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sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

A morte verdadeira acontece quando seu nome é pronunciado pela última vez.

Como viver um luto

Qual é o melhor jeito de viver um luto? Agora que ele/ela morreu, agora que perdi a saúde, agora que a casa caiu, como é que eu faço para continuar com minha vida?

Quase sempre, quem coloca essa pergunta de fora (ou seja, pensando generosamente nas perdas dos outros ou em eventuais perdas futuras) parece acreditar num pressuposto pelo qual, antes de mais nada, quem perdeu um ente querido gostaria de sofrer quanto menos possível e pelo tempo mais curto possível.

Argentina, a literatura da perda


Desde a ditadura militar dos anos setenta, as letras argentinas foram violentamente atravessadas pela comoção da dor, da ausência e do exílio

José Navarro

O ano 1976 foi um divisor de águas na história argentina. A ditadura instaurada pelo golpe militar daquele ano viria a se tornar o regime mais macabro e atroz de todos os que já dominaram o país. “15.000 desaparecidos, 10.000 presos, 4.000 mortos, milhares de desterrados, são as cifras nuas desse terror”, escreveu Rodolfo Walsh em 1977. As cifras nuas continuariam crescendo, encarnadas no próprio Walsh, assassinado naquele mesmo ano. Outros autores, como Julio Cortázar e Juan Gelman, haviam saído do país antes do golpe e não puderam voltar. Os que ficaram viveram sob a mira da violência política. A literatura argentina, acostumada a tecer seu universo estético a partir da turbulenta matéria-prima da sua história, foi, a partir dos anos setenta, arremetida de forma profunda e definitiva pela comoção da dor, da ausência e do exílio.

quinta-feira, 24 de julho de 2014

O Brasil ganhou a Copa

Só na Hora
Contardo Calligaris 

O Brasil ganhou a Copa de duas maneiras. A primeira é que a Copa aconteceu e funcionou. Claro, houve problemas, grandes e pequenos. Claro, também, descobriremos (se não sabemos já) que o custo foi muito superior ao que deveria ter sido. Mas não fizemos feio: a maioria dos hóspedes achou que o Brasil organizou bem a festa e que valeria a pena voltar um dia. Em suma, bem melhor do que eu imaginava.


A segunda (e mais importante) razão pela qual o Brasil ganhou a Copa é que a seleção perdeu de 7 a 1 contra a Alemanha e de 3 a 0 contra a Holanda, mas isso não foi uma tragédia.
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