terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Drogas: incompreensão e moralismo também na esquerda



“Nosso povo” faz, sim, uso problemático de drogas. Assim como faz usos medicinais, culturais e contraculturais, religiosos, científicos, filosóficos e recreacionais destas substâncias

Por Júlio Delmanto, no Brasil de Fato

O conceito de fetiche é comum aos principais pensadores nascidos do século XIX, Karl Marx e Sigmund Freud. Se em Marx o fetichismo (da mercadoria) é utilizado como ferramenta descritiva de obscurecimento das relações sociais, que passam a ser encaradas como relações entre coisas por conta da dinâmica imposta pelo Capital, em Freud o fetichismo é também ocultamento, mas da falta que nasce com a recusa em se admitir a diferença sexual entre homem e mulher. Em ambos os casos, o conceito é utilizado para descrever mecanismos de ocultamento de um problema, processo que leva a atenção a deslocar-se do central e focar-se em algum aspecto aparente e superficial.

Na atual conjuntura de uma suposta “sociedade do consumo”, a autonomia do indivíduo é apregoada e induzida no âmbito do consumo mas freada no que diz respeito à livre gestão dos corpos, na medida em que se busca interditar o acesso a algumas substâncias psicoativas – agrupadas sobre o generalizante guarda-chuva do termo “drogas”. Elas são tornadas ilícitas com a justificativa de se garantir a saúde pública. Sob uma razão entorpecida, como bem define a ex-juíza Maria Lúcia Karam, tais substâncias são eleitas como responsáveis por mazelas sociais de causas múltiplas e complexas, e o combate à produção e ao consumo destas traz em si uma série de outros sérios efeitos nefastos e evitáveis. 



segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Um olhar sobre o mangue



Ecossistema, importante para manutenção da qualidade das águas estuarinas e costeiras, é assunto de campanha e chat na próxima semana




Terra da Gente, com info SOS Mata Atlântica

Desde a semana passada está no ar a campanha Mangue Faz a Diferença, que conta com o apoio do Comitê Brasil em Defesa das Florestas e do Desenvolvimento Sustentável, uma coalizão formada por 163 organizações da sociedade civil brasileira, responsável pelo movimento “Floresta Faz a Diferença”. A ideia é mostrar a importância desse ecossistema para a manutenção da qualidade e fertilidade das águas estuarinas (encontro entre as águas do rio e mar) e costeiras, para a proteção contra erosão costeira e eventos climáticos extremos. 

O STF sobre o CNJ: a discreta revolução




A decisão do Supremo é mais um episódio deste movimento histórico, que tem enfrentado e, graças a Deus, vencido, a reação enfurecida dos interesses externos e dos opressores nacionais. Não podemos perder essa vitória, aparentemente menor, mas essencial.

Mauro Santayana

Embora tenha sido apertada, a decisão de ontem do Supremo Tribunal Federal, confirmando a competência constitucional do Conselho Nacional de Justiça, de atuar ex-officio, como claramente lembrou o ministro Joaquim Barbosa, inicia uma discreta, mas profunda, revolução no sistema judiciário brasileiro.

Todos os poderes do Estado devem estar submetidos ao rigor da ética, mas a ausência dessa atitude no poder judiciário é mais danosa.

Reforma judiciária já



Wálter Fanganiello Maierovitch



A Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), ao provocar o Supremo Tribunal Federal (STF) para declarar a inconstitucionalidade formal de Resolução 135/2011 e da atividade correcional autônoma (originária) exercida pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), órgão de controle instalado em 14 de junho de 2005 e nascido de uma reforma do Judiciário que durou dez anos, deu excepcional contribuição para melhor conhecimento, por parte dos brasileiros, da Justiça e dos magistrados, desde o detestável corporativismo até a lerdeza na solução de litígios.

A propósito de duração processual média e o entrave nos negócios, o Banco Mundial analisou 181 países e a morosidade colocou o Brasil no 100º posto. Poderia ser pior, pois fora do cálculo ficaram os precatórios brasileiros, cujos credores já não têm esperança de receber em vida.

Graças à contribuição da AMB, o cidadão brasileiro, que clama há anos pela reforma política, sentiu a necessidade premente de se reformar o Poder Judiciário. E isso passa pela criação nos estados federados, sem prejuízo das corregedorias dos tribunais e do CNJ, de Conselhos Estaduais de Justiça.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Cinco arrependimentos de pessoas prestes a morrer





Segundo autora, o doente terminal passa por várias fases até chegar a aceitação


Uma enfermeira australiana lançou um livro com uma lista de cinco principais arrependimentos de pessoas que estão prestes a morrer.

Bronnie Ware, que é especialista em cuidados paliativos e doentes terminais, afirma que reuniu em seu livro "confissões honestas e francas de pessoas em seus leitos de morte", confissões que, segundo ela, mudaram sua vida.

"Encontrei uma lista grande de arrependimentos, mas, no livro, me concentrei nos cinco mais comuns", disse a autora à BBC.

"O principal arrependimento de muitas pessoas é o de não ter tido coragem de fazer o que realmente queriam e não o que outros esperavam que fizessem", acrescentou. 




Democracia, segurança pública e a coragem para agir na política





Edson Teles.




Democracia com violência de Estado e especulação imobiliária: duas questões cruciais que nos chamam a atenção nos recentes episódios de ação da Polícia Militar do Estado de São Paulo, para “restabelecer a ordem e a legalidade”, os quais se configuraram como violentos e sem eficácia do ponto de vista do interesse público.


A chamada Cracolândia (nome aparentemente cunhado pela grande mídia que, de certo modo significante, remete a um lugar de diversões, a estilo do nome do parque Disneylândia) e o bairro Pinheirinho, em São José dos Campos, têm algo em comum além do fato de terem sido o palco das recentes violações de direitos sofridas por parte de uma parcela da população que parece não ter “direito a ter direitos” (nas palavras críticas de Hannah Arendt). Ambos os locais possuem em comum o fato de serem áreas de forte especulação imobiliária.


Os usuários de crack do centro de São Paulo encontram-se na região que o governo definiu para a execução do projeto “Nova Luz”, em referência ao discurso que assinala esta área como decadente, repleta de marginais, abandonada, suja…

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Dúvidas: campanha de combate ao trabalho infantil nas praias de João Pessoa






MPT vai assumir o sustento do menor trabalhador e família  ?

De onde virá o dinheiro para substituir o ganho no trabalho   ?

Denuncias anônimas constroem solidariedade  ? 



"Nossa casa vai ser a rua", diz jovem após reintegração em SP


Marina Gama

Cerca de 50 pessoas que deixaram hoje o prédio que havia sido ocupado na esquina das avenidas São João e Ipiranga, no centro de São Paulo, montaram barracos nas proximidades. O grupo afirma que não tem para onde ir e que aguarda um posicionamento da prefeitura.

"Nossa casa agora vai ser a rua porque ninguém aqui tem para onde ir. Se tivesse não estaria ocupando. Decidimos sair para não levar borrachada a toa e para que as pessoas não pensem que somos bandidos e traficantes", afirmou o autônimo William Marcelino Correa do Nascimento, 18.

Nascimento também levou suas coisas para o local onde estão sendo montadas as barracas, na altura do número 555 da avenida São João. Com a chegada das famílias, houve uma discussão com moradores de rua que também ficam na região, mas foi logo contida.

"Queremos uma moradia fixa para sair das ruas e poder por nossos filhos da escola. Estamos confiantes que a prefeitura vai se mobilizar para atender a gente, porque também precisamos de estrutura familiar", afirmou a desempregada Andrea da Silva, 34, que morava havia três meses em um quarto do prédio desocupado com o marido, a irmã, o cunhado e dois sobrinho. 

João Pessoa: Metade dos lavadores e guardadores de carro vem de fora





Pesquisa também revelou o baixo nível de formação educacional dos trabalhadores informais


Metade dos lavadores e guardadores de carro que atuam na orla de João Pessoa vem de cidades e estados vizinhos. A informação foi revelada nesta quarta-feira (1), como resultado de uma pesquisa realizada pela Secretaria de Estado de Desenvolvimento Humano (Sedh) para a Empresa Paraibana de Turismo (PBTur).

O estudo, parte de um programa que tem como objetivo qualificar esses trabalhadores informais, foi realizado de 7 a 12 de janeiro deste ano, através da aplicação de 80 questionários com 14 tópicos direcionados para a construção de um perfil desse segmento.

Além da naturalidade dos guardadores e lavadores, mostrada como 51% deles naturais de João Pessoa e 49% vindos de cidades e estados vizinhos, a pesquisa também revelou o baixo nível de formação educacional desse segmento.

Governo jogará pesado no fundo de previdência para funcionários




Com a volta dos trabalhos no Congresso, a partir de 1º de fevereiro, o governo vai jogar pesado para aprovar o Projeto de Lei 1.992/07. 


O texto cria regime de previdência complementar para novos servidores federais. A principal alteração é a criação de um teto para aposentadorias. O parâmetro é o limite pago pela Previdência Social aos trabalhadores da iniciativa privada. Atualmente, o valor está em R$ 3.916,20. Os novos servidores não vão receber aposentadoria integral, como acontece hoje com o funcionalismo.

 Quem quiser ganhar acima do teto terá que aderir ao Funpresp (Fundo de Pensão dos Servidores Públicos Federais), que será formado para complementar os benefícios. O projeto prevê a criação de três fundos para cada Poder — Executivo, Legislativo e Judiciário.

A alteração será obrigatória para os novos concursados e facultativa a quem já está no quadro de pessoal.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

UEPB Privatizada e sem Autonomia no “Projeto do Coletivo” ?





Governo reduz verbas para UEPB e reitoria da universidade protesta 



Segundo reitoria, governo do estado 'rasgou' autonomia da universidade. Governador Ricardo Coutinho disse que informação é mentirosa.

A reitoria da Universidade Estadual da Paraíba afirmou nesta terça-feira (31) que o governo do estado reduziu o repasse financeiro mensal, o chamado duodécimo, da instituição. De acordo com o pró-reitor de Planejamento e Desenvolvimento da UEPB, Antônio Rangel Júnior, a administração estadual fixou o repasse em R$ 18,7 milhões por mês. Segundo ele isso vai de encontro à Lei 7.643, de agosto de 2004, que institui a autonomia financeira da universidade e determina que as verbas mensais da instituição sejam equivalentes 5,77%, da receita ordinária do mês anterior. 

Pobres e Malfeitores do São José recebem visita do Governo da Paraíba



Polícias realizam operação no São José para cumprir mandados e coibir tráfico de drogas

Paulo Cosme com Washington Luiz  

Cerca de duzentos policiais entre civis e militares realizaram durante a madrugada desta quarta-feira (1º), uma mega operação no bairro São José, em João Pessoa. 

O objetivo da operação, segundo informou coronel Carlos Américo, foi cumprir mandados de busca e apreensão e de prisão e coibir o tráfico de drogas.

Para cumprir os mandados de prisão, busca e apreensão, os policiais entraram nas residências e prenderam várias pessoas. Também foram apreendidas drogas e armas.

Nesse momento, os acusados e todo o material apreendido estão sendo levados para a Central de Polícia na Capital.




Paraiba.com

A vingança dos dinossauros



Os leitores se recordam dos anúncios patrocinados pelo governo Collor, quando o caçador de marajás iniciava o processo de entrega dos bens nacionais aos estrangeiros, em nome da modernidade. Os que defendiam o patrimônio público eram desdenhosamente identificados como dinossauros.

Mauro Santayana

Os leitores se recordam dos anúncios patrocinados pelo governo federal durante o mandato de Collor, quando o caçador de marajás iniciava o processo de entrega dos bens nacionais aos estrangeiros, em nome da modernidade. Os que defendiam o patrimônio público eram desdenhosamente identificados como dinossauros, ou seja, animais dos tempos jurássicos. Iniciou-se, com o confisco dos haveres bancários, o processo de desnacionalização da economia, sob o comando da senhora Zélia Cardoso de Melo e do economista Eduardo Modiano, nomeado presidente do BNDES com a missão de desmantelar o setor estatal e entregar suas empresas aos empreendedores privados que se associassem às multinacionais.

A revolta da burguesia assalariada, por Slavoj Žižek




Embora os protestos sociais em curso nos países ocidentais desenvolvidos pareçam indicar o renascimento de um movimento emancipatório radical, uma análise mais detalhada nos compele a elaborar uma série de distinções precisas que, de alguma forma, embaçam essa clara imagem. Três coisas caracterizam o capitalismo de hoje: a tendência de longo prazo de transformação do lucro em renda (em suas duas principais formas: a renda do “conhecimento comum” privatizado e a renda pelos recursos naturais); o papel estrutural mais forte do desemprego (a própria chance de ser “explorado” em um emprego duradouro é percebida como um privilégio); e a ascensão de uma nova classe que Jean-Claude Milner chama de “burguesia assalariada” [Veja Jean-Claude Milner, Clartes de tout, Paris, Verdier, 2011].



Para explicar a relação entre estas características, comecemos com Bill Gates: como ele se tornou o homem mais rico do mundo? Sua riqueza não tem nada a ver com o custo de produção daquilo que a Microsoft vende (pode-se até mesmo argumentar que a Microsoft paga a seus trabalhadores intelectuais um salário relativamente alto), isto é, a riqueza de Gates não é o resultado de seu sucesso em produzir bons softwares por preços mais baixos do que seus concorrentes ou por uma “maior exploração” de seus trabalhadores intelectuais contratados. Se este fosse o caso, a Microsoft teria ido a falência há muito tempo: as pessoas teriam optado massivamente por programas como Linux que são de graça e, de acordo com especialistas, de melhor qualidade que os programas da Microsoft.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Luiz Couto e Ricardo Coutinho ou o Coelho e a Onça



Era uma vez, um coelho que vivia em uma floresta. Ele era muito querido por ser generoso e prestativo e tinha uma academia de atletismo; ele sabia saltar e correr, e queria ensinar a todos.

Mas nem todos estavam felizes com o talento e o reconhecimento que o coelho tinha na floresta. A onça, por exemplo, o animal mais temido, sonhava com o dia no qual conseguiria pegar o coelho e fazer um grande banquete.

Um belo dia, o coelho estava com vontade de comer suas frutas favoritas – as amoras que cresciam à sombra da amendoeira que ficava do lado de lá do rio – e para isso, precisava passar perto da casa da onça. 

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