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quarta-feira, 25 de julho de 2018

O eclipse da ética na atualidade



"A ética da responsabilidade universal, ou assumimos juntos responsavelmente o destino de nossa Casa Comum ou então percorreremos um caminho sem retorno. Somos responsáveis pela sustentabilidade de Gaia e de seus ecossistemas para que possamos continuar a viver junto com toda a comunidade de vida", escreve Leonardo Boff, escritor, teólogo e filósofo.

terça-feira, 1 de maio de 2018

A ética da política e os combates da esquerda: Florença, Munique, Curitiba

Diogo Cunha

Florença, 1513: Maquiavel acabava de ser libertado da prisão após cumprir uma curta pena sob a falsa acusação de conspirar contra o novo governo dos Medici que voltara ao poder no ano anterior. Ele fora solto graças a uma anistia concedida como parte dos festejos pela eleição de Giovanni de Medici, que se tornaria Leão X, para o papado. Assim que reencontrou a liberdade, Maquiavel começou a escrever para amigos, como Francesco Vettori, que pudessem ajudá-lo a conseguir algum cargo no novo regime. Como esses pedidos não surtiram efeito, Maquiavel começou a preencher suas horas de ócio lendo e escrevendo. Foi desse ócio que surgiu O Príncipe, escrito durante o segundo semestre de 1513, obra que iria mudar definitivamente a concepção de política até então vigente.

sexta-feira, 5 de janeiro de 2018

Žižek: Escolhas na era do terror

"É preciso mobilizar o maior e mais amplo público internacional possível a fim de criminalizar diretamente qualquer falatório sobre o uso de dispositivos nucleares e outras armas de destruição em massa. Líderes e Estados que sequer considerem isso devem ser tratados como párias, como monstros obscenos sub-humanos."

Slavoj Žižek.

Desde sua estreia em Berlin em 2015, a peça Terror, de Ferdinand von Schirach vem se tornando o mais novo hit global, com centenas de montagens em todo o mundo e provocando uma interminável enxurrada de debates éticos na mídia de massas. Trata-se de um drama jurídico que narra o julgamento contra um piloto de caça alemão que derrubou um avião da Lufthansa que havia sido sequestrado por um terrorista. O avião se deslocava rumo a um estádio lotado com 70.000 pessoas (que assistiam a uma partida entre Alemanha e Inglaterra) e a decisão pragmática do piloto de caça, Lars Koch, foi a de quebrar a lei constitucional e terminar com a vida das 164 pessoas a bordo do avião sequestrado, a fim de evitar que o terrorista matasse um número muito maior de pessoas se tivesse chegado ao estádio. No final da peça, a plateia deve votar: culpado ou inocente? Cada espectador recebe um pequeno apetrecho com dois botões – 1 (culpado) ou 2 (inocente) – e os espectadores proferem seu veredito… Como era de se esperar, a maioria (ao menos nos teatros ocidentais) proclama a inocência de Koch.

terça-feira, 29 de agosto de 2017

Pragmatismo político e movimento social

Michel Zaidan

Foi o filósofo alemão Walter Benjamin quem disse, uma vez, que não havia nenhum propósito sensato na política. Referia-se o filósofo à política como mera atividade estratégica, destituída de propósitos éticos ou normativos, cujo fim seria a conquista do poder pura e simplesmente. Benjamin, sob a influência do anarquismo, via os políticos socialdemocráticos de sua época como meros operadores políticos preocupados, sobretudo, com a vitória de seu partido nas eleições e mais nada.


quarta-feira, 2 de agosto de 2017

A quem interessa o discurso da “limpeza”?

Gustavo Capela

Quando nos dissemos “contra o capitalismo” ou “anticapitalista” por que o fazemos? É porque consideramos que este é um sistema intrinsecamente “sujo”? É porque o achamos moralmente condenável? É porque o julgamos um sistema econômico ineficiente? Ou, o que parece mais comum, é porque se trata de um sistema “injusto” ? Essas perguntas são importantes porque sempre trazem a tona outras, ao invés de respostas prontas e consolidadas. Elas expandem um pouco nosso processo de reflexão para que possamos entender melhor como alguns discursos encaixam ou destoam daquilo que defendemos, queremos, buscamos.

segunda-feira, 5 de junho de 2017

Juízes se julgam deuses, procuradores santos e advogados, a ética pura

Luiz Felipe Pondé*

A política é um circo. Quanto menos você tiver esperança política, menos você se iludirá sobre a realidade política. O ceticismo em filosofia sempre aconselhou uma postura mais conservadora e cuidadosa quanto às promessas políticas. Desde que a política se tornou objeto de fé, passamos a ter expectativas salvacionistas através da política. E a política não passa da conquista, gestão, manutenção e distribuição do poder.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

O que é a vulgaridade do poder?


“... luxo, sem cultura, era dramaticamente vulgar, pois, não se justificando pelo gosto, ele se tornava violência pura: um esbanjo que só servia para exibir o privilégio.(...)O poder é vulgar de duas formas básicas, que se misturam facilmente. Há a vulgaridade do poder sem cultura e há a vulgaridade do poder sem questões e dilemas morais.”

Contardo Calligaris

Volto a uma história de minha adolescência. Talvez hoje eu consiga entender plenamente sua significação.

No começo dos anos 1960, na Itália, eu simpatizava com os partidos de esquerda. Meu pai era um social-democrata sem afiliação partidária, mas ele tinha participado da resistência ao fascismo, durante os últimos anos da Segunda Guerra.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

A perseguição a Lula e a destruição do sentido ético

Aldo Fornazieri

Na peça Galileu Galilei, Bertolt Brecht estabelece uma polêmica acerca do sentido e do significado do herói. Em conversa com seu secretário Andreas o sábio italiano enfrenta a angústia de defender a verdade de que a Terra não é centro do sistema planetário sabendo que a Santa Inquisição lhe ceifaria a vida ou de negar a verdade e continuar mantendo a dádiva da vida. Andreas, jovem idealista, incita o mestre a defender a verdade da evidência científica argumentando que a possível morte o tornará herói. Entre as ponderações dos argumentos, Andreas declara: “Pobre do povo que não tem herói!”. Ao que Galileu responde: ” Não Andreas. Pobre do povo que precisa de herói!”.

terça-feira, 11 de outubro de 2016

Seis propostas de Olívio Dutra para o PT


Juremir Machado

O ex-governador gaúcho Olívio Dutra esteve no Esfera Pública, nosso programa na Rádio Guaíba.

Olívio é uma referência moral do PT e uma voz quase solitária erguendo-se acima do senso comum.

Em uma hora de conversa, disparou seis recomendações para o PT tentar sair da crise.

sexta-feira, 29 de julho de 2016

#SomosTodosJuízes? O “barraco das Excelências” em busca de mais poder

Fernando Brito

Quem acompanha o blog do Frederico Vasconcelos, na Folha, deve estar espantado com o “barraco” que está rolando entre a Associação dos Magistrados Brasileiros e a entidade dos juízes aqui no Rio de Janeiro.

O motivo aparente é uma campanha publicitária da AMB – vejam só, campanha publicitária de juiz! – que tem o mote #SomosTodosJuizes, onde uma primorosa peça dizia:

quarta-feira, 20 de julho de 2016

A falta de vergonha e a ausência de culpa na corrupção brasileira

Leonardo Boff

Depois que surgiu a psicanálise e o estruturalismo não podemos mais nos restringir ao consciente e aos ditames da razão na análise dos fenômenos humanos, pessoais e coletivos. Há um universo pré-consciente, subconsciente e inconsciente (pessoal e coletivo), subjacente a nossas práticas, a serem considerados.

domingo, 17 de julho de 2016

A escandalosa falta de ética no Brasil

Essa falta generalizada de ética deita raízes em nossa pré-história. É uma consequência perversa da colonização.

Leonardo Boff*

O país, sob qualquer ângulo que o considerarmos, é contaminado por uma espantosa falta de ética. O bem é só bom quando é um bem para mim e para os outros; não é um valor buscado e vivido, mas o que predomina é a esperteza, o dar-se bem, o ser espertinho, o jeitinho e a lei de Gerson.

sexta-feira, 24 de junho de 2016

Lava Jato precisa de justica e ética



Judas,  Delator
Janio de Freitas: Lava Jato não precisa de prazo de encerramento, mas de justiça e ética

A Lava Jato não precisa do prazo de encerramento que lhe cobram, precisa de critérios de justiça e de ética. O seu acúmulo de decisões arbitrárias e prepotentes recebeu nos últimos dias um incremento inovador e mais um repetitivo.

A decisão dos procuradores da Lava Jato de só aceitar a delação de uma das empreiteiras Odebrecht e OAS, levando ao menos os dirigentes da outra a cumprir pena como condenados comuns, invoca um erro para justificar-se. Alega que, associadas em numerosos trabalhos, as duas têm o mesmo teor de informações a delatar. A dedução é falsa. Ambas fizeram negócios individuais, e com associações diferentes, em número muito maior do que suas operações conjuntas.

quarta-feira, 22 de junho de 2016

A ética da virtude como pressuposto de ética da magistratura


“A chamada inspeção ocular, ou seja, aquela na qual juízas/es saem de seus gabinetes e das salas de audiências para ver de perto a realidade de uma terra e de uma gente em disputa, não deveria ser vista como facultativa e o novo Código de Processo Civil até induz esse entendimento”, escreve Jacques Távora Alfonsin, procurador aposentado do estado do Rio Grande do Sul e membro da ONG Acesso, Cidadania e Direitos Humanos.

quarta-feira, 8 de junho de 2016

Zizek: em defesa das ideias perigosas


"Não aja. Apenas pense".

Diogo Guedes

 

Polemista e figura midiática, o filósofo esloveno vem para o Recife na sexta (15/3) mostrar um pouco da sua forma de pensar
 

O filósofo Slavoj Žižek não é apenas um teórico provocativo, ele é, talvez, o mais performático dos intelectuais contemporâneos - ainda que a ideia de intelectual pareça e esteja há tanto tempo desgastada. Os apostos para descrever suas áreas de atuação são muitos: professor errante, palestrante de agenda lotada, marxista crítico e, ao mesmo tempo, convicto, comentarista pop, personagem midiático, em suma, uma metralhadora filosófica que parece disposta a se fazer presente em torno de boa parte dos eventos culturais e políticos da atualidade.

quarta-feira, 1 de junho de 2016

Reforma política baseada na ética


"De onde tirar valores éticos universalmente aceitos? Como levar as pessoas a se perguntarem por critérios e valores? Hans Küng sugere que uma base ética mínima deve ser buscada nas grandes tradições religiosas", escreve Frei Betto, frade dominicano, escritor e teólogo.
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