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sábado, 8 de dezembro de 2018

Da Cosa Nostra ao PCC


Um amigo marcou minha arroba no Twitter com um notícia do Correio da Bahia: “Polícia Federal busca suspeitos ligados a mafioso preso em Salvador”.

Cliquei, olhei para a foto e vi um senhor muito velho, com semblante levemente melancólico e olhar perdido. Não o reconheci. Foi só quando li a legenda que me dei conta de que era alguém que eu julgava estar morto há décadas.

Lelio Paolo Gigante foi personagem do meu livro. Já no começo dos anos 1970, ele se envolveu com mafiosos italianos e franceses no Brasil e se enredou em uma trama rocambolesca e perigosa de tráfico internacional de heroína. Nascido em São Paulo em 1934, Gigante havia sido criado na Itália, para onde seus pais se mudaram em 1935. Girou por diversos países até se estabelecer como comissário de bordo da Avianca na Colômbia, de onde voava para os Estados Unidos e para a Europa. Complementava o salário com a venda de relógios falsificados transportados de um país ao outro até descobrir que podia lucrar muito mais com pequenas cargas de heroína.


sexta-feira, 20 de abril de 2018

Esquerda ganhou pontos na guerra semiótica ao ocupar triplex do Guarujá

Esquerda ganhou pontos na guerra semiótica ocupar triplex do Guarujá

Wilson Roberto Vieira Ferreira, Cinegnose

Finalmente a esquerda marca pontos na atual guerra semiótica no front do campo simbólico da sociedade (grande mídia + opinião pública): a ocupação do indefectível “triplex do Lula” no Guarujá pelo MTST e a Frente Povo Sem Medo apresentou todas as características de um petardo semiótico: Detonação, Letalidade, Dilema Midiático e Dissonância Cognitiva. Uma ocupação curta (pouco menos de quatro horas), mas o suficiente para a grande mídia viver um dilema e dar uma guinada gramatical no seu discurso, como se sentisse o golpe. Mas o melhor dessa bomba semiótica foi como a mídia corporativa mordeu a isca (o álibi) para a ocupação revelar o seu verdadeiro propósito: a filmagem no interior da verdadeira caixa preta em que se tornou o imóvel. Revelando a dissonância entra as narrativas jurídico-midiática e da oposição. Uma ação simbólica bem-sucedida que revela outras questões. Entre elas, a possível criação de um grupo de inteligência semiótica para multiplicar essa ação prototípica.

sexta-feira, 2 de março de 2018

O 18 Brumário de Temer, por Celso Amorim

Miguel do Rosário 
  
Em 1994, o secretário de Defesa dos Estados Unidos William Perry visitou o Brasil. Na ocasião, eu servia como ministro das Relações Exteriores de Itamar Franco. Como o Brasil não tinha ainda um Ministério da Defesa, coube a mim ser o anfitrião do secretário, atuando de forma coordenada com os então ministros das três forças singulares.

Àquela época, alguns anos após o fim da Guerra Fria, Washington “atualizara” sua visão do papel das Forças Armadas na América Latina. O inimigo deixara de ser o comunismo internacional e se tornara o crime organizado, especialmente o narcotráfico, percebido pelos Estados Unidos como a maior ameaça à sua própria segurança. Este deveria, assim, tornar-se o foco principal da atenção e das ações das nossas forças.

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

Contra o apartheid social; não à guerra contra os pobres




Maré: a violência nas favelas é uma guerra contra os pobres

Carmen Corato

No dia 06 de fevereiro, semana na qual iniciaram as aulas na rede de ensinos fundamental e médio, a polícia militar do Rio de Janeiro resolveu fazer uma mega operação contra a suposta guerra às drogas.

Quem não mora em favela ou nunca testemunhou essas operações, não tem noção do que é um clima de guerra. Sim, são aqueles terríveis caveirões circulando pelas ruas e atirando por becos e vielas; aquele monte de policiais querendo matar todo mundo, pois para os mesmos e a sociedade brasileira em geral, morador de favela é tudo bandido.

domingo, 7 de janeiro de 2018

Não há dúvida de que uma guerra de símbolos está em curso

Maíra Mendes

Sim, é verdade, a direita saiu do armário. Perdeu o medo e a vergonha de exibir-se à luz do dia. Por conveniência e estratégia de combate político, os ditos "conservadores nos costumes e liberais em economia" aliam-se às bancadas do boi, da bala e da Bíblia.



No campo cultural, escudados no discurso "politicamente incorreto", por um lado esbravejam vitupérios, expelem platitudes, vomitam sarcasmos. Por outro, travestidos de pudicos guardiões da moral e dos bons costumes, apontam o dedo censório, invocam preconceitos, cultivam ódios primários.


terça-feira, 31 de outubro de 2017

Criminologia dos indesejáveis

Siro Darlan*

O ódio está no ar. Hoje qualquer reação das minorias diante do poder de coação e crimininalização dos hipossuficientes são tidas como absurdo. Foi o que aconteceu quando do anúncio do Congresso de Criminologia, Direito e Processo Penal retratado na arte de Carlos Latuf com o Estado Policial espancando um trabalhador. A reação foi de condenação à interpretação artística dessa violência real e inegável contra o povo pobre da periferia, os negros, gays e lésbicas. Quem matou Patrícia Acioly com 21 tiros? Quem matou Amarildo? A primeira representando o estado comprometido com o direito a exigir o respeito às leis e o segundo representando a opressão que sofre o povo trabalhador.


quarta-feira, 25 de outubro de 2017

“O Poder Político da Mídia Hegemônica”

Editor do "Cinegnose" debate Mídia e Hegemonia Política na UFRRJ

Wilson Roberto Vieira Ferreira

Este editor do “Cinegnose” participa de mesa de debates “Meios de Comunicação e Intervenção Social” às 18h do dia 24/10 dentro do II Seminário Qualidade de Vida, Sustentabilidade e Economia Alternativa na Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), na cidade de Seropédica. Irei expor o tema “O Poder Político da Mídia Hegemônica” no qual descreverei os efeitos socialmente letais daquilo que as pesquisas desse blog chamam de “bombas semióticas” dentro de uma guerra geopolítica mais ampla – a “Guerra Híbrida”, nesse momento impactando o contínuo midiático nacional e por trás das diversas “primaveras” que rondaram o planeta nos últimos anos. E também uma avaliação das oportunidades de contra-hegemonia perdidas e a possibilidade de uma guerrilha semiótica anti-mídia.

sexta-feira, 29 de setembro de 2017

O país das Rocinhas


Janio de Freitas 

– O espanto generalizado com a guerra na Rocinha só pode vir do vício de espantar-se com os atos todos da violência urbana, não importa se maiores ou minúsculos, se astuciosos ou vulgares. Rocinha não é mais do que uma celebridade (a palavra-símbolo do jornalismo deslumbrado) entre milhares de assemelhadas pelo país afora.

segunda-feira, 11 de setembro de 2017

“Tiraram só os americanos, ficamos olhando eles saírem”, diz brasileira isolada por furacão

Narley Resende

Militares do lado holandês da ilha de São Martinho (Sint Maarten), a 250 quilômetros do arquipélago de Guadalupe, no Caribe, começaram a retirar turistas isolados em hotéis após a passagem do Furacão Irma na última quarta-feira (6). Um grupo de 16 brasileiros se uniu para tentar integrar a lista de pessoas retiradas.

“Acaba de pousar um avião aqui na ilha. Estão fazendo lista para tirar as pessoas daqui, mas a preferência são os americanos”,

quarta-feira, 23 de agosto de 2017

Jacarezinho e Manguinhos: Massacre Estatal e Resistência Favelada

Por trás das operações policiais-militares no Jacarezinho, existem fatos incontestáveis. Primeiro: a população daquela favela, como das demais no Rio de Janeiro, é composta, em sua esmagadora maioria, por negros/as e pobres; em segundo lugar, até agora se desconhece a existência de fábricas de armas e munições no Jacarezinho, como também jamais foi localizado qualquer sofisticado laboratório para processamento de pasta de coca naquela favela; e Terceiro: Esse show de horrores e palco de violações dos direitos básicos dos direitos humanos fundamentais de milhares de pessoas – mesmo que se queira tratar de outra forma – tem como pano de fundo agradar e iludir a parcela da sociedade que se sente insegura muito em consequência do desastre dos governos do golpista Temer e de Pezão, ambos enrolados até a alma com a corrupção.


segunda-feira, 21 de agosto de 2017

Losurdo: A Revolução Russa e o revisionismo histórico

"Para a ideologia dominante de hoje, a dominação colonial e o banho de sangue da guerra mundial são sinônimos de normalidade, ou mesmo de sanidade psicológica, enquanto que a Revolução de Outubro – oposta a tudo isso – representa uma epidemia, a disseminação da loucura."

Por Domenico Losurdo.

“Duas epidemias assolaram o mundo em 1918. Uma foi a influenza espanhola […] A outra epidemia foi o bolchevismo, que por determinado período pareceu quase tão contagioso quanto e no final das contas se provou tão letal quanto a influenza.”

(Niall Ferguson, The War of the World, pp. 115-5).

quarta-feira, 3 de maio de 2017

Dirceu: “ mídia assiste ao fracasso de sua guerra contra PT"

José Dirceu diz em carta que mídia assiste ao fracasso de sua guerra contra PT

Na carta, escrita antes do julgamento do STF que o libertou, Dirceu destaca que a guerra judicial contra a esquerda, patrocinada pela mídia desde o golpe parlamentar que derrubou Dilma Rousseff, está fracassando

O ex-ministro José Dirceu, que teve a prisão preventiva de quase dois anos de duração revogada nessa terça-feira, 2, pelo Supremo Tribunal Federal (STF), escreveu uma carta de 14 páginas em que analisa o cenário atual do País, defende uma guinada à esquerda do PT e critica o governo de Michel Temer e a mídia.

segunda-feira, 1 de maio de 2017

Jornalismo de Guerra

Jaldes Meneses

Fui conduzido, ontem à tarde, após a leitura de excelente texto de Igor Felippe, publicado no Jornal GGN, ao seguinte insight, repleto de conclusões políticas, teóricas e estratégicas: a grande mídia brasileira - especialmente a maior de todas, o conglomerado da Rede Globo - pratica, no Brasil de hoje, um jornalismo de guerra. Por consequência, o jornalismo de guerra resulta numa espécie de militarização da imprensa.

domingo, 29 de janeiro de 2017

Nas armadilhas do punitivismo, juiz é presa e caçador


Marcelo Semer

Escolhendo artigos desta coluna para uma obra coletiva que se encontra em preparo, fui tomado por um certo desalento.

Dois anos depois é possível repetir cada um dos temas que abordei sobre o sistema penal e ainda seria necessário subir o tom. As críticas que neles expus tiveram muito menos prestígio do que os problemas que elas já vinham apontando.

Parafraseando Darcy Ribeiro, não queria estar do lado cujas ideias têm prevalecido.

terça-feira, 24 de janeiro de 2017

O Poder Judiciário é um dos grandes responsáveis pela crise carcerária

Roberto Tardelli

A questão carcerária, definitivamente, explodiu e não mais se encontra sob qualquer controle oficial. Essa explosão – com retratos horrendos e aterrorizantes – não pode ser surpresa e não possui uma única e grande causa deflagradora. Tudo vem se agravando ao longo de décadas de descasos, de fundamentalismos acusatórios, de equívocos conceituais primários, que vão desde a transformação das forças de segurança em forças de ocupação, como consequência direta dessa irreal e fantasiosa Guerra Contra O Crime, até a teratológica deformação em que cadeias e presídios fazem as vezes de verdadeiros campos de concentração. No final dessa ponta envenenada, a estratégia histérica e indisfarçadamente racista de combate às drogas.

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