Mostrando postagens com marcador morte. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador morte. Mostrar todas as postagens

sábado, 8 de dezembro de 2018

Da Cosa Nostra ao PCC


Um amigo marcou minha arroba no Twitter com um notícia do Correio da Bahia: “Polícia Federal busca suspeitos ligados a mafioso preso em Salvador”.

Cliquei, olhei para a foto e vi um senhor muito velho, com semblante levemente melancólico e olhar perdido. Não o reconheci. Foi só quando li a legenda que me dei conta de que era alguém que eu julgava estar morto há décadas.

Lelio Paolo Gigante foi personagem do meu livro. Já no começo dos anos 1970, ele se envolveu com mafiosos italianos e franceses no Brasil e se enredou em uma trama rocambolesca e perigosa de tráfico internacional de heroína. Nascido em São Paulo em 1934, Gigante havia sido criado na Itália, para onde seus pais se mudaram em 1935. Girou por diversos países até se estabelecer como comissário de bordo da Avianca na Colômbia, de onde voava para os Estados Unidos e para a Europa. Complementava o salário com a venda de relógios falsificados transportados de um país ao outro até descobrir que podia lucrar muito mais com pequenas cargas de heroína.


terça-feira, 23 de outubro de 2018

Como resistir em tempos brutos

“O grande erro [da ditadura] foi 

torturar e não matar”

Um manual para enfrentar as próximas três semanas e transformar luto em verbo

ELIANE BRUM

Mas uma parte, na qual de jeito nenhum eu me incluo, usa o ódio contra o PT para justificar o injustificável. É um truque. E esse truque precisa ser desmascarado. Se você votou e votará em Bolsonaro, não é porque é contra a corrupção. Havia outros candidatos que não eram suspeitos de corrupção e você não votou neles no primeiro turno. Você votou em Bolsonaro porque compartilha de suas ideias e compartilha do seu ódio. E se você compartilha com quem afirma o que ele afirma — ser contra negros, contra mulheres, contra LGBTQ, contra indígenas, contra camponeses e a favor das armas e do autoritarismo e da tortura e do atirar para matar —então é isso que você defende. E, principalmente, é esse tipo de pessoa que você é.


quarta-feira, 5 de setembro de 2018

'Lucky' é tributo à arte de Harry D. Stanton


Longa usa a ideia de rotina para exaltar a vida e avaliar legado do ator

Luiz Carlos Merten, O Estado de S.Paulo

Jack Nicholson, com quem Harry Dean Stanton dividiu um apartamento quando jovem - drogas, mulheres e rock’n’roll -, dizia que o amigo não era um gozador de verdade porque se preocupava demais com as coisas. “Harry sempre foi uma das raras entidades imprevisíveis do planeta”, sentenciou. E para Sam Shepard, outro amigo, outro admirador, que escreveu para ele o papel de Travis em Paris, Texas, de Wim Wenders, o personagem imortalizado por Harry era o rei da ‘raggedy’. Um eterno maltrapilho, físico e emocional.

quinta-feira, 26 de julho de 2018

Glória



A ocasião em que a inteligência do homem mais cresce, sua bondade alcança limites insuspeitados e seu carácter uma pureza inimaginável é nas primeiras 24 horas depois da sua morte.

Millôr Fernandes

sábado, 19 de maio de 2018

Israel: 70 anos de brutalidade


Desde a criação do Estado hebreu, palestinos são expulsos de suas casas, presos, torturados, mortos e submetidos a violência econômica grosseira. É a “nakba”. Poderia ser a “solução final” de Hitler

Greg Shupak, no Jacobin 


sexta-feira, 16 de março de 2018

“O tráfico não opera da forma como Marielle foi executada”, diz delegado

Maria Emilia Alencar

Orlando Zaccone, delegado da polícia civil do Rio de Janeiro, faz parte de um grupo de policiais civis e militares suprapartidário, autointitulado “Policiais Antifascismo”, que propõe o debate de uma nova política de segurança, tendo a garantia dos direitos humanos como prioridade. Para ele, a morte de Marielle Franco tem forte conotação política.

O delegado participa do Fórum Social Internacional, em Salvador (BA), e falou com exclusividade para a RFI Brasil.

Vladimir Safatle : O tempo das execuções


Quem matou Marielle Franco sabe que tem carta branca do poder para usar a violência sem temer as consequências
Nesta quarta-feira (14), o Brasil se deparou com o assassinato da vereadora carioca Marielle Franco (PSOL).

Militante dos direitos humanos, ativista negra e relatora da comissão da Câmara de Vereadores responsável pelo acompanhamento dos desmandos da intervenção militar, Marielle denunciara dias atrás execuções do 41º Batalhão da Polícia Militar do Rio de Janeiro, em Acari.

domingo, 7 de janeiro de 2018

Da salvação da pátria – Carlos Heitor Cony


 Posto em sossego por uma cirurgia e suas complicações, eis que o sossego subitamente se transforma em desassossego: minha filha surge esbaforida dizendo que há revolução na rua .



Apesar da ordem médica, decido interromper o sossego e assuntar: ali no Posto 6, segundo me afirmam, há briga e morte. Confiando estupidamente no patriotismo e nos sadios princípios que norteiam as nossas gloriosas Forças Armadas, lá vou eu, trôpego e atordoado, ver o povo e a história que ali, em minhas barbas, está sendo feita.

sexta-feira, 22 de dezembro de 2017

Caveirão: “ eu vim buscar a sua alma”

Caveirão: o carro da morte

Luiza Sansão

Veículo blindado da PM é símbolo de terror para moradores de favelas. Campanha lançada este mês luta para bani-lo de operações policiais

“É o carro do horror. Quando ele vem, chega devastando tudo”, diz a cabeleireira Nadia Santos, moradora do Chapadão, na Zona Norte do Rio de Janeiro, ao se referir ao Caveirão — veículo blindado da Polícia Militar do Estado. “O Caveirão é uma proteção para os policiais. Quando eles entram na favela dentro de um Caveirão, nada acontece com eles. Mas é de onde os policiais atiram. Eles vêm na maldade sabendo que não serão atingidos. Só quem está fora é atingido”, completa. Seu filho, Cleyton, foi morto aos 18 anos por policiais, em 2015.

sexta-feira, 13 de outubro de 2017

Senzala oprimida, feitor violento. Um episódio carioca


Cid Benjamin

Marisa morava na Cidade de Deus.

Ao ser informada por vizinhos de que seus dois filhos adolescentes tinham sido detidos por PMs, foi ver o que acontecia.

O indício de que os jovens eram traficantes, segundo os policiais, era o fato de estarem bem vestidos, "com roupas de marca".

Os dois jovens estavam sendo espancados pelos PMs quando Marisa chegou.

terça-feira, 3 de outubro de 2017

Prisão e morte do Reitor da UFSC

Obtusa, exibicionista e irresponsável 
Rogerio Dultra

Um Processo Administrativo Disciplinar que corre desde 2006 na UFSC para verificar a existência de desvio de verba da Capes resultou, na semana retrasada, na prisão do Reitor. Hoje, às 10:30 Luiz Carlos Cancellier de Olivo se transformou tragicamente na vítima direta da espetacularização punitiva em voga no país.

O reitor estava com um ano e meio de mandato.

De repente, um Processo Administrativo Disciplinar aberto desde 2006 implicou na prisão cautelar do Reitor Cancellier em 2017. Isto soa muito estranho. Alguns, da velha guarda, diriam que é surreal.

terça-feira, 22 de agosto de 2017

Na Justiça do Pará, dano patrimonial pesa mais que morte de sem terra

Há dez meses, 22 camponeses estão presos por depredar uma fazenda. Os policiais envolvidos na chacina de Pau D'Arco estão soltos.

A testemunhas do massacre de Pau D'Arco temem retaliações.

Rodrigo Martins

Palco de um dos maiores massacres campesinos da história do Brasil, Eldorado do Carajás, no Sul do Pará, terá outro emblemático julgamento, desta vez com os sem-terra no banco dos réus. Em 29 de outubro do ano passado, 22 trabalhadores rurais foram presos durante a ocupação da Fazenda Serra Norte, reivindicada para a reforma agrária.

segunda-feira, 7 de agosto de 2017

“Agosto”: de Rubem Fonseca

“Agosto”: O livro de Rubem Fonseca é obrigatório entre as melhores obras policiais do mundo 

“Agosto” (Companhia das Letras) é uma história que navega entre o tema histórico e a trama policial, e a participação de figuras importantes do Brasil de uma época que será lembrada para sempre em nossos livros didáticos traz à baila uma discussão: o que pequenas ações de algumas pessoas podem interferir no futuro de uma nação.

Mas a obra é mais do que isso: ela nos leva a um suspense extremo, a uma voracidade lançada a cada página que é digerida por nossos olhos e pensamento, uma motivação crescente de terminarmos sua leitura o mais rápido possível para descobrir seus pontos centrais.

A violência que há naqueles dias de Brasil não e tão diferente daquela enfrentada hoje. O clima é hostil e a infinita guerra travada através de jogos políticos tem reflexão iminente na base dos mais pobres também. Rubem Fonseca, espertamente, sabe como demonstrar isso por meio de sua verve literária.

segunda-feira, 5 de junho de 2017

Nós, juízes da infância e Juventude do Estado da Paraíba

Nota Pública

Nós, juízes da infância e Juventude do Estado da Paraíba, abaixo assinados, em face da rebelião ocorrida na unidade de internação de adolescentes denominada “Lar do Garoto”, na Comarca de Campina Grande-PB, que vitimou 9 adolescentes, 7 mortos (carbonizados e esquartejados) e 2 gravemente feridos, vimos a público expressar nossa indignação pela grave violação dos direitos fundamentais dos adolescentes que estão sob custódia do Estado e preocupação com o atual estado das unidades de internação da Paraíba, nos seguintes termos:

Agora é tarde demais ( Lar do Garoto )

Como sempre acontece depois de tragédias como aquela ocorrida no "depósito de adolescentes" de Campina Grande/PB, ironicamente chamado de Lar do Garoto, se multiplicam as notas de consternação como também as comissões que querem ir até o local para verificar "de perto" o que aconteceu. AGORA É TARDE DEMAIS. Depois do sangue derramado estas manifestações e intervenções tornam-se inconvenientes.

Algumas chegam até a irritar pois só aparecem depois de anos de omissão e indiferença.

Ao ver as fotos só resta silenciar para admitir nosso absoluto fracasso. É terrível constatar que não estamos conseguindo salvar os nossos adolescentes e jovens das garras da violência e da criminalidade.
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...