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sexta-feira, 7 de julho de 2017

Formação de militantes

Frei Betto

Há quem se mova, se desinstale e se mobilize em função de causas políticas. Nos últimos tempos, estudantes ocuparam escolas e, agora, manifestantes gritam nas ruas FORA TEMER!

Ora, entusiasmo é bom na ação política, mas não forma militantes. Passado o embalo, tudo volta como antes no quartel de Abrantes. O que forma militantes revolucionários para toda a vida é a articulação entre prática e teoria.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

“A centelha se acende na ação: a filosofia da práxis no pensamento de Rosa Luxemburgo”

Michael Löwy: O pensamento de Rosa Luxemburgo

Michael Löwy.*

Artigo publicado originalmente na revista semestral da Boitempo, a Margem Esquerda, com o título, “A centelha se acende na ação: a filosofia da práxis no pensamento de Rosa Luxemburgo”.

Algumas palavras pessoais, a título de introdução. Descobri Rosa Luxemburgo por volta de 1955, aos 17 anos, graças ao amigo Paulo Singer. Paulo me explicou longamente a teoria do imperialismo, mas o que me atraiu mesmo foram os textos políticos que ele me passou, a crítica do centralismo, a visão revolucionária e democrática de Rosa Luxemburgo.

quinta-feira, 2 de abril de 2015

O intelectual específico, segundo Foucault


Durante muito tempo o intelectual dito “de esquerda” tomou a palavra e viu reconhecido o seu direito de falar enquanto dono de verdade e de justiça. As pessoas o ouviam, ou ele pretendia se fazer ouvir como representante do universal. Ser intelectual era um pouco ser a consciência de todos. Creio que aí se acha uma idéia transposta do marxismo e de um marxismo débil: assim como o proletariado, pela necessidade de sua posição histórica, é portador do universal (mas portador imediato, não refletido, pouco consciente de si), o intelectual, pela sua escolha moral, teórica e política, quer ser portador desta universalidade, mas em sua forma consciente e elaborada. O intelectual seria a figura clara e individual de uma universalidade da qual o proletariado seria a forma obscura e coletiva [Microfísica do Poder, Michel Foucault].

segunda-feira, 24 de março de 2014

Sobre a prática e a contradição; Mao por Zizek



Sonhar, realizar o sonho, sonhar mais alto: Dialética e revolução em Slavoj Zizek

I

Uma transformação social de grande envergadura pode ser considerada pejorativamente, por muitos, um sonho. Pode ser sonho ingênuo, do ponto de vista dos senhores da ordem, uma condição em que superamos um modo de vida no qual existimos como meros meios para fins que nos são alheios. No entanto, há que se levar em conta, são sonhos que não emergem isoladamente nem são eventos acidentais no fluxo constante que é a história.


O que é, pois, sonhar? O que é que são os sonhos (diurnos ou noturnos)? Por que, afinal, sonhamos e desejamos tão ansiosamente, tão entranhadamente a emancipação que nos escapa?

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