Historiador analisa período que vai de 1905 ao fim das guerras civis, em 1921
Historiador Daniel Araao Reis defende que os conflitos internos tiveram papel fundamental na ascensão do autoritarismo na União Soviética
Leonardo Cazes
RIO - Cem anos depois, a Revolução Russa continua a suscitar debates apaixonados. Nos ensaios do livro “A revolução que mudou o mundo” (Companhia das Letras), o historiador e professor da Universidade Federal Fluminense (UFF) Daniel Aarão Reis procura construir um mosaico de um período que vai de 1905, com a primeira grande crise do czarismo, até o fim das guerras civis, em 1921. Em entrevista ao GLOBO, ele defende que os conflitos internos tiveram papel fundamental na ascensão do autoritarismo na União Soviética e afirma buscar uma terceira via entre a historiografia liberal, que demoniza, e a historiografia comunista, que celebra a revolução.
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quarta-feira, 4 de outubro de 2017
domingo, 5 de fevereiro de 2017
Boaventura: Revolução Russa, ano 100
Boaventura de Sousa Santos
Aventura soviética teve limites, contradições e misérias, mas ao menos um enorme mérito. Ela demonstrou que havia alternativa ao capitalismo e o obrigou a recuar
Assinalam-se este ano os 100 anos da Revolução Russa (RR)1 e também os 150 anos da publicação do primeiro volume de Das Kapital de Karl Marx. Juntar as duas efemérides pode parecer estranho porque Marx nunca escreveu em detalhe sobre a revolução e a sociedade comunista e, se tivesse escrito, é inimaginável que o que escrevesse tivesse alguma semelhança com o que foi a União Soviética (URSS), sobretudo depois que Stalin assumiu a liderança do partido e do Estado. A verdade é que muitos dos debates que a obra de Marx suscitou durante o século XX, fora da URSS, foram um modo indireto de discutir os méritos e os deméritos da RR.
Aventura soviética teve limites, contradições e misérias, mas ao menos um enorme mérito. Ela demonstrou que havia alternativa ao capitalismo e o obrigou a recuar
Assinalam-se este ano os 100 anos da Revolução Russa (RR)1 e também os 150 anos da publicação do primeiro volume de Das Kapital de Karl Marx. Juntar as duas efemérides pode parecer estranho porque Marx nunca escreveu em detalhe sobre a revolução e a sociedade comunista e, se tivesse escrito, é inimaginável que o que escrevesse tivesse alguma semelhança com o que foi a União Soviética (URSS), sobretudo depois que Stalin assumiu a liderança do partido e do Estado. A verdade é que muitos dos debates que a obra de Marx suscitou durante o século XX, fora da URSS, foram um modo indireto de discutir os méritos e os deméritos da RR.
segunda-feira, 14 de julho de 2014
Cinco coisas que nunca agradecemos à União Soviética
Embora fracassado, projeto socialista do século 20 alcançou êxitos parciais de grande relevância. Entre eles, reconhecimento dos direitos da mulher e vitória contra nazismo
Por Aanchal Anand, no Mundo Alternativo
1 – Direitos da Mulher: Enquanto algumas ilhas haviam concedido para as mulheres o direito ao voto já no século XIX, a primeira grande mudança ocorreu no começo do século XX. No ano de 1917, somente quatro países (Austrália, Finlândia, Noruega e Dinamarca) haviam adotado o sufrágio feminino. A Revolução Russa de 1917, que defendeu a igualdade de direitos para todos, difundiu o temor de que as feministas encontrassem no comunismo um sistema mais atrativo, e puderam conspirar junto com os bolcheviques para importar a ideologia nos países ocidentais. A melhor forma de cortar a raiz semelhante ameaça era conceder as mulheres o direito ao voto. A Grã Bretanha e a Alemanha legalizaram em 1918, e os EUA em 1920, outros logo tomariam o mesmo caminho. A França foi a única potência que não reconheceria esse direito até 1944.
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