadão. A estes se soma, agora, a escandalosa proteção que patrocinam, também, a dois outros senadores, Efraim Morais (DEM-PB) e o líder do PSDB, senador Artur Virgílio (AM).

A estes todos, em maior ou menor grau - uso de dinheiro de Caixa 2 para compra de apoios ou mansão, apoio incondicional a aliado envolvido em mar de denúncias, suspeita de corrupção, não importa o tipo de acusação - a mídia estende um manto de esquecimento sobre o que os envolve. Registra-as, na melhor das hipóteses, quando são feitas e esquece-as convenientemente mesmo que diariamente publique suas declarações com críticas, ataques e acusações ao governo e a aliados.

Do blog do Dirceu

Políticas sociais ajudam no combate à crise


Aos leitores do blog, recomendo a leitura do artigo "Crise e políticas sociais", do ministro do Desenvolvimento Social, Patrus Ananias, publicado hoje no Folhão. Com base em pesquisas recentes, Patrus mostra a importância das políticas do governo Lula desenvolvidas nessa área, e a contribuição destas para o combate aos efeitos da crise internacional no país.

Segundo o ministro, o menor impacto da crise no Brasil em relação aos demais países em desenvolvimento, deve-se "às boas condições macroeconômicas e às políticas sociais, que, dentre outros fatores, estão dando mais robustez ao nosso mercado interno, o que aumenta nossa capacidade de retomada de crescimento."

Afinal, estas políticas sociais "protegem o poder de compra das pessoas mais pobres, mantendo aquecido o mercado interno, o que ajuda diretamente as pequenas economias, barrando o ciclo da crise".

Pesquisas comprovam queda da pobreza

Para comprovar sua análise, o ministro cita o estudo da Fundação Getúlio Vargas (FGV) realizado pelo economista Marcelo Neri, que informa: a crise atingiu principalmente os mais ricos e " entre janeiro e abril deste ano, houve uma queda de 8,7% na renda média individual das pessoas das classes A e B nas seis principais regiões metropolitanas em comparação com o mesmo período do ano passado".

Ao mesmo tempo, "a renda média das pessoas da classe C cresceu 3,9%. É a mesma parcela da população que em janeiro deste ano havia perdido para as classes D e E 11% de todo o crescimento que experimentou no governo do presidente Lula. Ou seja, foram muito menos afetados pela crise e estão com elevada capacidade de reação."

A queda da pobreza no país é também confirmada por outro estudo, do Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (IPEA), que afirma: "em março de 2009, a taxa de pobreza ficou em 30,7% -1,7% menor que a registrada no mesmo mês do ano anterior. Para os técnicos do instituto, o aumento real do valor do salário mínimo e a rede de garantia de renda aos pobres contribuíram decisivamente para que a base da pirâmide social não fosse a mais atingida, como ocorria em outras crises econômicas."

Leia o artigo "Crise e políticas sociais" do ministro Patrus Ananias, publicado hoje na Folha de S. Paulo.

Lamentável como a Folha noticia o Bolsa Família



A forma como a imprensa vem se comportando no Brasil precisa ser enfrentada. Com a mídia, com a internet e onde quer que seja possível é preciso denunciar esse comportamento e o seu posicionamento político, muitas vezes eleitoral e partidário, e a postura de transformar as notícias em editoriais (e estes em notícia) como se fossem fatos.

Sem regulação e sem legislação sobre direito de resposta e defesa da honra e imagem dos cidadãos, nossa mídia vem se transformando numa ameaça à democracia por seu efetivo poder político. Ela luta para se manter como um importante agente político, como se fosse realmente um quarto poder.

Um exemplo claro desse comportamento é o noticiário de hoje e das últimas semanas da Folha de S.Paulo sobre o Bolsa Família e o reajuste médio de 10% sobre o seu valor, que começa a ser pago aos beneficiários a partir do próximo mês.

Ao noticiar o reajuste anual da bolsa e a formatura da primeira turma de qualificação profissional (uma justa demanda de seus críticos) de beneficiados pelo programa, o jornal além de desqualificar a iniciativa pelo pequeno numero de beneficiados - 24,8 mil fizeram o curso de qualificação frente à demanda de 4,1 milhões - aproveita para retomar seu carma: o programa é exclusivamente eleitoral.

Do Blog do Dirceu

Ahmadinejad é presidente. Por ora.



Irã • 4/08/2009 - 00h01 - 21 Comentários
Pela primeira vez desde a Revolução Islâmica, um presidente do Irã tomou posse, ontem, sem que a cerimônia fosse veiculada ao vivo pela tevê. Havia motivo. Por tradição, o presidente anterior sempre está presente. Mas Mohammad Khatami não estava lá. Os candidatos derrotados costumam aparecer para demonstrar a unidade do regime – mas nem Mir Hossein Mousavi nem Mehdi Karoubi deram as caras. Akbar Rafsanjani, presidente da assembléia que elege o supremo líder também não estava.
Mahmoud Ahmadinejad recebeu do líder aiatolá Ali Khamenei a carta que lhe garante a presidência e deu início ao seu segundo mandado. Algumas horas antes, falando a policiais da milícia Basiji que trabalhou na repressão dos protestos eleitorais, descreveu assim o que faria com os manifestantes: ‘vamos erguê-los pelo colarinho e enfiar suas cabeças no teto’. (Em persa há de soar melhor.)
Mousavi, mesmo após dois meses, continua a questionar publicamente a eleição. Vários clérigos e gente ligada à história da Revolução, também.
Estão todos livres. Os que foram presos – jornalistas, estudantes, profissionais liberais e mesmo políticos começaram a ser julgados no sábado. Estes não protestam, muito pelo contrário. Na tevê, dizem que foram manipulados pela imprensa ocidental, que tramaram contra o regime, que desejaram uma revolução de cores aos moldes das ex-repúblicas soviéticas. Mousavi diz que foram torturados como ‘nos tempos da Idade Média’. Eles negam veementemente. Só mudaram de idéia, mesmo.
Ahmadinejad, ao que parece, continua o mesmo. Mas há algo de diferente ocorrendo no Irã. Não houve um apaziguamento. Não houve um acordão. O regime simplesmente rachou. O aiatolá Khamenei parece convicto de que conseguirá sufocar a revolta. Mas os líderes da oposição permanecem de pé, apesar das prisões e tortura. O governo segue em frente como se nada houvesse mudado.
Algo, no entanto, mudou.
O Irã vive tempos interessantes.

Do Blog do Pedro Doria

Esquerda dividida: PSOL alivia Serra e a direita




O programa televisivo nacional do PSOL, apesar de divulgar iniciativas importantes como a CPI da dívida pública, e efetuar denúncias essenciais como a da recente legislação agrária pró-latifúndio, incorre em grave erro político ao não denunciar a oposição de direita, composta principalmente pelo PSDB e DEM.

O programa televisivo nacional do PSOL, em 30 de julho, apresentou como principal característica a ausência de críticas à oposição de direita, composta principalmente pelo PSDB e DEM.

Apesar de divulgar iniciativas populares e democráticas importantes como a CPI da dívida pública, e efetuar denúncias essenciais como a da recente legislação agrária pró-latifúndio, destruidora da floresta, na Amazônia, o PSOL, a meu ver, incorre em grave erro político.

Considera o governo Lula, um governo de centro, o inimigo central dos trabalhadores.

Nada mais falso. Se o governo Lula não ameaça o grande capital, está longe de ser o governo dos sonhos do grande capital.

Um governo ao estilo do de FHC, totalmente vende-pátria e privatizante, sumetido sem contratempos à hegemonia dos EUA, esse o goveno ideal do grande capital e das forças mais à direita (PSDB, DEM, PPS).

Eis a razão da campanha constante da grande mídia, Organizações Globo à frente, contra o governo Lula.

O núcleo duro da direita

O núcleo duro da direita está no PSDB, DEM, na mídia vendida (a quase totalidade da mídia); expressão política das forças sociais mais reacionárias, inimigas centrais dos trabalhadores e do povo: o grande capital imperialista e brasileiro, com destaque para o parasitismo financeiro e especulativo; o latifúndio, com destaque para sua versão moderna e predatória, o agronegócio.

O governo Lula é um governo de centro, com origem popular e democrática, obrigado por sua própria natureza a relevantes concessões populares e democráticas (por exemplo, o bolsa-família; o clima, no geral, de preservação e ampliação das liberdades democráticas; uma política timidamente desenvolvimentista - o PAC, e muito menos privatista que a de FHC, etc).

Mas o PSOL concentra o fogo no governo Lula e alivia o principal inimigo dos trabalhadores, a oposição de direita.

O poder vai muito além do governo Lula
Parte assim de uma lógica primária, considerar o governo como o responsável central pelos problemas populares, quando o real poder no Brasil vai muito além do governo Lula: está concentrado na política antipopular, antidemocrática e antinacional das gestões monetaristas do Banco Central; no domínio da economia brasileira pelo imperialismo e o conjunto do grande capital; na grande mídia.

Ao não entender, ou talvez seja melhor dizer, não poder entender isso, o PSOL, ao tomar como inimigo central o presidente Lula (cuja grande popularidade não se deve ao acaso), ao aliviar completamente a oposição de direita, corta quaisquer possibilidades de diálogo, convencimento e aliança com as imprescindíveis e amplamente majoritárias bases populares do lulismo.

No mais, o programa televisivo do PSOL mostrou os habituais personalismo e incontinência verbal de Heloísa Helena. E, momento triste, apareceu a deputada Luciana Genro - a mesma financiada nas eleições pela Gerdau, grande empresa do ramo siderúrgico beneficiária das privatizações; a mesma deputada que chegou a convocar passeata no Rio Grande do Sul em comum acordo com o movimento "Cansei", versão atualizada das marchas golpistas de 1964 -, tendo ao fundo "denúncias" da Veja, o panfleto mais virulento da extrema-direita.

E a independência da esquerda?
Pelo visto, a próxima eleição presidencial de 2010 aponta para uma aliança objetiva, consciente ou inconscientemente, da ultra-esquerda (PSOL, PSTU, PCB) com a candidatura mais reacionária, a candidatura privatizante e neoliberal do tucano José Serra, todos empenhados em bater no governo Lula.

Dado que o PC do B adere de maneira praticamente acrítica ao governo Lula, num desvio de direita, inverso ao da ultra-esquerda, a eleição de 2010 surge como ainda mais preocupante: os comunistas, e as demais forças populares, democráticas, e de esquerda, tendem a não exercer sua própria independência política, ficando a reboque de forças políticas e sociais alheias.

por Antônio Augusto, na Carta Maior

VOLTEI .........


Depois deste tempo todo, tendo afinal saido do estado de choque que o aniversario de 60 anos provocou, volto a ativa. Quase do mesmo jeito. Talvez uma ou outra palavra minha mesmo, seguindo sugestão do Mauricio ( Jornalismo Alternativo).
O básico é mesmo uma colagem das melhores leituras que ando fazendo. Boas leituras pelos pontos de vista exposto ou pelas dúvidas colocadas. Afinal,tenho pouca coisa original a ser dita. Quase tudo que penso ja foi dito por alguem. O que quero fazer é redistribuir as coisas que gosto. É isso e só. Pouco, não é ? Mas ja é suficiente.
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