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quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

Como acontece o milagre?


Enquanto não reconhecermos a nova função do milagre na política brasileira – fato que tanto esquerda quanto direita evitam enfrentar, ainda que por vezes o instrumentalizem – será muito improvável que entendamos o que foram os anos Temer.

Christian Ingo Lenz Dunker.

No final dos anos 1980, montamos uma pequena expedição psicanalítico-antropológica ao interior do Ceará. Nos instalamos em uma aldeia de pescadores, montamos uma barraca no terreiro do Seu Manuel e dividimos a estada com simpáticos suínos durante um mês. Passávamos os dias na Jangada, aprendendo a mitologia do mar e os perigos das moreias e tubarões, e as noites ouvindo a vida das famílias entre os menos de quinhentos habitantes locais. As hipóteses e conceitos que tínhamos no bolso se perderam nas areias, em algum lugar entre Canoa Quebrada e Jericoacoara. A experiência, não.

sábado, 11 de abril de 2015

Professor: queremos ouvir a sua história. Conte-nos!



Por Mary del Priore.

No cenário político, a melhor notícia dos últimos oito anos foi a indicação de Renato Janine Ribeiro para o Ministério da Educação. Fui sua aluna e sei: ele é brilhante! Além de erudito, um humanista e diplomata. É capaz de tirar um tantinho a tal “pátria educadora” do lamaçal onde se encontra. Nós, historiadores, sabemos que a educação sempre foi uma miragem e a maior parte de nós teve que dar sangue, suor e lágrimas para estudar.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Não dêem dinheiro aos Pobres! Turismo de Experiência e a Nova Desordem Urbana



Ivana Bentes

Os pobres são os novos índios? Uma humanidade singular que dispara fantasias de autenticidade, exotismo, ameaças, produz engajamento e piedade, as favelas produzem fabulações muito diversas e podem ser vistas como uma espécie de museu do capitalismo fordista e laboratório do capitalismo cognitivo, onde o que se negocia são imagens, afetos, relações.


O discurso midiático em curso, do medo difuso e demanda de repressão em relação aos territórios da pobreza (a instalação de um Estado de Exceção pré e pós UPPs), se mistura e se embaralha com as diferentes formas de consumir a pobreza, ligadas ao circuito do turismo e das trocas culturais.

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Experiência para 2013


Contardo Calligaris

Vinte anos atrás, fui ao casamento de uma amiga em Saratoga Springs, no norte do Estado de Nova York. Era o fim do inverno; a cidade ainda não recebera a turma das águas termais, que chega na primavera, e ainda menos a turma das corridas de cavalos, que acontecem no verão.

Na noite antes da festa, passeando pela rua principal (que, se não me engano, chama-se Broadway), entrei numa loja para fugir do vento. Num canto, estavam os restos dos restos das liquidações de inverno, descontados até não poder mais: as camisas custavam US$ 5 (R$ 10, mais ou menos). Adquiri duas camisas idênticas de sarja pesada, de um cinza escuro, quase preto. Eram as últimas duas no meu tamanho. 

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