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quarta-feira, 7 de março de 2018

Imaginário político Pernambucano



Por Michel Zaidan Filho

“Eu sou mameluco, eu sou leão do norte….”

Como as épocas históricas, os povos não são tradicionalistas por vocação. São por necessidade. Desde a Revolução de 30, quando as oligarquias estaduais perderam parte do poder de que gozavam, produziu-se um discurso saudosista, cujo objetivo era provar que o Brasil, a brasilidade, os brasileiros tinham nascido no Norte, no Nordeste, em Pernambuco ou em Apipucos, Olinda, nos Montes Guararapes ou no marco zero….

Essa astuta engenharia simbólica produziu uma religião, uma igreja e seus sacerdotes. O seu grão-mestre chamava-se Gilberto Freyre, e sua obra “a brasilidade nordestina”. Na ausencia da pompa e circunstância dos tempos dos barões, condes e viscondes, era indispensável agora escrever a epopéia civilizatória, a saga da oligarquia nordestina. Saga alimentada por mitos, fábulas e ficções que nos fizesse crer que éramos mais brasileiros do que os outros brasileiros. Criou-se até uma ciência cujo propósito era conferir legitimidade científica à fábula e os bardos armoriais passaram a falar em “nordestinados”, “nor-destinos”.


segunda-feira, 5 de fevereiro de 2018

Carnaval no-brega


Michel Zaidan Filho

Em carnavais passados, a FUNDARPE - quando ainda estava sob o comando de Luciana Azevedo - resolveu promover um debate preparatório sobre a participação do Estado na promoção do carnaval do Recife. Para este evento, foram convidados vários palestrantes ora vinculados à universidade ora ao meio artístico.

Entre estes, estava o professor Severino Vicente, que se saiu com um achado surpreendente: o carnaval do Recife era um misto de "brega" com "nobrega", ou seja, nem era só brega nem era nobre...ga.

segunda-feira, 30 de outubro de 2017

'O Nordeste é uma invenção das elites agrárias'

O historiador Durval Muniz de Albuquerque Júnior é uma referência nacional na área de identidade, gênero e subjetividades. Professor do curso de História da UFRN, conhece o Nordeste como poucos. Aliás, descobriu que a região localizada entre o Norte e o Leste do mapa é, na verdade, uma invenção da elite agrária brasileira.

Desse achado, nasceu um de seus sete livros já publicados. A Invenção do Nordeste e Outras Artes, que ganhou os palcos em 2017 em texto adaptado pelo filósofo Pablo Capistrano em parceria com ator e diretor Henrique Fontes, do grupo Carmim de Teatro.

Em entrevista à agência Saiba Mais, 29-10-2017, o historiador fala sobre as origens da região Nordeste, a seca como arma das elites, as subjetividades atacadas pelo capitalismo e sobre o avanço do conservadorismo no Brasil.
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