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segunda-feira, 30 de abril de 2018

O Sítio atrás da Porta


Wanderley Guilherme dos Santos

Troia foi sitiada pelos espartanos durante dez anos. Derrotada, teve os homens adultos executados, mulheres e crianças escravizadas. Esse era o costume no mundo antigo, usual durante a Idade Média, chegando à Segunda Guerra Mundial. Com o tempo, o assassinato de homens e mulheres dos países vencidos limitou-se aos rebeldes e à prática de mera selvageria em territórios ocupados, mas o trabalho forçado permaneceu. Até hoje.

A condição de estar sitiado(a), incapacitado(a) de agir conforme vontade própria adquiriu requintes psicológicos, isenta de exibições físicas, nem por isso menos letal.

domingo, 6 de novembro de 2016

O outono da nossa democracia

Marcelo Semer

É comum que se diga que a esquerda, ou uma certa entidade abstrata, vez por outra alcunhada de bolivarianismo, governou o pais por treze anos.

A bandeira do Brasil não ficou vermelha.

Nenhuma empresa foi nacionalizada. Não houve desvio algum por meio de participação popular – nem um mísero plebiscito nesse tempo todo. Nenhuma alteração para aumentar mandatos próprios ou reduzir os alheios foi sequer proposta. Nenhum instrumento de censura foi criado, nem contra a mídia partidariamente ativa. Não houve polícia política –e se tivesse havido, certamente não seria para sustentar o governo. Até a remuneração do sacrossanto sistema financeiro foi mantida incólume –ou mesmo em ascensão. Nenhum torturador dos anos de chumbo, enfim, foi preso.

terça-feira, 8 de março de 2016

Isso é propina de presidente da República?!


A tese que o juiz Sergio Moro tenta demonstrar – Lula é o chefe do petrolão – apesar de toda a boa vontade, histeria, torcida, barulho, tumulto, gráficos, manchetes da imprensa conivente e aplausos da direita festiva e da ex-esquerda gagá, não para em pé.

Senão, vejamos.

A Lava Jato parte do pressuposto de que Lula é o dono do sítio de Atibaia, ganhou de presente as reformas e um triplex no Guarujá de 200 metros quadrados em troca de contratos com a Petrobrás.

Ah, e os móveis de cozinha e dois pedalinhos com os nomes dos netos! Que vida nababesca! Praticamente um sultão!

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Estado de exceção: o que é, e para que serve


Pedro Rocha de Oliveira e Clarice Chacon*.

O conceito de estado de exceção tem origem jurídica precisa e aponta para um fenômeno social muito específico: a suspensão do Estado de Direito através do direito. A ideia geral da exceção é que é preciso suspender a constituição em momentos de crise e que, portanto, tal suspensão deve ser legal, apesar de inconstitucional (o que, obviamente, é um contrassenso – mais um entre muitos dos que são necessários para o funcionamento dessa máquina de moer gente que é o capitalismo). Em bom português, pode-se falar de estado de exceção naqueles casos em que a legislação prevê que o indivíduo não pode contar com a legislação para se defender. 
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