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sexta-feira, 6 de julho de 2018

O fim da coabitação da “burguesia interna” com os trabalhadores assalariados e os pobres

A Burguesia da Miséria

Jaldes Meneses

Quanto mal-gosto estético, quanta boçalidade, quanta ignorância, quanta decadência!

Os jornais de hoje narram os lances de um encontro ontem na CNI (Confederação Nacional da Indústria, conhecido lobbie de empresários falidos ou um terreiro de remanescentes de Brás Cubas) com vários presidenciáveis. Compareceram Ciro, Bolsonaro, Alckmin, Meirelles e Marina. A soma de todos os pré-candidatos presentes não iguala os índices de popularidade de Lula, o “não-convidado" ao encontro, nas pesquisas de opinião.

segunda-feira, 23 de abril de 2018

Plano B, transferência de votos e palanques estaduais


Jaldes Meneses

A ideia de “Plano B” é um equívoco, tanto pela maneira que foi articulado, nitidamente visando rebaixamento programático pós-golpe e o retorno a um acordo com uma burguesia perdida, como também por não corresponder ao anseio presente da militância de esquerda (ver a interessante entrevista, que serve como pesquisa qualitativa, publicada ontem na Folha de S Paulo, com 10 eleitores de Lula, escolhidos aleatoriamente). Essa militância, bem como os eleitores mais fieis, estão focados nas lutas e campanhas pela saída de Lula da cadeia. Para esses, por bons motivos, só existe “Plano L”.

sábado, 17 de fevereiro de 2018

A jogada bonapartista de Temer. Recriar um bolsonarismo sem Bolsonaro

Jaldes Meneses

Muita retórica balofa e repetição de esquemas prontos de antemão na maioria das análises que tenho lido sobre a intervenção federal-militar de Temer no Rio de Janeiro. Houve um golpe parlamentar no Brasil, suas fases, papel da rede globo, etc. etc. etc. Mas nada substitui a análise concreta da situação concreta.

Um hegelianismo vulgar voltou a fazer escola. Não se deve hiperracionalizar os acontecimentos como se obedecessem a um plano prévio milimetricamente articulado por um comando único. Compor uma narrativa neste molde, além de equivocado, não convence ninguém fora do circuito restrito dos convertidos.

quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

Jaldes Meneses: A hegemonia como contrato


Acabei de escrever, neste exato momento, uma curta apresentação para um livro meu de ensaios, que chamar-se-á "A hegemonia como contrato - ensaios sobre política e história". Agora segue para revisão e finalmente prelo.

Apresentação

Os ensaios que compõem este livro foram escritos e publicados em diferentes ocasiões, entre 2004 e 2017. O primeiro ensaio, “Gramsci e a Revolução Russa”, que abre o livro, é inédito.

Embora distintos e lidos em qualquer ordem, a minha pretensão de autor dos ensaios é costurar uma unidade temática implícita a partir de um fio condutor interno, cuja síntese se expressa no título do terceiro ensaio, “A hegemonia como contrato”. Conceber a hegemonia como um contrato não é uma abordagem assente nem resolvida em teoria política e história. Na tradição canônica da filosofia política, hegemonia e contrato atendem a tradições distintas, vistas em geral como enfoques antagônicos, o realismo político e o contratualismo, moderno ou contemporâneo. A ideia do livro origina-se de um insight enunciado e não desenvolvido como projeto sistemático pelo marxista brasileiro Carlos Nelson Coutinho, falecido em 2012. Penso que a problemática seja importante para lançar luzes na relação entre democracia e socialismo e na noção gramsciana do “Estado ampliado” no capitalismo.

domingo, 31 de dezembro de 2017

A entrevista de Freixo


Jaldes Meneses

Último dia do ano é tempo de por as barbas de molho, descansar uns três dias do debate político que o ano quente de 2018 vem por aí e ninguém é de ferro. Mas chegou a entrevista de Marcelo Freixo à Folha e o debate agitou em dias mornos. Evidentemente, a entrevista mostra um personagem circunstancialmente deslumbrado consigo mesmo, cujo narcisismo foi aproveitado por uma repórter esperta. Haveria muita coisa a comentar, a exemplo da opinião ingênua e unilateral de Freixo sobre as mobilizações de junho de 2013; da maneira “caseira” pela qual ele se acha o fiador da candidatura de Guilherme Boulos à presidente da república pelo PSOL, etc.

sábado, 30 de dezembro de 2017

Ainda a Revolução Russa. A revolução e o Estado

Jaldes Meneses

De te fabula narratur - Horácio

Previsivelmente, a comemoração do centenário da revolução russa reuniu o melhor e o pior, o biscoito fino e o lixo, da análise política e da teoria social. Centenas de debates, seminários, mesas redondas, colóquios, publicações, etc., demonstram que a revolução de outubro (calendário Juliano, sete de novembro, calendário Gregoriano) permanece um acontecimento vivo e interpelando o tempo presente de nossas vidas. Desta maneira, antes de tudo, dado o impacto numérico das comemorações, é importante observar - para além da qualidade e do mérito das contribuições - que fazer o balanço vertical da revolução trata-se de uma matéria histórica presente, sujeita a controvérsia de imediata ressonância política. As posições a respeito da revolução se politizam rapidamente. Mais que passado ou presente, à maneira do estudo de um paraíso perdido do neolítico ou uma civilização pré-colombiana, a revolução russa continua interpelando o futuro.

quarta-feira, 20 de dezembro de 2017

Jaldes Meneses: Gramsci e Lenin

Mais vale menos, mas melhor
"Se eu não me queimo

Se tu não te queimas

Se nós não nos queimamos

Como as trevas se tornarão claridade”

- Nazım Hikmet

A viragem na linha política produzida em 1921/22 no Movimento Comunista Internacional – NEP e frente única, duas respostas objetivas e combinadas a movimentos de transformação da própria realidade russa e européia –, compõe um marco histórico e teórico fundamental na periodização de Gramsci sobre o processo de revolução passiva no século XX. O processo contemporâneo de revolução passiva no século XX foi desatado exatamente como um subproduto da Revolução Russa: as respostas (políticas, econômicas, culturais, etc.) do sistema capitalista contra a sociabilidade gerada pelo novo tipo de revolução socialista (os sovietes) – emblematizados no fascismo e no fordismo –, e vice-versa, nos esforços promovidos pelos próprios soviéticos na evolução da Revolução Socialista – a NEP.


quinta-feira, 9 de novembro de 2017

Jaldes Meneses: Gramsci e a Revolução Russa

Jaldes Meneses

Como previsível a comemoração dos 100 anos da revolução russa reuniu o melhor e o pior, o biscoito fino e o lixo, da análise política e da teoria social. Centenas de debates, mesas redondas, colóquios, publicações, etc., demonstra que a revolução permanece um acontecimento vivo e interpelando o tempo presente de nossas vidas. Desta maneira, antes de tudo, dado o impacto numérico das comemorações, é importante observar - para além da qualidade e do mérito das contribuições - que fazer o balanço vertical da revolução trata-se de uma matéria histórica fundamental.

domingo, 29 de outubro de 2017

Reneocolonização do Brasil


Tudo isso vem transformando o Brasil de um país dependente que lutava com esforço para subir de degrau em um país em acelerado processo de reneocolonização.

O primeiro dos últimos dias de Temer

Jaldes Meneses

Após a votação de ontem da Câmara dos Deputados, liberando o presidente de responder no STF pelos crimes provados de organização criminosa, corrupção passiva e lavagem de dinheiro, começa hoje o primeiro dos últimos dias do governo Temer. O principal evento deverá ser as eleições de 2018, que promete emoções, sangue e suor. Mas ainda resta um rescaldo de tempo até o lançamento de chapas e convenções, entre abril e agosto. Como o tempo será preenchido até lá?

sábado, 30 de setembro de 2017

Crises Macunaímicas, Traquinagens Jurídicas, Devaneios de Esquerda

Jaldes Meneses

Enquanto houver bambu, lá vai flecha. Não estou me referindo a Janot ou o Ministério Público, mas à abundância de bambus nos arraiais da esquerda brasileira. Refiro-me à dura polêmica estabelecida pela divulgação da nota da executiva nacional do PT sobre o “caso de Aécio Neves”.

sábado, 2 de setembro de 2017

A burguesia brasileira e o golpe do Impeachment

Jaldes Meneses

Na bela síntese “A burguesia brasileira” o historiador Jacob Gorender (112-13) constata que os estudos sobre a burguesia brasileira oscilaram entre dois extremos: aqueles, influenciados pelas teses dominantes na Internacional Comunista, apostaram na possibilidade de existência de uma burguesia nacional que poderia ser interpelada numa aliança nacional-popular de longo prazo de natureza “antifeudal” e “antiimperialista”. No Brasil, o grande interprete desta vertente foi Nelson Werneck Sodré. Em outro diapasão, soi-disant se puserem autores que tenderam a anular qualquer papel autônomo à burguesia nascidas nos trópicos, a não a associação e a subordinação às burguesias dos países do centro, a exemplo de Fernando Henrique Cardoso, Luciano Martins e uma grande fauna de autores ligados à Quarta Internacional.

quarta-feira, 30 de agosto de 2017

Ideia estapafúrdia: um partido lulista, burguês e reformista

A “ideia" de um partido lulista, burguês e reformista

Jaldes Meneses

As analogias históricas sem pé nem cabeça estão em moda. Circula por aí no debate político de esquerda na internet uma ideia estapafúrdia de ares panegíricos. É a seguinte: assim como Vargas fundou dois partidos em 1945 - o PTB para abrigar os trabalhadores emergentes, e o PSD, para abrigar as oligarquias regionais e os quadros burocráticos conservadores do Estado Novo - Lula fundaria um novo partido “lulista, reformista e burguês”.

sábado, 12 de agosto de 2017

"Distritão" e república oligárquica

Jaldes Meneses

A adoção do "distritão" será o fim dos partidos como agregação ideológica e a definitiva constituição da república oligárquica no Brasil.

Temer e seus asseclas pretendem o arremate final, a definitiva Peemedebização do sistema político. Os espaços da política institucional estão se fechando à sociedade civil. O lenitivo é que o distritão não é de fácil aprovação, precisa de 308 votos. O perigo é iminente e precisa ocupar de imediato a pauta de discussão e intervenção das forças democráticas.

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segunda-feira, 1 de maio de 2017

Jornalismo de Guerra

Jaldes Meneses

Fui conduzido, ontem à tarde, após a leitura de excelente texto de Igor Felippe, publicado no Jornal GGN, ao seguinte insight, repleto de conclusões políticas, teóricas e estratégicas: a grande mídia brasileira - especialmente a maior de todas, o conglomerado da Rede Globo - pratica, no Brasil de hoje, um jornalismo de guerra. Por consequência, o jornalismo de guerra resulta numa espécie de militarização da imprensa.

quarta-feira, 26 de abril de 2017

Burguesia sem credo

Jaldes Meneses

A burguesia brasileira é laica, sem credo, no sentido de desprovida de um projeto nacional. Pode-se dizer que se não tem projeto nacional, o credo da burguesia é o capital. A afirmação é correta, mas insuficiente, posto que o capital é uma relação social, sem dúvida objetiva, mas na qual a moral e a política são ausentes.

A burguesia americana, por exemplo, em contrafeita, possui um projeto nacional-imperial, neste caso inteiramente consorciado com as projeções de poder do Estado para o mundo. Porém, a nossa burguesia nasceu e vive no território brasileiro, é interna, e como qualquer agente social, tem interesses mundanos a preservar e conquistar.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

Livro: Marxismos na contemporaneidade (tópicos de política, economia e direito)

Marx está mais vivo do que nunca

Em 1907 o grande filósofo Benedetto Croce afirmou peremptoriamente em tom de profecia que “Marx está definitivamente morto para a humanidade”. Dez anos depois aconteceria a Revolução Russa, inaugurando uma fase histórica de revoluções sucedendo o período de revoluções burguesas dos séculos XVI, XVIII e XIX, desta feita proletária e socialista.


A saga das revoluções proletárias, ativas e em suas contrafações passivas, seus resultados complexos e enigmáticos, algumas vezes surpreendentes, ainda estão a merecer o devido balanço.
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