Moysés Pinto Neto provoca: “Vivemos um momento extraordinário. Tudo está em aberto. A decomposição do instituído é nossa grande oportunidade”
Moysés Pinto Neto
A década passada foi inegavelmente um grande momento para o Brasil. O bolo cresceu e foi distribuído também aos pobres, promovendo um deslocamento na estrutura de classes brasileira e uma reconquista da autoestima nacional. O que hoje é regra, a depreciação do Brasil, tinha virado cafonice. Nosso país tornava-se um dos projetos de futuro mundial, invertendo a equação colonizada de que deveríamos copiar tudo do Norte. Durante a crise de 2008, víamos as economias de lá despencarem enquanto vivíamos nosso melhor momento, podendo até tripudiar a crise chamando-a de “marolinha”. Por todo o mundo, o Brasil era visto como potencial modelo porque combinava uma nova estabilidade institucional, conquistada pela Constituição de 1988 e transição serena entre tucanos e petistas, estabilidade econômica, com responsabilidade fiscal, controle da inflação e crescimento, e um caldeirão sociocultural e ambiental ainda inexplorado, mas cheio de vitalidade.
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sexta-feira, 26 de maio de 2017
segunda-feira, 17 de abril de 2017
Safatle:Um outro fim do mundo é possível
A Nova República só poderia acabar mesmo nesta confissão explícita de fracasso nacional
“O que temos no Brasil não é um negócio de cinco, dez anos. Estamos falando de 30 anos atrás”. Foi bom, Emílio Odebrecht, que você tenha lembrado disso em sua delação premiada. Pois durante os últimos anos o povo brasileiro teve que assistir ao espetáculo patético de corruptos com ares de indignação cívica acusando corruptos, torcedores de corruptos saindo às ruas para clamar contra a corrupção.
sexta-feira, 7 de agosto de 2015
Deixe os mortos enterrarem seus mortos
"Em um contexto de crise dessa natureza (e, antes de ser econômica, a crise brasileira é política, é a marca do fim de uma era política) a única solução realmente possível é caminhar ao que poderíamos chamar de "grau zero da representação", afirma Vladimir Safatle, professor de Filosofia, em artigo publicado no jornal Folha de S. Paulo, 07-08-2015.
Segundo ele, "não há, hoje, mais atores políticos no Brasil. Os principais foram testados e falharam, e é desonestidade intelectual acreditar que uma simples troca de presidente mudará algo. Por isso, o poder instituinte precisa se apresentar diretamente, com o mínimo de representação possível. Ao apresentar-se enquanto tal, o poder instituinte pode impulsionar um processo de constituição de novos atores e novas formas".
quinta-feira, 2 de abril de 2015
Depois da Nova República
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| "Parlamentarismo de Espoliação" |
Vladimir Safatle
Há certo tempo, tenho insistido com os leitores desta Carta que considerem a hipótese de estarmos, neste momento, assistindo a um esgotamento profundo do ciclo histórico que costumamos chamar de "Nova República”. Gostaria de voltar a esse ponto a fim de discutir o que pode aparecer como alternativa a tal situação, além de tentar aprofundar alguns pontos já apresentados.
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