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sábado, 13 de janeiro de 2018

Na favela onde moro: sobre dinossauros e polícia


Felipe Araujo 

Quando eu era pequeno admirava os helicópteros, mesmo sem saber falar seu nome corretamente – até os 11 anos de idade, sempre achei que era “aerocóptero”. Certa vez, li em uma revista que eles eram como o beija-flor, o único pássaro capaz de pousar no ar.

Na favela onde moro, helicópteros são coisa comum. Em uma ocasião no ano, corremos atrás deles: em dezembro, quando o Papai Noel traz presente pras “crianças carentes” da comunidade. Nas outras inúmeras ocasiões, não há bom velhinho. Só a caveira do Bope. E, de presente, uma .30, cuspindo munição letal em qualquer coisa que se movimente.


sexta-feira, 22 de dezembro de 2017

Caveirão: “ eu vim buscar a sua alma”

Caveirão: o carro da morte

Luiza Sansão

Veículo blindado da PM é símbolo de terror para moradores de favelas. Campanha lançada este mês luta para bani-lo de operações policiais

“É o carro do horror. Quando ele vem, chega devastando tudo”, diz a cabeleireira Nadia Santos, moradora do Chapadão, na Zona Norte do Rio de Janeiro, ao se referir ao Caveirão — veículo blindado da Polícia Militar do Estado. “O Caveirão é uma proteção para os policiais. Quando eles entram na favela dentro de um Caveirão, nada acontece com eles. Mas é de onde os policiais atiram. Eles vêm na maldade sabendo que não serão atingidos. Só quem está fora é atingido”, completa. Seu filho, Cleyton, foi morto aos 18 anos por policiais, em 2015.

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