Enquanto não reconhecermos a nova função do milagre na política brasileira – fato que tanto esquerda quanto direita evitam enfrentar, ainda que por vezes o instrumentalizem – será muito improvável que entendamos o que foram os anos Temer.
Christian Ingo Lenz Dunker.
No final dos anos 1980, montamos uma pequena expedição psicanalítico-antropológica ao interior do Ceará. Nos instalamos em uma aldeia de pescadores, montamos uma barraca no terreiro do Seu Manuel e dividimos a estada com simpáticos suínos durante um mês. Passávamos os dias na Jangada, aprendendo a mitologia do mar e os perigos das moreias e tubarões, e as noites ouvindo a vida das famílias entre os menos de quinhentos habitantes locais. As hipóteses e conceitos que tínhamos no bolso se perderam nas areias, em algum lugar entre Canoa Quebrada e Jericoacoara. A experiência, não.




