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domingo, 6 de janeiro de 2019

Nós, o lixo marxista

Vladimir Safatle

É preciso calar quem não se contenta com a vida imposta pelo novo governo

Tomou posse o primeiro governo eleito de extrema direita do Brasil. Com ele, não há negociação alguma possível. Nem ele procura alguma forma de negociação com aqueles que não comungam com seus credos, que não louvam seus torturadores e que não acham que "é duro ser patrão no Brasil".


segunda-feira, 12 de novembro de 2018

“Vamos botar ponto final em todos os ativismos”


“Vamos botar ponto final em todos os ativismos”, disse o presidente eleito. Projeto em vias de aprovação pode afetar qualquer um que se oponha ao governo

segunda-feira, 5 de novembro de 2018

O que pode vir por aí.

Rene Carvalho

Palpites sobre o que se pode esperar [ou temer] da primeira fase do governo Bolso. O ponto de partida é tentar identificar os principais grupos que compõem o movimento que levou Bolsonaro à presidência e seus projetos. Vou dividi-los, para simplificar em três grandes anéis. No primeiro temos a extrema direita militante atuante: nas instituições públicas: deputados - bancadas BBB, membros do judiciário - juízes, procuradores - militares da reserva [e da ativa] e membros de várias categoriais policiais; nas associações civis como UDR e Associação de caminhoneiros; e grupos na população.

domingo, 15 de julho de 2018

Programa Eleitoral e Programa de Governo

Altino
Valério Arcary

Um programa eleitoral não precisa ser, também, strictu sensu, um detalhado programa de governo, um programa de gestão. Evidentemente, existe uma relação entre os dois. Porque um partido de esquerda não pode chegar ao governo, e fazer o contrário do que defendeu a vida toda. Isso seria demagógico. Mas um programa de governo depende das condições concretas em que se chega ao poder. Essas condições políticas dependem de muitas variáveis, entre elas, a relação social e política de forças. 

Elaboração de um programa eleitoral


Valerio Arcary

A elaboração de um programa eleitoral deve estar contextualizada por uma análise de quais são os problemas mais graves que afetam os trabalhadores e o povo. Mas está condicionada por uma análise da conjuntura política. As condições impostas pela conjuntura adversa contam. Senão, o programa eleitoral seria, essencialmente, sempre o mesmo, não importando se as eleições vão ocorrer em 1998, 2028, ou em 2018. 

quarta-feira, 11 de julho de 2018

Paulo Kliass: O chororô da carga tributária

O quadro de dificuldades proporcionadas pela crise fiscal tem oferecido um vasto cardápio de interpretações a respeito das alternativas a serem adotadas para a superação do quadro atual. A cada dia que passa parece ampliar-se o entendimento mais adequado a respeito das principais causas que levaram ao aprofundamento da situação de desequilíbrio nas contas públicas.

Por Paulo Kliass*

Ao contrário do que vinha sendo propalado aos quatro ventos pelos porta-vozes dos interesses do financismo, o déficit orçamentário dos anos recentes não pode ser explicado por imagens tão apelativas quanto irreais, a exemplo de “explosão descontrolada de gastos” ou “populismo bolivariano”.


terça-feira, 8 de maio de 2018

Do boom ao caos econômico: erros e acertos da política petista.

Entrevista especial com Laura Carvalho

Patricia Fachin

Em Valsa brasileira: do boom ao caos econômico (Todavia, 2018), a economista Laura Carvalho propõe algumas explicações para entender como a economia brasileira passou de um boom econômico entre 2006 e 2010 para uma das piores recessões econômicas da sua história. Para além dos reflexos positivos e negativos da conjuntura internacional, a economista sugere que o período de 2006 a 2015 seja analisado a partir de erros e acertos dos governos petistas. Na avaliação dela, o “principal acerto” do governo Lula “foi perceber que a redução das desigualdades brasileiras poderia funcionar como um motor do desenvolvimento econômico”. Além disso, frisa, ele “entendeu perfeitamente que o mercado interno, em um país continental como o nosso, tem um papel fundamental, que precisava redistribuir renda e fazer investimentos públicos, investindo em infraestrutura física e social”.


quinta-feira, 12 de abril de 2018

Lula, o inconciliável


Qual é a relação entre o ódio de uma parcela dos brasileiros contra o maior líder popular da história recente e a fratura do projeto de conciliação que ele representou nos anos que ocupou o poder?

Lembro duas cenas da conciliação que Lula promoveu no Brasil da primeira década do século.


Na primeira, ocorrida durante a campanha presidencial de 2002, só há três testemunhas. Uma delas sou eu. É uma cena pequena, mas ela sempre teve uma enormidade para mim, porque não acredito nem em deus nem em diabo, mas acredito que ambos vivem nos detalhes.


sábado, 3 de março de 2018

Wanderley G. dos Santos: "O flagelo Temer"


Lidar com um governo em que o todo é menor do que a soma das partes exige prudência. Trata-se de perigosa engenhoca com dispersos centros de comando e trajetórias doidivanas. Depois dos fatos, qualquer maluquice parece planejada. Ilusão temporal: uma coisa depois da outra não quer dizer uma coisa por causa da outra.


Por Wanderley Guilherme dos Santos*, em seu blog

O bando brasiliense ouviu cantar o galo sem saber aonde e responde às tamancadas: decreto daqui, medida provisória dali, vetos, desvetos, contra medidas e engavetamento dos próprios projetos, quando não, reversão (redução no número de ministérios). Tudo depende de algum grito contraditório, exceto, naturalmente, se a reclamação for do povão ou de seus alto-falantes, sempre negligenciados. Se do Judiciário, imprensa conservadora ou associação empresarial, aí, o bando “arrecua os beque” imediatamente.

quarta-feira, 28 de fevereiro de 2018

Nunca existiu governo do PT

A maioria dos chamados “erros do PT” são erros de uma coalizão entre partidos de esquerda e de direita que governaram o país nos últimos treze anos


Tenho evitado escrever sobre a situação brasileira aqui na coluna. A ideia original era que eu escreveria sobre Paris, sobre o que vejo e sobre o que encontro ou nas viagens que faço por aqui. Além do mais, como estou distante, fica mais difícil acompanhar tudo o que está acontecendo, mesmo que a primeira coisa que eu faça, todos os dias, ao acordar, seja ler os jornais brasileiros. Também tento me informar através dos blogs de jornalistas independentes (chamados pela direita brasileira de blogs sujos) e também um pouco através do que as pessoas postam no Facebook e das conversas por áudio e câmera com amigos e familiares. Mas isso é diferente de estar no Brasil, vivendo no dia-a-dia a coisa mesma.


sexta-feira, 23 de fevereiro de 2018

Michel Zaidan Filho: Saída desonrosa


A consequência natural de um governo ilegítimo, arbitrário e impopular teria de ser uma intervenção militar num dos principais Estados da Federação Brasileira: o Rio de Janeiro. Mas ela foi reforçada pelo fiasco da reforma da previdência, já anunciada como inviável pelos aliados do próprio governo, e os eventos carnavalescos, entre os quais o estado de acefalia que tomou conta do Estado fluminense, durante os festejos momescos. O Executivo, rodeado de seus “sábios” e “impolutos” conselheiros devem ter aconselhado o Chefe do Governo a buscar outra saída, diversionista, para desviar os olhos da opinião pública da iminente derrota política no Congresso. Dizia Napoleão que se pode fazer quase tudo com uma baioneta, menos sentar-se sobre ela. E os dignos parlamentares não estão dispostos a sentar em cima de nenhuma baioneta, leia-se derrota eleitoral e desgaste político, perante o eleitor, com o voto a favor dessa malfadada reforma. Curioso detalhe: quando o presidente do Congresso já tinha retirado de pauta a reforma, alegando o decreto da intervenção federal, as principais revistas semanais do país trouxeram encartes sobre a reforma, aplaudindo-as. Ninguém avisou a elas que este tema não entraria mais em pauta neste ano.

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