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quinta-feira, 1 de outubro de 2015

11 contos exemplares


Ítalo Calvino
Rodrigo Gurgel.

Separei hoje 11 contos exemplares. Talvez não para todos — mas para mim, com absoluta certeza. Não são exemplos geniais. Alguns assemelham-se àqueles doces da infância, organizados com certa displicência no balcão do confeiteiro e que não despertam nossa gula — mas quando decidimos experimentá-los, seu sabor explode na boca, a sensação de reconforto inunda nosso corpo. Pouco importa se, do ponto de vista de alguns colegas, podem ser exemplos secundários, pois cada um deles me concedeu autêntico prazer.

segunda-feira, 6 de julho de 2015

Festa, celebração com os vizinhos de todas as veredas, o mundo.


Guimarães Rosa especula sobre o ato de celebrar

Escritor descobre, no fundo do sertão mineiro, os sentidos e funções das festas que atravessam os tempos e os lugares

“Ia haver festa”. Inicia João Guimarães Rosa o seu conto “Uma estória de amor (Festa de Manuelzão)” a declarar um tema: a celebração. Entramos na malha de suas palavras, diversos tecidos de signos estão ali misturados e vão se mostrando aos poucos, como se de uma bacia de roupas coloridas Guimarães fosse estendendo uma a uma na corda ao sol. Desde o que move o íntimo do herói até os sentidos que o transcendem em muito, arquetípicos, tudo vira palavra, que Guimarães sabe arrumar e ofertar como ninguém.

quarta-feira, 30 de abril de 2014

“Viver é negócio perigoso”. :Guia de leitura sobre Guimarães Rosa


Wander Lourenço*

Por lidar com o espólio de João Guimarães Rosa há algumas décadas, mais precisamente desde o início da graduação em Letras nos fins da década de oitenta e até a aprovação da pesquisa de pós-doutoramento pelo Departamento de Estudos Comparatistas da Universidade clássica de Lisboa, em 2014, creio que já posso habilitar-me a conduzir o leitor pelo Grande sertão: veredas e outras estórias do autor nascido em Cordisburgo, em 1908. Por falar em Grande sertão, com exatidão afirma-se que a tenebrosa obra literária seja a maior responsável pelo afastamento dos leitores da obra roseana, de maneira que, por esta razão, aconselho que se deva lê-lo apenas após se passar por uma espécie de ritual de iniciação através dos registros de menor fôlego como, por exemplo, Desenredo e A terceira margem do rio.
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