Uma cidade como São Paulo apresenta média de 400 estreias,
apenas no circuito comercial. Isso sem falar nas mostras, retrospectivas e
festivais. É uma cidade cinéfila e, por isso, ao fatiarmos o filé mignon nosso
de cada fim de ano, verificaremos saldo em geral positivo. Mesmo que a
enxurrada de filmes ruins, medíocres e repetitivos se imponha no dia a dia e
nos faça crer que o cinema acabou, há sempre um bom número de lançamentos a
serem saudados. São as exceções.
Por exemplo, como não ficar contente ao constatar que
passaram pelas telas filmes notáveis e tão diferentes como Era uma Vez na
Anatólia, do turco Nuri Bilge Ceylan, Um Toque de Pecado, do chinês Jia
Zhang-ke, O Som ao Redor, do brasileiro Kléber Mendonça Filho, Tabu, do
português Miguel Gomes, e A Grande Beleza, do italiano Paolo Sorrentino? Foram
os cinco melhores lançamentos do ano, em minha opinião.
