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segunda-feira, 5 de novembro de 2018

Wanderley Guilherme - LULA não lidera mais a Esquerda


Wanderley Guilherme dos Santos passou os últimos tempos recebendo insultos e apelos. Insultos por ter advertido, no início de 2017, que a esquerda não ganharia a eleição com o PT à frente. E apelos por não ter aderido às frentes que se formaram no segundo turno em apoio a Fernando Haddad.

Decano da ciência política brasileira e uma das principais referências do pensamento de esquerda no país, Wanderley Guilherme não deu ouvidos ao assédio. Manteve-se longe do segundo turno da mesma maneira que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, um amigo de décadas, que a política afastou.


sexta-feira, 4 de maio de 2018

O Destino de Lula

Wanderley Guilherme dos Santos

Preocupados com o destino pré-eleitoral de Lula, inflamadas porta-vozes do grande líder descuram-se do que com ele pode ocorrer depois das eleições. Com a tese kamikaze de ou Lula ou nada e a religiosa excomunhão dos que sugerem a possibilidade de o PT abrir mão da cabeça de chapa, hostilizam o eleitorado brizolista e os socialistas contrários a Joaquim Barbosa, ademais de enorme eleitorado de esquerda não automaticamente petista. Quem não se preocupa com isso é partido carona, partido que não tem voto. A sensata opinião de que, na impossibilidade da candidatura Lula, o PT conversaria com aliados históricos sem a preliminar de que a cabeça da chapa lhe pertença, vê-se acusada de traição e, para os mais exaltados, adesão à direita. 

sexta-feira, 20 de abril de 2018

Barroso pede que a Sociedade abdique da Constituição de 88

Embaraços da Profissão de Militar

Wanderley Guilherme do Santos 

Acredito que nenhum conservador radical teria coragem de fabricar “fake news” sobre general Eduardo Villas Bôas. Também estou persuadido da convicção democrática das Forças Armadas. Imaginei, porém, tipos de desventuras a que a profissão de servo da ordem legal escrita está exposta. Li, nesta quinta-feira, noticia de duas solenidades nas quais o comandante do Exército discursou, ou fez advertências, ou, ainda, glosou antigos “pronunciamentos” de militares latino-americanos que assustavam a nós, brasileiros.

Nas duas oportunidades, o comandante retomou o tom severo com que autoridades julgam indispensável lembrar à audiência que desvios de comportamento sofrerão punição.

segunda-feira, 16 de abril de 2018

Wanderley Guilherme: a Hora do Lobo de Luiz Inácio

Wanderley G. dos Santos 

A direita só chegará à presidência da República com o auxílio involuntário do Partido dos Trabalhadores. A estratégia do PT obedece às diretivas de Lula. Segue-se que o obstáculo a que Joaquim Barbosa – o cavalo de Troia que a direita busca contrabandear – impeça a reconstituição democrática, encontra-se no discernimento do ex-presidente Luiz Inácio. Submeter a plebiscito algumas das aberrações decretadas por Temer, por exemplo, jamais seria cogitado por tal demofóbico. No momento, fragmentar a esquerda equivale a criar inesperada oportunidade a uma direita sem rumo. Não é centralizando frentes de siglas sem voto ou efetiva representatividade que se evitará o abismo autofágico. Ao contrário, este talvez resulte da ambição de parasitas inoculados em movimentos de massa. Lula pode implodir a manobra de concentração burocrática, ou submeter-se a ela, vencido pelo estalinismo historicista que o cerca.

segunda-feira, 2 de abril de 2018

Wanderley Guilherme dos Santos: O STF e a docta ignorantia


A ignorância ilustrada expressava a humildade de Nicolau de Cusa, religioso renascentista, reconhecendo a fragilidade da sabedoria humana diante do infinito divino.


Por Wanderley Guilherme dos Santos*, em seu blog

Mal comparando nossa elite intelectual a Cusa, e substituindo a divindade pelo conhecimento do mundo humano em constante expansão, cabe a observação de que nossos doutos togados revelam exuberante ignorância ao deitar regras sobre a complexidade do gigantesco número de litígios a espera de sentença.


sábado, 3 de março de 2018

Wanderley G. dos Santos: "O flagelo Temer"


Lidar com um governo em que o todo é menor do que a soma das partes exige prudência. Trata-se de perigosa engenhoca com dispersos centros de comando e trajetórias doidivanas. Depois dos fatos, qualquer maluquice parece planejada. Ilusão temporal: uma coisa depois da outra não quer dizer uma coisa por causa da outra.


Por Wanderley Guilherme dos Santos*, em seu blog

O bando brasiliense ouviu cantar o galo sem saber aonde e responde às tamancadas: decreto daqui, medida provisória dali, vetos, desvetos, contra medidas e engavetamento dos próprios projetos, quando não, reversão (redução no número de ministérios). Tudo depende de algum grito contraditório, exceto, naturalmente, se a reclamação for do povão ou de seus alto-falantes, sempre negligenciados. Se do Judiciário, imprensa conservadora ou associação empresarial, aí, o bando “arrecua os beque” imediatamente.

sexta-feira, 2 de fevereiro de 2018

O Falso Cadáver


Wanderley Guilherme dos Santos

O destino eleitoral da esquerda depende do tirocínio de Lula. Ele sabe o que vai lhe acontecer e advinha o provável resultado da competição. Com certeza, sabe que o apocalipse retórico do PT não advirá nem antes nem depois da disputa pela presidência. E que a primeira pesquisa Datafolha depois de sua condenação em segunda instância não acrescenta grande coisa. É preciso amadorismo para acreditar que aquela distribuição de preferências expressa alternativas e porcentagens do futuro resultado eleitoral. Dito de outro modo: se a Lava Jato, hoje, tem poder de veto sobre quem irá aparecer na tela da urna eletrônica, é Lula quem monopoliza o condão de escalar os competidores reais. Tudo depende de seu tirocínio.

Wanderley G. dos Santos: Um Grande Momento

Wanderley Guilherme dos Santos

Contra uma reação desesperada não se blefa. Inesperada conjugação de acasos facilitou a expulsão da centro-esquerda do circuito de poder na esteira do impedimento de Dilma Rousseff. Desde então o acaso virou trama, sem necessidade de consulta prévia, entre proprietários de meios de comunicação, facção de juízes em posições de poder, a escumalha do estamento político e seus patrocinadores financeiros. O viciante crack que os aglutina é conhecido: impedir o retorno à disputa pelo poder de representantes dos miseráveis, dos remediados e do heterogêneo conjunto anticolonial da sociedade. É desconhecida a extensão em que o sequestro das instituições ainda conta com apoio no enorme contingente do Judiciário e na silente corporação das forças armadas. Por ora, o Judiciário em geral e as corporações militares mantêm-se de acordo com o figurino, contidas pela disciplina hierárquica e obedientes às decisões dos que mandam.

quarta-feira, 21 de junho de 2017

Temer retira do trabalhador condições que lhe dão respeito como cidadão, diz analista

Wanderley Guilherme dos Santos, da UFRJ, analisa o impasse da democracia no país

Wallace Oliveira

A democracia brasileira foi fortemente abalada por um golpe parlamentar, midiático e judicial. O contexto aponta a dificuldade de conciliar o interesse da ampla maioria do empresariado com a incorporação das massas assalariadas ao mercado. Nessas condições, as camadas dominantes passam a atuar, explicitamente, contra os direitos reconhecidos na Constituição. Grande papel, nesse cenário, é exercido pelo monopólio da mídia.

sexta-feira, 2 de junho de 2017

Um Presidente Blackbloc

Wanderley Guilherme dos Santos 

A renúncia de Michel Temer proporcionaria o desfecho menos turbulento ao lodaçal de Brasília. As saídas concorrentes contam com exagerado número de participantes em conflito e não estancarão a balbúrdia em nenhum dos casos. A cassação da chapa pelo Tribunal Superior Eleitoral, provocando a prisão imediata de Michel Temer, precipitaria a decisão dos periféricos, no Congresso, sobre quem vai se aproveitar do ano de mandato a cumprir.

A escolha do sucessor, por seu turno, prorroga o que já está em andamento: a batalha de todos contra todos, não apenas partidos, mas legisladores. O mesmo ocorrerá se, por vazamento inesperado, a Câmara dos Deputados aceitar um dos pedidos protocolados de impedimento. É longo o tempo necessário para que qualquer uma das duas decisões jurídicas se transforme em fato.

terça-feira, 30 de agosto de 2016

Temer vende assalariados e faz liquidação de Programas Sociais

Avaliação é do cientista político Wanderley Guilherme dos Santos; 
Em entrevista ao Sul21, Wanderley Guilherme dos Santos fala sobre essa agenda, destacando o seu caráter profundamente antinacional.

Marco Weissheimer, Sul 21 - “O governo de Michel Temer dá as primeiras passadas, acelerando para o grande salto para trás e a grande queima de estoques. A massa assalariada brasileira está sendo vendida a preços de saldo, com as liquidações iniciais dos programas educativos e sociais. O patrimônio de recursos materiais, como antes, será oferecido como xepa. A repressão à divergência não será tímida. Não há nada a esperar”. 

sábado, 2 de julho de 2016

Não existe beco para os que estão no poder', diz Wanderley Guilherme dos Santos sobre a atual crise política

Aos 80 anos, o pesquisador sênior Wanderley Guilherme dos Santos, do Instituto de Estudos Sociais e Políticos (Iesp) da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, rendeu-se à internet.

Uma das principais referências da ciência política brasileira, ele lançou há poucos meses o blog Segunda Opinião, no qual escreve regularmente sobre a complexa conjuntura política. "É gostoso, mas também bate certa ansiedade. As coisas vão acontecendo, você escreve um artigo e, no dia seguinte, já acha que está obsoleto", comenta ele, nesta entrevista ao Portal UFMG (A edição desta semana do Boletim UFMG circula com uma versão condensada da entrevista).

terça-feira, 17 de maio de 2016

A xepa do golpe



Wanderley Guilherme dos Santos 

Consumado o golpe, aparecem os teóricos do golpe consumado; como de hábito, culpando as vítimas. Mas essa não é a única xepa servida e por servir na feira do adesismo. Por razões de caráter, desespero ou tentativa de reduzir o estrago, as fileiras da resistência democrática emagrecerão. Carpideiras ficarão imobilizadas, descrentes na eficácia da oposição radical. “Oposição radical”, que fique claro, significa recusar reconhecimento aos usurpadores e, consequentemente, desobrigação de obedecer a suas diretivas. 

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