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sexta-feira, 12 de maio de 2017

A importância da imprensa para o povo aumentou, mas diminuiu a proporção de pessoas que podem se expressar através dela.

Luiz Gonzaga Belluzzo

O Big Brother global não cobriu, mas encobriu, por todos os meios e modos, a greve geral do dia 28 de abril. Durante a programação noticiosa, o telespectador ficou à mercê do excesso de gesticulações de âncoras e que tais, contorcionismos que denunciavam o mal-estar com a negação dos fatos que ocupavam e desocupavam as ruas. Não raro, os diálogos entre apresentadores e repórteres se encerravam com ataques ao vernáculo: “Brigado”.

sexta-feira, 18 de novembro de 2016

A emergência do Estado Policial e a catástrofe anunciada

Abuso e desrespeito se generalisa
Pedro Tierra:

O Brasil se despede do Estado Democrático de Direito consagrado pela Constituição de 1988. E acelera o passo rumo a uma catástrofe anunciada: tornar-se um Estado Policial. Os procedimentos repressivos que vêm sendo aplicados nos últimos anos em S. Paulo, onde atua impunemente a polícia que mais mata no mundo – os alvos preferidos são os jovens negros, pobres, LGBTs, moradores das periferias – aparentemente começam a ser experimentados em âmbito nacional, agora no trato com os movimentos sociais dos trabalhadores, que se opõem às políticas regressivas do governo usurpador de Michel Temer contra os direitos conquistados desde a promulgação da Carta de 88 e de entrega dos recursos naturais do país à pilhagem do capital internacional.

sábado, 10 de setembro de 2016

'Se não houver invenção democrática, o rumo da burocracia, e mesmo do totalitarismo, é inelutável'.

Entrevista especial com Roberto Romano
Márcia Junges 

“A fragilíssima vida pública brasileira foi uma conquista de séculos, obtida contra o mando estatal português e depois o da corte no império. Movimentos rebeldes foram esmagados por espadas e baionetas, sob os canhões conduzidos por Caxias”. A reflexão é do filósofo Roberto Romano em entrevista concedida por e-mail à IHU On-Line. Ele acrescenta que, assim, “não existiu e não existe espaço público no Brasil para ser reinventado. Estamos ainda nas projeções de uma possível vida pública livre”.

terça-feira, 5 de janeiro de 2016

Agamben: o flerte do Ocidente com o totalitarismo


Giorgio Agamben  
Estado de Segurança: governos movimentam-se para restringir liberdades, atemorizar cidadãos e reduzi-los, enfim, à passividade. Isso nada tem a ver com “combate ao terrorismo”

O estado de emergência não é um escudo que protege a democracia. Pelo contrário, ele sempre acompanhou as ditaduras e até forneceu um quadro jurídico para as atrocidades da Alemanha nazista. A França deve resistir à política do medo.

domingo, 3 de janeiro de 2016

Sem perspectiva



Vladimir Safatle
 

Há uma conhecida história que teria envolvido Angela Davis e Theodor Adorno nos anos 1960. Em um dos seminários do frankfurtiano, a ativista e filósofa norte-americana teria iniciado uma discussão ao insistir na necessidade dos intelectuais "assumirem a perspectiva dos oprimidos", agindo principalmente a fim de garantir espaço para que oprimidos pudessem falar, reconhecendo a especificidade de seu lugar de fala.

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Alguém disse totalitarismo?


 Slavoj Žižek


A Boitempo acaba de lançar Alguém disse totalitarismo? Cinco intervenções no (mau) uso de uma noção, de Slavoj Žižek. 

No livro, o filósofo esloveno desmascara toda uma estratégia retórica capciosa e revela uma série de semelhanças entre o totalitarismo e a democracia liberal moderna. Como noção ideológica, o totalitarismo sempre teve uma função estratégica precisa: garantir a hegemonia liberal ao rejeitar a crítica de esquerda de que a democracia representativa seria o reverso das ditaduras fascistas de direita.

quarta-feira, 12 de junho de 2013

Zero por cento de segurança



"Não é possível ter, ao mesmo tempo, 100% de segurança e 100% de privacidade com inconveniência zero."

Com essa frase, digna do cinismo mais patético, o presidente Barack Obama tentou justificar o fato de seu país ter se transformado em um verdadeiro ciber-Estado policial.

Graças à imprensa, descobrimos que o governo norte-americano usa o dinheiro dos contribuintes para espionar suas próprias vidas, por meio do monitoramento contínuo de ligações telefônicas e atividades na internet. Mas eles podem ficar tranquilo, pois, como disse Barack, "não vemos o conteúdo das ligações, só a duração e os números". Esta é a sua maneira de glosar o slogan preferido de Bill Clinton: "Fumei, mas não traguei".

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